baixa gráfico índice

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (14) pressionado pelas ações de bancos, que viraram para baixa em meio a notícias que tumultuaram ainda mais o ambiente fiscal, e pelas ações de empresas ligadas ao minério de ferro como Vale (VALE3) e siderúrgicas após a queda de 3,21% nos contratos futuros da commodity hoje.

Na máxima do pregão, o índice chegou a zerar as perdas do ano ao atingir o patamar de 115.740 pontos, mas logo sofreu uma forte pressão vendedora e não conseguiu sustentar o nível. No último pregão de 2019 o benchmark fechou cotado a 115.645 pontos.

Da parte corporativa, siderúrgicas chinesas pediram a reguladores que investiguem o salto de até 10% nos futuros de minério de ferro negociados na bolsa de Dalian na última sexta-feira, o que causou um mal-estar entre os investidores que operam neste mercado.

Também trouxe ruídos a notícia do Broadcast de que a extensão do Auxílio Emergencial poderia ser incluída em um projeto no Senado em meio à falta de perspectiva para a vacinação no Brasil.

Contudo, a equipe de análise da XP Política destaca que essa informação se refere a um novo projeto de lei apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que não tem o poder de tirar os recursos do teto de gastos e precisaria ainda ser aprovado por Senado e Câmara e sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro antes de entrar em vigor.

Com isso, o Ibovespa teve leve queda de 0,45%, aos 114.611 pontos e volume financeiro negociado de R$ 25,88 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 1,52% a R$ 5,1218 na compra e a R$ 5,1228 na venda. O dólar futuro com vencimento em janeiro de 2021 registra alta de 1,07%, a R$ 5,12 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu três pontos-base a 3,03%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de quatro pontos-base a 4,37%, o DI para janeiro de 2025 avançou cinco pontos-base a 5,95% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de oito pontos-base a 6,82%.

Lá fora, as bolsas seguiram em alta em meio ao início da vacinação contra o coronavírus nos Estados Unidos hoje. Os americanos usam a vacina desenvolvida pelos laboratórios Pfizer e BioNTech.

Ainda nos EUA, as notícias são de que um programa de estímulos bipartidário de US$ 908 bilhões poderá ser apresentado no Congresso, mas as perspectivas de que sairia hoje foram frustradas devido a desavenças entre democratas e republicanos em questões-chave do projeto.

O plano por enquanto é dividir o pacote de estímulos em duas partes para aumentar as suas chances de aprovação. Primeiro seria lançado um projeto de US$ 748 bilhões com dinheiro para desempregados e pequenos negócios e depois outro com proteções de responsabilidade e auxílio estatal.

Apesar do dia positivo em Wall Street, nem todas as notícias que provenientes do exterior foram positivas. Diante da segunda onda do coronavírus, a Alemanha irá fechar escolas e outros negócios considerados não essenciais.

“Parentes, amigos e contatos poderão se reunir em no máximo cinco pessoas, de dois lares, com exceção apenas para os feriados de Natal, entre 24 e 26 de dezembro, mas não durante a véspera do Ano Novo e durante o dia do Ano Novo”, anunciou a chanceler Angela Merkel.

Por aqui, as expectativas continuaram por conta da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no Congresso esta semana depois da frustração com mais um adiamento na apresentação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial. Sem a LDO, o governo passaria por um shutdown (paralisação total dos serviços públicos), então é amplamente esperada a aprovação este ano.

Entre os indicadores, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), cresceu 0,86% em outubro na comparação com o mês anterior, abaixo da mediana das projeções dos economistas, que apontava para avanço de 1,05% no período. Em setembro, o crescimento foi revisado para 1,29% de 1,68% divulgados anteriormente.

Além disso, os economistas do mercado financeiro não fizeram grandes alterações em suas projeções para o PIB brasileiro de 2020, de acordo com o Relatório Focus do BC. A mediana das expectativas para o dado oscilou de uma queda de 4,4% na semana passada para um recuo pouco maior, de 4,41% esta semana. Para 2021, as estimativas se mantiveram em um crescimento de 3,5%.

