Stock market fall with Coronavirus outbreak

SÃO PAULO — Até o último pregão de 2020 foi turbulento na Bolsa brasileira. Depois de bater no recorde histórico de 120.149 pontos no intraday, o Ibovespa perdeu força e passou a oscilar entre perdas e ganhos para fechar esta quarta-feira (30) em queda de 0,33%, aos 119.017 pontos. O volume financeiro foi de R$ 29,4 bilhões.

Com esse desempenho, o principal índice da B3 não conseguiu superar seu recorde de fechamento, que foi registrado em 23 de janeiro deste ano, aos 119.527 pontos. Ainda assim o benchmark encerrou 2020 no azul, com uma valorização acumulada de 3%.

Pode parecer pouco perto da alta de mais de 31% registrada em 2019, mas quem viu o tombo de 29,9% do Ibovespa em março deste ano e os seis circuit breakers gerados pela pandemia de coronavírus só naquele mês fica até aliviado ao ver o principal índice da Bolsa brasileira terminar dezembro em terreno positivo.

Como não haverá pregão amanhã e na sexta-feira (1) por causa do Réveillon, na última semana do ano, mais curta, a variação do Ibovespa foi positiva em 1,2%.

No câmbio, o dólar comercial terminou esta quarta-feira em leve alta de 0,112%, para R$ 5,1882 na compra e R$ 5,1887 na venda. Com isso, a moeda americana avançou 29% em 2020. O dólar futuro com vencimento em janeiro de 2021 tinha baixa de 0,3%, para R$ 5,196.

Segundo Bruno Komura, gestor de renda variável da Ouro Preto Investimentos, o Ibovespa foi influenciado nos últimos dias pelo bom humor visto nas Bolsas externas, na esteira da vacinação contra a Covid-19 em mais de 40 países.

“Hoje tivemos a notícia da vacina da AstraZeneca com a Universidade de Oxford que também teve seu uso emergencial liberado no Reino Unido. Animou o mercado. Vai aumentar a velocidade com que as pessoas são imunizadas e pode acelerar a retomada econômica, por isso as Bolsas subiram”, disse.

“Um segundo ponto que até poderia gerar uma valorização seria o aumento do estímulo nos Estados Unidos, com auxílio emergencial subindo de R$ 600 por pessoa para R$ 2 mil. Mas o mercado já estava bastante cético em relação a isso e não acreditava que a proposta fosse passar. Realmente acabou sendo barrada no Senado”, completou.

O gestor comentou ainda sobre a decisão do ministro do STF (Superior Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, de prorrogar medidas extraordinárias para enfrentar a pandemia de coronavírus no país. A lei que trata do estado de calamidade nessa parte específica não trata de formas excepcionais de manejo do orçamento durante a pandemia.

A decisão não prorroga dispensa de licitação e nenhuma outra forma de afastar a exigências de controle fiscal. Na decisão, o ministro explica que a falta de horizonte para a chegada da vacina e o crescimento do contágio do coronavírus no Brasil justificam a continuidade das medidas sanitárias, dependendo da gravidade de cada região.

O precedente é ruim, pois abre espaço para se pensar em prorrogar o estado de calamidade sem passar pelo Congresso. Apesar da intenção justificada diante do aumento de casos e mortes por Covid-19, a iniciativa do ministro assusta investidores, preocupados com a situação fiscal do país, já que o estado de calamidade desobriga o governo a controlar seus gastos.

No radar de vacinação no Brasil, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, disse na terça-feira que o governo só assinará com a Pfizer após aprovação regulatória, ampliando o impasse com a farmacêutica para a compra do imunizante. Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse nesta quarta-feira que foi informada por representantes da AstraZeneca  que o pedido para uso emergencial da vacina contra Covid-19 da farmacêutica será feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituto nacional parceiro do laboratório britânico no desenvolvimento do imunizante.

No noticiário econômico, o setor público consolidado brasileiro registrou em novembro um déficit primário de R$ 18,1 bilhões, informou o Banco Central nesta quarta-feira. Considerando também as despesas com juros, o país teve um déficit nominal de R$ 20,1 bilhões no mês. A dívida pública bruta ficou em 88,1% do Produto Interno Bruto em novembro, enquanto a dívida líquida alcançou 61,4% do PIB. No acumulado em 12 meses, o rombo primário equivale a 8,9% do PIB.

