SÃO PAULO – Após uma forte disparada de 2,57% do Ibovespa na véspera com a repercussão da vitória de Joe Biden na eleição à presidência dos EUA e com a boa notícia sobre a vacina da Pfizer-Biontech, a sessão desta terça-feira (10) começou com menor ímpeto para o Ibovespa, mas o índice voltou a ganhar força durante o pregão, fechando em alta de 1,5%.

A ação da BRF (BRFS3, R$ 19,60, +5,95%) foi um dos destaques da sessão, chegando à máxima de 8,05% (R$ 19,99) após bons resultados do terceiro trimestre, puxando também as demais ações do setor como Minerva (BEEF3, R$ 10,22, +1,69%), Marfrig (MRFG3, R$ 14,52, +2,33%) e JBS (JBSS3, R$ 20,94, +3,41%).

Vale destacar, contudo, que a maior parte dos maiores destaques de alta e baixa da sessão refletem a continuidade do movimento da véspera, em que papéis vistos como descontados em meio ao cenário de maior aversão ao risco com o coronavírus passaram a subir em meio à boa notícia com a vacina registrando 90% de eficácia (veja mais clicando aqui), caso de petroleiras, bancos e varejistas de moda, enquanto papéis como de empresas varejistas de e-commerce registram queda.

Os investidores estão tirando capital de ações de empresas de e-commerce também no exterior, com o dinheiro migrando de quem foi aposta durante a pandemia para as companhias que mais sofreram por conta das medidas de isolamento social.

Assim, a ação do Magazine Luiza (MGLU3, R$ 25,22, -4,65%), mesmo com um resultado mais uma vez considerado bastante positivo, abriu em queda, chegou a subir 2%, mas logo voltou a perder força e passou a operar com expressivas perdas (veja a análise de resultados clicando aqui). Enquanto isso, B2W (BTOW3, R$ 73,07, -8,31%) teve baixa mais expressiva, a maior do Ibovespa, e Via Varejo (VVAR3, R$ 17,84, -3,78%) caiu cerca de 4%. Na véspera, os papéis das três companhias já tinham caído cerca de 3%. Totvs (TOTS3, R$ 27,37, -6,81%) também fechou em forte queda.

Os papéis de siderúrgicas, também resilientes durante a crise e com alta no ano, também fecharam em forte queda nesta sessão, caso de Gerdau (GGBR4, R$ 20,83, -5,32%), CSN (CSNA3, R$ 20,01, -4,49%) e Usiminas (USIM5, R$ 10,94, -3,87%).

As ações da Embraer (EMBR3, R$ 7,32, -1,21%) chegaram a cair 6,75%, mas diminuíram as perdas e fecharam com queda de cerca de 1%. A fabricante brasileira de aviões registrou um prejuízo líquido atribuído ao acionista controlador de R$ 649 milhões (R$ 0,88 por ação) no terceiro trimestre de 2020, uma ampliação das perdas se comparado ao resultado também negativo em R$ 314,4 milhões registrados no terceiro trimestre de 2019. Os resultados foram considerados fracos; contudo, vale destacar que, na véspera, os ativos EMBR3 haviam 13,13% com uma perspectiva mais positiva para a vacina.

Yduqs (YDUQ3, R$ 27,50, +5,08%), por sua vez, viu suas ações subirem forte após o balanço.

Ações de petroleiras voltaram a subir. Mesmo depois do forte avanço de ontem, hoje o petróleo seguiu apresentando ganhos. O barril do Brent – usado como referência pela Petrobras (PETR3, R$ 23,64, +7,95%; PETR4, R$ 23,08, +6,80%) – subiu  2,9% a US$ 43,61, enquanto o barril do WTI fechou em alta de 2,7% a US$ 41,36. Os papéis ordinários da estatal avançaram cerca de 8%, enquanto os ativos PN da Petrobras subiram quase 7%; em duas sessões, os papéis PETR3 subiram 18,97% e os PETR4 avançaram 16,86%. PetroRio (PRIO3, R$ 34,50, -2,10%), por sua vez, fechou em queda de cerca de 2%.