Já em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2020, as projeções foram elevadas de 4,21% na semana passada para 4,25% hoje. Para 2021 a mediana das expectativas segue em avanço de 3,34% no principal medidor de inflação brasileiro.

As previsões para o dólar ao fim de 2020 também oscilaram, saindo de R$ 5,22 na semana passada para R$ 5,20 agora. A maior mudança, no entanto, ocorreu nas expectativas para o câmbio em 2021, que saíram de R$ 5,10 para R$ 5,03 por dólar no fim do ano.

Por fim, as expectativas para a taxa básica de juros, Selic, mantiveram-se em 2,00% ao ano para 2020 (sem possibilidade de mudarem, já que a reunião do Comitê de Política Monetária da semana passada foi a última do ano) e em 3,00% ao ano para 2021.

PEC Emergencial

De acordo com reportagem do Valor Econômico, o governo quer reintroduzir pontos importantes nos textos das PECs Emergencial, do Pacto Federativo e dos Fundos agora que a apresentação das redações foi adiada.

A proposta que seria levada a votação agora em dezembro, segundo as fontes ouvidas pelo Valor, não contava com pontos considerados importantes pelo Ministério da Economia como a redução de 25% dos salários e redução da jornada dos servidores públicos e a desvinculação de recursos para a Saúde e a Educação.

Para as mesmas fontes, o texto estava ficando “ruim”, porque o relatório apresentado teria “pouco efeito para ajudar no cumprimento do teto de gastos”.

Vacinação no Brasil

No sábado, a Advocacia Geral da União (AGU) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o plano de vacinação contra a Covid-19, que foi divulgado pela Corte.

Dividido em quatro fases, o plano prevê 108,3 milhões de doses, o que seria o suficiente para vacinar mais de 51 milhões de pessoas de grupos prioritários. A primeira fase focaria em trabalhadores da área de saúde, indígenas, pessoas acima de 75 anos e pessoas com 60 anos ou mais vivendo em asilos.

Não há, no entanto, uma data para início da vacinação, apesar de o governo afirmar que isso deve ocorrer no primeiro semestre. O governo alegou que a definição de uma data depende da aprovação de vacinas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Essa questão deve continuar em pauta. No domingo, o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, determinou que o Ministério da Saúde informe, em 48 horas, as datas de início e término do plano nacional de vacinação.

Mais tarde, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, divulgou um vídeo gravado na sexta-feira em que afirma que seria irresponsável especificar uma data sem o registro de aprovação pela Anvisa. Ele ressaltou que não há nenhum pedido de uso emergencial de vacina junto à agência.

O governo diz que pretende utilizar a vacina produzida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford. Há um acordo pelo qual o governo receberia 100,4 milhões de doses do produto até o final de julho de 2021. Outras 160 milhões de doses deverão ser produzidas pela Fiocruz a partir de insumos enviados pela AstraZeneca.

O plano também prevê a aquisição de 42,5 milhões de doses do consórcio Covax, coordenado pela Organização Mundial de Saúde, pelo qual a entidade pretende disponibilizar aos participantes vacinas aprovadas para uso. O governo afirma que outras vacinas poderão ser compradas, a depender de aprovação da Anvisa.

Na semana passada, o governo federal assinou um memorando que abre caminho para a compra de 70 milhões de doses da vacina desenvolvida por Pfizer e BioNTech. Ela começa nesta segunda a ser aplicada nos Estados Unidos, e que vem sendo aplicada desde a semana passada no Reino Unido.

No plano, o governo afirma ainda que tem orçamento reservado para compra de outras vacinas em fase de testes. O documento cita 13 produtos, dentre eles a vacina CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, que no Brasil deve ser produzida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, a partir de insumos importados.

No vídeo divulgado no domingo, Elcio Franco ressalta que, caso seja aprovada, a vacina produzida pelo Butantan poderá ser incluída no plano federal de vacinação.

