Hand is turning a dice and changes the direction of an arrow symbolizing that the interest rates are going down (or vice versa)

SÃO PAULO – O Ibovespa, depois de subir praticamente em linha reta dos 63 mil pontos (no dia 23 de março) aos 100 mil pontos (em 10 de julho), estagnou-se nessa região e tem operado com uma amplitude cada vez menor.

No dia 29 de julho, o índice parecia que ia buscar voos mais altos, ao atingir a marca dos 105.605 pontos, mas logo sofreu uma correção por quatro sessões seguidas até os 101.215 pontos e desde o dia 10 de agosto, quando fechou cotado em 103.444 pontos, não conseguiu mais sair dessa zona entre 98 mil e 102 mil pontos.

Segundo o analista técnico da XP Investimentos, Gilberto Coelho, a banda de operação do Ibovespa está formando um triângulo cada vez mais estreito. Isso significa que, para o analista, quando o benchmark sair da congestão ele irá disparar ou para cima ou para baixo com muita força.

Lucas Monteiro, trader de Multimercados da Quantitas, assegura que é natural um momento de acomodação da Bolsa depois de um forte ciclo de alta e alega que, atualmente, os investidores se deparam com um quadro no qual as ações brasileiras não estão tão caras, mas também não estão baratas.

“Os papéis estão mudando de mãos, mas são operações de curto prazo. É preciso de um fato novo que renove a vontade de se comprar Bolsa”, aponta.

Olhando para os fundamentos, Roberto Indech, estrategista-chefe da Clear Corretora, acredita que dois eventos podem ser os catalisadores para que o Ibovespa volte a andar. O primeiro são as eleições presidenciais nos Estados Unidos, e o segundo é a definição de qual pauta econômica vai prevalecer no Brasil.

Sobre os EUA, Indech entende que uma reeleição do presidente Donald Trump favoreceria a Bolsa, pois é um cenário sobre o qual existe mais clareza para os investidores. “Se o [candidato Democrata Joe] Biden ganhar é possível que ele implemente uma plataforma de aumento de impostos, o que seria recebido de forma negativa por Wall Street”, afirma.

O trader da Quantitas apela para que o investidor fique atento à volatilidade, uma vez que, na opinião dele, seja quem for o vencedor da disputa os movimentos dos mercados globais tendem a ser mais turbulentos perto do pleito. “O prêmio de risco para alguém querer comprar ações vai aumentar conforme for chegando perto da eleição.”

Atualmente, a volatilidade do Ibovespa em uma base mensal está um pouco acima dos 20%, patamar superior ao do começo do ano, mas semelhante ao de setembro de 2019. No auge da pandemia, a volatilidade do índice chegou a disparar até acima dos 120%, como mostra o gráfico abaixo com dados da consultoria Economatica.

Fatores domésticos

No cenário doméstico, Indech enxerga que o mercado reagirá bem a uma aprovação das reformas Administrativa e Tributária que, apesar de serem ponto comum entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda não estão precificadas.

“Não se sabe se o ajuste fiscal ainda é a ordem do dia. Se essas pautas passarem, podemos ver a Bolsa subir bastante”, avalia.

Monteiro vai na mesma linha e recorda que as últimas semanas foram de muito ruído político. “O debate sobre o Orçamento do ano que vem foi até agora muito pesado. Não sabemos se vai acomodar algum novo programa social ou não, se vai seguir o Teto de Gastos ou não, então isso precisa ser resolvido.”

O trader acredita que se as próximas semanas forem de andamento da agenda econômica mesmo sem as aprovações das reformas o mercado tende a repercutir positivamente. “Se tivermos a certeza de que o Orçamento será responsável e de que o Teto de Gastos será cumprido haverá muito maior clareza para os investimentos em renda variável.”

Por outro lado, o estrategista vê um risco sério de quedas no mercado se houver novas saídas de membros importantes do governo como o próprio ministro Paulo Guedes, mas não só ele. “Tem muita gente importante e qualificada dentro do governo que faria falta se saísse”, diz.

Além disso, Indech destaca a importância de se observar de perto os resultados das empresas no terceiro trimestre deste ano.

“Seria um bom gatilho verificarmos uma continuidade nos desempenhos positivos de exportadoras de commodities e varejistas. No trimestre que passou era importante saber o tamanho do impacto da quarentena imposta em abril, agora precisamos saber como foi a recuperação para cada companhia.”

Em meio a tantos fatos importantes para monitorar, o estrategista não quis cravar uma data para o destravamento da Bolsa. Para ele, essa lateralização do índice pode continuar ainda por um bom tempo, mas os principais eventos a se acompanhar estão dados.

Análise técnica

No estudo do gráfico, o caminho para o Ibovespa é binário: ou dispara ou despenca. “O Ibovespa hoje está testando esse suporte de 8 de junho, que é uma antiga resistência. Fechando abaixo desse suporte dos 97.200 pontos, ele pode abrir caminho para baixo até 90 mil pontos”, alerta Giba Coelho.

Contudo, o analista ainda acredita que a maior probabilidade é de que o índice respeite o suporte e acabe explodindo para alta. “Não é improvável uma disparada até 115 mil pontos”, comenta.

Gilberto Coelho lembra ainda que não é porque o Ibovespa está parado que as ações que compõem o índice estejam andando de lado. “É como um jogo que está zero a zero, mas os times deram 30 chutes a gol. Tem ações que não param de subir, como Magazine Luiza [apesar da fraqueza recente dos papéis em setembro], e outras que não param de cair.”

Coelho defende que a salvação para o Ibovespa finalmente retomar a trajetória de alta é um destravamento nas ações de Petrobras (PETR3;PETR4) e de bancos tradicionais. “São papéis que subiram muito pouco desde o auge da aversão ao risco com a crise do coronavírus. Ainda há muito espaço para avançarem”, opina.

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