Os preços da commodity avançaram à medida que expectativas de que uma vacina contra a Covid-19 esteja no horizonte compensaram a queda na demanda por combustíveis causada pelos novos “lockdowns” impostos para contenção do vírus. Ambos os contratos saltaram 8% na segunda-feira, registrando os maiores ganhos diários em mais de cinco meses.

Também em destaque entre as altas, estão as ações da Ultrapar (UGPA3, R$ 21,70, +8,45%), que divulgou resultado considerado positivo na semana passada (veja mais clicando aqui).

Um setor que teve forte queda durante o ano e que voltou a avançar nos últimos dias com o maior apetite ao risco do mercado foi o de bancos, com Santander Brasil (SANB11), Bradesco (BBDC3;BBDC4), Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) voltando a ter uma sessão disparada na Bolsa. As instituições financeiras divulgaram resultados entre o final de outubro e começo de novembro, com melhora sequencial no lucro, mas mantiveram cautela em meio ao ambiente ainda desafiador pela frente (veja mais aqui). A perspectiva de uma vacina e melhora da economia, associada ainda à queda ainda expressiva das ações no ano, entre 18% e 25%, guiaram um novo dia de ganhos para os ativos.

As aéreas Gol (GOLL4, R$ 20,78, -1,28%) e Azul (AZUL4, R$ 30,29, -1,37%) também voltaram a subir no início do pregão com a perspectiva de retomada das viagens seguindo no radar em meio ao desenvolvimento da vacina, e também com o maior apetite ao risco dos investidores, mas diminuíram os ganhos ao longo da sessão. Na véspera, os papéis chegaram a subir quase 20%.

Também repercutindo entre as ações, estiveram as falas de Paulo Guedes, ministro da Economia. A ação da Eletrobras (ELET3, R$ 34,73, +2,66%;ELET6, R$ 34,96, +3,13%) chegou a subir mais de 4% após Guedes citar planos de incluir a empresa em privatizações até o final de 2021.

Fora do índice, no radar de resultados, quem ganha destaque é a ação da Positivo (POSI3, R$ 4,69, +2,85%), que chegou a subir mais de 10%, para depois amenizar a alta, enquanto São Martinho (SMTO3, R$ 23,08, +3,50%) chegou a subir 8%, mas depois também amenizou.

Confira os destaques:

[ALTAS-E-BAIXAS]

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 25,22, -4,65%)

A varejista Magazine Luiza registrou lucro líquido ajustado de R$ 215,9 milhões no terceiro trimestre, o que representa um aumento de 69,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

A melhora foi reflexo do aumento das vendas no comércio eletrônico por conta da pandemia do novo coronavírus.

Diante disso, houve um aumento de 148% nas vendas digitais na comparação anual, chegando a R$ 8,2 bilhões. O canal respondeu por dois terços das vendas da empresa, um avanço de 18 pontos percentuais.

O lucro líquido, por sua vez, foi de R$ 206 milhões no terceiro trimestre de 2020, queda de 12,4% em relação ao mesmo período de 2019.

Entre julho e setembro, a receita líquida do Magalu ficou em R$ 8,3 bilhões, alta de 70,8% ano a ano. Enquanto isso, a despesa operacional subiu 52,7%, para R$ 1,68 bilhão, passando a representar 20,3% da receita, ante 22,7% um ano antes.

Já o Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) ajustado subiu 41% em um ano, a R$ 561,2 milhões. Por outro lado, a margem Ebitda recuou de 8,2% para 6,8%, refletindo maiores gastos com melhoria do nível do serviço.

A varejista disse ainda ter tido um ganho de 5,4 pontos percentuais ante o mesmo período do ano passado em sua área de atuação, refletindo entre outros fatores a integração de vendas online e lojas físicas, o que ganhou força com a reabertura de pontos físicos com a flexibilização da quarentena.

Segundo o Credit Suisse, o Magalu entregou um resultado bastante forte que indicou uma combinação bastante interessante de crescimento fantástico com geração de caixa excelente. A rentabilidade surpreendeu com uma margem Ebitda ajustada chegando a 6,8% (versus a estimativa do banco de 5,9%) e um lucro líquido cerca de 35% acima do esperado pelos analistas.

