SÃO PAULO – A sessão começou relativamente morna para o Ibovespa mas, acompanhando o movimento das bolsas americanas, o índice voltou a registrar perdas expressivas, perdendo os 100 mil pontos.

Na ponta positiva, quem teve grande destaque durante toda a sessão é o Pão de Açúcar (PCAR3, R$ 71,35, +14,80%), que viu suas ações dispararem até 19% após o Grupo anunciar a intenção de segregar a operação do Assaí, que opera os negócios de cash and carry (atacarejo). A notícia também chegou a puxar as ações do Carrefour Brasil (CRFB3, R$ 20,55, -1,53%), do mesmo segmento; contudo, os papéis CRFB3 viraram para queda, acompanhando o movimento mais negativo dos mercados. Confira a análise sobre PCAR3.

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 22,15, -3,78%; PETR4, R$ 22,12, -2,68%) voltaram a cair acompanhando o movimento do petróleo, que fechou em queda após a recuperação da véspera. O WTI para novembro caiu 1,97%, cotado a US$ 38,05 o barril, enquanto o Brent recuou 1,79%, a US$ 40,06 o barril. Os papéis da petroleira, que registravam queda durante toda a sessão, intensificaram as perdas para acima de 3% para os ativos ON. Os papéis da PetroRio (PRIO3, R$ 39,59, -4,16%) também tiveram expressiva baixa.

A queda veio após o American Petroleum Institute (API) estimar, no fim da tarde de ontem, que o volume de petróleo bruto estocado nos EUA teve aumento de 3 milhões de barris na última semana. Reforçando o cenário mais negativo, os investidores acompanharam ainda o levantamento oficial sobre estoques de petróleo dos EUA, com alta de 2 milhões de barris na última semana, ante expectativa de 1,3 milhão.

Entre as commodities, os papéis da Vale (VALE3, R$ 58,53, -2,45%) também registraram queda superior a 2%.

Entre os poucos destaques positivos do índice estão, além de Pão de Açúcar, as empresas de proteína BRF (BRFS3, R$ 20,62, +3,72%), JBS (JBSS3, R$ 22,53, +2,41%), Minerva (BEEF3, R$ 12,93, +2,05%) e Marfrig (MRFG3, R$ 16,60, +2,03%). Apenas sete ações do índice fecharam com ganhos.

De acordo com o Daily Livestock Report, em julho, as importações dos EUA de carne bovina – fresca, congelada e cozida – aumentaram 41% em relação ao mesmo período no ano anterior. O maior aumento foi nas importações vindas da Nova Zelândia, que registraram um volume praticamente duas vezes aquele do ano anterior. Isso teria acontecido porque o país diminuiu significativamente suas exportações para a China este ano, já que os compradores chineses estariam suprindo a maior parte de suas necessidades via importações vindas da América do Sul, de acordo com Len Steiner. As exportações do Brasil para os EUA aumentaram 141% na base anual em volumes.

“Consideramos esta notícia positiva porque ela mostra que (i) as exportações do Brasil para a China continuam fortes, principalmente em preços, assim como as exportações do Brasil para os EUA, impulsionadas por volumes; (ii) além disso, as exportações dos EUA para os países asiáticos também permanecem estáveis. Temos perspectiva positiva para a carne bovina no curto e médio prazo e acreditamos que notícias como essa devem beneficiar as empresas expostas ao segmento, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos”, destaca a equipe de análise da XP Investimentos.

As aéreas Gol (GOLL4, R$ 20,25, +2,07%) e Azul (AZUL4, R$ 26,10, -0,46%), tiveram movimentos diferentes, com a Azul tendo leves perdas. A Gol afirmou hoje que planeja expandir operação para 300 voos por dia a operação em setembro.

