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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre entre perdas e ganhos nesta sexta-feira (23) entre o exterior positivo e uma busca por embolsar ganhos no último pregão da semana. Lá fora, além dos sinais positivos sobre estímulos nos Estados Unidos, também trazem otimismo os fortes resultados corporativos na Europa.

O banco Barclays reportou lucro líquido de US$ 797,7 milhões no terceiro trimestre, mais do que o dobro das expectativas de analistas. A fabricante de automóveis Daimler aumentou sua expectativa sobre os lucros de 2020. E a alta da demanda na China contribuiu para ampliar as margens da divisão de carros da Mercedes-Benz.

Na quinta-feira, a presidente do Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, afirmou que ela e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, estavam “quase lá” nas discussões sobre um novo pacote de estímulo. Por outro lado, ela disse que ainda poderia “levar um tempo” antes que a lei definindo o pacote fosse escrita e assinada.

Os americanos também acompanharam mais um debate entre o presidente Donald Trump e o candidato democrata, Joe Biden.

Às 09h10 (horário de Brasília), o índice futuro para dezembro tinha leve queda de 0,08%, aos 102.295 pontos.

O dólar futuro com vencimento em novembro registrava baixa de 0,41%, a R$ 5,571.

Por aqui, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – Base 15 (IPCA-15) subiu 0,94% em outubro na comparação mensal, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A expectativa dos economistas, segundo consenso Bloomberg, era de que a inflação medida pelo IPCA-15 apontasse alta de 0,83% em setembro na comparação mensal, após avanço de 0,45% na medição anterior.

O número impactava o mercado de juros futuros. O DI para janeiro de 2022 sobe sete pontos-base a 3,33%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de nove pontos-base a 4,72%, o DI para janeiro de 2025 avança cinco pontos-base a 6,48% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de quatro pontos-base a 7,37%.

Ainda no noticiário doméstico, a diretoria do Instituto Butantan afirmou que a Anvisa estaria demorando para aprovar a compra de insumos para produção da vacina contra a covid, o que a Anvisa nega.

Depois de desautorizar o ministro da saúde Eduardo Pazuello sobre a compra de 46 milhões de doses da vacina, Bolsonaro afirmou em live que não tem poder sobre a Anvisa a respeito da liberação de vacinas.

Polêmica em torno da vacina

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro desmentir fala do do ministro da Saúde Eduardo Pazuello quanto ao plano de comprar 46 milhões de doses da vacina a ser produzida em parceria entre a chinesa e o Instituto Butantan, a diretoria do mesmo instituto afirmou que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estaria atrasando a liberação de insumos para a produção da vacina.

O diretor-geral do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou à imprensa que o Instituto fizera em setembro a solicitação para importar matéria-prima.

Nesta quinta-feira, em meio ao rechaço do presidente Bolsonaro à compra da vacina produzida em São Paulo, teria sido informado que o pedido só seria analisado pela Anvisa em reunião prevista para 11 de novembro. Isso atrasaria o cronograma de produção da vacina.

Em entrevista à TV Globo, afirmou que “normalmente esse tipo de pedido tramita muito rapidamente, em dez dias”. Em nota, o Instituto Butantan afirmou que o pedido tem caráter excepcional, e que a demora para liberar o insumo pode impactar as perspectivas de produção e distribuição da vacina.

Em resposta à nota, a Anvisa afirmou que a resposta ao pedido de importação sairá em até cinco dias úteis, e que a solicitação do Butantan teria entrado em uma análise especial.

Na tarde de quinta-feira, o presidente Bolsonaro realizou uma live nas redes sociais, em que afirmou que a Anvisa não correria para liberar vacinas.

“A vacina tem que ser certificada pela Anvisa. Eu não mando na Anvisa. Alguns acham que eu mando na Anvisa. A Anvisa, como as agências todas, é independente. A Anvisa não é subordinada a mim, apesar de quem indicar [o diretor-presidente] para a sabatina no Senado sou eu”, disse.

Ele e o ministro Pazuello buscaram mostrar união após o presidente ter desautorizado o ministro quanto à compra da vacina de São Paulo. “É simples assim, um manda e outro obedece. Mas a gente tem carinho, dá para desenrolar”, afirmou o ministro.

Proposta de usar fundos para gastos com o coronavírus

Em entrevista publicada nesta sexta-feira de manhã pelo jornal Valor, o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, defendeu como “uma alternativa importante” o uso de valores parados em fundos federais para financiar ações de combate à pandemia. A medida está prevista no PLP (projeto de lei complementar) 137, apresentado pelo deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), e liberaria R$ 177 bilhões.

A medida ajudaria o governo a poupar recursos, que poderiam ser direcionados ao pagamento da dívida sem necessidade de novos endividamentos. “Em vez de se endividar em mais R$ 177 bilhões, o Tesouro tem os recursos para pagar as despesas”, afirmou Funchal. Com esses recursos, o governo não precisaria pagar tantos prêmios de risco para se financiar.

O objetivo do governo seria fechar 2020 com caixa suficiente para pagar o vencimento de títulos nos primeiros quatro meses de 2021, diz o secretário.

O texto do projeto de lei complementar prevê o uso do superávit de 29 fundos para pagar medidas como: auxílio emergencial, apoio a Estados e municípios, ações de saúde e ações de apoio ao emprego e à renda.

Originalmente, o dinheiro desses fundos deveria ser destinado a atividades como o combate ao tráfico, ou a expansão da infraestrutura aeroportuária. Mas parte desse valor se encontra parado há décadas.

Radar corporativo

A oferta inicial de ações da Track & Field saiu a R$ 9,25 por ação, abaixo do estimado pelos coordenadores da oferta, que era entre R$ 10,65 a R$ 14,95. A operação movimentou R$ 523 milhões.

O Bradesco BBI afirmou em relatório que vê “sinais claros” de que o pior já passou, e que há expectativa de bons ganhos para os bancos brasileiros no terceiro trimestre. O Bradesco diz acreditar que os melhores resultados serão do Santander.

Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander- somam aumento em valor de mercado de R$ 570,5 bilhões em 30 de setembro para R$ 655,3 bilhões até a tarde de quinta-feira, dia 22 de outubro, conforme destaca levantamento do Valor.

O Estadão traz reportagem informando que a Superdigital, do Santander, um aplicativo que permite pagar contas, cresceu 14% em clientes de folha de pagamento entre janeiro e setembro.

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