SÃO PAULO – Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central elevou a taxa de juros Selic pela primeira vez em quase seis anos, indo de 2% para 2,75% ao ano o que, a princípio, poderia elevar a atratividade da renda fixa em relação ao mercado de ações.

Contudo, apesar da elevação, os proventos das ações conhecidas por distribuir bons e recorrentes dividendos ainda superam a taxa básica de juros, destaca a XP Investimentos em relatório que listou 30 ações de cobertura dos analistas da casa que podem pagar um dividend yield (rendimento dos dividendos, ou valor do dividendo sobre o preço da ação) acima dos 3% em relação ao resultado de 2021.

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Destas, 15 devem pagar um dividend yield acima de 5%, que é a projeção de boa parte dos analistas de mercado para a taxa básica de juros até o fim do ano após a decisão da véspera (veja mais clicando aqui). A XP ainda detalhou a recomendação para as 10 principais pagadoras.

Confira a lista com as 30 ações abaixo: 

A XP Investimentos aponta que investir em ações com foco em dividendos  é uma grande oportunidade porque os investidores possuem uma ‘garantia” de retorno. Isso porque as companhias têm a obrigatoriedade, por lei, de remanejar pelo menos 25% seus proventos para os acionistas.

“Então, além de ganhar com os dividendos, que são anunciados pelas companhias antecipadamente, é possível ter rentabilidade com o desempenho das ações. Ou seja, além da possibilidade de lucro, o investidor conta também com uma rentabilidade adicional na forma de dividendos pagos de forma recorrente, variando de empresa para empresa”, avalia.

Confira abaixo as recomendações da XP para as dez principais pagadoras de dividendos: 

1.Copel (CPLE6) – recomendação de compra – dividend yield esperado de 14% para 2021

A XP destaca que a companhia divulgou uma nova e robusta política de dividendos em janeiro de 2021. De acordo com a nova política as propostas de dividendos regulares serão calculadas conforme os critérios: (i) alavancagem abaixo de 1,5 vez igual a 65% do Lucro Líquido Ajustado, (ii) alavancagem entre 1,5 vez e 2,7 vezes igual a 50% do Lucro Líquido Ajustado e (iii) alavancagem acima de 2,7 vezes igual a 25% do Lucro Líquido Ajustado.

Com isso, a estimativa um dividend yield de 11,1% no biênio de 2021-2022 para CPLE6. “Mantemos nossa recomendação de compra nas ações da Copel, com um preço-alvo de R$ 7,50 por ação”, aponta.

2. Engie (EGIE3) – recomendação neutra – dividend yield esperado de 9,7% para 2021

A Engie Brasil, avalia a XP, tem destaque por sua capacidade diferenciada de se proteger de efeitos hidrológicos adversos, somada a sua diversificação de portfólio com a entrada nos setores de transmissão de energia e transporte de gás.

“Acreditamos que a companhia deverá manter uma prática de distribuição de 100% do Lucro Líquido aos acionistas em 2021, assim como ocorreu em 2020. Estimamos um dividend yield de 9,7% em 2021. Temos recomendação neutra em EGIE3 com preço-alvo de R$ 44 por ação”, avalia.

3. Banco do Brasil (BBAS3) – recomendação de compra – dividend yield esperado de 8,6% para 2021

Na avaliação da equipe de análise, o banco combina: i) preço atrativo, pela sua carteira de crédito defendida e pela soma das partes atraente; e ii) uma frente digital competitiva. “Desta forma, acreditamos que haja poucas avenidas de crescimento de valor ao banco, tornando a distribuição de dividendos uma alternativa atrativa”, aponta.

Devido ao limite de distribuição de dividendos imposto pelo Banco Central em 2020, a XP estima um divend payout (dividendo sobre o lucro) de 50% em 2021 e um dividend yield de 8,6%. A recomendação é de compra para Banco do Brasil e preço-alvo de R$ 43/ação.