Fora do índice, quem ganha destaque é a Biosev (BSEV3, R$ 5,54, +7,36%), que seguiu a disparada de 21,99% da véspera, ainda que de forma mais modesta, após a Cosan (CSAN3, R$ 75,56, -3,51%) informar que sua controlada Raízen está mantendo tratativas preliminares com a Biosev que poderão resultar em uma potencial transação entre as companhias.

Chamou ainda a atenção a informação de que pelo menos um banco vai contestar a mudança no plano de recuperação judicial da Oi (OIBR3, R$ 1,66, -7,78%;OIBR4, R$ 2,63, -7,72%), aprovada na terça-feira em assembleia geral de credores; as ações voltaram a registrar queda, de mais de 7%, nesta sessão. Veja mais sobre a Oi clicando aqui. 

Confira os destaques:

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
PCAR3 14.8029 71.35
BRFS3 3.72233 20.62
JBSS3 2.40909 22.53
GOLL4 2.06653 20.25
BEEF3 2.05209 12.93

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
RENT3 -5.37634 51.92
LREN3 -4.4242 44.07
PRIO3 -4.16364 39.59
HAPV3 -4.08552 65.5
SBSP3 -3.9521 48.12

GPA (PCAR3, R$ 71,35, +14,80%)

O Grupo Pão de Açúcar iniciou um estudo para a segregação do Assaí, que opera os negócios de cash and carry (atacarejo).

Primeiro, a participação acionária detida pelo Assaí no Amacenes Éxito será transferida para o GPA. Depois, ocorrerá uma cisão parcial do GPA. Em seguida, a empresa vai listar as ações do Assaí no Novo Mercado da B3, e dos ADRs da empresa na bolsa de Nova York. Finalmente, as ações de emissão do Assaí serão distribuídas aos acionistas do GPA.

De acordo com a empresa, o objetivo da transação é liberar o pleno potencial dos negócios de cash & carry e varejo tradicional da companhia, permitindo que operem de forma autônoma. Além disso, a operação permitirá acesso direto ao mercado de capitais e a outras fontes de financiamento.

Em relatório, o Itaú BBA afirmou que a iniciativa do GPA “faz sentido” porque tem como objetivo refletir o valor dos diferentes ativos do grupo de forma individual. Segundo o banco, o Assaí deve valer R$ 27 bilhões separadamente, considerando uma relação Preço/Lucro de 22,5 vezes e margem líquida de 3,4% em 2021.

“Se nossas estimativas estiverem corretas, o grupo pode valer R$ 31 bilhões depois da transação (incluindo Éxito, CNova e Multivarejo, e excluindo a dívida líquida), implicando em um potencial de alta de 88% para os níveis atuais de PCAR3. O banco tem recomendação de outperform para o papel e preço alvo de R$ 95 para 2021.

Já o Credit Suisse destacou que o Assaí opera 169 lojas e é a segunda maior empresa de atacarejo do Brasil, com muito espaço para crescer. Segundo o banco, a transação vai destravar valor para a empresa e aumentar o acesso a financiamento. “Mais do que isso, acreditamos que o anúncio vai chamar atenção para a valuation atual de PCAR3, que vemos muito descontada.” O banco espera uma reação positiva do mercado hoje.

Em relatório, o Credit disse que o preço atual do papel não faz sentido, considerando que a empresa cresce a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 28% nos últimos cinco anos. “Se considerarmos os múltiplos dos concorrentes de atacarejo, a divisão sozinha valeria R$ 17 bilhões, o que representa todo o valor de mercado do GPA.” O Credit reiterou rating de outperform para PCAR3.

Oi (OIBR3, R$ 1,66, -7,78%;OIBR4, R$ 2,63, -7,72%)

Depois de aprovar mudanças no seu plano de recuperação judicial, a Oi deve enfrentar a contestação de pelo menos um grande banco às mudanças. Segundo o Valor Econômico, além do “haircut” de 55% no valor de face das dívidas, a diferença de tratamento em relação aos “bondholders” é outro ponto que incomoda as instituições financeiras.

