SÃO PAULO – O Ibovespa opera em forte queda nesta quarta-feira (13) pressionado especialmente pelas blue chips como Vale (VALE3), Petrobras (PETR3; PETR4) e bancos em dia de vencimento de opções sobre o índice.

Impactando a mineradora estão as notícias de que a China está implementando novos lockdowns em províncias como a de Hebei após mais de 600 novos casos de coronavírus. A província de Heilongjiang, no norte do país, também declarou “estado de emergência” em decorrência de um novo foco de contaminações pela Covid-19.

Já na parte macro, os investidores esperam por uma definição em questões como a vacinação contra o coronavírus no Brasil, os desdobramentos dos pedidos de impeachment do presidente Donald Trump nos Estados Unidos e as declarações sobre os estímulos monetários do Federal Reserve.

Segundo jornais, a vacinação contra a Covid-19 em terras brasileiras deve começar em um evento no Palácio do Planalto, marcado para 19 de janeiro. De acordo com O Estado de S. Paulo, a proposta será vacinar uma pessoa idosa e um profissional de saúde. O slogan planejado para a cerimônia será “Brasil imunizado, somos uma só nação”.

Em relação ao impeachment de Trump, o vice-presidente, Mike Pence, afirmou que não ativará a 25ª Emenda para declarar Donald Trump incapaz de seguir no comando do país. Em carta à mandatária da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, Pence disse que a utilização desse instrumento “abriria um precedente terrível”. “Eu não acredito que tal curso das ações corresponda ao melhor interesse de nossa nação ou seja consistente com nossa Constituição”, escreveu.

Já sobre o Fed, autoridades da instituição como Loretta Mester (Cleveland), Esther George (Kansas), James Bullard (Saint Louis) e Eric Rosengren (Boston) voltaram atrás depois de especulações de que o banco central dos EUA reduziria o ritmo de compras de ativos para expansão da base monetária.

Entre os indicadores econômicos nacionais, o volume de serviços cresceu 2,6% em novembro, em sua sexta alta consecutiva, revelou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi acima do esperado: na comparação com outubro, a expectativa dos economistas consultados pela Refinitiv era de alta de 1,2%, após a alta de 1,7% do mês anterior.

Às 11h11 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 1,81%, a 121.750 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial cai 0,5% a R$ 5,2949 na compra e a R$ 5,2959 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em fevereiro tem perdas de 0,55%, a R$ 5,297.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 tem alta de cinco pontos-base a 3,19%, DI para janeiro de 2023 sobe 12 pontos-base a 4,93%, DI para janeiro de 2025 avança 12 pontos-base a 6,50% e DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de nove pontos-base a 7,20%.

Já na Europa, os mercados acompanham o noticiário sobre a Covid-19 na região, onde governos buscam acelerar o processo de vacinação. Em países como Alemanha e Holanda, lockdowns foram estendidos para além do prazo anunciado inicialmente.

A Alemanha registrou o seu recorde de mortes no dia 7, com 1.152 diagnósticos. O dia 30 de dezembro registrou o maior número de novos casos, 49.044.

O número de casos de Covid continua a subir também nos Estados Unidos, onde o recorde de diagnósticos foi registrado na sexta (8), com 300.594 diagnósticos. O recorde de mortes foi registrado na terça (12), com 4.406 casos.

Neste momento de ressurgência do vírus, o país tem registrado ao menos 248.650 novos casos e 3.223 mortes por dia, segundo a média de sete dias calculada pela rede de notícias CNBC com base em dados da Universidade Johns Hopkins.

Covid no Brasil

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de terça (12), o avanço da pandemia em 24h no país.

A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 54.784, alta de 51% frente o período encerrado 14 dias antes e um novo recorde. Em apenas um dia foram registrados 61.660 casos. A média móvel de mortes em 7 dias foi de 993, alta de 49% frente o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia houve 1.109 mortes.

Na terça, pesquisadores do Imperial College de Londres, no Reino Unido, divulgaram seus cálculos para a taxa de transmissão do coronavírus no Brasil, que atualmente está em 1,21. Isso significa que cada 100 pessoas infectam 121, que infectam outras 146, e assim sucessivamente. Na semana passada o índice estava em 1,04.

Após ser cobrado, o Instituto Butantan anunciou, em coletiva de imprensa, que a vacina CoronaVac registrou 50,38% de eficácia global nos testes realizados no Brasil. O imunizante é produzido pelo laboratório chinês Sinovac, e testado no Brasil pelo Butantan, que deverá produzi-lo a partir de insumos importados.

Anteriormente, o Butantan havia apresentado apenas dados de 78% de eficácia para casos leves, mas que precisariam de cuidados médicos, e de 100% de eficácia para casos moderados e graves de covid.
O índice de eficácia global indica a capacidade do imunizante de proteger em todos os tipos de casos, inclusive aqueles que não precisam de atendimento. Quando se consideram esses casos, há aumento do número de infectados no cálculo, o que diminui o índice de eficácia global em comparação com outros recortes. Os testes foram feitos em 12.508 voluntários, em 16 centros de pesquisa.

