SÃO PAULO – O noticiário corporativo é movimentado, com diversas empresas repercutindo os resultados do primeiro trimestre de 2021. Entre os ativos que compõem o Ibovespa, está o Fleury (FLRY3) e Unidas (LCAM3), que sobem 3,8% e 2,7%, respectivamente, após o balanço.

Fora do índice, os ativos da Irani (RANI3) disparam cerca de 9%, os papéis da Duratex (DTEX3) avançam cerca de 4% e Grendene (GRND3) avança cerca de 2%.

Os ativos da Lojas Renner (LREN3), por sua vez, avançam cerca de 3% após a oferta de ações.

Entre as quedas, estão os ativos de Vale (VALE3) e siderúrgicas como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4), depois de fortes altas recentes e também repercutindo os dados da China.

O crescimento da atividade industrial da China desacelerou e ficou abaixo das expectativas em abril, uma vez que gargalos de oferta e aumento dos custos pesaram sobre a produção e a demanda externa perdeu força. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial para a indústria do país caiu a 51,1 em abril de 51,9 em março. Ele permaneceu acima da marca de 50 que separa crescimento de contração, mas ficou abaixo dos 51,7 esperados em pesquisa da Reuters com analistas.

Confira os destaques:

 

Lojas Renner (LREN3)

Em destaque no noticiário corporativo, as ações vendidas em follow-on pela Lojas Renner foram precificadas a R$ 39, levando a uma captação pela varejista de  R$ 3,978 bilhões.

A quantidade de papéis inicialmente ofertada poderia ter sido acrescida em até 35%, o que a companhia acabou não fazendo.

A Renner tem a intenção de usar o dinheiro levantado para o desenvolvimento e fortalecimento do ecossistema de moda e lifestyle da companhia por meio de iniciativas orgânicas e/ou inorgânicas.

Duratex (DTEX3)

A Duratex teve lucro líquido de R$ 172,699 milhões no período, alta de 232,2% frente os três primeiros meses do ano passado.

“Este resultado foi influenciado pelos benefícios capturados nos projetos de eficiência, assim como o desempenho financeiro favorável, sobretudo devido à queda no patamar da taxa de juros e variação cambial. Vale ressaltar ainda que, no 1T20, o lucro líquido foi favorecido pela maior variação do ativo biológico, devido à apuração de inventário do ativo florestal aportado na joint venture de Celulose Solúvel”, explica a companhia.

A receita líquida consolidada foi de R$ 1,768 bilhão no trimestre, alta de 52,2% na comparação anual. Enquanto isso, o Ebitda somou R$ 464, 610 milhões, 74,4% superior em comparação com igual período do ano passado.

O Credit Suisse comentou os resultados divulgados para a Duratex para o primeiro trimestre, que classificou como fortes. O Ebitda ficou 15% acima de sua estimativa e 25% acima daquela do consenso do mercado.

O banco mantém recomendação outperform para a Duratex, já que espera que a empresa se beneficie de um ciclo de vários anos de crescimento da atividade de construção no Brasil, impulsionada por taxas de juros mais baixas, retomada da confiança do consumidor e estoques baixos de unidades residenciais. O preço-alvo é de R$ 25, frente aos R$ 21,96 de fechamento na quinta pelos papéis da empresa.

O Bradesco BBI destaca que o Ebitda com painéis de madeira subiu 158% em comparação com o patamar de um ano antes, devido a preços realizados mais altos e volumes fortes. A margem Ebitda da Deca caiu de 23% no trimestre anterior para 14%, mas fica acima daquela do mesmo período de 2020. A queda se deve a volumes mais baixos e a preços mais altos.

O banco tem recomendação neutra para a Duratex, com preço-alvo de R$ 23.

Unidas (LCAM3)

O grupo de aluguel de veículos e gestão de frotas Unidas teve lucro líquido recorde de R$ 231,4 milhões no primeiro trimestre, quase três vezes (alta de 190,9%) acima do resultado obtido no mesmo período de 2020, apesar da incidência de novas medidas de isolamento social no trimestre.

O resultado veio com crescimentos nas diárias de aluguel de veículos (3,1%) e também na tarifa média (3,5%), enquanto na área de terceirização de frotas houve aumentos de 16% no número de diárias e de 17,4% na tarifa mensal. Em seminovos, a empresa registrou expansão de 47,5% no preço médio e alta de 1,3% no número de veículos vendidos.