A empresa conseguiu entregar um crescimento excelente nas lojas físicas de cerca de 18% na base anual, além do fantástico avanço de 149% na base anual no e-commerce. Para eles, o Magalu já provou a capacidade de se reinventar muitas vezes ao longo dos anos quando, em muitas ocasiões, poderia parecer que o papel estava caro.

“O ambiente macro para o próximo ano ainda deixa muitas dúvidas,  mas nossos analistas acreditam que o case de Magalu atualmente continua a ser muito mais micro do que macro e que existem inúmeras estratégias em curso como aquisições sendo plugadas no ecossistema, melhora de logística, MagaluPlay, entre outras. Sabemos que o e-commerce no Brasil ainda esta nas fases iniciais e que ainda tem muito potencial para evoluir”, apontam. Os analistas possuem recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 25.

Na mesma linha, a XP ressalta que o resultado foi muito forte, com a receita puxada por uma performance impressionante do varejo físico além de um crescimento ainda sólido do e-commerce. Contudo, os analistas seguem com recomendação neutra para o papel e preço-alvo de R$ 20, vendo o valuation como justo aos níveis atuais.

O Morgan Stanley afirmou que o volume total de vendas da Magalu foi 14% suas expectativas; sua receita, 17% acima; e suas margens Ebitda 1,7 ponto percentual acima. O banco destacou aquisições de canais de vendas, e mantém a classificação das ações em overweight, com preço-alvo de R$ 23,50.

O Bradesco BBI afirma que o volume total de vendas da Magalu supera em 8% suas expectativas. O Ebitda é 41% superior à projeção, e a geração de caixa é excepcional, dando continuidade a forte crescimento e volta à lucratividade, com progresso na velocidade das entregas. O banco ampliou a expectativa para volume de vendas entre 2020 e 2022 em entre 19% e 21% e elevou o preço-alvo das ações de R$ 21 para R$ 30, o que deixa apenas 13% de upside frente os R$ 26,45 atuais. Por isso, o banco mantém sua recomendação como neutra.

BRF (BRFS3, R$ 19,60, +5,95%)

A processadora de alimentos BRF teve lucro líquido de R$ 218,7 milhões, queda de 50,9% na base anual, mas acima dos R$ 203,15 milhões esperados por analistas, segundo a média dos dados da Refinitiv.

A receita líquida teve alta de 17,5%, a R$ 9,9 bilhões, com a empresa conseguindo elevar o preço médio dos produtos vendidos. A BRF também disse que conseguiu aumentar em 0,7% os volumes de alimentos industrializados e carnes vendidos no trimestre, para 1,1 milhão de toneladas.

A BRF, maior exportadora mundial de frango, obteve mais da metade de suas vendas do Brasil, onde a receita líquida cresceu quase 21%.

Internacionalmente, a receita líquida cresceu 13,5%, mas ajustes na produção em meio à pandemia da Covid-19 continuaram impactando as operações. Como resultado, o lucro bruto e as margens foram pressionados, disse a BRF. Os custos mais altos de grãos e outras despesas denominadas em dólares também afetaram a lucratividade de suas exportações, acrescentou a empresa.

Segundo o Credit Suisse, os resultados foram robustos, com destaque para o Ebitda ajustado de R$ 1,5 bilhão e margem de 14,7%, com a boa performance da empresa devido a volume e preço mais alto no mercado doméstico, preços mais altos na Ásia e Halal DDP. A parte de Halal DDP e exportações, contudo, ainda estão abaixo do seu potencial.

Para os analistas, a companhia deve se beneficiar de um real mais depreciado nos próximos trimestres e do apoio que tem recebido do auxílio emergencial no consumo de proteína, associado à pandemia até o final de 2020.

“Mesmo assim, ainda estamos cautelosos com o papel dado que o mercado doméstico pode não aguentar o aumento de preço (após fim do corona voucher) por muito tempo além das questões de âmbito internacional”, avaliam. A queda no preço das aves para exportação em dólar, competição mais acirrada com os EUA na exportação pra China e exportações mais fracas de peru para o Iraque impedem que os analistas fiquem mais otimistas, também destacando verem uma pressão no preço da ração nos próximos meses. Com isso, a recomendação para a ação segue neutra.

