Os últimos meses no mundo da renda variável foram totalmente atípicos e de uma volatilidade nunca vista. Agora, será que isso foi bom ou ruim para os traders? É isso que veremos neste artigo.

Antes de qualquer coisa, precisamos detalhar o que é “volatilidade” para o mercado.

Volatilidade, no dicionário, nada mais é do que “qualidade do que sofre constantes mudanças; característica do que é volátil, do que não é firme, daquilo que muda constantemente.”

No mercado financeiro, a volatilidade de um ativo pode ser entendida como o grau de oscilação de valor em um determinado período. Logo, se uma ação sobe 10% em um dia e cai 15% no outro ela pode ser considerada uma ação com alta volatilidade.

Mas isso pode ser considerado danoso ao investidor que compra essa ação? Depende.

Se você levar em consideração que ela subiu 10% em um dia e que o investimento mais popular do Brasil, que é a poupança, rendeu em 2020 apenas 2,11%, a resposta pode variar.

O que é importante frisar é que, como diria Warren Buffett, “o risco vem de você não saber o que está fazendo”.

Se você está ciente do investimento que está fazendo e dos riscos inerentes a essa operação, você pode se surpreender com o resultado – mas dentro daquela margem aceita no momento do “aceite”. E é para aumentar a sua gama de conhecimento que estamos aqui.

O que o trader busca?

O trader é o participante do mercado que procura oportunidades de curto prazo na renda variável com o intuito de especular na Bolsa de Valores.

Ele opera através da análise técnica ou gráfica, que, de acordo com um dos principais autores sobre o tema, John J. Murphy, “é o estudo dos movimentos do mercado, principalmente pelo uso de gráficos, com o propósito de prever futuras tendências no preço”.

Diferente do que fazem os investidores de médio e longo prazo, que utilizam a análise fundamentalista, focada em analisar os aspectos financeiros e econômicos das empresas listadas em Bolsa.
Ou seja, uma volatilidade maior se mostra mais interessante a quem busca maiores retornos no curto prazo, o trader.

Dá para prever momentos de maior instabilidade no mercado?

Alguns, sim e outros, não. Os momentos em que conseguimos antecipar uma maior volatilidade são aqueles com frequência regular como resultados trimestrais, dados econômicos semanais, mensais e anuais, eleições, abertura e fechamento de outros mercados etc.

Mas atenção: sabermos com antecedência que teremos uma maior oscilação de preços não quer dizer que saberemos a direção na qual o ativo vai seguir. Por isso, pode ser um tiro no escuro, e isso nunca seria recomendado.

Já os momentos em que não conseguimos prever uma maior volatilidade são aqueles que surpreendem a todo o mercado, como, por exemplo, a prisão de alguma personalidade que tenha reflexo em âmbito nacional, algum esquema de corrupção descoberto, um desastre natural ou coisas do gênero.

A medida perfeita da volatilidade

Vale frisar que para que haja ganho no mercado é fundamental que os preços oscilem e que os ativos se movimentem com alguma intensidade.

Quando o mercado está “parado”, poucas oportunidades aparecem, e o instinto de ansiedade do trader iniciante faz com que ele crie entradas que não deveriam ser feitas, se decepcione com a falta de movimento e, muitas vezes, sofra com os custos operacionais da própria B3.

E isso tudo mesmo sendo sabido que existem momentos em que devemos ficar de fora do mercado. Não operar também é operar!

Por outro lado, um excesso de volatilidade também nos deixa perdidos sobre qual rumo o ativo vai seguir e com pouco ou nenhum tempo de reação para que uma decisão seja tomada.

Então, não vá com muita sede ao pote e aguarde o momento ideal para realizar a sua operação.

Volatilidade hoje

No momento, estamos encerrando a temporada de balanços corporativos nos EUA e na Europa e iniciando-a aqui no Brasil.

Ou seja, o mercado brasileiro já vem se movimentando de forma mais instável por conta dos reflexos dos resultados no exterior e isso deve aumentar com as empresas daqui divulgando seus números.

Diariamente, vejo muitas pessoas comentando: “Hoje é o dia de entrar em Vale! Vai sair o balanço!”, e a minha resposta é sempre a mesma: “Você sabe como vem o balanço de Vale? E se vier abaixo da expectativa? E se vier acima? E se vier em linha com o esperado?”.

Enfim, não cometam o erro de investir na bolsa por investir, investir por esporte. O mercado não é brincadeira e ele não perdoa.

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