SÃO PAULO – Os Estados Unidos tiveram 23 Ofertas Públicas Iniciais (IPOs na sigla em inglês) de ações apenas na última semana, totalizando US$ 10,68 bilhões levantados por empresas americanas no mercado acionário, de acordo com dados da Nasdaq.

O maior deles ocorreu na quinta-feira (17). Foi o da Snowflake, uma empresa de armazenamento de dados em nuvem. A Snowflake levantou US$ 3,4 bilhões na Nasdaq com o apoio da Salesforce e da Berkshire Hathaway, tornando-se o maior IPO da história daquela bolsa. A companhia foi avaliada em US$ 33,3 bilhões e suas ações subiram 104% logo no primeiro dia de negociação.

Para esta semana, os EUA têm mais 13 ofertas esperadas. Conforme relata Guilherme Giserman, estrategista internacional da XP Investimentos, o cenário de juros baixos e negativos no mundo vem alimentando o apetite por risco. “As empresas querem fazer IPO quando sabem que existe demanda por ativos de Bolsa e a oferta pode sair com um preço maior”, explica.

No caso dos EUA, há ainda outro motivo para esse número alto de aberturas de capital: as eleições presidenciais que ocorrem no início de novembro. Especialistas também enxergam uma corrida para fazer IPO antes da volatilidade que deve tomar conta dos mercados perto do pleito presidencial, segundo aponta reportagem da CNN americana.

Mas os investidores estarão atentos mesmo é para a China. De acordo com Giserman, a Bolsa de Hong Kong terá três ofertas iniciais gigantescas até o fim do mês e o maior IPO da história está por vir em outubro.

A lista das aberturas de capital começa com a JD Health, braço de saúde do e-commerce JD, que pretende levantar US$ 1 bilhão na bolsa de Hong Kong.

Em seguida vem a Kuaishou, principal rival do TikTok na China, e que pode levantar até US$ 5 bilhões também em Hong Kong (valor que, se confirmado, faria a empresa ter o maior IPO da história daquela bolsa, superando os US$ 2 bilhões levantados pelo China Bohai Bank em julho).

Por fim, a ChargePoint, fabricante de estações de carga para veículos elétricos, pode ser listada por US$ 2 bilhões, através de fusão com uma SPAC (Empresa de Aquisiões de Propósitos Especiais).

No entanto, o que todos esperam é o IPO do Ant Group, de Jack Ma, que deve ser listado em Hong Kong e Xangai ao mesmo tempo em outubro. De acordo com notícia da Bloomberg, a empresa elevou ontem sua expectativa com a abertura de capital e já espera levantar impressionantes US$ 35 bilhões.

Ou seja, só esse IPO já levantaria mais do que o triplo do que as empresas americanas obtiveram na semana passada.

A Ant, que opera no setor financeiro chinês e é o braço financeiro do Alibaba e líder de pagamentos móveis da China, cresceu graças ao aplicativo de pagamentos Alipay e obtém a maior parte da sua receita com empréstimos rápidos a consumidores. Além disso, a companhia também administra uma empresa de seguros e fundos do mercado monetário.

Hoje, a Ant é avaliada em US$ 250 bilhões, o que a torna maior que o Bank of America e o Citigroup.

Futuro depende do bull market

Giserman alerta que essa tendência de muitos IPOs pode ficar comprometida se o mercado sair do bull market (quando a tendência das bolsas é de alta por estarem subindo mais de 20% das mínimas do ano) atual, mas não acredita que isso esteja ocorrendo já.

“Vejo a queda dos últimos pregões como algo mais ligado a uma correção para os mercados voltarem a subir do que uma mudança estrutural na tendência”, avalia.

Para ele, a segunda onda do coronavírus, apesar de ser uma forte preocupação dos investidores, deve ser mais controlado e de menor impacto econômico que a primeira, sem um lockdown generalizado no mundo.

Assim, a tendência é que o mercado de IPOs continue aquecido globalmente – o que inclui o Brasil, com 14 aberturas de capital este ano e mais em análise -, pelo menos até as eleições americanas.

A Janela de R$ 1 Trilhão: como os experts da XP identificam as ações com maior potencial de valorização da Bolsa

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