SÃO PAULO – O CFO da Movida (MOVI3), Edmar Lopes, comemorou o resultado da locadora de veículos no quarto trimestre de 2020. Impulsionados pelas vendas de carros usados e pelo maior movimento nas estradas no final do ano, os números da companhia superaram expectativas do mercado.

Uma das principais métricas do mercado financeiro para analisar a geração de caixa de uma empresa o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da Movida foi de R$ 305 milhões nos últimos três meses do ano passado, valor 16% superior ao que foi registrado no mesmo período do ano anterior e 15% acima da mediana das projeções dos analistas.

Já o lucro líquido atingiu R$ 184 milhões no quarto trimestre, com R$ 139 milhões em resultado recorrente (sem impacto de questões contábeis sazonais). Na comparação com o quarto trimestre de 2019, esse lucro líquido ajustado foi 64,9% maior.

A receita líquida, por sua vez, totalizou R$ 990,7 milhões, o que corresponde a uma queda de 1% na comparação com o faturamento registrado nos últimos três meses de 2019.

“O quarto trimestre consolida uma recuperação forte no nosso negócio a partir de agosto. Foi uma alta temporada com muito Turismo terrestre, já que as pessoas ainda estão receosas de viajar de avião. Além disso, as montadoras ainda estão com dificuldades de regularização de novos carros, então vendemos muitos usados”, avalia Edmar Lopes.

De acordo com a equipe de análise do Bradesco BBI, a operação de venda de seminovos da Movida foi o principal destaque do período, chegando a uma margem Ebitda (obtida a partir da divisão do Ebitda pela receita líquida da empresa) de 11,7% no trimestre.

Esse número seria consequência: do recorde nos preços de carros usados, que em média ficou em R$ 50.153 (aumento de 25% na comparação anual) no 4º tri; do gradual aumento da depreciação por carro a R$ 3.358, de R$ 1.666 no último trimestre de 2019; da consolidação do impairment (redução no valor recuperável de um ativo) da frota logo no começo de 2020; e da mais forte execução de ativos.

No entanto, como o próprio diretor financeiro da Movida explica, esses dados têm a ver com a dinâmica de 2020 para as montadoras. “Com a suspensão da produção nos meses mais sensíveis da pandemia de coronavírus [principalmente março e abril], o mercado acabou consumindo o estoque de veículos produzidos por essas empresas e, quando a produção foi retomada, as montadoras estavam mais pessimistas do que pedia a situação, de modo que não tinham como atender à demanda por carros.”

Lopes ressalta que outro problema enfrentado pelas montadoras foi a disrupção na cadeia de produção global por conta da abrangência do impacto do coronavírus em fábricas do mundo todo. A Movida, então, acabou suprindo essa falta vendendo muitos carros seminovos no mercado.

Fora isso, o negócio de RAC (sigla para rent a car, ou aluguel de carros em inglês), teve um aumento na demanda por conta das viagens nacionais, que aumentaram em 2020 devido aos temores acerca de turismo internacional, e pela procura dos motoristas de aplicativos.

Ao mesmo tempo, o contrato de longo prazo que a Movida tem com empresas que precisam de frotas de carros, foi pouco afetado pela pandemia. “A multa para sair é alta, então o que fizemos foi discutir com nossos clientes as questões de pagamento, mas sem que houvesse uma saída expressiva”, comenta.

Perspectivas positivas

Em relação ao futuro, Lopes enxerga um aumento na demanda por aluguel porque negócios de Turismo ainda têm um longo caminho para se recuperarem totalmente.

O principal saldo de 2020, segundo o executivo, foi aprender o que fazer em momentos de crise. “Aprendemos a nos mexer rápido. Se tem algo que conseguimos fazer foi ter um plano, acompanhar a execução e corrigir a rota.”

Neste momento, ele explica que o foco da empresa está no investimento para maior digitalização dos negócios como o web check-in, que permite o aluguel de carros via apresentação de QR Code após o cliente escolher modelo e placa pela internet.

“Terminamos 2020 com uma grande oportunidade de fazer o melhor resultado anual da companhia. Agora sabemos que conseguimos suportar um crescimento de 30 mil carros adicionais na nossa frota sem grande esforço”, diz Edmar Lopes.

Para o Bradesco BBI, o quarto trimestre de 2020 mostrou que a Movida completou seu turnaround na operação de seminovos, o que era o principal gargalo para acelerar o crescimento das suas operações.

Outro ponto bem visto pelos analistas do banco foi a situação do passivo da locadora. “A Movida agora tem uma boa flexibilidade no balanço com uma dívida líquida dividida pelo Ebitda em 2,7 vezes, e com a venda em janeiro de US$ 500 milhões em títulos corporativos sustentáveis com vencimento em 10 anos, os vencimentos de dívida até 2026 devem ser amortizados”, analisa o Bradesco. O banco possui recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 30, o que configura um potencial de valorização de 58,5% para os ativos em relação ao preço de fechamento da ação na quarta-feira, a R$ 18,93.

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