Mercados mundiais

No exterior, o dia foi de leve alta para os principais índices dos EUA, seguindo o debate sobre o valor dos pagamentos a cidadãos dos Estados Unidos como parte do pacote de estímulos à economia e a aprovação de mais uma vacina contra a Covid-19 no Reino Unido.

Reguladores britânicos aprovaram para uso emergencial a vacina que vem sendo desenvolvida em parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca.

O produto será incluído no programa de imunização lançado no país em dezembro. Segundo dados do governo, até o momento a vacina desenvolvida pela parceria entre as farmacêuticas Pfizer e BioNTech já foi aplicada em 600 mil pessoas.

Em nota, a AstraZeneca afirmou que as primeiras doses estão sendo liberadas nesta quarta, “para que as vacinações possam começar no início do Ano Novo”. A AstraZeneca tem um acordo de fornecimento de 100 milhões de doses com o governo do Reino Unido. Como o imunizante precisa ser aplicado em duas doses, essa quantidade é o suficiente para 50 milhões de pessoas. O país tem uma população de 66 milhões.

O imunizante é também uma das principais apostas do governo federal do Brasil para vacinar a população. No país, é testado pela Fiocruz, que afirmou na segunda-feira que pretende pedir o registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em janeiro.

Em outra frente, uma filiada à farmacêutica estatal chinesa Sinopharm disse que sua vacina contra Covid-19 mostrou 79,34% de eficácia e que solicitou uma aprovação regulatória para o medicamento.

Também em destaque, os presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinaram nesta quarta o acordo comercial pós-Brexit com o Reino Unido, em cerimônia transmitida de maneira virtual. “É um acordo equilibrado e justo, que protege plenamente os interesses fundamentais da União Europeia e cria estabilidade e previsibilidade para cidadãos e empresas”, disse Michel durante o evento.

Nos Estados Unidos, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, barrou a mudança do valor de auxílio emergencial aos americanos que ganham até US$ 75 mil por ano, que poderia ter subido de US$ 600 para US$ 2 mil, conforme queria o presidente americano Donald Trump.

Pandemia e vacinação no Brasil

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de terça (29), o avanço da pandemia em 24h no país. A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 34.884, queda de 22% frente o período encerrado 14 dias antes.

Em apenas um dia foram registrados 57.227 casos. A média móvel de mortes em 7 dias foi de 633. Com isso, houve queda de 7% frente o patamar encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registradas 1.075 mortes por covid, o maior número desde 15 de setembro, o que pode estar relacionado à contabilização de dados represados no período de Natal.

Na terça, a Anvisa anunciou alterações em exigências para a solicitação de uso emergencial de vacinas contra Covid-19. Até o momento, nenhum laboratório apresentou ao órgão pedido de uso emergencial ou de registro de imunizante contra a doença, apesar de a vacinação já ter se iniciado em mais de 40 países.

Na segunda, a farmacêutica Pfizer havia se queixado das exigências, afirmando, entre outros pontos, que o órgão regulador pede um recorte da fase de testes exclusivamente da população brasileira. Este ponto não foi alterado pela Anvisa.

Sobre as dificuldades em se adequar às exigências, a Pfizer havia afirmado que “um exemplo é a solicitação de uma análise dos dados levantados exclusivamente na população brasileira, o que demanda tempo e avaliações estatísticas específicas. Outras agências regulatórias que possuem o processo de uso emergencial analisam os dados dos estudos em sua totalidade, sem pedir um recorte para avaliação de populações específicas”.

A agência informou, por meio de assessoria de imprensa, que as informações requeridas sobre a população brasileira são dados importantes para a segurança.  A Pfizer também havia apontado como empecilho a necessidade de se apresentar “detalhes do quantitativo de doses e cronograma que será utilizado no país”, o que, segundo a empresa, só poderia ser definido na celebração do contrato definitivo com o governo federal, o que ainda não ocorreu. Esse ponto foi modificado pela Anvisa, que passou a pedir apenas informações sobre a “previsão da quantidade de produto acabado disponível para importação e/ou disponibilização”.

