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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (12) depois da valorização de 1,96% na véspera e acumulou perdas de 0,9% em uma semana que foi predominantemente marcada pela política.

A segunda-feira (8) foi agitada pela decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, de anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava Jato. Na ocasião, o benchmark da B3 sofreu um tombo de 3,98%.

Nos dias seguintes, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial ajudou a Bolsa a se recuperar, assim como a aprovação no Congresso dos Estados Unidos de um pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão. O Ibovespa subiu por três pregões consecutivos na esteira do alívio fiscal e da melhora no ambiente externo, voltando no fechamento de ontem a 114.983 pontos.

Contudo, hoje o dia foi de predominância das vendas antes do fim de semana. Vale lembrar que na segunda-feira (15) haverá vencimento de opções sobre ações, o que naturalmente torna mais voláteis os papéis de blue chips.

O cenário político voltou a pesar, com a confirmação da polarização entre Lula e o presidente Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022. Uma pesquisa XP/Ipespe mostrou Bolsonaro e Lula tecnicamente empatados na corrida presidencial de 2022 confirmando o cenário de polarização que se esperava desde a anulação das condenações de Lula no âmbito da Operação Lava Jato pelo .

Segundo o levantamento, realizado entre os dias 9 e 11 de março, as intenções de voto de Lula saltaram de 17%, em maio de 2020, para atuais 25% em cenário estimulado de primeiro turno (quando o eleitor escolhe seu candidato entre opções apresentadas pelo entrevistador).

Com isso, o líder petista estaria tecnicamente empatado com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que aparece com 27% das intenções de voto, se as eleições ocorressem nesta semana. Os dois têm 15 pontos percentuais de vantagem sobre os demais nomes testados. A margem máxima de erro da pesquisa é de 3,5 pontos para cima ou para baixo.

Lá fora, os índices Dow Jones e S&P 500 subiram, refletindo o noticiário positivo nos EUA, que além da aprovação do programa de estímulos ainda teve na véspera o anúncio do presidente Joe Biden de que todos os americanos adultos poderão receber uma dose da vacina a partir de primeiro de maio. A meta, disse Biden, é que todos possam se reunir para comemorar o Dia da Independência.

Apesar disso, o índice Nasdaq recuou 0,59%, em um claro movimento de rodízio de ações. As melhores perspectivas para a economia americana tornam mais atrativos os papéis de empresas mais expostas ao ciclo econômico, as da chamada economia tradicional. Já as companhias de alta tecnologia (que compõem o Nasdaq), acabam sofrendo vendas porque a melhora econômica via expansão fiscal também significa aumento da inflação.

Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em 10 anos subiram a 1,62% ao ano hoje, algo que prejudica as big techs, que possuem um fluxo de caixa mais longo.

Também no radar, os investidores repercutiram a aprovação em segundo turno na Câmara dos Deputados da PEC Emergencial, que abre espaço no Orçamento para o pagamento de uma nova rodada de auxílio emergencial.

Foi levado adiante o acordo do governo que retirou do projeto a proibição à progressão e promoção de servidores públicos dos gatilhos a serem acionados quando as despesas obrigatórias atingirem 95% do Orçamento.

Essa mudança foi uma contrapartida em troca da rejeição de destaques que reduziam a potência fiscal da PEC, como o apresentado pelo PT que permitia a progressão funcional e contratações no serviço público durante crise fiscal.

No primeiro turno, o governo sofreu uma derrota ao não obter votos o bastante para derrubar o destaque do PDT que retirou da proposta a vinculação de receitas de impostos a fundos, despesas e órgãos específicos (entre eles, a Receita Federal) no caso de crise fiscal.

Entre os indicadores, as vendas no varejo caíram 0,2% em janeiro na comparação com dezembro, revelou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa mediana dos economistas era de retração de 0,3% no indicador conforme dados compilados pela Refinitiv.

