SÃO PAULO – As ações das construtoras ficaram “esquecidas” na Bolsa neste começo do ano, conforme destaca o Credit Suisse. Até o pregão do dia 10 de março, os papéis das ações das empresas voltadas à renda média, segmento que mais brilha os olhos dos analistas do banco suíço, registraram uma queda média de 22%.

O desempenho negativo é atribuído à alta dos juros dos principais contratos de DI futuro em meio ao aumento da perspectiva de inflação o que, por consequência acaba por diminuir a atratividade das ações do setor. Isso porque uma das teses de investimentos nas ações nas construtoras é que, com os juros como os atuais, em patamares historicamente baixos (atualmente, a Selic está na mínima histórica, de 2% ao ano), o acesso ao crédito pode ficar mais barato e os investidores também podem buscar outras alternativas de investimento, como imóveis, aumentando a demanda. Assim, um aumento de juros é visto como negativo para o setor.

Contudo, na avaliação dos analistas do Credit, as expectativas pareciam excessivamente negativas. Contudo, o início da temporada de balanços do setor nesta semana, que trouxe números positivos para as companhias que divulgaram seus números até então, acabou por evidenciar isso e fazendo com que, nos últimos dois pregões, as ações registrassem ganhos relevantes. Na véspera, o Índice IMOB da B3 saltou 5,69% enquanto que, nesta sexta, a alta é de 2,06% às 17h39 (horário de Brasília), ante perdas de 0,84% do Ibovespa. No ano, contudo, a queda do IMOB é de 11,17%, ante baixa de 4,20% do Ibovespa.

Para os analistas do Credit, o cenário para o setor é positivo, avaliando que a demanda deve continuar forte e os preços de imóveis continuam na trajetória de alta. Neste processo, contudo, a agilidade deve ser muito importante. Assim, os analistas destacam gostarem de empresas que estão com um processo avançado em projetos, forte dinâmica de lucros e maior liquidez. Neste sentido, a Cyrela (CYRE3) aparece para eles como o principal nome do setor: os analistas têm o papel CYRE3 como a recomendação top pick, com preço-alvo de R$ 35. A companhia divulgará seus resultados no próximo dia 18, depois do fechamento.

Assim, para eles, a temporada de balanços deve ser acompanhada de perto: a Moura Dubeux (MDNE3), que divulgou seus números na noite de quinta-feira, teve seus números analisados pelo banco, que avaliou os resultados como levemente positivos, reforçando a visão de que a empresa está no caminho certo pós-abertura de capital.

A Moura Dubeux reverteu o prejuízo de R$ 31,1 milhões do quarto trimestre de 2019 e lucrou R$ 8,7 milhões de outubro a dezembro de 2020. Já a receita líquida teve alta de 96,9%, para R$ 190,4 milhões. A empresa elevou sua margem bruta de 20,9% para 27,1%. Os analistas apontam que, mesmo com o lucro abaixo do esperado por eles (de R$ 22 milhões) em meio às despesas gerais e administrativas mais altas, este foi o segundo trimestre consecutivo que a Moura Dubeux entregou lucro e gerou caixa (R$ 49 milhões no quarto trimestre), reforçando a visão positiva do banco com a empresa.

Na noite de ontem, a Tenda (TEND3), mais voltada à baixa renda, também divulgou seus números, apresentando lucro líquido consolidado de R$ 72 milhões no quarto trimestre de 2020, recuo de 5,6% em comparação com o mesmo período de 2019. No acumulado do ano, o lucro totalizou R$ 200,3 milhões, baixa de 24%. A diminuição do lucro reflete os efeitos da pandemia, que provocaram paradas temporárias das obras, com perda de produtividade. Também pesaram os aumentos nos custos de construção no período.

O Credit Suisse avaliou os resultados divulgados pela Tenda, como em linha com sua expectativa. O banco mantém avaliação neutra (expectativa de valorização dentro da média do mercado) para a Tenda, afirmando que há riscos para o setor de baixa renda devido à alta de preços, uma tendência que diz esperar que continue em 2021. O Credit destaca que, por outro lado, a empresa vem postando fortes resultados operacionais. O banco mantém preço-alvo de R$ 37, frente aos R$ 25,6 de fechamento na quinta (11).

Já a XP Investimentos destacou que a Tenda reportou fortes resultados referente ao quarto trimestre de 2020, impulsionado pelo bom desempenho de vendas. Os números financeiros apresentados ficaram em linha, com a margem bruta impactada negativamente pelo aumento dos custos de materiais. No balanço patrimonial, a companhia continua com sólida posição de caixa líquido e baixa alavancagem.

Além disso, avaliam, ela continua apresentando evolução em seu modelo off-site (construção remota) com nova fábrica e certificação DATEC dentro do cronograma previsto da companhia e, ainda, anunciou uma parceria com a Tecverde. Por fim, a Tenda reiterou seu guidance de margem bruta e vendas líquidas, sugerindo um sólido ano de 2021. “Reiteramos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$ 37,20 por ação”, aponta a XP.

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