baixa gráfico índice

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (11), dia de extrema volatilidade. Mais uma vez, o desempenho das bolsas dos Estados Unidos frustrou, e após baterem mais de um 1% de alta, os índices terminaram entre queda de 0,6% (o Nasdaq) e alta de 0,48% (o Dow Jones).

Com a baixa de hoje, o principal índice da B3 consolidou uma forte desvalorização de 2,84% na semana, que foi marcada por um sell-off no petróleo em meio ao aumento dos estoques nos EUA. Os últimos dias também foram marcados pela continuidade das quedas nas ações de empresas do setor de alta tecnologia dos EUA.

Na terça-feira (8), os papéis da Tesla desabaram 21% depois da companhia fracassar em entrar no índice S&P 500.

Já nesta sexta, no mercado brasileiro, as perdas só não foram maiores graças ao desempenho positivo da Vale (VALE3), que disparou 5,84%. As compras vieram com o anúncio de distribuição de proventos aos acionistas no montante total bruto de R$ 2,4075 por ação.

Segundo o Bradesco BBI, a informação é positiva, pois indica um pagamento adicional de US$ 1 bilhão em dividendos extraordinários.

Já a Petrobras (PETR3; PETR4) terminou a sessão em baixa sem poder contar com uma recuperação do petróleo. O barril do WTI teve alta de 0,46% a US$ 37,47, enquanto o barril do Brent – usado como referência pela Petrobras – caiu 0,45% a US$ 39,88. Para ler mais destaques de ações clique aqui.

Com isso, o Ibovespa teve hoje baixa de 0,48%, aos 98.363 pontos e volume financeiro negociado de R$ 27,352 bilhões. O índice abriu a sessão com ganhos, virou para queda forte, chegando a perder os 98 mil pontos (atingiu 97.757 pontos na mínima da sessão), voltou a subir na hora do almoço e no final engatou queda.

Vale lembrar que em momentos de maior incerteza os investidores costumam vender ações na sexta para não entrarem no fim de semana posicionados sem poderem operar caso notícias ruins saiam.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,25% a R$ 5,3323 na compra e a R$ 5,3331 na venda. Na semana, a moeda dos EUA avançou 0,47% ante o real. Já o dólar futuro para outubro tem alta de 0,23%, a R$ 5,337 no after-market, acompanhando o movimento da moeda no exterior.

Cabe destacar que, em live na véspera, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que mantém conversas com ministros e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para entender os motivos da alta do dólar ante o real e se algo pode ser feito para atenuar o movimento.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu dois pontos-base a 2,85%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de seis pontos-base a 4,14%, o DI para janeiro de 2025 avançou quatro pontos-base a 6,00% e o DI para janeiro de 2027 variou positivamente quatro pontos-base a 6,98%.

No radar macroeconômico, a União Europeia ameaçou uma ação legal caso o Reino Unido não mude o projeto de lei que permite violar parte do acordo de Brexit.

Entre os indicadores nacionais, o volume de serviços brasileiro cresceu 2,6% em julho na comparação com junho, caindo 11,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. O dado anual veio pior que a mediana das projeções dos economistas compilada no consenso Bloomberg, que apontava para queda de 10,1%.

Continuou no Brasil o debate sobre a alta dos preços dos alimentos. Ontem, o Ministério da Economia enviou ao Ministério da Justiça um ofício questionando a decisão de notificar os setores de varejo e produção de alimentos sobre a alta dos preços. A resposta deve ser dada no prazo de cinco dias.

Depois do arroz, notícias apontam que o governo avalia zerar a tarifa de importação da soja para conter a alta nos preços.

Alta dos alimentos

Depois de o Ministério da Justiça ter notificado a Associação Brasileira de Supermercados e representantes de produtores de alimentos sobre a alta dos preços, o Ministério da Economia mostrou sua insatisfação com a medida. Ontem, a pasta enviou ao Ministério da Justiça um ofício questionando a decisão de notificar os setores. A resposta deve ser dada no prazo de cinco dias.

