Quem me acompanha há algum tempo sabe o que penso da Tesla e do seu maior acionista, Elon Musk. Como para toda regra há uma exceção, acredito que finalmente encontrei um tema em que concordo plenamente com o excêntrico CEO: a energia nuclear.

Ontem, em uma entrevista a Axel Springer, Musk disse que o consumo de energia deve dobrar no mundo nos próximos 20 anos e que os carros elétricos se tornarão a norma, de modo que o maior obstáculo para carregar os veículos está na obtenção da energia.

Musk destacou a necessidade de termos uma fonte sustentável e salientou que às vezes o vento não sopra e que o sol não brilha, numa clara alusão às alternativas eólica e solar, cuja geração sofre de intermitência.

Ele ainda foi além e surpreendeu, ao afirmar que a energia nuclear talvez seja necessária para alcançar os volumes de produção necessários de forma sustentável e sem a emissão de CO2.

A surpresa com o posicionamento dele em relação à essa fonte energética deve-se a dois motivos: primeiro, porque ele tem um negócio concorrente, de energia solar, que, diga-se de passagem, quebrou e teve que ser incorporado à Tesla, numa manobra absurda de falta total de governança, que causou altos prejuízos aos acionistas, para evitar uma mancha em seu nome. Segundo, porque a entrevista estava sendo concedida a um repórter da Alemanha, país que está descomissionando todos os reatores e cuja opinião é claramente desfavorável a essa forma de geração.

Peter Thiel, famoso por ter salvado Musk quando esse estava em vias de quebrar o PayPal e por ter investido em empresas como Facebook e Airbnb, é um grande entusiasta da energia nuclear, assim como Bill Gates e vários expoentes que se propõem a estudar o assunto.

Mais e mais pessoas estão se conscientizando sobre a importância da energia nuclear para um mundo mais limpo e com energia abundante. Energia atômica é mais limpa, não sofre de intermitência, precisa de uma área até 360 vezes menor que a de uma usina eólica e 75 vezes menor que a de uma solar com a mesma capacidade instalada.

Além disso, é mais segura e gera empregos de maior valor agregado. E agora, com reatores nucleares recebendo extensões de mais 10 ou 20 anos, ela se torna muito mais barata que as concorrentes.

Está ficando nítido que uma forte mudança no sentimento em relação à energia nuclear está em curso e que sua imagem está sendo restaurada aos poucos aos olhos da opinião pública e de líderes empresariais.

Embora a tese de urânio não dependa primordialmente disso, já que se trata de uma questão de desequilíbrio de oferta e demanda, uma percepção mais favorável dos agentes com relação aos consumidores finais da commodity pode contribuir de forma significativa para uma correção nos preços das ações do setor, na medida em que o bull market começa a se consolidar.

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