O Morgan Stanley classificou os resultados da BRF como “muito sólidos”. O Ebitda bateu a expectativa do banco e a média do mercado, logo “uma reação positiva das ações não surpreenderia” o Morgan Stanley. Mesmo assim, espera um ano de 2021 desafiador, com economia brasileira potencialmente mais lenta, mercado internacional mais fraco e custos altos. O banco mantém avaliação underweight (expectativa de ganhos abaixo da média do mercado) para a BRF, com preço-alvo de R$ 19.

A XP ressalta ainda que, do lado positivo, vale ressaltar a estratégia da empresa de aumentar a capacidade de armazenamento, manter eficiência operacional e níveis de ocupação ideais, além de usar de insumos alternativos no processo produtivo. “Tal estratégia nos surpreendeu positivamente, permitindo que a empresa alcançasse uma margem bruta de 23,6% no trimestre, 603 pontos base acima da nossa estimativa de 17,5%. Destaque especificamente para o segmento Brasil, que foi uma surpresa positiva sobretudo em função da melhora no mix de produtos”, avalia. Contudo, os analistas também seguem cautela devido ao cenário desafiador para o frango em 2020. De qualquer forma, em meio aos resultados positivos, a recomendação segue de compra, com preço-alvo de R$ 30 para o final de 2021.

O Bradesco BBI afirma que o lucro Ebitda da BRF foi 9% acima do consenso do mercado, e 7% acima de suas estimativas. Os preços aumentaram acima de suas expectativas, compensando a alta nos preços dos grãos. O banco mantém avaliação de outperform, com preço-alvo de R$ 28, frente os R$ 18,50 atuais.

Yduqs (YDUQ3, R$ 27,50, +5,08%)

O grupo de ensino Yduqs viu seu lucro cair no terceiro trimestre, mas seus resultados ajustados vieram acima das previsões de analistas, uma vez que a divisão de ensino à distância compensou parcialmente os efeitos do fechamento das escolas diante da pandemia da Covid-19.

O lucro ajustado foi de R$ 191,3 milhões, 1,5% menor frente igual período do ano passado, enquanto a previsão média de analistas da Refinitiv era de lucro de R$ 123,6 milhões; não ficou claro se os números são comparáveis. Em termos líquidos, o lucro da companhia foi de R$ 112,5 milhões, 26,5% menor no comparativo anual.

Fortalecida também pela inclusão das operações do grupo Athenas (agosto e setembro) e Adtalem (maio a setembro), compradas pela Yduqs, a receita líquida da companhia somou R$ 976,3 milhões, 17,2% acima contra mesma etapa de 2019.

O ensino digital registrou alta de 56% na receita, compensando em parte a perda de 18% no total de alunos matriculados nas aulas presenciais.

O Ebitda somou R$ 332,2 milhões, aumento de 10%. Em termos ajustados, o Ebitda subiu 19,5%, para R$ 411 milhões.

A Yduqs fechou setembro com posição de caixa em R$ 1,9 bilhão, o que, somado e o baixo endividamento (1,41 vez o Ebitda) “nos deixa com um balanço sólido e com espaço para novas aquisições”, afirmou a companhia.

O Morgan Stanley avaliou os resultados como “bons”, porém ainda impactados pelos efeitos da pandemia, levando a ajustes não recorrentes. Os resultados foram pressionados por demanda mais fraca e abandono mais alto de cursos. O ensino a distância e cursos de medicina continuam oferecendo bons resultados.

A receita estava em linha com a expectativa, e o Ebitda ajustado superou tanto a estimativa do Morgan Stanley quanto o consenso do mercado. O banco tem recomendação overweight (expectativa de ganhos acima da média do mercado) para o papel, com preço-alvo de R$ 41.

O Bradesco BBI avalia que os resultados da Yduqs foram negativamente impactados pela pandemia. A receita líquida foi 2% menor que sua expectativa, devido a redução dos preços de cursos por leis e descontos impostos por decisões na Justiça. O banco avalia que o pior já passou, e espera que os preços voltem à normalidade nos próximos trimestres. O banco espera que sinergias levem a aumento das margens e reduzam efeitos negativos sobre o Ebitda. O Bradesco BBI vê tendências positivas, com número de matrículas acima do esperado. Mantém avaliação de outperform, com preço-alvo de R$ 46, frente os R$ 26,17 atuais.