A geração de caixa da Unidas, que está aguardando aval do Cade para a oferta de aquisição feita pela rival Localiza, medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) saltou 68,6%, para R$ 528 milhões. A margem disparou de 52,5% para 75,1%.

“Com a oferta de veículos zero quilômetro km ainda baixa e o aumento significativo dos preços, a demanda por veículos seminovos continua crescendo e os resultados só não foram ainda mais robustos por conta da necessidade de manter a operação de locação coberta”, afirmou a Unidas no balanço.

A receita líquida consolidada atingiu R$ 1,6 bilhão no período, alta de 33% em relação aos três meses encerrados no fim de março.

A companhia terminou o trimestre passado com uma frota 166.125 veículos, dos quais 95.745 na área de terceirização e 66.900 em aluguel de carros. Um ano antes, divisão de gestão de frotas tinha 84.334 veículos e a de aluguel de carros 80.815.

A Unidas investiu R$ 1,1 bilhão em frota no primeiro trimestre, correspondendo à compra de 15,9 mil carros. As vendas de veículos foram maiores: 16.683 carros.

O Bradesco BBI destacou que o Ebitda ficou 11% acima da estimativa do banco e 17% acima do consenso do mercado.

As receitas fortes foram impulsionadas pela alta na receita com aluguéis, aumento dos preços médios de aluguel. A receita de gestão de frotas subiu 35,2%. E o preço médio por carro vendido subiu 48% na comparação anual, para R$ 55.100. A performance operacional positiva da empresa e o mercado de carros usados forte fez com que a margem Ebitda se expandisse.

O banco mantém sua avaliação outperform (expectativa de valorização dentro da média do mercado) para a empresa, com preço-alvo de R$ 39, devido à demanda por aluguéis de carros e liquidez de caixa. O banco diz que a empresa está sendo negociada por 11% abaixo do preço implícito pela proposta de fusão com a Localiza.

O Credit Suisse classificou os resultados como sólidos, com Ebitda 6% acima de suas estimativa, e a receita líquida em linha, impulsionadas pelo Ebitda de vendas de carros usados, com margem de 14%. O banco mantém recomendação outperform para a empresa, com preço-alvo de R$ 33.

Grendene (GRND3)

A Grendene teve um lucro líquido de R$ 129,2 milhões no primeiro trimestre de 2021, valor 334% acima do registrado em igual período de 2020, impulsionado pela alta nas vendas  no exterior e no mercado interno, enquanto houve maior eficiência nas despesas operacionais.

O Ebitda teve alta de 109%, a R$ 127,1 milhões. A margem Ebitda foi a 24,3%, alta de 8 pontos percentuais, uma vez que a receita líquida da companhia subiu 41%, totalizando R$ 523,3 milhões.

As vendas tiveram alta de 37% em receita no mercado interno e 33,9% em volume. A receita com exportações teve alta de 61%, enquanto o volume subiu 44,6%.

Já as despesas operacionais tiveram alta de 16,5%, inferior ao incremento das vendas no período.

Transmissão Paulista (TRPL4)

A transmissora de energia Isa Cteep, controlada pelo grupo colombiano Isa, reportou um lucro líquido de R$ 308,1 milhões no primeiro trimestre, praticamente estável frente ao mesmo período do ano anterior, embora com importante avanço nos ganhos operacionais.

O Ebitda da companhia teve alta de 16,7% na comparação anual, a R$ 696,8 milhões, enquanto o Ebitda ajustado subiu 28,5%, para R$ 770,4 milhões.

“É um crescimento importante, alinhado com a estratégia”, disse à Reuters o presidente da elétrica, Rui Chammas, ao destacar o aumento de 4,8% nos investimentos durante o período, para R$ 290,9 milhões.

Os aportes em reforços e melhorias dispararam 726,8% frente a 2020, somando R$ 58,7 milhões, em meio a planos da Cteep de aumentar os recursos direcionados a esses empreendimentos, modernizando sua rede e trocando equipamentos antigos.

Light (LIGT3)

A Light informou nesta sexta-feira que assembleia geral extraordinária aprovou o grupamento da totalidade das ações de emissão da elétrica à razão de cem para uma, segundo fato relevante.

Também foi aprovado o simultâneo desdobramento de cada ação grupada na proporção de uma para cem, diante da existência de um grande número de acionistas da companhia detentores de participações acionárias inferiores a cem, cuja maioria se encontra na condição de inativo.

