SÃO PAULO — A aquisição da Fibria em 2018 gerou ganhos de sinergia para a Suzano (SUZB3), mas alavancou a companhia por muitos trimestres. Em 2021, a produtora de celulose diz estar pronta para ver seu endividamento voltar ao nível ideal, permitindo a retomada do crescimento.

A afirmação é de Marcelo Bacci, diretor executivo de finanças, relações com investidores e jurídico da Suzano. “Tínhamos previsto no ano passado quatro pontos principais. Primeiro, a gente tinha prometido entregar 90% do potencial de captura de sinergia com a Fibria, e o número que a gente tinha dado para o mercado era R$ 1,1 bilhão por ano de redução de custo. Isso aumenta nossa geração de caixa e reduz a alavancagem”, disse o executivo em live do InfoMoney na segunda-feira (15).

“A gente entregou 100% do plano e um número maior, de R$ 1,3 bilhão. O segundo ponto foi vender ativos não operacionais, (…) e vendemos R$ 1,5 bilhão. (…) Terceiro ponto era que a gente tinha se comprometido a reduzir nosso estoque de celulose, liberando cerca de US$ 500 milhões. Isso foi feito, nosso estoque está em nível mínimo histórico. E finalmente a gente se comprometeu a fazer um capex menor em 2020, de R$ 4,2 bilhões”, completou.

O diretor disse que a alavancagem ideal da Suzano é entre 2 e 3 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), podendo chegar a 3,5 vezes durante período de crescimento.

“A gente vem de uma transação extraordinária, a compra da Fibria, a alavancagem ficou mais alta, mas caiu para 4,3 vezes em dezembro de 2020. Certamente ao longo deste ano, continuando as condições que estamos vendo para a celulose, vamos chegar a 3 vezes, o que vai nos permitir retomar plano de crescimento”, afirmou.

A entrevista faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, no qual CEOs e outros executivos importantes de empresas da Bolsa comentam os balanços do quarto trimestre de 2020 e o desempenho anual das companhias, e falam também sobre perspectivas. Para não perder as próximas lives, que acontecem até o início de abril, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

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Bacci comentou ainda sobre a recuperação dos preços da celulose no mercado internacional, especialmente na China, principal destino das exportações da Suzano, o que tem sido observado neste ano. Por ser exportadora, a companhia se beneficia do dólar alto no Brasil, já que seus custos são em reais e a geração de caixa é em dólar. Ele explicou como funciona a política de hedge que a empresa precisa fazer, uma vez que sua dívida também é em dólar.

O diretor da Suzano falou ainda sobre o papel perder espaço no mercado global diante da digitalização, que foi intensificada com a pandemia de coronavírus, embora alguns segmentos continuem fortes — como o de papéis sanitários, especialmente nas economias emergentes onde a utilização per capita ainda é baixa, e os papéis para embalagens.

“Tem a questão da natureza renovável do papel. Alguns produtos que são de plástico serão substituídos aos poucos por papel”, disse. O executivo ressaltou a preocupação da Suzano com sustentabilidade e afirmou que as companhias exportadoras são prejudicadas pela imagem negativa do Brasil no exterior em relação à proteção do meio-ambiente.

“Mas as companhias não podem depender de governos para estabelecerem seus padrões de sustentabilidade. (…) Tudo o que a gente faz só é bom para nós se for bom para o mundo”, disse. Ele comentou sobre a emissão de bonds da companhia atrelada a boas práticas de sustentabilidade, com a menor taxa de emissão já registrada por uma empresa no país.

Outros assuntos abordados foi quando a empresa pretende voltar a pagar dividendos e as metas de diversidade: uma fatia de 20% do conselho é formada por mulheres e, apesar de 54% dos colaboradores serem negros, eles têm dificuldades para chegar na diretoria — e a empresa quer mudar isso. Bacci falou ainda sobre o projeto Jubarte e a criação de uma nova planta. Assista à live completa acima.

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