São Martinho (SMTO3, R$ 23,08, +3,50%)

O lucro da São Martinho disparou com altas na venda de açúcar, indo a R$ 332 milhões alta de 169,4% frente o mesmo período de 2019.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado da companhia atingiu 476,2 milhões de reais no mesmo período, avançando 22,8%.

A receita da São Martinho com açúcar cresceu 89,7% no segundo trimestre da safra 2020/21, para 411,8 milhões de reais, com a companhia sendo beneficiada pela desvalorização do real ante o dólar, além de preços sustentados no exterior por fatores como uma menor produção na Tailândia.

O Credit Suisse avalia que a perspectiva para os preços de açúcar e etanol está melhorando, com recuperação acima do esperado do etanol, e preço do açúcar próximo à máxima do ano. O banco se mantém positivo quanto à tese de investimento no São Martinho, com avaliação das ações em outperform e preço-alvo de R$ 24, frente os R$ 22,55 atuais.

XP Inc.

A XP Inc. registrou um lucro líquido de R$ 570 milhões no terceiro trimestre deste ano, valor que representa uma alta de 119% sobre os R$ 261 milhões apresentados um ano atrás.

Na comparação com o segundo trimestre, porém, o lucro ficou praticamente estável, com leve avanço de 1% sobre os R$ 565 milhões entre abril e junho.

Já a receita líquida avançou 55% na comparação anual, passando de R$ 1,356 bilhão para R$ 2,101 bilhões. O valor também é 9% superior ao apresentado no segundo trimestre deste ano, de R$ 1,921 bilhão. Veja mais clicando aqui. 

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Positivo (POSI3, R$ 4,69, +2,85%)

A fabricante de componentes eletrônicos Positivo Tecnologia informou que fechou o terceiro trimestre de 2020 com lucro líquido de R$ 50,3 milhões, alta de 433,3% frente o mesmo período de 2019. A margem líquida subiu 7,7 pontos percentuais, a 9,6%.

A receita bruta cresceu 13,2% no período, a R$ 600,7 milhões, motivada pela retomada do mercado de PCs no varejo.

“Por um lado, a companhia reportou uma forte performance de receita, impulsionada por uma forte demanda por produtos ligados ao home office e homeschooling, enquanto já vemos indícios de retomada de clientes corporativos a partir de setembro e de órgãos públicos, com a assinatura do contrato com o TSE para fornecimento de urnas para as próximas eleições. Por outro lado, altos custos continuam a pressionar as margens”, afirma a XP, que mantém recomendação neutra com preço-alvo de R$ 6,00 ao final de 2020 para as ações.

Embraer (EMBR3, R$ 7,32, -1,21%)

A fabricante brasileira de aviões Embraer registrou um prejuízo líquido atribuído ao acionista controlador de R$ 649 milhões (R$ 0,88 por ação) no terceiro trimestre de 2020, uma ampliação das perdas se comparado ao resultado também negativo em R$ 314,4 milhões registrados no terceiro trimestre de 2019. De forma geral, a empresa foi novamente prejudicada pela pandemia da covid-19, assim como pelo cancelamento do negócio com a Boeing envolvendo o braço comercial do grupo brasileiro – que levou a uma queda significativa na produção de aeronaves.

O Ebitda ajustado da empresa fechou negativo em R$ 40,7 milhões contra um resultado positivo de R$ 75 milhões um ano antes. A margem Ebitda ajustada ficou negativa em 1% contra um resultado positivo de 1,6% um ano antes.

A Receita líquida teve queda de 13% no trimestre na comparação anual e ficou em R$ 4,09 bilhões, principalmente em função das quedas nas entregas da Aviação Executiva e especialmente da Aviação Comercial. “Essa queda foi parcialmente compensada pelo aumento de 106% (na comparação entre o terceiro trimestre de 2020 e terceiro trimestre de 2019) das receitas de Defesa & Segurança no trimestre, que foram impactadas no primeiro semestre do ano já que, algumas entregas foram postergadas em função das restrições de viagens impostas pela covid-19 como o fechamento de fronteiras de alguns países clientes”, explicou a fabricante.