Segundo a Light, essa condição gera significativo volume de serviços e custos operacionais para a companhia.

Simultaneamente, os valores mobiliários negociados no mercado americano (ADR) também serão grupados e desdobrados, disse a empresa.

As operações não resultarão em alteração do valor do capital social da Light, e os direitos conferidos pelas ações de emissão da companhia a seus titulares também não serão modificados.

Irani (RANI3)

A Irani Papel e Embalagem lucrou R$ 56,70 milhões no primeiro trimestre de 2021, um montante 215% acima do obtido em igual período do ano passado

A receita líquida subiu 50,7% no primeiro trimestre na comparação anual, a R$ 356,16 milhões. A alta ocorre em função da alta nos preços dos produtos nos segmentos embalagem de papelão ondulado e papel para embalagens, além do real desvalorizado, que favorece a exportação. Houve também o aumento do volume e de preços do segmento florestal RS e resinas.

O Ebitda ajustado subiu 92% no primeiro trimestre, a R$ 100,34 milhões.

Fleury (FLRY3)

A rede de laboratórios registrou um lucro líquido de R$ 118,6 milhões no primeiro trimestre de 2021, valor 102% superior ao do mesmo período do ano passado. O número também bateu a média das expectativas dos analistas segundo a Refinitiv, que apontava para um lucro de R$ 97,31 milhões no período.

Já o Ebitda do Fleury foi de R$ 285,5 milhões, um crescimento de 45,7% ante o primeiro trimestre de 2020 e maior que os R$ 251,77 milhões esperados pelos analistas.

A receita líquida, por sua vez, foi de R$ 893,8 milhões, número 25,2% acima do registrado nos primeiros três meses do ano passado e superior aos R$ 855,3 milhões que o mercado projetava.

O Morgan Stanley destacou que a recuperação das receitas continua, apoiada por mais procedimentos eletivos e exames de Covid, que representaram 10% da receita. Os negócios B2B tiveram desempenho forte, positivos em relação a Rede D’Or e Hermes Pardini, mas negativos em relação a Notre Dame e Hapvida.

A receita líquida subiu em linha com as estimativas, devido a uma recuperação de procedimentos eletivos e uma base comparativa menor, já que o desempenho de março de 2020 foi afetado por medidas de isolamento. As marcas do Rio de Janeiro foram um destaque.

O Ebitda ajustado ficou 7% acima da expectativa do Morgan Stanley e 13% acima do consenso do mercado. A margem Ebitda ajustada ficou 0,9 ponto percentual acima da expectativa do Morgan Stanley. Se ajustada em R$ 2,5 milhões por receitas não recorrentes, ficaria 0,7 ponto percentual acima.
O banco destaca que a plataforma Saúde ID gerou R$ 6 milhões em receitas adicionais, ganhando tração. De 1,1 milhão de clientes atendidos, 9,8% vieram por meio da plataforma no primeiro trimestre, duas vezes mais do que no quarto trimestre de 2020. Além disso, a telemedicina ganha espaço, com 40% dos clientes em cidades onde o Fleury não tem unidades físicas.

O banco prefere a Rede D’Or em uma aposta para a reabertura do mercado de saúde, destacando que a Covid tem levado a uma ocupação extremamente alta dos hospitais e, potencialmente, a receitas mais altas. O Morgan Stanley mantém avaliação underweight para o Fleury, com preço-alvo de R$ 28.

O Credit Suisse, por sua vez, destacou que os dados indicam crescimento expressivo da receita líquida na comparação anual, com contribuição expressiva dos testes para Covid, frente a resultados anteriores impactados pelas medidas de isolamento físico. O banco ressalta que a empresa foi capaz de manter seus custos e gastos em linha com aqueles do quarto trimestre de 2020, o que levou a lucratividade mais alta do que os níveis pré-Covid.

O banco avalia que a atual situação atual da pandemia não permite ter uma visibilidade boa sobre a demanda, já que as pressões podem tanto trazer resultados positivos, como mais exames de PCR, quanto impactar negativamente, reduzindo exames de rotina.

