SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira (15) e, neste momento, está zerando as perdas do ano ao bater 116.068 pontos. Em 30 de dezembro de 2019 o índice encerrou o pregão cotado a 115.645 pontos. A alta da Bolsa hoje segue as bolsas internacionais após a apresentação do pacote de estímulos de US$ 748 bilhões nos Estados Unidos.

Por aqui, puxam o índice as ações da Vale (VALE3), que avançam perto de 1,5%, e de bancos, que apresentam ganhos entre 1% e 1,8% os gigantes Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC3; BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4).

No caso da mineradora, a alta de hoje representa uma recuperação depois dos papéis se desvalorizarem na véspera junto com as ações de siderúrgicas em meio a notícia de que a China iria investigar a disparada nos preços do minério de ferro na última sexta-feira (11).

Hoje, no entanto, dados da consultoria Mysteeel revelaram que os embarques de minério da Austrália e do Brasil recuaram pela segunda semana consecutiva em 1 milhão de toneladas, o que sustentou receios acerca da oferta da commodity em um momento de retomada da economia global. Como resultado, o contrato futuro do minério na Bolsa de Dalian subiu 1,48% a 994 iuanes (equivalente a US$ 151,88) a tonelada.

Já no radar macroeconômico, os investidores interpretam a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que destacou a natureza conjuntural dos choques inflacionários, mas segue com a mensagem de que a Selic em 2% ao ano não necessariamente se manterá por muito tempo.

Na ata, o BC reiterou a mensagem mais hawkish – favorável a apertos monetários – do comunicado e ponderou, quanto à atividade econômica no país, que os riscos associados à evolução da pandemia podem implicar um cenário doméstico caracterizado por uma retomada ainda mais gradual.

Sobre os estímulos nos EUA, o número do novo programa está abaixo dos US$ 908 bilhões, mas é um pacote que trata de questões consensuais entre democratas e republicanos como os benefícios a desempregados e empréstimos a pequenos negócios.

Uma proposta separada com mais US$ 160 bilhões pode ser apresentada nas próximas semanas e envolveria a ajuda a governos estaduais e as proteções de responsabilidade legal de empresas, mas a prioridade atualmente é aquele primeiro projeto para o qual existe um acordo maior.

Às 13h17 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha alta de 1,25%, aos 116.049 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial caía 0,32% a R$ 5,1058 na compra e a R$ 5,1063 na venda influenciado pelo tom Ata do Copom. O dólar futuro com vencimento em janeiro de 2021 registrava queda de 0,28%, a R$ 5,105.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai nove pontos-base a 2,94%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de nove pontos-base a 4,28%, o DI para janeiro de 2025 recua oito pontos-base a 5,87% e o DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de nove pontos-base a 6,73%.

A baixa nas cotações dos DIs se acentuou após o Tesouro Nacional reduzir o lote de NTN-B com vencimento em 2023 ofertado em leilão na última operação do tipo no ano. O Tesouro informou que agora consegue honrar vencimentos da dívida até abril de 2021.

Voltando aos EUA, o país teve recorde de novos casos de coronavírus no dia 11, com 280.514 no total. O recorde de mortes ocorreu no dia 9 (3.157).

A primeira dose da vacina foi aplicada na cidade de Nova York na segunda-feira. Mas, no mesmo dia, o prefeito, Bill de Blasio, afirmou que a cidade pode passar por um “shutdown” total em breve, pressionando os índices Dow e S&P 500. Ainda no campo da imunização, espera-se que a Food and Drug Administration publique ainda nesta semana sua avaliação sobre o produto desenvolvido pela Moderna.

Na Europa, o vírus continua a preocupar. No domingo (13), a Alemanha anunciou um lockdown total durante o período do Natal, em resposta ao aumento de novos casos de covid e mortes pela doença, que bateram recordes na semana passada. O lockdown entra em vigor na quarta (16).

O governo determinou que alemães poderão se reunir em, no máximo, cinco pessoas, vindas de até dois lares. A exceção será apenas para os feriados de Natal, entre 24 e 26 de dezembro, mas não durante a véspera do Ano Novo ou durante o dia do Ano Novo.

O mercado também acompanha as negociações em torno do acordo comercial pós-Brexit. Na segunda, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que houve algum “movimento” em torno de pontos centrais.

Já na China, os mercados tiveram leves baixas, com investidores atentos à alta de casos de coronavírus na Europa e nos EUA: na agenda econômica do gigante asiático, por sua vez, a produção industrial cresceu 7% em novembro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, em linha com expectativas da agência internacional de notícias Reuters. As vendas no atacado cresceram 5% na mesma comparação, abaixo da expectativa de 5,2%.

Auxílio emergencial e reformas no radar

Na segunda-feira, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentou projeto de lei que propõe a extensão do auxílio emergencial e a prorrogação do estado de calamidade pública até 31 de março de 2021, o que afetou os mercados na véspera. Tanto o auxílio emergencial residual de R$ 300 quanto o estado de calamidade estão previstos para terminar em 31 de dezembro deste ano.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, defendeu ontem votar PEC emergencial em janeiro e disse que calamidade não será prorrogada. Presidente da Câmara comentou postagem de Renan Calheiros no Twiter e disse que concorda com fala do senador de que não deve haver recesso. Com o fim do auxílio emergencial no horizonte, o governo estuda antecipar 13º salário para aposentados, destaca o Estadão.