Com isso, hoje o Ibovespa teve queda de 0,72%, a 114.160 pontos e volume financeiro negociado de R$ 28,55 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,31% a R$ 5,5587 na compra e a R$ 5,5597 na venda. Na semana, a moeda dos EUA perdeu 2,18% de valor em comparação com o real. Já o dólar futuro com vencimento em abril registra ganhos de 0,23% a R$ 5,555 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu nove pontos-base a 4,22%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de seis pontos-base a 5,96%, o DI para janeiro de 2025 avançou três pontos-base a 7,40% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de seis pontos-base a 7,96%.

Voltando aos EUA, ontem o presidente Joe Biden assinou a lei criando um pacote de estímulos no valor de US$ 1,9 trilhão, por meio do qual pagará até US$ 1.400 para a maioria dos cidadãos americanos. Os depósitos diretos aos cidadãos americanos devem começar a ser pagos já neste final de semana.

Além disso, a lei também estende um valor extra no seguro-desemprego de US$ 300 por semana até 6 de setembro, e expande o crédito de impostos por criança por um ano e direciona US$ 20 bilhões à vacinação contra Covid, US$ 25 bilhões em assistência para aluguéis em serviços e US$ 350 bilhões para assistência estadual, local e tribal.

Pouco antes de assinar, o presidente Joe Biden afirmou: “esta legislação histórica trata de reconstruir a estrutura deste país e dar ao povo desta nação, pessoas trabalhadoras, pessoas de classe média, aquelas que vão reconstruir este país, uma chance de lutar”.

Já na Europa, foi aprovada a vacina de dose única da Johnson & Johnson’s contra a Covid, à medida que a União Europeia busca impulsionar a vacinação, que vem sendo apontada como lenta. Até 10 de março, 10,09% da população do bloco havia sido vacinada, contra 28,92% nos Estados Unidos e 5,53% no Brasil, de acordo com dados oficiais compilados pelo Our World In Data.

Nesta sexta foram divulgados dados indicando que a economia do Reino Unido encolheu 2,9% em janeiro na comparação com o mês anterior. A contração foi menor do que o esperado, em um momento em que o país voltou a entrar em lockdown.

Os gastos extras do governo com programas focados em testar cidadãos e rastrear contatos que poderiam ter se infectado, além de programas de vacinação, contribuíram com os resultados acima do esperado, adicionando 0,9% ao Produto Interno Bruto (PIB).

PEC Emergencial, auxílio e programa contra demissões

A Câmara aprovou na quinta o texto principal da PEC Emergencial em segundo turno, que viabiliza o pagamento de até R$ 44 bilhões em auxílio emergencial, cujos valores e duração não foram detalhados.

De acordo com o jornal Valor, o Congresso deve promulgar a PEC apenas na próxima semana. Um interlocutor cujo nome não foi divulgado disse que o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) “convocaria sessão para fazer a promulgação na sexta caso os deputados tivessem terminado a análise dos destaquem antes do fim da sessão do Senado. Como isso não ocorreu, 99% de chances de ficar para semana que vem”.

Ficaram de fora da PEC dispositivos que proibiam promoções e progressões de carreira de servidores públicos durante momentos de desequilíbrio fiscal, quando as despesas obrigatórias da União chegarem a 95% do total previsto pelo teto.

Porém, foram mantidas medidas que barram o aumento a salário de servidores e a contratação de novos funcionários. Novas contratações poderão ocorrer para repor vagas, para cargos de chefia e contanto que não representem aumento de gastos.

A Câmara também derrubou um trecho que vedava a vinculação de receitas do órgão, despesa ou fundos públicos. Este trecho abria espaço para cortes de gastos do fundo da Receita Federal, alvo de protesto de auditores fiscais.

De acordo com o Valor, com o adiamento o governo deve esperar que a PEC seja promulgada para encaminhar ao Congresso a Medida Provisória que restabelecerá a retomada do auxílio emergencial.

Na segunda, o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que o valor do auxílio deve ficar em entre R$ 175 e R$ 375. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou pelas redes sociais que o benefício deverá ser retomado ainda no mês de março.

Além disso, na quinta Guedes afirmou que governo pretende retomar o programa que permitiu às empresas suspenderem contratos ou cortarem salários e jornada de funcionários como forma de lidar com a crise do coronavírus.

