Bitcoin

O ano pandêmico de 2020 foi tenso para os investidores com perdas generalizadas no primeiro semestre e alguma recuperação a partir de agosto.  Neste cenário adverso, porém, o Bitcoin rendeu 293 % em dólar.

No ano de 2021 o Bitcoin seguiu com tendência de alta, valorizando mais 194 %, com data base de fechamento sendo o último dia 18 de março. Valorizações dessa magnitude alimentam rumores de que uma bolha no mercado financeiro possa estar se formando. A tese defendida pelo Gestor de Portfólio da Hashdex, empresa de fundos de investimentos em criptoativos, Joao Marco Braga da Cunha, é de que a alta do valor em 2020 se sustentou em premissas que não sugerem uma bolha.

“O processo de valorização do Bitcoin no ano passado e no começo deste ano também foi baseado em elementos que colocam a criptomoeda em outro patamar. Acredito em uma alta sustentada, mesmo que haja volatilidade em alguns momentos, o que é natural.”

A lógica da formação e do estouro de uma bolha é simples: alta forte baseada em especulação, com a expectativa de ganhos que não se concretizam, e frustração levando à saída em massa dos investidores. O Bitcoin enfrentou uma bolha, em 2017, quando registrou alta de 1.298% e depois levou a expressivas perdas em seu valor, com queda de 71% no ano seguinte.

Antes de comparar 2017 com 2020, o Gestor de Portfólio da Hashdex faz uma ressalva importante ao lembrar que os vetores de alta da criptomoeda são diferentes dos que impulsionam outros ativos, como ações. “Os principais drivers para o preço do Bitcoin são internos, como notícias de regulação, infraestrutura ou mesmo a proibição em alguns países”, comenta Braga.

“Claro que na medida em que vamos integrando e os criptos passam a fazer parte da carteira dos grandes investidores, outros elementos terão também seu peso, como aversão a risco e demanda por liquidez. Mas hoje os fatores internos são preponderantes.”

Sobre o ano de 2017, o gestor da Hashdex destaca a formação não de uma bolha, mas de duas que se alimentavam de expectativas superdimensionadas. O rali do Bitcoin naquele ano ocorreu após alguns ciclos de fortes altas e quedas pelos quais o criptoativo passou desde sua criação, em 2009.

A diferença é que 2017 foi o primeiro ano em que uma boa quantidade de investidores de varejo ficou sujeita à alta volatilidade dos criptoativos, o que chamou a atenção global. “Um fator que levou ao rali foi a febre dos ICOs (do inglês Initial Coin Offerings). Moedas começaram a ser lançadas o tempo todo, o que atraiu mais compradores e novos desenvolvedores, em uma espiral altamente especulativa”, explica Braga.

No segundo semestre de 2017, destaca o executivo da Hashdex, outra bolha se formou com o anúncio da Chicago Mercantile Exchange (CME), a maior bolsa de derivativos do mundo, de que passaria a negociar contratos futuros de Bitcoin. “A leitura era de que se tem mercado futuro haverá uma entrada em massa dos institucionais forçando preço para cima, o que chamou novos compradores. Foi uma bolha dentro da bolha e inflada por pequenos investidores, pessoas físicas”, explica Braga.

“O resultado não foi o que se esperava e houve uma onda de venda forte que derrubou os preços. O início nada triunfal do Bitcoin na bolsa de Chicago frustrou investidores que saíram se desfazendo das posições.”

Chegada de investidores institucionais em 2020

Uma das diferenças na alta da Bitcoin em 2020 é exatamente a chegada dos investidores institucionais, o que não era uma realidade em 2017. Março do ano passado foi um dos piores meses da história do mercado financeiro e o criptoativo não ficou de fora.

Contudo, a recuperação veio muito rápido o que chamou a atenção de todos. “Teve dia, como em 15 de março, que dependendo da medida o Bitcoin caiu 37% seguindo os demais ativos, mas um mês após a queda já tinha voltado”, lembra o gestor da Hashdex.

Sinalizações dadas por grandes investidores, de que o Bitcoin fazia sentido como ativo para proteger a carteira em cenário de forte estímulos econômicos com risco inflacionário, pesaram na onda de valorização da moeda digital.

Em maio, o mega investidor Paul Tudor Jones revelou, em carta para os investidores de seus fundos, que acreditava que o Bitcoin era uma alternativa para se proteger do que chamou de “a grande inflação monetária”. A moeda seria o “cavalo mais rápido” para esta proteção. Casas importantes como JP Morgan e Citibank produziram relatórios promovendo a tese do Bitcoin como a reserva de valor do futuro.

Fundos Hashdex
Os dois fundos Multimercado Hashdex 40 Nasdaq Crypto Index, o Hashdex Bitcoin Full 100 FIC FIM e o Hashdex Ouro Bitcoin Risk Parity FIC FIM IE são dedicados a Investidores Qualificados e aportam, respectivamente, 40% dos recursos em ETFde criptoativo, 100% do patrimônio em bitcoin e em uma mescla de ouro e bitcoin seguindo a estratégia de paridade de risco. Além disso, a Gestora oferece ao investidor em geral o Hashdex 20 Nasdaq Crypto Index FIC FIM, que investe 20% do seu patrimônio na cesta de criptoativos do NCI e ao Investidor Profissional o Hashdex 20 Nasdaq Crypto Index FIC FIM, que investe a totalidade de seu patrimônio em uma cesta de criptoativos . “Estamos vendo fundos comprando cotas, Family offices e investidores de maior porte chegando. É uma tendência que dá outro peso a este mercado.”

Além da chegada do investidor instituciona que vê no Bitcoin um ativo de proteção da carteira no cenário atual, outro fato foi importante em 2020 para a alta da cotação. Em outubro, o Paypal anunciou que daria a seus usuários a possibilidade de comprar, vender e armazenar Bitcoin e outros criptoativos.

“O Paypal foi além e disse que, em breve, seus usuários poderão usar criptoativos para compras nas milhões de empresas cadastradas na plataforma”, comenta Braga.

Esseano, a alta segue expressiva e causada, em parte, pela decisão de Elon Musk, o visionário dono da Tesla, de aderir às criptomoedas. Em fevereiro, o empresário comprou US$ 1,5 bilhão em Bitcoins. “Tudo corrobora para que a criptomoeda siga sua trajetória, que tem volatilidade no curto prazo, momentos de queda, mas com boas janelas de oportunidade e perspectivas de alta no longo prazo.” afirma o Gestor.

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