(Bloomberg) – Executivos do alto escalão da Alimentation Couche-Tard estão em Paris para tentar salvar a oferta de US$ 20 bilhões pelo Carrefour, com planos de investimento e compromissos de emprego em meio às crescentes objeções do governo francês.

A operadora canadense de lojas de conveniência planeja injetar 3 bilhões de euros (US$ 3,6 bilhões) na rede de supermercados francesa em cinco anos, segundo uma pessoa a par da situação que pediu para não ser identificada.

As ações do Carrefour devolveram parte dos ganhos desta semana após o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, ter dito na sexta-feira que está preparado para dar um “não claro e definitivo” ao acordo. Os papéis chegaram a cair 5,7% em Paris.

Um representante do Carrefour não respondeu de imediato a pedidos de comentário.

Le Maire havia citado preocupações de que uma rede de supermercados francesa caísse em mãos de estrangeiros. Ele disse que o país precisa manter o controle doméstico sobre o suprimento de alimentos. A França reforçou recentemente sua autoridade para bloquear aquisições estrangeiras.

“Temos o instrumento jurídico disponível”, disse Le Maire na sexta-feira. “Prefiro não ter que usar, mas vou usar, se necessário.”

O Ministério das Finanças está pronto para estudar a proposta assim que os canadenses a apresentarem oficialmente, disseram pessoas a par do assunto nesta semana. Segundo essas fontes, o governo do presidente Emmanuel Macron planeja levar o tempo necessário para avaliar o impacto do negócio nos empregos e no setor.

Apesar dos comentários estridentes de Le Maire, o CEO da Couche-Tard, Brian Hannasch, e outros gerentes estão em Paris negociando com o comando do Carrefour, em um esforço para chegar a um pacote que agrade aos acionistas da companhia francesa e ao governo, segundo uma pessoa a par da situação.

Maior empregador

O Carrefour emprega cerca de 100 mil pessoas na França e é o maior empregador privado do país, com unidades que variam de lojas de conveniência a hipermercados gigantes.

A empresa tem implementado um plano de reestruturação sob o CEO Alexandre Bompard, que envolve investimentos em compras online e alimentos orgânicos. Analistas apontam para a ausência de sobreposição geográfica entre as empresas.

O plano de investimento foi divulgado pela primeira vez pelo jornal Les Échos, que é controlado pela LVMH, de Bernard Arnault, que também possui participação de 5,5% no Carrefour.

Caso a Couche-Tard consiga ir em frente com a oferta, precisará submeter os planos ao Ministério das Finanças, que tem 30 dias para responder a essas solicitações, aos quais pode adicionar 45 dias para um exame mais aprofundado. Se não houver resposta do governo, isso equivale a uma recusa. Paralelamente, ou antes disso, a Couche-Tard poderia iniciar negociações informais sobre os compromissos que estaria disposta a assumir.

Revolução Francesa

“Se o conselho de administração do Carrefour e os acionistas de referência virem um interesse estratégico real no negócio e conseguirem convencer o Ministério das Finanças, a porta pode se abrir”, disse Pascal Bine, sócio da Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom, de Paris.

Mas isso não é uma certeza em um país onde protestos sobre a disponibilidade de pão desencadearam um processo que derrubou a monarquia em 1789, acrescentou Bine.

“Desde a crise de Covid, surgiu um novo paradigma que visa preservar a soberania econômica do país, incluindo o fornecimento de bens e serviços essenciais”, afirmou. “Se as pessoas não são alimentadas, ocorre a Revolução.”

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