No trimestre, conforme divulgado em documento previamente, a Embraer entregou sete jatos comerciais e 21 jatos executivos (19 jatos leves e dois jatos grandes), totalizando 28 jatos entregues no período. Isso se compara a um total de 44 jatos entregues no terceiro trimestre de 2019, sendo 17 jatos comerciais e 27 jatos executivos (15 jatos leves e 12 jatos grandes). No acumulado do ano em 2020, a empresa entregou 16 jatos comerciais e 43 jatos executivos (33 jatos leves e 10 jatos grandes), o que se compara aos 54 jatos comerciais e 63 jatos executivos entregues durante os primeiros nove meses de 2019.

“As entregas da Embraer em 2020 estão sendo impactadas negativamente, principalmente devido à pandemia de covid-19, que continua afetando o mundo e especialmente as viagens aéreas comerciais”.

A Embraer disse que espera uma continuação na melhora nas entregas no quarto trimestre em relação aos três primeiros trimestres do ano, principalmente no segmento de Aviação Executiva, que normalmente apresenta um alto nível de sazonalidade com grande parte das entregas anuais ocorrendo no quarto trimestre.

O Resultado operacional (EBIT) e a Margem operacional reportados no trimestre foram negativos em R$ 197,8 milhões e -4,8%, respectivamente, comparados aos R$ 80,4 milhões negativos e aos -1,7% reportados um ano antes. Os resultados do trimestre incluem itens especiais que representam um impacto total positivo de R$ 41,7 milhões. Entre eles estão R$ 292,5 milhões de despesas com reestruturação relacionadas ao ajuste da força de trabalho ocorrido na companhia, R$ 68,9 milhões de provisão adicional para perdas de crédito esperadas durante a pandemia e R$ 317,2 milhões de reversão de impairment na Aviação Comercial, que impactou positivamente os resultados e R$ 85,9 milhões de reversão de impairment na Aviação Executiva, que também impactou positivamente os resultados do trimestre. “Não foram reconhecidos itens especiais nos resultados reportados no terceiro trimestre de 2019”.

Direcional (DIRR3, R$ 12,55, +0,56%)

A Direcional teve lucro líquido ajustado de R$ 33 milhões no terceiro trimestre de 2020, 27% acima do que o registrado em igual período de 2019.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 73,8 milhões, 22% acima na base de comparação anual, enquanto a margem Ebitda ajustada somou 19,7%, alta de 3 pontos percentuais.

Em destaque, esteve o novo recorde de vendas líquidas para um único trimestre. O VGV (Valor Geral de Vendas) foi de R$ 458 milhões, acompanhado pela melhora de VSO (Vendas Sobre Oferta) de estoque, que alcançou 22% na versão consolidada.

Segundo o Credit Suisse, o resultado foi bastante forte e em linha com as expectativas do banco, avaliando que o próximo trimestre pode ser ainda melhor do que o terceiro trimestre, considerando que os lançamentos foram em parte concentrados no final do trimestre e que o mix de vendas possui em grande parte empreendimentos que ainda estão em estágio inicial de desenvolvimento.

Outro ponto importante é que a empresa tem acelerado a operação do Riva 9, bastante positivo dada a  preferência dos analistas na Bolsa pelo segmento de média e alta rendas, principalmente neste cenário de aumento de custos. Os analistas mantêm a recomendação outperform; contudo, ainda estão preocupados com a pressão na alta do preço e impacto nas margens, uma das razões pelas quais preferem o segmento de média/alta renda que a empresa tem exposição por meio da Riva.

Linx (LINX3, R$ 36,55, -0,95%)

A Linx registrou lucro líquido de R$ 3 milhões no terceiro trimestre de 2020, queda de 84,5% em relação ao mesmo período de 2019 e retração de 74,8% na comparação com o segundo trimestre. De acordo com a empresa, a piora reflete o impacto negativo no resultado financeiro com a redução gradual do CDI no período e aumento no custo da dívida da companhia, além de maiores custos de publicidade e implementação, efeitos das aquisições de empresas e consolidação das respectivas estruturas de custos e reversão líquida de earn-outs nos períodos.

