SÃO PAULO – As ações de varejistas de moda têm disparada na tarde desta segunda-feira (16), em uma semana movimentada para o setor e com diversas especulações sobre fusões e aquisições no varejo de moda após a Arezzo (ARZZ3) propor combinação de negócios com a Cia. Hering (HGTX3).

Os papéis da Cia. Hering , que chegaram a cair 3,65% mais cedo, passaram a subir forte a partir do meio-dia, chegando a avançar 12,23%. Às 12h58 (horário de Brasília), a alta era de 8,49%, a R$ 23,77.

Quem também passou a subir forte foi a Lojas Renner (LREN3), com ganhos de cerca de 9%. Fora do índice, quem se destaca é a C&A (CEAB3), com alta que chegou a ser de 17% e a Lojas Marisa (AMAR3), com alta de mais de 13%.

O movimento de forte alta aconteceu após rumores, depois confirmados, de uma oferta de ações da Lojas Renner.

Segundo informações do site Brazil Journal, os investidores passaram a especular que a companhia estaria pronta para fazer uma oferta pela C&A ou pela Marisa, levando à disparada das ações. Neste cenário de maior consolidação, os ativos da Cia. Hering, que também passaram a ser alvo de disputa no mercado, também viraram para alta.

Segundo a publicação, citando duas fontes, as Lojas Renner estariam preparando uma oferta de ações para levantar entre R$ 4 bilhões e R$ 4,5 bilhões no mercado. Porém, destacou, a empresa pretende fazer a oferta para financiar seu plano de crescimento orgânico e eventualmente estar pronta para uma possível oportunidade de fusão ou aquisição, mas sem um alvo em vista, ao contrário do especulado.

Em meio aos rumores, a Renner confirmou nesta sexta-feira que avalia realizar uma oferta primária de ações com esforços restritos e que já engajou determinados assessores financeiros. A companhia afirmou, contudo, que “não há, nesta data, definição final quanto à realização da referida oferta, sua estrutura, destinação de recursos ou volume”.

Itaú BBA, BTG Pactual, Morgan Stanley, JPMorgan e Santander serão os coordenadores de uma eventual oferta, disse à Reuters uma fonte a par do assunto.

Os rumores desta sexta confirmam as indicações de que o cenário de consolidação do setor deve pautar cada vez mais as movimentações dos ativos no curto prazo. Mesmo após a recusa da Cia. Hering em combinar negócios com a Arezzo, a expectativa de muitos analistas de mercado é de que a Arezzo possa fazer novas propostas ou até que outras companhias fiquem de olho na empresa (veja mais clicando aqui).

Em relatório distribuído ao mercado nesta sessão, o Bank of America destacou que uma combinação de negócios entre Arezzo e Hering pode ter sentido estratégico, com sinergias potenciais entre as duas companhias em várias critérios, incluindo produto, segmentação, fabricação, compras, cadeia de suprimentos, sistemas, comércio eletrônico e estruturas e processos dos canais físicos. O banco reiterou recomendação de compra para os ativos ARZZ3, com preço-alvo de R$ 90.

Cabe destacar que a Arezzo já incorporou a Reserva, marca de vestuário masculino, com o mercado entendendo como positivo o movimento de ampliar a linha de atuação da companhia para mais segmentos do setor de moda e têxtil. Apesar da visão positiva, a sessão para os ativos ARZZ3 é de leve queda, de cerca de 0,8%, destoando do restante do setor.

Ainda no radar de fusões e aquisições, o grupo de moda Soma (SOMA3), dono de marcas como Animale e Farm, afirmou em comunicado ao mercado que está avaliando uma combinação de negócios com a rede de moda feminina Shoulder, ressaltando que as negociações ainda estão em fase preliminar.

Para Leonardo Milane, sócio e economista da VLG Investimentos e professor da FIA, o setor voltou aos holofotes em meio aos rumores sobre operações de fusões e aquisições, que devem seguir movimentando o noticiário das companhias no curto prazo. Isso porque, em meio à crise com a pandemia do coronavírus que abalou as empresas do setor, companhias relativamente mais fortes devem buscar oportunidades com a compra de companhias que estão em situação relativamente mais frágil.

Este é o caso, por exemplo, da Arezzo ao propor combinação de negócios com a Cia. Hering que, apesar da forte alta recente das ações, ainda vê a sua ação HGTX3 longe dos patamares de negociação de 2019. A Renner, como líder do setor do varejo de moda, também pode buscar oportunidades no setor.

Ganhando com a reabertura

Contudo, além do noticiário sobre fusões e aquisições, as novidades sobre a reabertura do comércio em alguns estados, como foi o caso de São Paulo nesta sexta, também anima os papéis do setor, aponta Milane.

Além das varejistas, Iguatemi (IGTA3), brMalls (BRML3) e Multiplan (MULT3), que registravam baixa no início da sessão, também viraram para ganhos, ainda que mais modestos, entre 0,5% e 1%.

O movimento aconteceu com informações de que o governo de São Paulo anunciaria a abertura do comércio a partir da semana que vem, numa flexibilização das medidas para o controle da transmissão do coronavírus.

Em coletiva, o governo estadual confirmou a reabertura do comércio, ainda que o estado continue na fase vermelha. Com a mudança, shoppings e lojas de rua poderão reabrir, em horários reduzidos, já neste final de semana.

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