Petz (PETZ3)

A Petz concluiu a oferta inicial de ações (IPO) na véspera. Com a oferta, o fundo de private equity americano Warburg Pincus deixa o controle da companhia para ser um sócio minoritário, com 5% do capital, de acordo com o Estado de S.Paulo.

Leia também: “Aprendi muita coisa quando quebrei”, diz fundador da Petz em podcast

O fundador da empresa, Sergio Zimermamm, voltou a ser o maior acionista da empresa, com 35%. A estreia ocorre dia 11, próxima sexta-feira. A ação da companhia hoje ficou em R$ 13,75, ante uma faixa indicativa de preço para o IPO que ia de R$ 12,25 e R$ 15,25. A Petz captou R$ 3,03 bilhões contando os lotes extras, sendo R$ 2,69 bilhões com a oferta secundária.

Hapvida (HAPV3, R$ 65,50, -4,09%)

A Hapvida anunciou uma parceria com a Roche para consolidar suas atividades de diagnóstico laboratorial em uma unidade central (Núcleo Técnico Operacional – NTO).

Pelo acordo, a Roche irá construir a primeira instalação desse tipo fora da Europa que, após implementada, irá substituir os atuais 18 NTO regionais.

Para a construção e instalação do NTO, que ficará em Recife,serão investidos cerca de R$ 6 milhões pela companhia. A nova operação poderá processar tanto exames mais simples quanto os mais complexos, inclusive processando exames que hoje são enviados para laboratórios terceirizados. Atualmente, 83% dos exames são processados em unidades próprias, mas o NTO será capaz de processar cerca de 95% dos exames laboratoriais.

Biosev (BSEV3, R$ 5,54, +7,36%) e Cosan (CSAN3, R$ 75,56, -3,51%)

A Cosan informou sua controlada Raízen está mantendo tratativas preliminares com a Biosev que poderão resultar em uma potencial transação entre as companhias. A declaração foi uma resposta a um questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), depois de uma notícia publicada pela Bloomberg com o título ““Raízen negocia compra da Biosev com pagamento em ações”.

A Biosev também se pronunciou, declarando que segue focada em seu programa de competitividade operacional, que inclui potenciais alternativas estratégicas relacionadas ao seu portfólio de ativos, inclusive parcerias, associações, joint ventures, reorganizações societárias, alienação de ativos e extensão de seu endividamento financeiro.

Vale (VALE3, R$ 58,53, -2,45%)

A Justiça Federal de Minas Gerais negou uma intervenção legal imediata na mineradora Vale requerida pelo Ministério Público Federal (MPF) enquanto aguarda a defesa da companhia, de acordo com um decisão judicial publicada ontem, de acordo com a Reuters. O caso prosseguirá na 14ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de Minas.

Na semana passada, o MPF em Minas Gerais ajuizou uma ação civil pública pedindo intervenção na mineradora, com o afastamento dos executivos responsáveis pela política de segurança da companhia.

Segundo o Morgan Stanley, o processo deve seguir agora um caminho normal, com um prazo de 15 dias úteis (a partir da publicação oficial da decisão de hoje) para a Vale apresentar sua defesa. Para o banco, este processo é um esforço dos promotores para fortalecer sua posição em negociações com a Vale, mas faz sentido que as partes cheguem a um acordo final, encerrando as disputas judiciais.

Gol (GOLL4, R$ 20,25, +2,07%)

A Gol planeja expandir operação para 300 voos por dia a operação em setembro. A meta se compara com a média de 190 voos por dia em agosto e tem como finalidade atender à crescente demanda por
transporte aéreo, disse a companhia em comunicado.

A aérea terá 74 aeronaves operacionais e planeja reabertura de mais 3 bases, com a expectativa de que as operações em setembro alcancem 40% do realizado no mesmo mês de 2019.

A Gol encerrou agosto com cerca de R$ 2,1 bilhões em liquidez total, que considera suficiente para financiar atividades, pagar despesas e dívidas.

