SÃO PAULO — A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais no Brasil, está trabalhando para permitir que uma nova Bolsa de Valores possa operar no Brasil e estamos colaborando para isso, disse o CFO da B3 (B3SA3), Daniel Sonder. Segundo o executivo, é um processo “natural” que acontece a medida que o mercado de capitais se torna mais sofisticado.

“O que ainda não aconteceu até hoje é o estabelecimento de uma outra Bolsa de negociação no Brasil. Isso nos parece que é bastante motivado também pelas vantagens de você ter um ambiente comum, um ambiente único, desde que ele esteja funcionando bem e desde que ele tenha um tratamento que do ponto de vista dos clientes seja adequado. Nos parece que a B3 tem oferecido isso ao longo do tempo”, disse em live do InfoMoney.

A live faz parte da série Por dentro dos resultados, em que CEOs e CFOs de empresas abertas comentam os resultados do ano e respondem dúvidas de quem estiver assistindo. Nos próximos dias, haverá lives com Marisa, Hermes Pardini, d1000, Profarma e outras companhias (veja a agenda completa e como participar).

“A gente acha aqui na B3 que o momento vai chegar de a gente ter uma nova plataforma de negociação de ações no Brasil. Foi o movimento que a gente viu em diversos mercados quando eles se sofisticaram, e a gente está passando por isso. A gente trabalha para essa maior sofisticação aqui no Brasil. Então, nos parece um resultado natural que em algum momento o Brasil vai seguir o caminho que outros mercados seguiram”, completou o executivo.

“A gente quer ser a Bolsa escolhida pelos nossos clientes. Não temos nenhum tipo de direito a sermos o único player, temos que conquistar isso todos os dias através do nosso trabalho, da inovação de produtos e serviços, da robustez tecnológica. Esse momento deve vir [de uma nova Bolsa no Brasil], a CVM está trabalhando para facilitar isso e estamos colaborando, trazendo também nossas preocupações para que uma eventual fragmentação não traga fragilidade com isso.”

Sonder comentou que, mesmo sendo a única Bolsa atualmente no Brasil, a B3 já sofre concorrência nos mercados onde atua. “A listagem no exterior de companhias brasileiras nada mais é do que a gente perder essas oportunidades para os nossos concorrentes globais. A B3 trabalha numa indústria altamente globalizada e onde já existe bastante competição”, disse.

Ele citou que há a negociação fora do Brasil de ADRs das empresas brasileiras — as principais empresas da B3 têm ações listadas nos EUA. As companhias brasileiras podem tomar posições em derivativos de ativos brasileiros, taxa de câmbio e câmbio em especial, na forma de transações de balcão fora do Brasil, lembrou.

“Isso já existe e existe há muito tempo. Tem o mercado de emissões de renda fixa, as empresas brasileiras podem emitir debêntures ou até bonds no exterior. Eles não estão usando a plataforma da B3 para fazer o seu funding. Então, a B3 convive em um ambiente global onde existe competição em várias linhas dos nosso serviços”, disse.

Sonder enfatizou que a B3 segue trabalhando para fazer a negociação ficar, na margem, cada vez mais barata. “Especialmente para aqueles investidores que trazem mais volumes, ou seja, o custo marginal ser cada vez menor, esse compromisso está absolutamente mantido e segue sendo um dos pilares da estratégia comercial da companhia”, disse o executivo.

O CFO da B3 comentou ainda sobre os investimentos previstos da companhia para este ano e a expectativa de pagamento de dividendos entre 120% e 150% do lucro neste ano, além da nova política de tarifação da administradora da Bolsa brasileira que foi adiada para janeiro por causa da Covid-19. Assista à live completa acima.

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