De acordo com o ministro, parte do benefício de complementação de renda paga pelo governo aos trabalhadores virá da antecipação do seguro-desemprego. Ao invés de pagar R$ 1.000 por quatro meses em seguro-desemprego a pessoas desempregadas, poderá pagar R$ 500 para segurar o emprego por até 11 meses.

No ano passado, por meio do programa, chamado BEM (Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda), o governo pagou uma complementação de renda aos trabalhadores das empresas que aderiram ao programa, ao custo de R$ 33,5 bilhões.

“O presidente deve anunciar novas medidas para a frente”, afirmou Guedes. De acordo com informações do secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, o novo programa será lançado “nos próximos dias”, informou o jornal O Estado de S. Paulo.

Recordes nas médias móveis de mortes por Covid

Pelo 13º dia seguido, o país bateu na quinta (11) seu recorde na média móvel de mortes por Covid em 7 dias, com a marca de 1.705, alta de 49% em comparação com a média de 14 dias antes. O patamar de 1.500 mortes na média de 7 dias foi ultrapassado pela primeira vez há três dias.

Pelo segundo dia seguido o país ultrapassou a marca de 2.000 mortes por Covid em um único dia, com 2.207 mortes.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de quinta o avanço da pandemia em 24 h no país. Foram contabilizados dados de dois dias do Distrito Federal, que não havia divulgado números de mortes e casos na quarta.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 69.680, alta de 32% em relação ao patamar de 14 dias antes. A média móvel de novos casos representa um recorde desde o início da pandemia. Em apenas um dia houve 78.297 diagnósticos.

Até a segunda, 9.294.537 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 4,39% da população. A segunda dose foi aplicada em 3.317.344 pessoas, ou 1,57% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Em seu boletim quinzenal divulgado na quinta, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) afirmou que o Brasil vive o pior momento da pandemia, acumulando 10,3% das mortes por Covid notificadas no mundo, apesar de o país possuir apenas 3% da população global.

Na terça, a fundação havia divulgado um boletim extraordinário, em que afirmava que 20 unidades da federação estavam em “estado crítico”, com mais de 80% de suas vagas em UTIs ocupadas. Destas, 13 tinham mais de 90% das vagas ocupadas.

“Os recordes de novos casos e óbitos vêm sendo superados diariamente, acompanhados por uma situação de colapso dos sistemas de saúde em grande parte dos estados e municípios”, afirmou a Fiocruz no boletim de quinta.

Segundo reportagem de bastidores do jornal Valor a partir de conversas com técnicos do Ministério da Saúde cujo nome não foi revelado, a expectativa do governo é de que nas próximas seis semanas a média de mortes por Covid seja de entre 2.200 e 2.600 por dia. Parte da cúpula da pasta acredita que é possível que o pico chegue a 3.000 portes por dia.

Também na quinta, o governo de São Paulo endureceu as medidas da fase vermelha, proibindo a realização de cultos, missas e outras atividades religiosas no estado, além de todos os eventos esportivos, inclusive jogos de futebol. Foi instituído um toque de recolher das 20h às 5h. As medidas passam a valer na segunda-feira (15).

Medidas do tipo sofrem oposição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que na quinta-feira classificou o toque de recolher instituído na segunda (8) pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), como “estado de sítio”, e também criticou as medidas adotadas pelo governo de João Doria (PSDB) em São Paulo.

“Até quando nossa economia vai resistir? Que se colapsar, vai ser uma desgraça. Que que poderemos ter brevemente? Invasão a supermercado, fogo em ônibus, greves, piquetes, paralisações. Onde vamos chegar?”, afirmou.

Pela noite, em sua live semanal, Bolsonaro afirmou “estamos vendo municípios com guarda municipal e cassetete mantendo todo mundo dentro de casa. Imagina umas Forças Armadas com fuzil (…) como é fácil impor uma ditadura no Brasil”.

Bolsonaro disse que somente ele, na condição de presidente da República, teria poder de tomar uma medida do tipo, mediante consulta ao Congresso Nacional. Segundo juristas ouvidos pelo portal G1, o presidente se equivocou em sua avaliação.

