SÃO PAULO – Após alguns pregões de maior tensão, o Ibovespa voltou a subir na última semana e retomou o nível dos 120 mil pontos, com investidores animados com a possibilidade de reformas e de um bom andamento das pautas liberais do governo após aliados do presidente Jair Bolsonaro vencerem as eleições no Congresso.

Diante disso, os próximos dias devem marcar a retomada de trabalhos mais intensos na Câmara dos Deputados e Senado. E os investidores irão monitorar sinalizações do andamento de pautas econômicas, principalmente a agenda de reformas. É ventilado que, a Câmara poderá discutir a autonomia do Banco Central e outros projetos de regulação microeconômica, como uma nova legislação cambial.

Já na agenda de indicadores e eventos, o mercado enfrentará uma bateria de dados importantes no Brasil e no exterior esta semana, incluindo um destaque para o processo de impeachment do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Começa na segunda-feira (8) o julgamento do republicano, acusado de “incitar a insurreição”, no Senado. Esse processo ocorre após a invasão do Capitólio, sede do Congresso dos EUA, no dia 6 de janeiro por seus apoiadores. Trump teria incentivado esse grupo e se revoltar e entrar no local na data em que os parlamentares confirmavam a vitória de Joe Biden na eleição.

O julgamento no Senado, pode não terminar nestes próximos dias, com chance de se estender pelo mês de fevereiro. Apesar das chances pequenas de sofrer o impeachment na Casa, o ex-presidente corre grandes riscos e alguns republicanos já deram sinais de que poderão votar contra ele.

Nunca um presidente dos EUA teve o impeachment aprovado pelo Senado. Além de Trump, Andrew Johnson e Bill Clinton também tiveram seus processos de impeachment aprovados pela Câmara, mas foram absolvidos pelo Senado. Richard Nixon, por sua vez, renunciou antes de o processo ser votado na Câmara.

Por ser uma situação inédita, caso Trump sofra o impeachment no Senado, ainda não há detalhes sobre o que acontecerá. Isso é porque poderá ser apenas um ato simbólico, como também há chances de ele perder os direitos políticos (o que pode será votado em separado durante o julgamento), ficando fora, assim, da disputa da próxima eleição.

Resultados e IPOs

Nesta semana o calendário na Bolsa estará bem agitado também. Serão pelo menos 29 resultados de quarto trimestre e mais 6 estreias de empresas.

Entre os balanços, a quinta-feira (11) será o dia mais movimentado, quando são esperados 11 empresas divulgando seus números do fim do ano passado, com destaque para Banco do Brasil (BBAS3), Lojas Renner (LREN3), Cesp (CESP6), entre outras.

Ainda nos outros dias da semana, atenção maior para os dados de BB Seguridade (BBSE3) na segunda, TIM (TIMS3) na terça, Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11) na quarta, e Usiminas (USIM5) na sexta.

Já as companhias que realizam Ofertas Iniciais de Ações (IPOs) são: Focus Energia e Jalles Machado na segunda; Bemobi na quarta; Cruzeiro do Sul Educacional e Westwing na quinta; e OceanPact na sexta.

Agenda de indicadores

No Brasil, a agenda da semana será menos movimentada, com dois indicadores importantes. O primeiro é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial de inflação do País, que será apresentada na terça-feira (9) de manhã.

O dado tem mostrado força nos últimos meses e afetado as apostas sobre alta de juros em breve pelo Banco Central. Para a equipe de analistas do Bradesco, a inflação devem registrar alta de 0,30% em janeiro.

Além disso, será importante olhar os dados de atividade, em especial o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador será divulgado na sexta-feira.

Já no exterior, os destaques ficam para os números de inflação na China e nos EUA. No gigante asiático, os números serão apresentados na noite de terça-feira.

Segundo dados compilados pela Refinitiv, analistas esperam que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), mostre queda de 0,1% no acumulado de 12 meses, enquanto o dado para o produtor (PPI) deve subir 0,4%.

Nos EUA, os números saem na quarta pela manhã, com projeções dos analistas de que o CPI recue de 0,4% para 0,3% na comparação mensal, e avance de 1,4% para 1,5% no indicador anualizado.

Outro dado importante na maior economia do mundo será o relatório JOLTS, que mostra os números de abertura de novas vagas de trabalho. Este é um documento bastante acompanhado pelos analistas para entender como está a dinâmica do país, em especial no cenário da atual crise.

De volta à China, a partir de quinta-feira (11) começa o feriado de Ano Novo Lunar, que durará duas semanas e deve deixar, em especial o mercado de minério de ferro, menos movimentado.

Já no fim da semana, haverá ainda uma bateria importante de dados na Europa, incluindo o PIB do Reino Unido. Enquanto isso, o mercado seguirá também atento ao andamento da vacinação contra a Covid-19 em todo o mundo.

Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.

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