Em nota assinada por 36 pessoas, o grupo técnico do “Eixo Epidemiológico do Plano Operacional de Vacinação Covid-19” se disse surpreendido com o documento e afirmou que o plano não lhe havia sido apresentado.

Uma das pesquisadoras citadas no plano, a enfermeira e epidemiologista Ethel Maciel, professora da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), afirmou em sua conta no Twitter que soube pela imprensa sobre o envio do documento, e afirmou que nenhum dos pesquisadores havia tido acesso ao relatório final, que os cita.

Disputa pela Câmara e trabalho dos jovens

Prestes a deixar a presidência da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que, se for comprovado que o governo vem buscando influenciar a eleição de seu sucessor usando como moeda de troca emendas e ministérios, a prática poderá ser considerada crime de responsabilidade. Ele descartou, no entanto, a possibilidade de impeachment de Bolsonaro, devido ao recrudescimento da pandemia.

Além disso, ele afirmou que o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), o teria procurado para tentar incluir gatilhos no projeto de reestruturação da dívida dos Estados, que será votado esta semana. Ele afirmou que acredita que a inclusão seria inconstitucional, mas poderia ser apresentada como emenda.

Segundo pesquisa do Idados divulgada nesta segunda pelo Estadão, 77,4% dos trabalhadores jovens, com até 24 anos, têm empregos de baixa qualidade, quando se considera fatores com salário, estabilidade, condições de trabalho e rede de proteção, como o INSS. Isso equivale a cerca de 7,7 milhões de brasileiros. Quando se considera pessoas da faixa etária de entre 25 e 64 anos, a proporção é de 39,6%. Acima de 65 anos, de 27,4%.

Em entrevista ao jornal, o economista Bruno Ottoni, responsável pelo estudo, afirmou que “no mundo todo, o jovem tem uma renda menor e maior dificuldade de se colocar no mercado. Mas, no Brasil, os porcentuais indicam uma qualidade do emprego pior por causa da maior rotatividade e da informalidade”. A média mundial é de 60% dos jovens trabalhando em empregos considerados de baixa qualidade.

Ainda no radar, atenção ao Datafolha:  a avaliação ótima/boa de Bolsonaro ficou estável em 37% – o mesmo nível de agosto e ante 32% em junho.  A classificação ruim/péssima caiu para 32% de 34% anteriormente.

Radar corporativo

Em mais um grande passo para sair da recuperação judicial (RJ), a Oi (OIBR3;OIBR4) vendeu em leilão nesta segunda-feira (14) a sua operação de telefonia móvel (Oi móvel) para o consórcio formado por Vivo (VIVT3), TIM (TIMS3) e Claro por um valor de R$ 16,5 bilhões.

O leilão, organizado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, durou apenas trinta minutos e não teve concorrência, confirmando a expectativa dos investidores de que não haveria disputa por ativos, após o consórcio cobrir a proposta da Highline em meados do ano.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
BPAC11 5.4902 86.08
MGLU3 4.6107 24.05
BRDT3 3.68642 22.22
UGPA3 3.18083 23.68
EZTC3 2.74688 45.26

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
COGN3 -5.4717 5.01
SBSP3 -4.08985 45.26
YDUQ3 -4.00568 33.79
CSNA3 -3.68142 27.21
AZUL4 -2.89784 39.54

No Pão de Açúcar, o Conselho aprovou a proposta de reorganização para segregar Assaí, que irá à votação em Assembleia Geral Extraordinária em 31 de dezembro. No Itaú, Alexsandro Broedel será CFO na nova estrutura. Já a Petrobras acertou a venda de campo Rabo Branco por US$ 1,5 milhão. A Telefônica Brasil aprovou dividendos intermediários de R$ 1,2 bilhão.

A Rede D’Or, que estreou na Bolsa na semana passada, teve rating alterado de BB- para BB pela S&P. A Gafisa, por sua vez, teve compra de Hotel Fasano Itaim aprovada pelo Cade.

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