SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (18), pressionado pelo exterior e pelo anúncio da Fitch sobre o rating do Brasil. A principal notícia do radar macroeconômico foi que a cidade de Nova York fechará escolas a partir de amanhã para evitar o aumento no contágio pelo coronavírus.

Se mais cedo as notícias de bons resultados das vacinas contra a Covid-19 ofuscavam os temores relacionados à segunda onda, depois das informações vindas de NY ocorreu o contrário. Os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram respectivamente 1,16%, 1,16% e 0,82%.

Por aqui, pesou o anúncio da agência de classificação de risco Fitch, que reiterou o rating do Brasil em BB-, com perspectiva negativa. Em nota, a Fitch diz que o rating do Brasil é sustentado por sua grande e diversificada economia e capacidade de absorver choques externos, ajudada por sua taxa de câmbio flexível.

Por outro lado, a agência alerta que há um alto e crescente endividamento governamental, uma estrutura fiscal rígida, fraco potencial de crescimento econômico e um cenário político difícil que impede o progresso nas reformas fiscais e econômicas.

O Ibovespa teve queda de 1,05%, aos 106.119 pontos com volume financeiro negociado de R$ 30,31 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,13% a R$ 5,336 na compra e a R$ 5,337 na venda. O dólar futuro com vencimento em dezembro registra alta de 0,64%, a R$ 5,37 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu quatro pontos-base a 3,29%, o DI para janeiro de 2023 registrou ganhos de 12 pontos-base a 4,97%, o DI para janeiro de 2025 avançou 13 pontos-base a 6,78% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de 15 pontos-base a 7,58%.

Dentre as ações, quem mais pressionou o Ibovespa foram os papéis de bancos. Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC3; BBDC4) recuaram mais de 2%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) destoou e subiu 0,23%. Juntos, os papéis de Itaú e Bradesco respondem por 14,07% da composição da carteira teórica do benchmark.

Vale destacar que, na véspera, enquanto os mercados internacionais pausaram o rali, o principal índice da B3 subiu 0,77% e atingiu o maior patamar desde fevereiro, superando os 107 mil pontos em meio a entrada dos estrangeiros em papéis de blue chips como Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3).

Nos últimos pregões, as ações de empresas ligadas a commodities estão servindo como porta de entrada para o capital estrangeiro que volta a passos largos para a nossa Bolsa, movimento que ajuda a valorizar esses papéis, ao mesmo tempo em que aprecia o real.

Sobre as vacinas, a chinesa Coronavac foi mais uma a apresentar bons resultados. Em torno de 97% dos que receberam a dose mais baixa da profilaxia tiveram produção de resposta imune. O governador de São Paulo, João Doria, disse que o primeiro lote da Coronavac deve chegar ao Instituto Butantan nesta quinta-feira (19). A gestão Doria pretende importar 46 milhões de doses.

Já a vacina da Pfizer e da BioNTech concluiu a fase 3 de testes e relatou uma eficácia de 95%, acima dos 90% reportados antes. Os dados ainda precisam ser revisados por cientistas independentes e publicados em revista científica. A fase 3 envolveu 43,5 mil pessoas e não houve reações graves.

O dia no exterior trouxe ainda a notícia de que milhões de americanos perderam acesso ao seguro-desemprego, enquanto o número de novos casos de coronavírus vai a patamares recordes.

A média de novos casos diários de contaminação pela doença nos últimos sete dias superou 150 mil pela primeira vez na segunda feira, de acordo com análise de dados da rede CNBC a partir de informações sistematizadas pela Universidade Johns Hopkins.

Por outro lado, chamam a atenção números animadores no Japão, que divulgou que as exportações em outubro tiveram queda de apenas 0,2%, um patamar bem abaixo do esperado. A expectativa de economistas ouvidos pela agência internacional Reuters era de que haveria queda de 4,5%. As exportações foram impulsionados por demanda de carros pela China e pelos Estados Unidos.

Agenda de reformas

O mercado monitora possível retomada da votações no Congresso após as eleições de domingo, embora as reformas de maior peso devam ficar para após o 2º turno ou 2021. Um dos itens da sessão do Plenário da Câmara, marcada para quarta-feira, seria o chamada projeto da BR do Mar, de incentivo à navegação de cabotagem, que está trancando a pauta, segundo informações da Agência Câmara.

Contudo, os líderes do Congresso definiram nesta terça-feira a pauta de votações das próximas semanas e decidiram deixar para depois do segundo turno das eleições o debate sobre projetos importantes da agenda econômica, como o projeto que trata da revisão do Regime de Recuperação Fiscal, destaca o jornal O Globo.