Outra exigência alterada refere-se ao TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido) que será assinado pelo paciente, com os dados específicos da vacina que se pretende autorizar. Na atualização, é sugerida a adoção de um “modelo simples” como o disponibilizado pelo governo do Reino Unido ou outro modelo desenvolvido pela empresa.

Representantes da Anvisa reuniram-se virtualmente na terça com dirigentes da Fiocruz, em mais uma rodada de encontros com as instituições que desenvolvem vacinas contra Covid-19 com testes no Brasil. Nesta quarta, estão previstos encontros com representantes da AstraZeneca e da Pfizer Brasil.

Em entrevista coletiva na terça, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, disse que não pode “pegar a Pfizer pelo braço” para que ela peça autorização emergencial da vacina contra Covid-19 no país na Anvisa e acrescentou que só assina o acordo para aquisição do imunizante após a autorização do órgão regulador.

Questionado sobre a eventualidade de se fechar um acordo com a Pfizer antes de a empresa conseguir uma autorização da Anvisa, Franco disse que isso não é possível, mas destacou que há um memorando de entendimento sobre o tema. O secretário-executivo disse que vai buscar um maior diálogo com o laboratório para verificar quais são os “óbices” a serem superados. “Nós não nos opomos a qualquer solicitação da Pfizer”, destacou.

Desemprego e auxílio

Dados do IBGE divulgados na terça indicam que a taxa de desemprego subiu de 13,8% no trimestre encerrado em julho para 14,3% no trimestre encerrado em outubro. O Brasil tinha então 14,1 milhões de desempregados, 931 mil a mais do que possuía no trimestre móvel anterior. O patamar fica abaixo da projeção do mercado, de 14,7%. No trimestre móvel encerrado em setembro, a taxa de desemprego era ainda superior, de 14,6%. Sob esse ângulo, outubro foi o primeiro mês com queda da taxa de desemprego. Entre fevereiro e outubro, 7,3 milhões de vagas foram perdidas.

Mais de 89% das vagas geradas desde a última medição foram informais. A pressão sobre o mercado de trabalho pode se ampliar no ano que vem, à medida que a última parcela prevista do auxílio emergencial foi paga na terça.

O pagamento de novas parcelas do benefício é rechaçado pela equipe econômica, preocupada com o endividamento do país. Mas, segundo reportagem com informações de bastidores publicada nesta quarta pelo jornal Valor, um novo auxílio emergencial, ou um projeto de renda básica podem voltar a ser discutidos em janeiro.

Isso porque, no esforço para fazer seu sucessor, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) negocia com PSB, PDT PCdoB e PT, partidos do campo da esquerda que enfatizam o debate sobre renda.

Maia defende a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP). Segundo o Valor, ainda não houve um acerto se o debate sobre renda ocorrerá a partir de um projeto para recriar o auxílio emergencial em 2021 ou reformular o Bolsa Família. Mas um parlamentar que participa das negociações cujo nome não foi revelado afirmou que “algo vai sair com certeza”.

Uma medida do tipo pode esbarrar no fim do estado de calamidade na virada do ano, que tem permitido que o governo extrapole o teto de gastos e banque o atual programa de transferência de renda.

Além disso, na terça o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou projeto aprovado pelo Congresso que abre crédito adicional de R$ 4 bilhões para compensar a perda de arrecadação dos estados relativa à Lei Kandir, após acordo intermediado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro também editou uma medida provisória que abre crédito extraordinário no valor de R$ 10,1 bilhões em favor de encargos financeiros da União. Esse recurso tem por objetivo viabilizar a integralização de cotas no FGO (Fundo Garantidor de Operações), para atendimento ao Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte).

Com a edição da MP, conforme o governo, será possível a efetivação de um projeto de lei, também sancionado na terça, que estabelece o aumento da participação da União no FGO, para a concessão de garantias no âmbito do Pronampe, a fim de minimizar os prejuízos e demais impactos negativos causados na economia do país, em decorrência da Covid-19.