Já o Ebitda totalizou R$ 44,635 milhões no terceiro trimestre, alta de 11,3% em relação a igual época do 2019. Na comparação com o segundo trimestre, porém, houve queda de 9,8%. O Ebitda ajustado atingiu R$ 57,4 milhões entre julho e setembro, acréscimo de 21,7% na comparação anual e queda de 4,7% em relação ao segundo trimestre. A receita recorrente atingiu R$ 215,5 milhões no terceiro trimestre, representando 85% da receita operacional bruta, aceleração de 18,5% em um ano e avanço de 3,7% ante o segundo trimestre.

“Destaca-se a contribuição da receita recorrente no trimestre como consequência da aceleração do processo de transformação digital dos varejistas. Adicionalmente, as evoluções são explicadas por iniciativas vinculadas ao quadro de funcionários e seus benefícios, postergação ou cancelamento de convenções e eventos e redução de despesas com viagem e hospedagem”, explicou a empresa em seu relatório trimestral.

No terceiro trimestre, o saldo de caixa e aplicações financeiras da companhia atingiu R$ 759,9 milhões, R$ 314,6 milhões abaixo do valor no terceiro trimestre de 2019 em função principalmente do desembolso decorrente das cinco aquisições de empresas e execução do programa de recompra das ações de emissão da companhia.

A dívida bruta da companhia encerrou o terceiro trimestre em R$ 515,4 milhões, alta de 23,5% ante o segundo trimestre. Enquanto isso, o caixa líquido ficou em R$ 244,5 milhões.

Ao final do terceiro trimestre, a Linx atingiu taxa de renovação de clientes de 98,8%, em linha com o trimestre anterior mesmo em meio a um cenário de pandemia.

BTG (BPAC11, R$ 75,95, -3,25%)

O BTG Pactual registrou lucro líquido de R$ 1,002 bilhão no intervalo de julho a setembro deste ano, estável em relação ao observado um ano antes, quando atingiu R$ 1,003 bilhão. Ante o segundo trimestre do ano o lucro cresceu 2,5%. Pelo critério ajustado, o lucro foi a R$ 1,016 bilhão, recuo de 5% na base anual, porém um aumento de 3% em comparação com o observado ente abril e junho deste ano.

No terceiro trimestre do ano os ativos sob gestão do BTG atingiram R$ 329,3 bilhões, alta de 29% em um ano e de 8% ante o trimestre anterior, já mostrando crescimento de sua plataforma digital, diante de uma ofensiva no período que envolveu aquisições.

Na pandemia, o BTG tem emprestado mais. Sua linha de crédito corporativo registrou receita de R$ 425 milhões no terceiro trimestre do ano, alta de 106% em um ano e de 40% ante o visto no primeiro trimestre, melhor trimestre da história do banco. No período, o negócio de crédito voltado às pequenas e médias empresas (PMEs), por meio de antecipação de recebíveis via plataforma digital, atingiu um portfólio de R$ 5,8 bilhões. A carteira de crédito corporativo foi a R$ 68,29 bilhões no período, alta de 74% em um ano e de 19,4% ante o visto no segundo trimestre.

A receita total do banco no terceiro trimestre ao ano atingiu R$ 2,478 bilhões no intervalo analisado. Ante o mesmo intervalo de 2019 o número representa aumento de 13,5% e estável em relação ao período imediatamente anterior.

O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido (ROAE) foi a 15,7% no trimestre passado, ante 20,8% no terceiro trimestre do ano passado e de 17,5% de abril a junho.

O patrimônio líquido do BTG no período findo em setembro foi a R$ 26,049 bilhões, expansão de 25,1% na relação anual e de 16% em relação aos três meses prévios. O índice de Basileia no terceiro trimestre foi de 17,5%, ante 15,1% um ano antes e de 19,6% em junho deste ano.

Já a linha de ativos totais do banco foi a R$ 253,2 bilhões, avanço de 50,7% ante o visto no mesmo intervalo do ano anterior. Ante o segundo trimestre do ano o aumento foi de 9%.

