SÃO PAULO (Reuters) – O dólar fechou na máxima em quatro meses ante o real nesta sexta-feira, aproximando-se de 5,70 reais e engatando a terceira semana consecutiva de valorização, com investidores replicando os ganhos da moeda norte-americana no exterior e ainda no aguardo das próximas votações da PEC Emergencial.

O dólar à vista subiu 0,40%, a 5,6841 reais na venda, depois de oscilar entre 5,7246 reais (+1,11%) e 5,6526 reais (-0,16%).

O patamar é o mais alto desde 3 de novembro do ano passado (5,7609 reais).

Na semana, a cotação apreciou 1,45%. Em três semanas seguidas de alta, o dólar se fortaleceu 5,77%, na mais longa série de ganhos desde o período de quatro semanas findo em 2 de outubro do ano passado, intervalo em que saltou 6,76%.

A tônica desta sexta-feira foi dada pelos dados de emprego geral nos Estados Unidos, que superaram em muito as expectativas para fevereiro, indicando força na recuperação dos EUA e aumentando o apelo para investimentos no país.

Com isso, os rendimentos dos Treasuries foram a novas máximas em um ano e o dólar ganhou terreno frente a quase todos os seus principais rivais. O índice do dólar contra uma cesta de moedas fortes subia 0,33% no fim do dia, nos picos desde novembro do ano passado.

O chamado “reflation trade” –quando investidores adotam estratégias voltadas a ativos que tendem a se valorizar em tempos de maior inflação na esteira de uma recuperação de uma crise– tem sido o tema dos mercados internacionais nas últimas semanas e, segundo analistas, assim deve permanecer.

O índice do dólar ante moedas de países ricos, que caiu 6,8% no ano passado, subia 2,2% neste ano e 3,1% desde a mínima de janeiro.

Na frente doméstica, os rumos de curto prazo para o câmbio continuarão a ser ditados pelo noticiário fiscal. Depois da aprovação da PEC Emergencial no Senado nesta semana, o texto passará pelo crivo da Câmara na próxima semana.

“Existem riscos de atrasos, no entanto, uma vez que um processo acelerado, contornando comitês especiais, é incomum quando se trata de emendas constitucionais. No entanto, a recente piora da pandemia, com novas mortes atingindo níveis históricos a cada divulgação e o aumento das taxas de ocupação hospitalar na maioria das regiões, provavelmente pressionará a favor de um processo acelerado”, disse o Itaú Unibanco em nota.

No cômputo geral, o banco MUFG Brasil ainda acredita que o dólar poderá ficar em patamares altos neste semestre, devido à lentidão no processo de vacinação contra o coronavírus, mas perderá força na segunda metade do ano, conforme os entraves à imunização forem sanados.

“Mantemos nossa projeção de dólar a 5,10 reais ao fim de 2021”, disse o banco em nota. A estimativa embute queda nominal de 10,3% do dólar no período.

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