Ainda no noticiário econômico, atenção ainda para as informações sobre a agenda de reformas. Conforme aponta o jornal O Globo, para a equipe de Paulo Guedes, ministro da Economia, o Brasil tem o primeiro semestre de 2021 para retomar reformas. Por outro lado, destaca a Bloomberg, o mercado já descarta que grandes reformas prometidas pelo governo Jair Bolsonaro saiam do papel em 2021, em meio à necessidade de medidas mais urgentes e Guedes cada vez mais isolado e sem apoio para sua agenda liberal (veja mais clicando aqui).

Ainda no radar, segundo dados do consórcio de imprensa que coleta e sistematiza dados sobre a pandemia no Brasil, o país registrou 526 mortes em 24 horas. Assim, a média móvel de mortes chegou a 651, o número mais alto desde 6 de outubro.

Na terça à noite, o presidente Jair Bolsonaro confirmou a liberação de R$ 20 bilhões para a compra de vacinas, mas afirmou que as pessoas terão que assinar um termo de responsabilidade para usar o imunizante contra a covid.

“Devo assinar nesta terça-feira a Medida Provisória de R$ 20 bilhões para comprar vacinas. Talvez, terça-feira. E detalhe, vocês vão ter que assinar um termo de responsabilidade, porque a Pfizer, por exemplo, é bem clara no contrato: ‘nós não nos responsabilizamos por efeitos colaterais’. Tem gente que quer tomar, então tome. A responsabilidade é sua. Quer tomar, toma. Se der algum problema por aí… Espero que não dê”, afirmou o presidente.

Mas cedo na segunda, foi noticiado que o governo de São Paulo mudou sua estratégia para buscar a aprovação da CoronaVac, vacina produzida pelo laboratório chinês Sinovac que, no Brasil, deverá ser fabricada pelo Instituto Butantan com base em insumos importados.

O governo adiou desta terça (15) para 23 de dezembro o envio do resultado dos testes da vacina no Brasil à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Assim, o Instituto Butantan pedirá o registro definitivo junto à apresentação do estudo conclusivo, e não o registro emergencial da vacina, como planejado inicialmente.

Investigações na família Bolsonaro

Na segunda-feira, a ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, determinou que Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República) forneçam, em 24 horas, informações sobre a suposta mobilização das agências com o intuito de orientar a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no caso das rachadinhas.

O caso foi revelado pela revista Época na sexta-feira (11). De acordo com a reportagem, em 25 de agosto Jair Bolsonaro teria se reunido com as advogadas de Flávio, Luciana Pires e Juliana Bierrenbach, além do general da reserva Augusto Heleno, chefe do GSI, e Alexandre Ramagem, diretor-geral da Abin. O encontro não constou na agenda oficial do presidente, mas foi confirmado à Época pelas advogadas.

A reportagem afirma que, na conversa, as advogadas teriam afirmado que viam indícios de que uma organização na Receita Federal estaria levantando irregularmente informações que resultaram em relatórios de inteligência do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), atualmente Unidade de Inteligência Financeiras.

Esses relatórios indicaram movimentações financeiras atípicas que embasam a denúncia do Ministério Público de que Flávio Bolsonaro teria desviado dinheiro público na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) ao recolher parte dos salários de seus funcionários, uma prática ilegal chamada de “rachadinha”. Segundo o Ministério Público, o esquema seria administrado por Fabricio Queiroz.

De acordo com a reportagem, Ramagem e Augusto Heleno teriam saído da reunião com o presidente com a missão de checar se a tese narrada pelas advogadas se sustentava. E de conseguir documentos que comprovassem que o senador havia sido alvo de uma devassa ilegal. Eles não conseguiram as provas, afirma a reportagem de Época.

Cármen Lúcia afirmou que, se comprovado, o uso das agências para proteger a família presidencial é grave, à medida que o STF tem entendimentos consolidados que proíbem o uso de órgãos públicos para fins pessoais.

Além disso, o ministro do STF Edson Fachin suspendeu na segunda a resolução que zerou a importação de revólveres e pistolas, atendendo a pedido do PSB. Definida na semana passada pela Camex, a medida passaria a valer em primeiro de janeiro, e o Supremo deve tomar uma decisão final em fevereiro. Segundo Fachin, a facilitação das importações teria impacto à segurança pública e ao direito à vida dos cidadãos.

Radar corporativo

Em destaque no noticiário corporativo, a Vale informou incêndio em Nova Caledônia em meio a protestos; planta segue protegida.

Ainda no radar, mais detalhes sobre a venda dos ativos móveis da Oi. A TIM e a Telefônica pagaram mais pelos ativos e dividirão espectro: a TIM desembolsará R$ 7,3 bilhões, ou 44% do total de R$ 16,5 bilhões ofertado pela unidade móvel da Oi, enquanto Telefônica Brasil pagará R$ 5,5 bilhões e Claro os demais R$ 3,7 bilhões, disseram as três operadoras em comunicados enviados separadamente. Sob os termos do acordo, TIM ficará com 54% das radiofrequências da Oi, enquanto Telefônica Brasil assumirá os demais 46%.

O Conselho da Transmissão Paulista aprovou dividendos intermediários de R$ 116 milhões, a Eztec lançou empreendimento em SP com VGV de R$ 97,3 milhões. A Vasta vê 2021 robusto com alta de 21% em valor do contrato anual, enquanto a Tecnisa lançou 2 empreendimentos residenciais em São Paulo.

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