De acordo com a Folha de S.Paulo, o ofício pede que não ocorra controle de preços ou incompatibilidade com os princípios da economia de mercado. A atitude do Ministério da Justiça surpreendeu o Ministério da Economia e também o Ministério da Agricultura, que defendiam o controle de preços por meio da abertura das importações.

Na noite de ontem, o presidente Jair Bolsonaro disse que autorizou a notificação feita pelo Ministério da Justiça sobre o aumento de preços dos alimentos. No entanto, ele negou que exista algum plano de tabelamento ou maiores intervenções no mercado.

“André Mendonça falou comigo: ‘posso botar a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor para investigar, perguntar para supermercados por que o preço subiu?’ Eu falei ‘pode’. E ponto final. Porque, ao chegar a resposta, pode ser que o errado somos nós. Pode ser o governo, daí o governo toma providência e ponto final”, declarou o presidente em live semanal.

Após a Câmara de Comércio Exterior zerar a tarifa de importação de arroz, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse ontem que a taxa zero deve beneficiar principalmente Estados Unidos e Tailândia. O presidente da Conab, Guilherme Bastos, afirmou à Reuters que várias indústrias de beneficiamento já agendaram compras com outros países e também citou Estados Unidos e Tailândia como exportadores.

Perspectivas

Apesar do corte de taxa de importação, ontem o arroz voltou a ter preços recordes, de acordo com o Cepea. O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Ronaldo dos Santos, disse que o produto tem tendência de alta para os próximos dois meses se o consumo se mantiver no ritmo atual, ainda segundo a Folha. O produto acumula alta de 19% no ano, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O arroz tem sido o principal produto no debate da alta de preços, mas já se fala em medidas para controlar o preço da soja e dos materiais de construção.

No caso da soja, O Globo informou que o governo poderá reduzir a zero a tarifa de importação, hoje em 10%, até o fim deste ano. Com isso, a oferta doméstica aumentaria, controlando os preços. Já no caso dos materiais de construção, o governo avalia medidas caso os preços não diminuam até o final deste ano.

Além do tema dos preços, outro destaque foi a fala do presidente Jair Bolsonaro sobre o fim do auxílio emergencial. Segundo o presidente, não haverá nova prorrogação do auxílio além dos cinco meses já previstos.

No noticiário nacional, também chama atenção a posse do ministro Luiz Fux na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). Em seu discurso, ele destacou a importância do respeito ao Legislativo e ao Executivo, sem que isso signifique subserviência e excesso de intimidade.

Já sobre a vacina da AstraZeneca e da Universidade de Oxford contra a Covid, foi noticiado que a voluntária dos testes que desenvolveu sintomas de um distúrbio neurológico não integrava o grupo de placebo, ou seja, estava recebendo a vacina experimental. Ela teve alta na quarta-feira e passa bem.

Radar corporativo

Um dos destaques do dia foi a distribuição de proventos da Vale aos acionistas, no montante total bruto de R$ 2,4075 por ação. Já a Azul divulgou os dados de tráfego de agosto, com alta de 26,4% no tráfego de passageiros consolidado (RPKs) em relação a julho de 2020.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
VALE3 6.04818 62.07
BRAP4 3.99721 44.75
PCAR3 3.96636 74.18
CSNA3 3.77113 15.96
NTCO3 3.31658 51.4

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
CIEL3 -4.31034 4.44
IRBR3 -4.12698 6.04
GNDI3 -4.00826 69.69
EGIE3 -3.47473 42.78
COGN3 -3.40136 5.68

Os investidores acompanham notícias de que a maioria dos acionistas da Tecnisa rejeitou os estudos para integração com a Gafisa, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada ontem.

Além disso, a Sul América concluiu a compra da Paraná Clínicas, por R$ 396 milhões, enquanto a Braskem iniciou a produção comercial de polipropileno (PP) de sua nova planta nos Estados Unidos. Está marcada para hoje a estreia das ações da Petz (PETZ3) na B3.

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