(Bloomberg) — Não há nada no balanço da Blink Charging indicando que a ação da empresa está entre as mais populares nos Estados Unidos.

A companhia nunca registrou lucro anual em seus 11 anos de história; alertou no ano passado que poderia ir à falência; tem perdido participação de mercado e registra uma receita anêmica.

Ainda assim, a demanda pela ação da empresa é alta. Os papéis da Blink deram um salto de 3.000% nos últimos oito meses. Apenas sete ações – de cerca de 2.700 que valem pelo menos US$ 1 bilhão – subiram mais ao longo desse período.

O motivo: a Blink é uma empresa de energia verde, proprietária e operadora de estações de recarga de veículos elétricos. E se os investidores têm certeza de alguma coisa é que as empresas verdes são investimentos imperdíveis e obrigatórios do futuro.

Nenhuma ação capta melhor essa euforia do que a da Blink. Com valor de mercado de US$ 2,3 bilhões, o indicador de valor/vendas da empresa – uma métrica comum para saber se uma ação está sobrevalorizada – disparou para 493. Em comparação, para a Tesla – a queridinha do mundo de veículos elétricos e uma empresa com valor de mercado muito maior – esse número é de apenas 25.

“Tudo sobre a empresa está errado”, disse Andrew Left, fundador da Citron Research. “É apenas um nome bonito que chamou a atenção dos investidores de varejo.”

A Citron foi uma das poucas empresas que apostou contra a Blink no ano passado, com operações de venda a descoberto que recompensariam se o preço das ações caísse.

É uma das várias apostas de baixa em ações favorecidas pela multidão de investidores de varejo que se posicionaram contra a Citron – com a GameStop sendo a mais conhecida -, o que levou Left a anunciar em 29 de janeiro que a empresa iria suspender pesquisas sobre ações com posições vendidas.

O indicador de posições vendidas em ações da Blink – que mostra a quantidade de apostas contra os papéis – caiu para menos de 25% das ações em circulação em relação a mais de 40% no final de dezembro.

Para os vendedores a descoberto, uma das coisas que chama atenção é que vários nomes da Blink, incluindo o CEO e presidente do conselho, Michael Farkas, foram associados a empresas que entraram em conflito com normas regulatórias anos atrás.

Farkas descarta essa e outras críticas feitas por investidores com posições vendidas. “Sempre houve e sempre haverá críticos”, disse Farkas por e-mail. “Quando fundei a empresa, os críticos questionavam se a mudança para veículos elétricos era real. Agora, à medida que o valor do nosso negócio cresce, os críticos tendem a ser vendedores a descoberto.”

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