4. Vale (VALE3) – recomendação de compra – dividend yield esperado de 7,1% para 2021

Destacando seguirem otimistas com Vale, considerando um cenário de demanda saudável de minério de ferro na China, após incentivos do governo, e um cenário mais desafiador para a oferta, os analistas esperam um retorno com dividendos mínimo de 7,1% em 2021, considerando um preço de minério de ferro médio em US$ 135 a tonelada (versus US$ 166 a tonelada atualmente). Em termos de valuation, as ações estão em patamares atrativos, negociando a 2,1 vezes (versus média do setor em 5.5 vezes), abaixo de sua média histórica. Os analistas reiteram recomendação de compra para a Vale, com preço-alvo de R$ 122 por ação.

5. AES Brasil (TIET11) – recomendação de compra – dividend yield esperado de 7,0% para 2021

A XP destaca que a AES Brasil usualmente apresenta lucros consistentes, embora possa haver um certo grau de volatilidade dependendo da incidência de chuvas. Em 2020 a companhia apresentou um dividend  payout de 88% que se traduz em um dividend yield de 5,4% no ano, o que reforça a visão dos analistas de que a AES Tietê é uma das preferidas como pagadora de dividendos. “Estimamos um dividend yield de 7,0% em 2021-22 para as ações. Temos recomendação de compra em TIET11 com preço-alvo de R$ 18 por ação”, destacam.

6. BB Seguridade (BBSE3) – recomendação de compra – dividend yield de 6,9% para 2021

Os analistas esperam que a BB Seguridade se beneficie principalmente de: i) crescimento de prêmios impulsionado pela retomada da atividade econômica; e ii) da capacidade de distribuição pelas agências do Banco do Brasil. Desta forma, dada a baixa necessidade de capital, a BB Corretora apresenta margens altas impulsionando os retornos da companhia.

Portanto, veem um dividend yield de 6,9% para 2021 e possuem recomendação de compra para a ação com preço-alvo de R$ 35.

7. Cemig (CMIG4) – recomendação neutra – dividend yield esperado de 6,7% para 2021

A política de dividendos do estatuto da Cemig prevê a distribuição de 50% do lucro da empresa aos acionistas. Além disso, as ações preferenciais da companhia tem preferência no recebimento de proventos com dividendo de, pelo menos, 10% do seu valor nominal de R$ 5 por ação ou de 3% do valor do patrimônio líquido das ações. Estimamos um dividend yield de 6,7% em 2021. Os analistas mantêm recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 11 por ação.

8. CESP (CESP6) – recomendação de compra – dividend yield esperado de 6,7% para 2021

A Cesp vem reforçando sua sólida geração de caixa nos últimos trimestres, avalia a XP. Com isso, a expectativa é de que a companhia deve continuar a distribuir pelo menos o dividendo mínimo de R$ 1,85 por ação previsto pelo seu estatuto.

“Em 2020 a companhia atingiu uma distribuição de 49% sobre o lucro líquido, reforçando a nossa visão de que a CESP é uma das nossas preferidas como pagadora de dividendos. Estimamos um dividend yield de 6,7% entre 2021 e 2022. Reiteramos nossa recomendação de Compra na CESP, com um preço-alvo de R$ 36 por ação”, reforçam.

9. Santander (SANB11) – recomendação neutra – dividend yield esperado de 6,3% para 2021

Apesar de o Santander ser o banco com menor diversificação de receita entre os incumbentes, os analistas da XP apontam que a instituição apresenta uma combinação de: i) alta exposição ao crédito de varejo; e ii) níveis de inadimplência relativamente abaixo da média.

“Acreditamos que, enquanto não haja boas oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com taxas de retorno altas, a distribuição de dividendos pode ser uma alternativa atrativa. Devido ao limite de distribuição de dividendos imposto pelo Banco Central em 2020, estimamos um payout de 75% em 2021 e vemos um dividend yield de 6,3%”, avaliam.

10. Itaú (ITUB4) – recomendação neutra – dividend yield esperado de 6,2% para 2021

A XP aponta que o banco combina: i) um investimento de qualidade, com boa gestão e governança que se traduzem em menor beta; e ii) um payout historicamente acima da média do setor.

Assim, como no caso do Santander, eles acreditam que, enquanto não houver boas oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com taxas de retorno altas, a distribuição de dividendos pode ser uma alternativa atrativa. Devido ao limite de distribuição de dividendos do BC, a estimativa é de um payout de 65% em 2021 e um dividend yield de 6,2%. A recomendação é neutra com preço-alvo de R$ 29 por ação.

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