Radar corporativo

A Petrobras recebeu a quantia de R$ 232,6 milhões em decorrência de acordo de leniência celebrado entre o Ministério Público Federal (MPF) e a Vitol. Assim, o total de recursos devolvidos para a companhia em decorrência de acordos de colaboração, leniência e repatriações, no âmbito da Operação Lava Jato, ultrapassa o montante de R$ 4,8 bilhões.

A Randon anunciou na terça-feira que concluiu o reconhecimento de receita de R$ 860,8 milhões referentes à vitória num processo tributário no qual pedia a exclusão do ICMS da base de cálculo de PIS/Confins nas notas fiscais.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
CIEL3 5.75 4
AZUL4 4.32 39.3
CVCB3 4.3 20.58
PRIO3 3.49 70.19
KLBN11 3.47 26.47

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
USIM5 -3.11 14.61
SANB11 -2.98 44.83
VVAR3 -2.53 16.16
CCRO3 -2.17 13.47
CSNA3 -2.15 31.85

O reajuste da tarifa de água e esgoto da Sanepar, suspenso desde setembro, foi redefinido em 5,11% na terça-feira (29) pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar). A cobrança começará a partir de 5 de fevereiro de 2021.

A elétrica paulista Emae informou que seus acionistas aprovaram em assembleia geral extraordinária nesta terça-feira o pagamento de um recorde de cerca de R$ 221,6 milhões em dividendos, mediante reversão parcial de saldo de reserva de lucros. O valor dos dividendos é o maior já pago pela empresa de energia desde ao menos 2009, segundo informações do site da Emae que remetem até essa data.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) publicou na terça as metas preliminares para as compras de créditos de descarbonização (CBios) por distribuidoras de combustíveis em 2021, indicando que a BR Distribuidora terá o maior objetivo individual entre as empresas do setor para o ano que vem.

A trajetória do Ibovespa em 2020

O Ibovespa passou todo o início do ano acima dos 100 mil pontos. A perda ocorreu no auge da crise do coronavírus no pregão da sexta-feira, dia 6 de março, quando o benchmark caiu 4,14% a 97.996 pontos.

Quem torceu para o mercado se acalmar e retomar os 100 mil pontos na volta do fim de semana não podia ter ficado mais decepcionado: no dia 9 de março tivemos o primeiro dos seis circuit breakers do ano e o Ibovespa despencou 12,17%, a 86.067 pontos. O motivo para a derrocada foi que além da crise do coronavírus, os investidores ainda tiveram que enfrentar a guerra do petróleo, que estourou no domingo.

A Arábia Saudita – país que mais exporta petróleo no mundo – anunciou que aumentaria substancialmente sua oferta e ofereceria a commodity com até 20% de desconto em alguns mercados, em uma resposta direta à Rússia, que não aceitou reduzir sua produção. Como resultado, o barril do petróleo Brent já abriu em queda de 30% na Ásia enquanto as primeiras bolsas ocidentais levariam ainda mais sete horas para começarem as negociações.

O Ibovespa ensaiou uma recuperação no pregão seguinte, subindo 7,14%, mas o repique só serviu para abrir um espaço maior para quedas. Nos dois pregões subsequentes a Bolsa desabou 7,64% e 14,78%, acionando mais dois circuit breakers. A alta de 13,91% logo em seguida foi apenas a prova de que a racionalidade tinha abandonado de vez o mercado financeiro.

No dia 16 de março o Ibovespa caiu mais 13,92%, com o acionamento de outros dois circuit breakers. Em onze dias o principal índice da B3 saiu de 102.233 pontos para 71.168 pontos. Uma alta de 4,85% no pregão seguinte e mais um circuit breaker e queda de 10,35% no outro levaram o índice aos 66 mil pontos.

A retomada gradual

O ponto mais baixo foi atingido no dia 23 de março, quando o Ibovespa, na mínima do pregão, bateu 62.161 pontos. Desde então, a tendência virou e a Bolsa passou a subir aos poucos, fazendo valer o famoso ditado do mercado financeiro de que a Bolsa “cai de elevador e sobe de escada”.