Mas, segundo o jornal Folha de S. Paulo, o presidente vem sendo convencido a alterar seu discurso, devido ao diagnóstico de que sua popularidade vem sofrendo abalo devido à gestão da pandemia. E de que a demora em vacinar pode dificultar a retomada da economia até 2022.

Em sua live, ele mentiu ao dizer que nunca teria se referido à Covid como uma “gripezinha”, expressão que usou ao menos duas vezes em março de 2020, e afirmou que nunca foi contra a vacina, apesar de declarações contrárias à imunização.

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes anunciou a suspensão da vacinação prevista para pessoas a partir de 75 anos por falta de doses de vacina. Pelo Twitter, Paes afirmou: “tivemos uma procura acima da expectativa e não temos garantia de que as doses que já dispomos sejam suficientes”.

O Consórcio Nordeste, formado pelos governos de estados do Nordeste do país, deve assinar nesta sexta um acordo com o governo da Rússia para comprar 39,6 milhões de doses da vacina Sputnik V, que ainda não obteve aprovação definitiva ou para uso emergencial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Radar corporativo

A temporada de resultados volta a movimentar o mercado. A construtora e incorporadora Tenda obteve lucro líquido consolidado de R$ 72 milhões no quarto trimestre de 2020, recuo de 5,6% em comparação com o mesmo período de 2019. No acumulado do ano, o lucro totalizou R$ 200,3 milhões, baixa de 24%.

A Moura Dubeux, por sua vez, reverteu o prejuízo de R$ 31,1 milhões do quarto trimestre de 2019 e lucrou R$ 8,7 milhões de outubro a dezembro de 2020. Já a a RNI elevou seu lucro líquido em 145%, na comparação anual, para R$ 12,9 milhões.

A processadora da pagamentos Stone, cujas ações são negociadas na Nasdaq, teve lucro líquido ajustado de R$ 357,8 milhões para o quarto trimestre, alta de 30,1% sobre um ano antes. A elétrica Energisa, por sua vez, lucrou R$ 192 milhões no quarto trimestre de 2020, queda de 45,6% em relação a igual período do ano anterior.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
EMBR3 4.80349 14.4
MULT3 3.94089 23.21
EZTC3 3.02636 31.66
LREN3 2.82039 41.56
CPLE6 2.67275 6.3

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
BTOW3 -5.20617 63.91
VVAR3 -4.22078 11.8
LAME4 -3.5603 21.67
B3SA3 -2.39859 55.34
USIM5 -2.31481 16.88

A Eletrobras, por sua vez, anunciou que adiou a divulgação de seus resultados do quarto trimestre de 2020 de hoje (12) para a próxima segunda-feira (15), após o fechamento do mercado. A teleconferência, que seria realizada na segunda, passou para terça-feira às 12 horas.

Ainda no radar dos mercados, a estatal paranaense de energia Copel informou uma proposta de desdobramento das ações da companhia foi aprovada em assembleia geral extraordinária de acionistas.

Entre as companhias com planos de abrir capital, a Athena, controlada pelo Pátria Investimentos, pediu nesta quinta-feira registro para realizar uma oferta inicial de ações (IPO), uma vez que a pandemia da Covid-19 amplia o foco público sobre operadoras de planos de saúde e de hospitais.

Já o novo conselho da mineradora Vale, cujos 12 nomes foram aprovados pelo atual colegiado na véspera, terá sete membros com ampla experiência em sustentabilidade, além de oito considerados independentes, dentre outras inovações, no que promete ser a maior mudança do órgão administrativo desde que a companhia se tornou privada, em 1997. A eleição dos indicados para o período de 2021 a 2023 será feita pelos acionistas na Assembleia Geral Ordinária, em 30 de abril.

Segundo o jornal Valor, de saída da presidência da Petrobras, o economista Roberto Castello Branco deve disputar uma vaga no conselho da Vale, assim como a presidência do colegiado da mineradora nas eleições para renovar o conselho.

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