Mas o banco ressalta que a empresa continua a trabalhar com diversificação. Sob a nova gestão, a empresa começou a publicar novos indicadores sobre sua base de usuários, que o banco define como “essenciais” para demonstrar sua habilidade para vender serviços ambulatoriais. O banco  mantém cautela ao considerar valor adicional pelas novas linhas de negócios. O Credit mantém avaliação neutra, e preço-alvo de R$ 28.

Wiz (WIZS3)

A Wiz fechou acordo para exclusividade na comercialização de produtos de seguros no balcão do Banco de Brasília (BRB) por 20 anos. O valor da transação não foi revelado.

Modalmais (MODL11)

A sessão desta sexta marca a estreia do banco digital Modalmais na B3. As units da companhia foram precificadas a R$ 20,01, em oferta que movimentou cerca de R$ 1 bilhão.

Fundada em 1995, o Modalmais é uma empresa que atua no setor financeiro com sede no Rio de Janeiro.

B3 (B3SA3)

A B3 informou que, em reunião na quinta, o conselho de administração tomou decisões sobre mudanças e ampliação na diretoria estatutária da empresa. A vice-presidência de operações foi reformulada. Suas funções serão atribuídas a duas novas vice-presidências, que se reportarão ao presidente.

A atual Diretora de pós-negociação, Viviane Basso, assume a posição de vice-presidente de operações. Mario Palhares, atual diretor de produtos, assume a posição de vice-presidente de operações. A B3 afirma que as mudanças também se devem a “decisão pessoal” do atual vice-presidente de operações, clearing e depositária, Cícero Augusto Vieira Neto, de deixar a equipe de liderança da B3.

Vale (VALE3)

A mineradora Vale teve uma subsidiária, a CPBS (Companhia Portuária Baía de Sepetiba), multada em R$ 2,38 milhões pela prefeitura de Itaguaí, no Rio de Janeiro, após inspeção e vistoria da Secretaria Municipal do Ambiente e Sustentabilidade, informou a administração da cidade na quinta. A inspeção aconteceu no Terminal de Minério de Ferro e Granéis Sólidos localizado na Ilha da Madeira, em Itaguaí.

“Ao todo foram mais de dezessete irregularidades anotadas no relatório de vistoria que vão desde a ausência de uma central de resíduos, até a Licença de Operação que está vencida há cerca de nove anos”, afirmou a prefeitura em comunicado. Procurada, a Vale não respondeu de imediato a um pedido de comentários sobre a autuação.

Alliar (AALR3), Fleury (FLRY3), Instituto Hermes Pardini (PARD3)

A XP iniciou a cobertura do setor de laboratórios com recomendação neutra (expectativa de valorização dentro da média do mercado) para a Alliar. O preço-alvo é de R$ 10 por ação, frente a R$ 8,94 negociados na quinta. O preço-alvo para o Fleury é de R$ 29 por ação.  O do Instituto Hermes Pardini, é de R$ 21.

A XP avalia que “os laboratórios estão em uma posição difícil na cadeia de valor de saúde com poder de barganha limitado junto aos pagadores”, que são os planos de saúde. Segundo a XP, as operadoras enfrentam um cenário competitivo difícil, já que o total de beneficiários dos planos está estável desde 2016. Operadoras mais verticalizadas vêm oferecendo planos com preços mais baixos e as pressionam por preços menores.

Além disso, a XP ressalta que o número de laboratórios cresceu 70%, enquanto que o número de hospitais, por exemplo, caiu 12%. Isso pressiona seus preços e o valor das ações.

Vamos (VAMO3)

O Bradesco BBI comentou o anúncio pela Vamos de pagamento de R$ 71,6 milhões por 436 empilhadeiras da BYD, alugados para 26 clientes. Os contratos de aluguel valem por 36 meses. A Vamos vai pagar em dinheiro por 50% dessa aquisição no fechamento do negócio. Os outros 50% serão pagos em parcelas no decorrer de 12 meses.

O banco avalia o negócio como positivo para a Vamos, que expande dessa forma seu portfólio de produtos. Além disso, a medida está alinhada às metas de ESG (governança ambiental e corporativa) da Vamos (a fabricante é focada em veículos elétricos). O banco estima que os contratos podem render R$ 18,9 milhões em receitas, R$ 16,8 milhões em Ebitda e R$ 2,5 milhões em receitas líquidas por ano. O negócio pode adicionar R$ 0,30 em valor para o preço-alvo para a Vamos, diz o Bradesco. O banco mantém recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo para 2021 em R$ 40.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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