SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira (12) após a correção que tomou conta dos mercados globais na véspera, dando uma pausa no impressionante rali que vem do fim do ano passado. As atenções seguem voltadas ao número de novos casos de coronavírus em meio ao início dos programas nacionais de vacinação.

Ao mesmo tempo, também há alguma ansiedade em torno do que ocorrerá nos Estados Unidos após o Partido Democrata entrar com pedido formal para o impeachment do presidente Donald Trump pela incitação aos protestos violentos da semana passada, quando manifestantes invadiram a sede do Congresso americano, causando cinco mortes.

A Câmara de Representantes pretende votar esse pedido ainda nesta semana. Depois disso, ele ainda precisaria ser apreciado no Senado, que tem maioria republicana. Para que o impeachment ocorra, é necessária uma maioria de dois terços dos representantes. Por isso, uma parcela dos republicanos precisaria votar pela retirada do representante de seu partido.

Por aqui, o destaque fica para a apresentação pelo Instituto Butantan de novos dados sobre a vacina Coronavac. De acordo com a Folha de S. Paulo, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o instituto brasileiro tem 50,4% de eficácia geral.

Entre os indicadores, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cresceu a 1,35% em dezembro, ante uma expectativa mediana dos economistas compilada pela Refinitiv de 1,21% de avanço. Com isso, o ano de 2020 acabou com uma inflação de 4,52%, maior que as projeções de que o indicador encerraria o ano em 4,38%.

Conforme destacou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esta foi a maior variação mensal desde fevereiro de 2003 (1,57%) e o maior índice para um mês de dezembro desde 2002 (2,10%). Em dezembro de 2019, a variação havia sido de 1,15%.

Às 13h24 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 0,96%, a 124.437 pontos puxado mais uma vez pelas ações de Petrobras (PETR3; PETR4) e de bancos, que são movimentadas principalmente pelo fluxo comprador de estrangeiros.

Enquanto isso, o dólar comercial tem queda de 1,38%, a R$ 5,4268 na compra e R$ 5,4278 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em fevereiro tem leve baixa de 1,08%, a R$ 5,431.

O mercado de juros futuros hoje reflete o dado de inflação maior que o esperado. O DI para janeiro de 2022 tem alta de três pontos-base a 3,22%, DI para janeiro de 2023 sobe quatro pontos-base a 4,90%, DI para janeiro de 2025 vira para queda de um ponto-base a 6,47% e DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de dois pontos-base a 7,19%.

Ainda no noticiário nacional, o fim das atividades da Ford segue no radar, depois de 67 anos de operações da montadora no Brasil. A empresa vem tendo prejuízos na América Latina desde 2019 e o maior mercado da região era o Brasil. Espera-se que a Ford foque na produção nos EUA, na China e em partes da Europa daqui para frente.

O avanço da pandemia de Covid também é foco da atenção de investidores nesta terça. Nos Estados Unidos, o recorde de novos casos foi registrado na sexta, com 300.594 diagnósticos. No dia anterior fora registrado o recorde de mortes, 4.112.

Na Europa, a alta de casos também continua a preocupar, apesar de notícias positivas, com o avanço da vacinação em massa no continente.

Na sexta, o Reino Unido voltou a bater seu recorde de novos casos em um único dia, com 68.053 diagnósticos. Foram registradas 1.325 mortes, também um recorde.

Na quinta (7), a Alemanha registrou seu recorde de mortes em um dia, 1.152. O recorde de novos casos fora registrado em 30 de dezembro, 49.044.

Covid no Brasil

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de segunda (11), o avanço da pandemia em 24h no país, com forte alta de novos casos e mortes.

A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 54.182, alta de 42% frente o período encerrado 14 dias antes e um recorde. Em apenas um dia foram registrados 29.153 casos.

A média móvel de mortes em 7 dias foi de 1.004, alta de 59% frente o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia houve 477 mortes.

O governo de São Paulo deve apresentar nesta terça os dados completos sobre a eficácia da CoronaVac identificada pelos testes realizados no Brasil. A vacina é produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac, e testada em diversos países. No Brasil, os testes vêm sendo conduzidos pelo Instituto Butantan, que deverá produzir o imunizante a partir de insumos importados.

Na semana passada, o instituto anunciou que o imunizante havia atingido 78% de eficácia para impedir casos leves, e 100% de eficácia para impedir casos moderados e graves, que trazem necessidade de acompanhamento mais intenso e podem levar à morte.

Mas o Butantan foi cobrado por apresentar o índice de eficácia geral, aquele que foi propagandeado pelas farmacêuticas Moderna, e pela parceria entre Pfizer e BioNTech, que divulgaram patamares acima de 90%.

Segundo reportagem do portal UOL, que teve acesso a fontes no Butantan, o índice de eficácia geral deve ficar abaixo de 60%, mas acima de 50%, o patamar mínimo exigido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Dessa forma, ele deverá servir para garantir imunidade de rebanho à população vacinada.