As duas maiores altas no período vieram nos pregões do dia 24 de março, em que o benchmark disparou 9,69%, e do dia 25 de março, no qual o índice subiu 7,5%. Os ganhos vieram em meio ao anúncio de que governo e Congresso dos EUA haviam chegado a um acordo para o lançamento de um pacote de US$ 2 trilhões em estímulos.

Já no dia 6 de abril a Bolsa teve alta de 6,52% seguindo o exterior após o presidente americano Donald Trump afirmar que os EUA estavam passando por um “nivelamento” dos casos do coronavírus em algumas das regiões mais afetadas pela pandemia.

Desde então os mercados globais se apoiaram no aumento de liquidez promovidos pelos bancos centrais, que zeraram taxas de juros e se comprometeram com ambiciosos programas de compras de títulos para injetar dinheiro nos bancos privados e os estimularem a emprestar esse capital e fazer a moeda girar na economia.

Maior banco central do mundo, o Federal Reserve dos EUA reduziu no dia 15 de março os juros em 1 ponto percentual para uma faixa entre 0% e 0,25% ao ano em uma reunião extraordinária fora da agenda. O Fed ainda anunciou a compra de US$ 700 bilhões em títulos do Tesouro americano.

No dia 4 de junho, o Banco Central Europeu (BCE), aumentou em 600 bilhões de euros seu programa de compras de títulos para enfrentar a emergência da pandemia, para 1,35 trilhão de euros mensais.

Aqui no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom), cortou a Selic no último dia 17 em 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano.

Com mais dinheiro nas mãos dos investidores e a renda fixa com rendimento próximo de zero ou negativo a solução se torna investir em ações. Para diversos analistas, esse é um dos principais motivos que impulsionaram a recuperação do Ibovespa rumo aos 100 mil pontos.

Além da maior liquidez, o otimismo com a recuperação da economia global também estimulou as compras no mercado de renda variável. Em 5 de junho, o Departamento de Trabalho dos EUA, revelou que o país criou 2,5 milhões de empregos em maio. O número surpreendeu todas as expectativas, com os economistas prevendo destruição de 7,5 milhões de postos de trabalho.

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No Ibovespa, isso se traduziu em uma alta de 0,86% na sexta-feira, dia 5, e de 3,18% na segunda-feira, dia 8. Os dois pregões encerraram a maior sequência de altas da Bolsa este ano: foram sete dias consecutivos de ganhos, que começaram no dia 29 de maio.

Na sexta-feira 10 de julho, na reta final do pregão, o índice ganhou força e, após uma leve queda na véspera, fechou em alta de 0,88%, fazendo com que o índice voltasse aos 100 mil pontos. A partir daí, iniciou-se um ciclo longo do Ibovespa ganhar e perder os 100 mil pontos.

A Segunda onda

Em 29 de julho, o benchmark chegou a 105.605 pontos, mas a partir daí, a Bolsa no Brasil não conseguiu mais acompanhar a disparada registrada pelos mercados internacionais.

A grande virada ocorreu no dia 11 de agosto, quando os secretários especiais de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e o de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, pediram demissão do Ministério da Economia.

Colocando mais lenha na fogueira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou em 26 de agosto que a proposta do Ministério da Economia para o programa Renda Brasil estava suspensa. Embora o fim do programa reduza a pressão sobre o Orçamento, surgiram temores acerca do que o governo iria colocar no lugar do Auxílio Emergencial, cujo prazo de validade acaba no fim do ano.

Além disso, a forma como o presidente anunciou o sepultamento da proposta trouxe renovadas especulações a respeito de um enfraquecimento da equipe econômica, que estaria perdendo a queda de braço com a ala militar e desenvolvimentista do Planalto.

Se não bastasse a questão fiscal, o exterior também se tornou foco de preocupação com um sell-off nas ações de empresas de alta tecnologia dos EUA que começou em 3 de setembro. Naquele pregão, o Ibovespa caiu 1,2%. Em Nova York, as ações da Apple despencaram 8,01%, enquanto Netflix, Amazon e Alphabet (controladora do Google), recuaram 5%.

