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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro opera entre perdas e ganhos nesta quarta-feira (19) depois do índice à vista subir 2,4% na véspera em meio ao apoio do presidente Jair Bolsonaro ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

Hoje, as atenções ficam voltadas ao exterior, uma vez que a presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, sugeriu que os democratas podem estar dispostos a fazer mais cortes em sua proposta de estímulos à economia para assim chegar a um acordo com os republicanos. Também há a sensação de que o pico de casos do novo coronavírus no sul e sudoeste do país já foi atingido. Às 15h, será divulgada ainda a ata do Fomc (Federal Open Market Committee).

No Brasil, as atenções estão voltadas para a elaboração da proposta de Orçamento para 2021, que deve ser enviada ao Congresso pelo governo federal até o final do mês. A pressão por mais recursos cresce nas diferentes pastas, o que pode ameaçar o teto de gastos

Às 09h07 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa para outubro tinha leve variação positiva de 0,11%, aos 102.190 pontos.

Enquanto isso, o dólar futuro para setembro tinha perdas de 0,22%, a R$ 5,459.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 opera estável a 2,67%, o DI para janeiro de 2023 perde um ponto, a 3,85% e o DI para janeiro de 2025 recua três pontos-base a 5,65%.

Orçamento de 2021

O governo vem fazendo concessões para atender as demandas de diferentes ministérios nas discussões sobre o Orçamento de 2021, o que aumenta ainda mais a pressão ao teto de gastos.

Segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, um dos ministérios beneficiados por essas concessões é o do Desenvolvimento Regional, que vai receber mais R$ 846 milhões em 2021 em relação à proposta orçamentária oferecida anteriormente, que era de R$ 7,4 bilhões.

O Ministério da Defesa deve ganhar mais R$ 2,2 bilhões em recursos, chegando a R$ 108 bilhões, em detrimento aos recursos ao IBGE, que corre o risco de não ter como realizar o Censo, que tem um custo estimado em R$ 2 bilhões.

O secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, afirmou que o teto de gastos precisa ser respeitado para gerar credibilidade para as contas públicas brasileiras. Para ele, o caminho para abrir mais espaço no Orçamento deve ser rever outras despesas.

Ainda sobre o teto de gastos, o jornal O Estado de S.Paulo divulgou hoje um estudo mostrando que as medidas de contenção de despesas com pessoal previstas no próprio teto de gastos, chamadas de gatilhos, têm potencial para abrir espaço de R$ 40,4 bilhões no Orçamento em 2021 e 2022. Isso equivale a 0,5 ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB), calcula a Instituição Fiscal Independente (IFI).

Auxílio emergencial

O governo estuda usar uma medida provisória (MP) para prorrogar o auxílio emergencial com um valor abaixo dos atuais R$ 600, segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defende um valor de R$ 200, mas auxiliares do governo contam com parcelas de R$ 300 e a possibilidade dos pagamentos até dezembro.

A lei que rege o auxílio emergencial define que o benefício pode ser prorrogado atualmente por ato do Executivo sem a necessidade de validação do Congresso, desde que seja mantido o valor de R$ 600 (já que esse é o valor previsto no texto).

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ontem que não acredita ser possível avançar com a privatização da Eletrobras no parlamento. Segundo ele, o tema enfrenta dissenso nas duas casas legislativas e ainda pode prejudicar o avanço de pautas urgentes para a saúde fiscal do país.

Para Maia, o foco do governo deveria estar na criação de instrumentos que viabilizem o cumprimento do teto de gastos e nas reformas administrativa e tributária. “O que precisamos decidir é quais são nossas prioridades. Temos metade de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro com uma eleição municipal no meio. Nós temos a questão do auxílio emergencial, que o governo vai ter que pensar uma solução”, disse o parlamentar durante a transmissão.

Radar corporativo

A ata da reunião do conselho de administração da Linx mostra que Alberto Menache, diretor-presidente e vice-conselheiro da empresa, pode ter exercido pressão para a aprovação da venda da empresa para Stone, em um negócio avaliado em R$ 6 bilhões, segundo reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Ele e outros dois fundadores, José Monteiro Alberto Fernandes e Alon Dayan, podem receber R$ 240 milhões pela venda devido a uma cláusula de não competição, que os minoritários encaram como um prêmio de controle disfarçado.

Menache teria pressionado à aprovação, alegando que a proposta da Stone perderia a validade e que por isso a aceitação deveria se dar antes da divulgação dos resultados da empresa. Esse trecho condiz com a denúncia da Totvs, empresa de tecnologia que também tem interesse na Linx, que alegou que teria acertado fechar uma proposta após a divulgação dos resultados.

E a concessionária de Viracopos contratou a consultoria ASVInfra Partners para assessorá-la no processo de relicitação, segundo informação do jornal “Folha de S.Paulo”. A relicitação que foi anunciada pelo governo federal no mês passado.

Sob gestão da concessionária desde novembro de 2012, o terminal, que pediu recuperação judicial em 2018, teve o plano aprovado em fevereiro pela assembleia dos credores, acerto exigido para o andamento da relicitação.

Quem vai representar a ASV Infra Partners é o presidente da consultoria, Adalberto Santos de Vasconcelos.

Já a Ultrapar finalizou novo acordo de acionistas, com a entrada da gestora de recursos Pátria Investimentos. Segundo a companhia, o acordo vincula o voto de ações representativas de 34,17% do capital social, com o Pátria sendo detentor de 20% do capital. O acordo vale por cinco anos, com prazo prorrogável por igual período.

A companhia convocou assembleia de acionistas para 22 de setembro para votar proposta de eleição de Alexandre Saigh, sócio do Pátria, para o Conselho de Administração.

No mercado corporativo, está agendado para hoje o resultado da C&A (CEAB3), após o fechamento do mercado.

(Com Bloomberg, Agência Câmara e Agência Estado)

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