Executivo

(Bloomberg) — Pelo menos na fria lógica do mercado acionário, 2020 será lembrado como o ano em que as pessoas se tornaram supérfluas para a defesa do progresso.

Para recapitular, em um momento em que a pandemia deixou 22 milhões de americanos desempregados, os preços das ações ainda assim se valorizaram em US$ 5 trilhões, graças aos ganhos de titãs de tecnologia automatizados e otimizados para o comércio durante as quarentenas. A situação se tornou um símbolo de desigualdade na era do coronavírus, à medida que o dinheiro fluía para os ricos enquanto pobres passavam fome e sofriam.

Embora economistas digam que pode haver alívio – o consenso é que o desemprego nos EUA volte a cair para 5% até 2022 -, há evidências crescentes de que o comércio do modelo “fique em casa” e a insegurança que isso sinaliza serão difíceis de erradicar. Há sinais de que as forças do mercado estão convencendo gerentes corporativos a aposentar investimentos da velha economia e investir em propriedade intelectual.

“As empresas estão cada vez cancelando despesas de capital e acelerando investimentos em pesquisas e desenvolvimento”, disse Rob Spivey, diretor de pesquisa da Valens Research, uma empresa de pesquisa de investimentos com foco em análise contábil. “Estão com foco mais em ativos intangíveis do que em ativos tangíveis, então, se você não estiver olhando para isso, está realmente perdendo o cenário.”

Um fato que deve semear preocupação no final de qualquer recessão é que manter uma força de trabalho enxuta é uma maneira tradicional de estimular o crescimento do lucro. Mas, para qualquer um com expectativa de que os empregos cresçam em linha com o aumento das vacinações, uma ameaça mais sutil reside na natureza do próprio lockdown, um período em que as empresas foram amplamente recompensadas por descobrir maneiras de minimizar o papel dos humanos.

A mão invisível do mercado pode ser vista na condução das decisões corporativas em tempo real. Enquanto o crescimento do investimento em fábricas, propriedades e equipamentos desacelera entre empresas do S&P 1500, a Valens estima que os gastos com ativos intangíveis aumentarão 13,9% neste ano, quase cinco pontos percentuais acima do normal nos últimos 10 anos. (A empresa usa despesas com pesquisa e desenvolvimento como modelo.)

Embora o mercado não seja a economia, é um sistema para recompensar a inovação, condicionando gerentes corporativos aos seus gostos. Neste ano, essas preferências têm sido por empresas com poucos ativos, nas quais a automação e o comércio online carregam os lucros, enquanto os modelos de mão de obra intensiva são deixados para trás. Quando alinhamentos semelhantes surgiram no passado, as notícias para o mercado de trabalho foram ruins.

Ao longo da história, recuperações econômicas com forte peso em investimentos intangíveis foram associadas a uma recuperação mais lenta do mercado de trabalho – em alguns casos, duas vezes mais lenta. A partir do início dos anos 80, quando demorava menos de 30 meses para o nível de emprego voltar ao pico anterior, a recuperação se tornou progressivamente mais longa: de 50 meses após o estouro das pontocom e de 70 meses após a crise financeira global, segundo dados do Carlyle Group. Em cada caso, o crescimento dos gastos com intangíveis se expandiu.

Nada definiu mais o mercado de 2020 do que a erosão no valor do capital humano. Ao longo de 10 meses de oscilações caóticas, empresas cujos lucros dependem menos das pessoas superaram as que mais dependem em 27 pontos percentuais, de acordo com análise de Vincent Deluard, diretor de estratégia macro global da StoneX.

Como resultado, em um ano em que o S&P 500 subiu 16%, o ganho das ações do Facebook, Apple, Amazon.com, Netflix, Alphabet e Microsoft foi, em média, três vezes maior.

Jessica Rabe e Nicholas Colas, cofundadores da DataTrek Research, analisaram as previsões das principais consultorias e encontraram um tema comum: a expectativa de que a tendência para automação, digitalização e trabalho remoto persistirá. Uma das principais previsões da consultoria Gartner é que, até 2025, os clientes serão as primeiras pessoas a tocar em mais de 20% dos produtos ao redor do mundo à medida que fábricas e fazendas continuam a ser automatizadas.

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