Even (EVEN3, R$ 11,47, -0,26%)

A Even assinou acordo para venda do seu hotel de luxo greenfield Fasano Itaim por R$ 310 milhões, 13% do seu market cap.

Para o Credit Suisse, a notícia é bastante positiva e a expectativa é de que grande parte desse valor vire dividendos, já que o projeto tem muito pouco capex faltando. A companhia tem alavancagem baixa em seu balanço e o foco é melhorar seu retorno sobre o patrimônio líquido, apontam.

Vale (VALE3, R$ 63,16, -0,05%)

A Vale informou que o acordo de acionistas assinado em 2017 entre a empresa e Litela Participações, Bradespar (BRAP4), Mitsui e BNDES, chegou ao fim na segunda-feira (9). Dessa forma, as ações e os votos desses acionistas deixam de estar vinculados ao acordo, que tinha o objetivo de proporcionar estabilidade à companhia durante a transição para o modelo de empresa de capital disperso.

O Itaú BBA afirma que vê um “caminho mais claro para melhoras na governança corporativa da empresa”, com um provável aumento gradual no número de conselheiros independentes. O banco afirma que cerca de 20% das ações da empresa devem ser vendidas pelos acionistas, porém de forma gradual, já que nem todos eles precisam de liquidez de curto prazo.

Os fundos de pensão e BNDESPar devem ser os mais prováveis a desinvestir, devido à necessidade de liquidez. O banco manteve a classificação das ações em outperform, com preço-alvo em 2021 em US$ 15.

Recomendações

A XP Investimentos retomou a cobertura do setor de farmácias com Pague Menos (PGMN3) como preferência no setor com recomendação de compra e preço alvo de R$ 13 por ação, Raia Drogasil (RADL3) com neutro e preço alvo de R$ 27,0 por ação e d1000 (DVMF3) com compra e preço-alvo de R$ 16 por ação.

“Estamos com uma visão construtiva para o setor farmacêutico brasileiro dadas as suas perspectivas de crescimento, oportunidades de consolidação e resiliência, enquanto acreditamos que a Covid-19 fortaleceu o foco dos consumidores em saúde e bem-estar e acelerou as tendências de digitalização do setor”, destacam os analistas.

Para a Pague Menos, os analistas destacam verem a empresa mais fortalecida e mais bem preparada para retomar seu crescimento, ao mesmo tempo em que veem espaço para a ação se valorizar com a captura de diversos ganhos de eficiência no curto prazo. Além disso, destacam o potencial adicional do Clinic Farma (serviços de saúde na farmácia) – a iniciativa pode adicionar pelo menos R$ 1,40 por ação ao preço alvo.

Sobre RD, apesar de ver a empresa bem posicionada para se beneficiar do potencial de crescimento do setor e oportunidades de consolidação, o preço alvo implica em uma valorização limitada enquanto as ações já estão negociando a um prêmio de 14% do múltiplo histórico.

Ao avaliar o potencial adicional das lojas da RD se tornarem centros de saúde e do lançamento do marketplace de saúde, eles podem adicionar pelo menos R$2,5 por ação ao preço alvo. “Porém, não incluímos esse ganho no nosso modelo devido à falta de informações e visibilidade”, afirmam.

Já o Itaú BBA iniciou a cobertura para a ação da Cury (CURY3), com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço justo de R$ 15,80 por papel.

Azul (AZUL4, R$ 30,29, -1,37%)

A Azul concluiu a coleta de intenções de investimentos para emissão de debêntures conversíveis em ações, alcançando o valor de R$ 1,745 bilhão. A emissão de cerca de 1,8 milhão de debênture fica dentro de sua expectativa quando anunciou a emissão de cerca de 1,6 milhão de papéis, em 26 de outubro.

Petrobras (PETR3, R$ 23,64, +7,95%; PETR4, R$ 23,08, +6,80%)

O grupo japonês Mitsui estuda vender sua participação na Gaspetro, informa o Valor. Por um preço de quase R$ 2 bilhões pagos em 2015, o conglomerado é dono de 49% da companhia de distribuição de gás natural controlada pela Petrobras, que mantém 51% do negócio. A empresa brasileira está em processo formal de venda do controle da empresa.

(Com Agência Estado, Bloomberg e Reuters)

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