O patamar fica, portanto, acima dos 50% mínimos exigidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e deve ser o suficiente para garantir imunidade de rebanho da população vacinada. A CoronaVac tem, portanto, capacidade de reduzir em 50,38% os novos registros de contaminação entre quem se vacina, reduzir em 78% os casos leves e em 100% os casos graves.

Conforme pessoas se vacinam e os casos mais graves da doença se tornam mais raros, é de se esperar que a taxa de transmissão diminua, reduzindo os efeitos da pandemia. No anúncio, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou: “Esta vacina tem segurança, eficácia e todos os requisitos que justificam o uso emergencial”.

Disputa no Congresso

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados adiou para a semana que vem a decisão da data e do formato das eleições pela Presidência da Casa, disputada por Arthur Lira (PP-AL), candidato apoiado por Jair Bolsonaro (sem partido) e Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado pela oposição e pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A direção da Câmara volta a se reunir na segunda (18). No encontro da semana que vem, os parlamentares também devem avaliar se as assinaturas de parlamentares do PSL suspensos pela Executiva Nacional terão validade.

Maia afirmou que a votação será presencial, com possíveis exceções para deputados do grupo de risco. “Acredito que relator deve consultar médicos e especialistas para avaliar como estará a pandemia e para decidir se pode haver ou não uma excepcionalidade para aqueles deputados que estão no grupo de risco, já que até fevereiro não teremos a vacina (…) Claro que a votação será presencial. Já estamos organizando as urnas para que elas fiquem no Salão Nobre e no Salão Verde para que o espaçamento seja garantido. Na reunião de segunda vamos discutir se cabe algum corte com relação àqueles que são do grupo de risco, que poderiam ou não, dependendo da decisão da Mesa, votar remotamente”, disse.

Além disso, a candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para a Presidência do Senado ganhou tração com mais duas alianças, com o PL (Partido Liberal), que anunciou a decisão oficialmente, e com o PP (Progressistas), cuja bancada deve se reunir nesta quarta para discutir o acordo. Assim, o DEM passará a ter sete partidos em sua base de apoio, totalizando 38.

O acordo com o PL foi construído pelo atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que viajou ao Rio de Janeiro na segunda (11) para conversar com Carlos Portinho, um dos três senadores da sigla. O próprio Pacheco está à frente da negociação com o PP.

Em tese, Pacheco precisa ainda de outras três adesões para garantir sua eleição. Mas, como o voto é secreto, haveria ainda espaço para traições. Ele é o candidato favorito do Planalto, e deverá disputar contra Simone Tebet (MDB-MS).

Radar corporativo

Em destaque no noticiário corporativo, o Itaú Unibanco lançou nesta terça-feira uma captação de US$ 500 milhões em bônus atrelados a projetos de sustentabilidade, segundo fontes da Reuters e da Bloomberg.

Já a elétrica AES Brasil, antiga AES Tietê, assinou nesta terça-feira um memorando de entendimento com a Ferbasa para o fornecimento de 80 megawatts médios pelo prazo de 20 anos, com entrega de energia a partir de 2024, informou a empresa em fato relevante.

Os investidores repercutem ainda a notícia da Bloomberg de que a Alimentation Couche-Tard, gigante canadense de lojas de conveniência dona da rede Circle K, estuda uma possível aquisição da rede francesa Carrefour, conforme disseram pessoas com conhecimento do assunto para a Bloomberg.

A Direcional divulgou prévia operacional do quarto trimestre, totalizando R$ 697 milhões em lançamentos no período, alta de 26% frente 2019.

No radar de recomendações, o Bradesco BBI iniciou a cobertura para as ações da PetroRio com recomendação equivalente à neutra e preço-alvo para o fim do ano de R$ 84 por ação, enquanto reduziu a recomendação para as ações da Ambev de neutra para equivalente à venda.

Já o Conselho de Administração da Sul América informou que tomou conhecimento da decisão de Gabriel Portella Fagundes Filho de não renovar seu mandato como Diretor Presidente da companhia para o próximo ciclo. O conselho decidiu pela indicação de Ricardo Bottas Dourado dos Santos, atual Diretor Vice-Presidente de Controle e de Relações com Investidores para a posição de Diretor Presidente após o término do mandato de Portella, em 29 março de 2021.

Quer fazer da Bolsa sua nova fonte de renda em 2021? Série gratuita do InfoMoney mostra o passo a passo para se tornar um Full Trader – clique para assistir!

The post Ibovespa cai forte e volta aos 121 mil pontos com pressão sobre blue chips em dia de vencimento de opções appeared first on InfoMoney.