Alta dos casos de coronavírus

Em entrevista a uma rádio de Pernambuco, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), informou que o Instituto Butantan deve receber o primeiro lote da vacina Coronavac, produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac, na próxima quinta-feira, um dia antes do prazo previsto.

“E a vacina do Butantan, a Coronavac, ela chega agora, nesta quinta-feira, chega já o primeiro lote das vacinas. Ela virá em lotes, pronta do laboratório Sinovac, e depois nós produziremos aqui, no próprio Butantan, para os brasileiros de São Paulo e brasileiros de todo o país, isso se o Ministério da Saúde entender, como deveria, que a vacina é para todos. Aliás, essa é a nossa defesa”, afirmou Doria ao programa Passando a Limpo.

Vale destacar que, com a alta nos casos de Covid no Brasil, especialistas já discutem retomada de medidas de isolamento, conforme destaca o jornal o Globo. Estados de todas as regiões do país, como Rio, São Paulo, Mato Grosso, Acre e Paraná, observam as médias móveis de ocorrências e mortes até triplicarem nos últimos dias.

Na segunda-feira foram registrados 32.262 novos casos no Brasil, e 676 mortes em 24 horas, de acordo com boletim do consórcio de veículos de imprensa. A média móvel – que representa a média dos dados do dia com os seis anteriores – do número de mortes fechada na segunda-feira atingiu a marca de 557, uma alta de 45% frente o patamar de 15 dias antes. 15 estados apresentam tendência de alta, dentre eles Rio e São Paulo. A média móvel do número de novos casos subiu 71%, a 26.674 por dia.

O rápido aumento pode ter sido influenciado pelas falhas no sistema do Ministério da Saúde, que fez com que dados referentes ao período entre os dias 4 e 10, especialmente de mortes, não fossem contabilizados por alguns estados.

De acordo com o Imperial College de Londres, a taxa média de transmissão por Covid-19 no Brasil foi de 1,1 na semana passada, um crescimento de 0,33. Isso significa que cada cem pessoas contaminadas contaminam outras 110, um patamar próximo àquele de duas semanas atrás.

A adoção de novas medidas de isolamento social pode ser recebida com maior resistência pela população, conforme as festas de fim de ano se aproximam.

Além disso, a cidade de São Paulo registrou aumento de 29,5% nos novos casos de covid-19 em novembro, na comparação entre os primeiros 17 dias de novembro e o mesmo período de outubro. Foram 15.794 casos novos diagnosticados no período de novembro. Apesar disso, houve em novembro queda de 16,2% no número de mortes. Os dados são da Fundação Seade, usados pelo governo estadual para acompanhar a pandemia.

Na terça-feira, o governo do estado publicou um decreto prorrogando a quarentena no estado para ao menos o dia 16 de novembro.

Radar corporativo

Os acionistas da empresa de tecnologia Linx aprovaram, na segunda-feira, por maioria qualificada, a venda da companhia para a Stone.

Na assembleia, foram computados 55,95% votos a favor da proposta da Stone, 20,01% contra e 3,79% abstenções. Com isso, a Stone venceu uma disputa de meses com a Totvs (TOTS3) pela compra do ativo.

A StoneCo elevou na tarde da véspera a sua oferta, com a proposta de pagamento de R$ 33,56 mais 0,0126774 ação classe A da empresa por ação da Linx, em um negócio de aproximadamente R$ 6,7 bilhões.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
COGN3 5.54415 5.14
YDUQ3 5.04144 30.42
AZUL4 4.99239 34.49
BRFS3 3.48162 21.4
BEEF3 3.16327 10.11

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
MULT3 -4.11434 22.14
CYRE3 -4.06805 25.94
ABEV3 -3.88098 14.86
IGTA3 -3.75483 34.86
LREN3 -3.62334 47.08

A BK Brasil Operação e Assessoria a Restaurantes, que opera a rede Burger King no Brasil, aprovou preço de R$ 10,80 por ação em sua oferta pública com esforços restritos de distribuição primária de ações.

A empresa pretende emitir, nesta quinta-feira (19) 47,250 milhões de ações ordinárias, e aumentar seu capital social em 510,3 milhões. Assim, o capital social da companhia deverá passar a R$ 1.461.968.417,41, dividido em 275.355.447 ações ordinárias.

Sem acordo, a Vale agendou novo audiência sobre Brumadinho para 9 de dezembro.

No radar de resultados, a Cosan divulgou lucro líquido de R$ 222,9 milhões no terceiro trimestre.

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