SÃO PAULO – Enquanto o mercado estende o rali de novembro neste início de mês, o calendário de indicadores segue bastante movimentado, apesar da proximidade do período de festas de fim de ano.

O Brasil terá uma bateria importante de dados nos próximos dias, em especial números de inflação e também a definição da taxa básica de juros, a Selic, pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Entre segunda e terça-feira, serão divulgados o IGP-DI e o IPCA, medidor oficial de inflação do País, que segundo os analistas do Itaú deve ter leve recuo na comparação mensal, passando de 0,86% no mês passado para 0,81% agora. Com isso, a taxa acumulada de 12 meses avançaria de 3,92% para 4,23%.

“A inflação fora do núcleo deve pressionar para cima, especialmente os preços de alimentos, habitação e transporte. As medidas de inflação subjacentes para bens e serviços industriais também deverão estar sob pressão no curto prazo”, afirmam os analistas.

Já para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Itaú projeta uma leitura de 2,46% em novembro, com a taxa anual indo a 24,07%.

Na quarta-feira, por sua vez, sai o resultado a última reunião do Copom no ano, com a expectativa de manutenção da Selic em 2% ao ano. Porém, para o mercado, o principal ponto será o comunicado e possível mudanças no que o Banco Central irá sinalizar para o futuro.

Para o Itaú, a manutenção dos juros seria “consistente com a comunicação recente de que as condições para a manutenção do guidance para frente ainda estão em vigor, não obstante a indicação de que mudanças de política que afetem a trajetória da dívida pública ou comprometam a âncora fiscal desencadeariam uma reavaliação, mesmo que o teto de gastos ainda é nominalmente mantido”.

“Esses sinais não devem resultar em mudanças na postura da política monetária, uma vez que não houve – pelo menos até agora – uma guinada clara no regime fiscal”, completam os analistas projetando que o guidance seja mantido, mas com uma indicação mais forte de que as condições serão constantemente reavaliadas.

No campo político, apesar de não haver nenhum grande evento programado, os investidores seguem atentos às discussões de âmbito fiscal e possíveis reformas, ainda que para o começo do próximo ano. Além disso, destaque para a votação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e Senado, Davi Alcolumbre.

Agenda externa

No calendário externo, a semana já começa com a repercussão dos dados da balança comercial da China, que saem ainda nesta domingo à noite.

Ainda no gigante asiático, na noite de terça saem os números de inflação ao consumidor e ao produtor, CPI e PPI, respectivamente. O primeiro deve apresentar queda de 0,2% no mês, enquanto o segundo, a projeção segundo dados da Refinitiv é de recuo de 1,8% no dado anualizado.

A Europa também terá uma semana bem movimentada. Na terça–feira serão apresentados os números de desemprego na Zona do euro, além da revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, com projeção de manutenção dos 12,6% já divulgados. Mesmo assim, qualquer alteração pode pesar nos negócios.

Já na quinta é a vez da reunião do Banco Central Europeu (BCE), que segundo a equipe do Bradesco BBI deve manter os juros, mas anunciar uma nova concessão de estímulos monetários para fazer frente aos impactos da pandemia.

Por fim, nos Estados Unidos, na quarta-feira o destaque fica para os dados de emprego do relatório JOLTS, que mostra os números de abertura de novas vagas de trabalho. Este é um documento bastante acompanhado pelos analistas para entender como está a dinâmica da maior economia do mundo, em especial no cenário da atual crise.

E já na quinta-feira as atenções se voltam pra os dados de inflação medido pelo CPI. Analistas consultados pela Refinitiv projetam que o indicador deve ter uma leve alta de 0,1%, ante 0,0% apresentados no mês anterior, ao passo que o dado acumulado de 12 meses deve ir para 1,1%, contra 1,2% antes.

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