O Instituto enviou na sexta-feira à Anvisa dados para o pedido de uso emergencial da CoronaVac, mas a agência afirmou que faltam dados obrigatórios. A análise não foi suspensa, mas a agência continua a esperar que o Butantan envie os dados completos.

Além disso, na segunda-feira o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou que o foco da vacinação no Brasil poderá vir a ser a redução da pandemia, ao invés de garantir imunidade completa. Ele falou sobre a possibilidade de aplicação de somente uma dose do imunizante produzido pela parceria entre Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca, testado no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), aumentando o tempo antes da aplicação da segunda dose, o que garante índices mais altos de imunização.

“Essas doses, que com duas doses você vai a 90 e tantos por cento [de imunização], com uma dose vai a 71%. Com 71% talvez a gente entre para imunização em massa, é uma estratégia que a Secretaria de Vigilância em Saúde vai fazer para reduzir a pandemia. Talvez o foco seja não na imunidade completa, mas sim a redução da contaminação e aí a pandemia diminui muito. Podendo aplicar a segunda dose na sequência, chegando a 90%”, disse.

Pazuello evitou dar um prazo para o início da vacinação. “A vacina vai começar no dia D, na hora H no Brasil. No primeiro dia que chegar a vacina, ou que a autorização for feita, a partir do terceiro ou quarto dia já estará nos estados e municípios para começar a vacinação no Brasil. A prioridade está dada, é o Brasil todo”, disse. Na segunda, o vice-presidente, Hamilton Mourão, voltou ao trabalho após 12 dias de isolamento no Palácio do Jaburu para tratamento contra covid. Ele afirmou que vai tomar a vacina, e que não irá “furar fila”.

Saída da Ford do Brasil e mais destaques de jornais

Na segunda-feira, a montadora Ford anunciou o fim da produção de veículos em Camaçari (BA) e Horizonte (CE), além do fim da produção de motores em Taubaté (SP). Nos últimos seis anos, a empresa já havia deixado de promover ciclos de investimentos no Brasil e, há dois anos, havia fechado sua fábrica no ABC. Dessa forma, a montadora encerra completamente sua produção no Brasil.  Com o fim da operação, a Ford prevê impacto de cerca de US$ 4,1 bilhões em despesas não recorrentes.

A Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no País, atribuiu à ausência de medidas capazes de aliviar o custo de produção no Brasil a decisão anunciada pela Ford. Em nota, a associação, que por muitas vezes foi presidida por dirigentes da Ford, diz, primeiro, que não se manifesta sobre decisões estratégicas de associadas. Porém, sustenta na sequência que a notícia corrobora os alertas a respeito da falta de medidas contra o custo Brasil.

“A Anfavea não vai se manifestar sobre o tema. Trata-se de uma decisão estratégica global de uma das nossas associadas. Respeitamos e lamentamos. Mas isso corrobora o que a entidade vem alertando, há mais de um ano, sobre a ociosidade da indústria (local e global) e a falta de medidas que reduzam o Custo Brasil”, diz a entidade na íntegra da nota.

Já a Folha aponta as perspectivas de medidas do Ministério da Economia para este ano. A pasta, aponta a publicação, não deve anunciar medidas em janeiro e pouco inovará em 2021. A pasta brigará pela aprovação de propostas já conhecidas, como a PEC Emergencial, a Reforma Administrativa, o Pacto Federativo e a Carteira Verde e Amarela.

O Orçamento de 2021 será revisado com cortes na ordem de R$10 bi e R$20 bi, enquanto um novo programa de auxílio seria feito somente dentro do teto de gastos. A reportagem destaca ainda que a Economia vai buscar ressuscitar negociações para criar um imposto aos moldes da CPMF.

O Valor reitera que a prioridade da Economia será a aprovação de reformas e geração de empregos, mas reconhece as pressões políticas por mais auxílio. Uma ideia seria aprovar medidas de ajuste, que liberariam mais recursos dentro do teto de gastos, antes mesmo de se votar o orçamento.

Radar corporativo

A Marfrig  anunciou na segunda-feira início de ofertas de compra em dinheiro de até 1,25 bilhão de dólares em títulos com vencimentos em 2024 e 2025. As ofertas expiram em 8 de fevereiro e estão condicionadas “à conclusão em termos satisfatórios à Marfrig, de uma oferta de notas sênior”, afirmou a companhia em comunicado ao mercado.

A International Meal Company informou que recebeu a renúncia de Rodrigo Neiva Furtado e José Agote a cargos em seu conselho de administração, que deverão ser ocupados por Luiz Fernando Ziegler de Saint Edmond e Lucas Santos Rodas.
A Log-In Logística Intermodal informou que a subsidiária TVV venceu edital da Companhia de Docas do Estado do Espírito Santo para explorar provisoriamente a área número cinco do Porto Organizado de Vitória.

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