Outro problema vindo de fora foi a segunda onda do coronavírus que atingiu a Europa. Com mais de 300 mil casos no continente em uma semana, os países voltaram a atuar com medidas severas de distanciamento social. Alguns países chegaram a implementar lockdowns novamente.

Essa sucessão de fatores levou o Ibovespa a 93.952 pontos no dia 30 de outubro.

Novembro: o rali das vacinas e dos estrangeiros

Mês passado foi agitado por diversas notícias sobre os resultados das vacinas contra o coronavírus na fase 3 de testes, a última antes da análise pela agência de segurança sanitária de cada país.

Pfizer e a BioNTech trouxeram muito otimismo ao anunciarem no dia 9 de novembro que sua vacina teve 90% de eficácia nos grupos de controle, fazendo o Ibovespa subir 2,57% no pregão daquele dia.

Já na semana seguinte, a Moderna informou que sua vacina experimental foi 94,5% eficaz, de acordo com uma análise preliminar, o que garantiu uma alta de 1,63% no dia 16.

Mas o que realmente chamou a atenção no mês passado foi a forte entrada de capital estrangeiro, na contramão da retirada que ocorreu de janeiro a outubro. O investimento estrangeiro na B3 teve um saldo positivo de R$ 30 bilhões.

A equipe de análise da Levante Ideias de Investimento destaca que esse foi o maior valor mensal de entrada de recursos desde que a Bolsa começou a fazer esse levantamento, em 1995.

Para os analistas da XP, há três fatores que explicam esse fluxo de capital para as ações brasileiras. O primeiro é o fim das incertezas relacionadas às eleições americanas, com a vitória consolidada do democrata Joe Biden e sem um controle absoluto do seu partido sobre o Congresso.

Já o segundo fator foi o avanço no desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus. As taxas de eficácia acima de 90% na fase 3 de testes das profilaxias criadas por Pfizer/BioNTech, Moderna e Oxford/AztraZeneca animaram os investidores para perspectivas de um futuro livre das preocupações com a pandemia.

O terceiro fator que explica os ganhos da B3 foi a rotação do capital para ações de empresas que atuam em setores mais afetados pela crise da Covid-19, como é o caso de instituições financeiras e commodities, que são justamente os segmentos mais pesados na carteira teórica do Ibovespa.

Segundo os analistas da Levante, a melhora do humor global foi duplamente benéfica para o mercado acionário brasileiro.

“Por um lado, os investidores internacionais se aproveitaram de ações cujos preços demoraram para acompanhar a alta iniciada em outubro, como por exemplo os papéis de bancos. Por outro, a melhora global das cotações de commodities como petróleo e minério de ferro beneficia ações importantes, como Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3), que têm grande peso na B3 e influenciam o movimento do mercado como um todo.

Ao fim e ao cabo, o Ibovespa subiu 15,9% em novembro, maior avanço mensal do índice desde março de 2016, quando subiu 17%, e o melhor novembro da Bolsa desde 1999, ano em que o benchmark registrou uma valorização de 17,8% no penúltimo mês.

Os primeiros quatro dias de dezembro mostraram a continuidade desse movimento e a Bolsa já voltou aos níveis pré-Carnaval na sexta-feira (4), quando subiu 1,3% a 113.750 pontos.

Com isso, a Bolsa finalmente superou o fechamento de 21 de fevereiro (quando o benchmark terminou a sessão em 113.681 pontos), a sexta-feira pré-Carnaval em que os investidores inadvertidamente saíram para aproveitar o feriado sem ter ideia do que os esperava na quarta-feira de Cinzas (26).

Desde então, bastaram apenas três altas em sete pregões para a Bolsa zerar as perdas no ano. Em destaque ficam os ganhos de 1,88% no dia 10 e os de 1,34% nesta terça. Na última quinzena do ano, os ganhos foram impulsionados pelo otimismo com o início da vacinação em diversos países, a aprovação do pacote fiscal nos EUA e o acordo comercial pós-Brexit, levando o Ibovespa a superar a marca histórica de 120 mil pontos no último pregão do ano. Ainda que não tenha conseguido sustentar a alta neste patamar, os ganhos em dezembro foram de 9,30%, fazendo com que o índice fechasse no azul.

(com Reuters e Agência Estado)

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