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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em leve queda nesta sexta-feira (9), dia de muita volatilidade antes do feriado. Contudo, o desempenho fraco não apagou a alta de 3,69% em uma semana que foi marcada pela recuperação das bolsas internacionais e pela disparada de bancos na esteira de recomendações.

Hoje, as instituições financeiras corrigiram parte dos ganhos da véspera, o que pressionou o principal índice da B3. Juntas, as ações dos quatro maiores bancos brasileiros respondem por 15,5% da carteira teórica do Ibovespa.

No radar macroeconômico, pesou o alerta da S&P sobre a nota de crédito do Brasil. Ontem, a analista principal para o Brasil da S&P Global Ratings, Livia Honsel, disse à Folha que a falta de visibilidade a partir do ano que vem poderia levar a agência a rever a trajetória fiscal e começar a assumir uma situação de dívida mais alta, com riscos maiores sobre a nota.

para a Bloomberg, a analista teve um tom mais cauteloso, destacando que a agência de rating “não quer tomar decisões precipitadas”. “O rating é baixo e ainda reflete bem todos os desafios.”

Diante desse cenário, o Ibovespa teve queda de 0,45%, aos 97.483 pontos com volume financeiro negociado de R$ 27,73 bilhões. O índice abriu em leve baixa, virou para alta perto do meio dia e depois engatou um desempenho negativo que perdurou até o fechamento.

Vale lembrar que antes de um feriado é comum que os investidores vendam ações para embolsar os lucros e não entrarem posicionados nos dias em que não poderão operar caso haja alguma notícia relevante.

Enquanto isso, o dólar comercial caiu 1,13% a R$ 5,524 na compra e a R$ 5,525 na venda. A moeda dos EUA se desvalorizou em 2,49% ante o real esta semana. Foi o primeiro recuo semanal do dólar em cinco semanas. Já o dólar futuro com vencimento em novembro registrava perdas de 1,41%, a R$ 5,527 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 fechou estável a 3,23%, o DI para janeiro de 2023 recuou três pontos-base a 4,67%, o DI para janeiro de 2025 teve queda de cinco pontos-base a 6,56% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de cinco pontos-base a 7,53%.

Lá fora, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 0,57%, 0,88% e 1,39% respectivamente. As atenções foram voltadas à retomada do diálogo entre democratas e republicanos para um pacote de estímulos trilionário à economia americana.

Na véspera, o chefe de gabinete da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, tuitou que a democrata e o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, conversaram por 40 minutos e o secretário teria manifestado o desejo do presidente Donald Trump em que um acordo fosse atingido.

A comunicação veio depois que Pelosi afirmou que não iria apoiar um resgate às companhias aéreas dos EUA sem um pacote de estímulos mais abrangente.

Trump reacendeu as esperanças sobre um pacote de estímulos ontem, ao dizer à Fox News que conversas entre a Casa Branca e o Congresso estão de volta. A declaração ocorreu dias depois do presidente ter anunciado via Twitter que as negociações seriam suspensas até as eleições de novembro.

Fontes disseram à CNBC que Trump já aceita que o pacote de estímulos chegue a US$ 1,8 trilhão.

Indicadores

Entre os indicadores, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu a 0,64% em setembro na comparação com agosto, mostrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse é o maior resultado para um mês de setembro desde 2003 (0,78%).

A projeção mediana dos economistas consultados pela Bloomberg era de um avanço de 0,54% na comparação mensal.

Do lado internacional, a economia do Reino Unido mostrou crescimento de 2,1% em agosto na comparação mensal, abaixo da expectativa de expansão de 4,6%.

Na China, os mercados reabriram depois de um feriado nacional, com alta de 1,68% do índice Shanghai. O índice de gerente de compras Caixin/Markit de serviços foi de 54,8 em setembro, indicando uma expansão da atividade local.

Medidas econômicas

A falta de clareza do governo sobre medidas econômicas está sendo acompanhada pelas agências de classificação de risco, e pode causar um rebaixamento da nota do país.

Ontem, a analista principal para o Brasil da S&P Global Ratings, Livia Honsel, disse à Folha que a falta de visibilidade a partir do ano que vem poderia levar a agência a rever a trajetória fiscal e começar a assumir uma situação de dívida mais alta, com riscos maiores sobre a nota.

Apesar de ter mais seis meses para uma nova avaliação sobre o país, a agência pode fazer uma revisão a qualquer momento caso entenda que precisa ajustar as expectativas de investidores.

O vai e vem de anúncios do governo contribuem para a falta de clareza citada pela agência. Por exemplo, o ministro da Economia Paulo Guedes diz que o estado de calamidade pública termina este ano, enquanto membros do governo falam que pode ser prorrogado para 2021.