A ASK subiu 18% em agosto na base mensal, segundo dados preliminares e não auditados.

Copasa (CSMG3, R$ 48,71, -1,32%)

A Copasa informou que Conselho Mineiro de Desestatização autorizou a assinatura de contrato com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para prestação de serviços técnicos necessários ao processo de desestatização da empresa. Segundo a Copasa, ainda é preciso obter autorização legislativa.

Para Gabriel Francisco, analista da XP Investimentos, a probabilidade de a Copasa ser privatizada é muito baixa devido: (i) à dificuldade de articulação política do partido do Governador do Estado (Partido Novo) dentro do Congresso do Estado de Minas Gerais que necessita realizar mudanças na Constituição do Estado para viabilizar processos de privatização e (ii) o contrato de Programa da capital do estado, Belo Horizonte (30,9% do faturamento), em que há cláusulas explícitas que levam à anulação do contrato no caso de um processo de privatização.

“Não achamos justa uma eventual valorização das ações da Copasa após notícias referentes à assinatura de contrato entre o Conselho Mineiro de Desestatização e o BNDES para estruturar a privatização da companhia. Na nossa visão, os riscos existentes para o processo deveriam justificar um desconto das ações em relação ao preço atual e à Sabesp em termos de múltiplos”, reforça o analista, que mantém  recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 46 por ativo.

CSU (CARD3, R$ 15,02, -0,92%)

A CSU Cardsystem está avaliando realizar uma oferta pública primária e secundária de ações ordinárias com esforços restritos de colocação. O banco Credit Suisse está atuando como coordenador da oferta, que ainda está sujeita a aprovação da empresa e do controlador, e depende também das condições de mercado.

Rumo (RAIL3, R$ 21,45, -2,85%)

A Superintendência-Geral do Cade decidiu ontem recomendar ao tribunal do Cade a condenação da Rumo Logística Operadora Multimodal e América Latina Logística S.A. no processo movido no órgão pella Agrovia S.A, de acordo com a Veja. Em relatório, o Credit Suisse afirmou que a decisão não é final. Mesmo no pior cenário, a multa máxima seria menos de 1% do valor de mercado, destacou o banco.

Petrobras (PETR3, R$ 22,15, -3,78%; PETR4, R$ 22,12, -2,68%)

A Petrobras informou que bateu o recorde de produção de Diesel S-10 pelo terceiro mês consecutivo. Em agosto, as refinarias da companhia processaram 1,84 milhão de m³ do produto, volume ligeiramente maior ao de julho, quando atingiu 1,81 milhão de m³, e 15% superior à marca de junho, de 1,6 milhão de m³.

A empresa disse que também bateu o recorde mensal de comercialização de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo). Em agosto, foram 80.204 toneladas vendidas, o equivalente a 6,16 milhões de botijões P13, contra 75.730 toneladas do recorde anterior, atingido em junho, representando um aumento de 5,9%. O primeiro recorde do ano havia sido obtido em maio, com 71.115 toneladas.

Já a Petrobras lança oferta de recompra de títulos de dívida externa com vencimentos entre 2022 e 2049, de acordo com comunicado. A oferta vence às 17h, horário de Nova York, em 16 de setembro.

Tecnisa (TCSA3, R$ 11,02, -1,69%) e Gafisa (GFSA3, R$ 4,70, +0,43%)

Esta quinta-feira marca a AGE da Tecnisa para discutir potencial integração de negócios entre Tecnisa e Gafisa. De acordo com informações do jornal Valor Econômico, o placar entre os que se comprometeram a votar a favor ou contra o negócio está apertado.

JSL (JSLG3, R$ 31,55, -1,59%)

O Cade aprovou a compra da Fadel Holding pela JSL. Ainda em destaque, a agência de classificação de risco S&P mudou outlook da companhia de negativo para estável

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