A intensificação do uso de ferramentas digitais no último ano, em meio à pandemia do novo coronavírus, também serviu para deixar a indústria mais perto de seus clientes, incluindo o consumidor final, e é essa abordagem que irá prevalecer no futuro. É isso que mostra Carlos Brito, CEO da AB InBev, que falou sobre os desafios de liderar grandes empresas durante a Super Lives – 1 ano de pandemia, série organizada em parceria pelo InfoMoney e pela XP. (Confira a entrevista completa assistindo ao vídeo acima).

Como exemplo dessa digitalização, Brito conta do alcance do Zé Delivery, sistema de delivery da Ambev (ABEV3), uma das empresas da multinacional líder na venda de cerejas.

Em 2019, o serviço realizou 1,5 milhão de entregas. No ano passado, esse número chegou a 27 milhões. Essa expansão ocorreu no momento em que as pessoas ficaram mais em casa como uma das medidas decorrentes do combate à Covid-19.

“O consumidor tinha um problema e estávamos ali para resolver. Começamos essa digitalização há 5 anos, mas isso passou de tendência para prioridade”, disse.

Essa maior digitalização também ocorreu no relacionamento com estabelecimentos comerciais como restaurantes, supermercados e bares. Isso se deu por meio da Z.Tech, empresa de tecnologia da AB Inbev que aposta em uma carteira digital e em marketplace.

No Brasil, esse marketplace reúne produtos não só da Ambev, mas também de outras indústrias de alimentos. O varejista acessa os itens disponíveis por um site chamado Menu.

“Não oferecemos só o nosso produto porque o varejista não quer se relacionar com vários fornecedores. E conseguimos tornar o pedido mais eficiente, porque conhecemos melhor esse varejista”, disse, ressaltando que muitas vezes as ofertas são feitas.

A Z.Tech também oferece crédito a esse varejista. Em meio a essa agenda de digitalização, a Ambev também atuou para garantir programas de apoio aos bares que ficaram fechados por conta da pandemia. Um dos incentivos consistia em um plataforma para a venda de vouchers ao consumidor final para o consumo presencial no momento da reabertura dos estabelecimentos. O varejista recebia antecipado esse valor, assim como uma contrapartida de igual montante paga pela cervejaria.

“Tentamos fazer isso para que o varejista tivesse fôlego na reabertura”, explicou.

Essa transformação digital, segundo ele, veio para ficar, uma vez que tanto varejista como consumidores finais já se habituaram com essas comunidades.

Home office: tendência não veio para ficar na empresa

O que não veio para ficar, ao menos no caso da AB Inbev, é o home office. Segundo Brito, o contato diário contribui para que a cultura da empresa não seja perdida e que trabalhar remoto é apenas um “plano B”.

“A gente acredita que esse contato diário e as reuniões não programadas, como aquelas que surgem no corredor ou cafezinho, são essenciais. Com Zoom ocorrem apenas as reuniões programadas”, disse.

A companhia emprega cerca de 170 mil pessoas no mundo todo, sendo quase 30 mil apenas no Brasil.

Durante a live, Brito não tratou de datas ao comentar sobre uma possível sucessão do comando da AB Inbev, mas contou um pouco de como precisa ser um líder para a companhia sendo que, naturalmente, ele precisa estar de acordo com a cultura. Essa cultura passa por “sonhar grande” e agir como dono.

“Gostamos de gente talentosa que opera como dono, que se vê na empresa no longo prazo. É isso que constrói a companhia. O dono chega para realizar o sonho do grupo. O professional quer apenas ter um currículo melhor”, disse.

No ano passado, o lucro líquido da cervejaria foi de R$ 3,8 bilhões, praticamente metade do registrado no ano anterior devido aos impactos da pandemia. Já o volume de vendas caiu 5,7%, para US$ 46,9 bilhões. A Ambev teve lucro líquido de R$ 11,7 bilhões, queda de 3,7%, com receitas líquidas de R$ 53,4 bilhões (+12,3%).

Série Super Lives 

A série Super Lives – 1 ano de pandemia continua.

Nesta quarta, às 18h, a programação traz painel com Dimas Covas (diretor do Instituto Butantan), Nathalia Pasternak (presidente do Instituto Questão de Ciência) e Edécio Cunha (chefe do laboratório de bioquímica do InCor), para falar sobre as perspectivas para a vacinação no Brasil.

Às 19h, Alexandre Schwartsman (ex-diretor do BC), Caio Megale (economista-chefe da XP), Luiz Fernando Figueiredo (sócio da Mauá) e Pedro Jobim, sócio da Legacy, tratam sobre os desafios econômicos do país. Confira a programação completa clicando aqui. 

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