Outro caso emblemático foi o anúncio de que o Renda Cidadã seria bancado por recursos de precatórios e do Fundeb, o que depois foi negado por Guedes.

De acordo com a analista da S&P, a indefinição é mais um risco a jogar contra o Brasil, ao lado de fatores como a dívida já elevada em relação ao PIB, a perspectiva de baixo crescimento no médio prazo e o atraso na agenda de reformas.

Em meio ao alerta da S&P, os investidores ainda aguardam definições que impactam a economia. O relator do Renda Cidadã, Márcio Bittar, deixou a apresentação da proposta para depois das eleições, que serão realizadas em novembro. Ele, no entanto, acredita na aprovação do texto ainda neste ano, apesar do curto espaço de tempo, de acordo com a CNN Brasil.

Bittar disse ontem que, independentemente da fonte de recursos, o Renda Cidadã vai gerar alguma oposição. “Qualquer que seja ela, vai incomodar porque para arrumar recurso para essas pessoas vai ter que tirar de algum lugar. E do lugar que for tirar, tem alguém que estará incomodado”, disse.

A reforma tributária não deve ser votada nem na Câmara dos Deputados nem no Senado neste ano. Presidente da Comissão Mista dedicada ao tema, o senador Roberto Rocha (PSDB-MA) afirmou ao Valor que pedirá a extensão dos trabalhos do colegiado até 10 de dezembro, para tentar até lá chegar, ao menos, em uma proposta que possa ser votada pela comissão. O Congresso funcionará por somente mais 12 dias após a data em 2020, até 22 de dezembro.

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a prioridade, agora, é votar a PEC Emergencial, que cria mecanismos de ajuste fiscal.

Ao lado do ministro da Economia, o deputado participou da apresentação da proposta de agenda legislativa da frente da reforma administrativa, segundo a Folha. Ele negou ter desistido de aprovar a reforma tributária este ano, mas disse que hoje a PEC Emergencial deve ser a preocupação número um.

Ministério da Economia

O mercado acompanha também a discussão sobre um possível desmembramento de parte do Ministério da Economia.

A mudança incluiria a separação da secretaria de Previdência e Trabalho da pasta e a recriação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para ser entregue ao Centrão, segundo o Estadão, devido a cobranças de aliados políticos do presidente Jair Bolsonaro.

Na noite de ontem, Bolsonaro negou que existem planos de recriar as pastas do Trabalho e da Indústria, e disse que estas são “fake news” para desgastar o ministro da Economia, Paulo Guedes.

O ministro também negou que existam conversas neste sentido. De acordo com o jornal, apesar da ameaça de Paulo Guedes perder o status de superministro, auxiliares do presidente dizem que ele segue tendo o respaldo do governo.

Apesar das negativas, aliados e assessores dizem que Bolsonaro planeja uma reforma ministerial após as eleições municipais deste ano, de acordo com a Folha de S.Paulo. O objetivo é abrir mais espaço para o bloco partidário que tem garantido apoio ao presidente.

Além disso, ontem o presidente determinou que, a partir da agora, cada ministro fale apenas sobre temas diretamente relacionados à sua respectiva pasta. Foi mais um gesto de apoio ao ministro Paulo Guedes.

Com a decisão, segundo a Folha, o ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho não teria mais autorização para se pronunciar sobre a formulação de programas sociais, o cumprimento do teto de gastos ou qualquer outra ação ligada ao Ministério da Economia.

Radar corporativo

No noticiário corporativo, o conselho de administração da Localiza aprovou a união dos negócios com a Unidas e chamou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) em 12 de novembro para deliberar sobre a incorporação de ações. Além disso, a Minerva encerrou as tratativas para uma possível combinação de negócios de sua subsidiária Athena Foods com sociedade de propósito específico para aquisição, listada na Nasdaq.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
MRVE3 8.50684 18.24
MGLU3 6.83575 98.15
CYRE3 4.58533 26.23
CVCB3 4.21687 15.57
GOLL4 3.24149 19.11

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
IRBR3 -7.23514 7.18
JBSS3 -4.07555 19.3
PETR3 -3.30257 19.91
MRFG3 -3.26975 14.2
CSAN3 -3.15789 66.24

A Totvs aprovou a prorrogação da oferta de combinação com a Linx até o dia 17 de novembro. Hoje o mercado vai reagir às prévias operacionais do terceiro trimestre divulgadas pela Even, pela MRV, pela Direcional e pela Helbor. Além disso, a Camil informou lucro líquido de R$ 138,6 milhões no segundo trimestre.

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