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*Com a colaboração de Rodrigo Lobo, co-fundador da gestora Investidor Profissional. Hoje, é sócio e diretor da Nextep Investimentos. É economista com MBA pela Wharton School, da Universidade da Pensilvânia

O investimento de pessoas físicas em ativos no exterior era praticamente ilegal, no máximo tolerado, até a década de 1990. E, nos últimos trinta anos, ele não evoluiu muito.

Foi preciso que a taxa de juros em reais se reduzisse a um nível jamais visto para o assunto entrar em pauta junto a um público maior, como deveria ser.

Claro que sempre houve quem optasse por proteger alguma parte de seu patrimônio em moeda forte, fora do alcance das tão frequentes maluquices econômicas operadas por governos voluntariosos.

A principal motivação de investir fora do Brasil antes de 1994 era proteger os recursos de liquidez do insano ambiente inflacionário que aqui se vivia.

Mas, dadas as restrições e salvo uma minoria de investidores mais sofisticados, a diversificação de moeda não era acompanhada pela diversificação de outros riscos.

Como o objetivo primordial era preservação de valor, e não rentabilidade adicional, o destino dos recursos acabava sendo os títulos de renda fixa e ADRs de empresas brasileiras. O dinheiro saía do Brasil, mas o Brasil não saía do dinheiro.

Essa é uma estratégia incompleta, que deixa na mesa boa parte das vantagens de se investir no exterior. É como o turista que viaja para outro país e fica procurando restaurantes de comida brasileira.

Uma vez estando os recursos fora do país, ficam automaticamente acessíveis uma variedade enorme de indústrias, modelos de negócio e instrumentos financeiros, disponíveis em ambientes regulatórios e políticos mais estáveis e receptivos aos investimentos.

Nas últimas duas décadas, algumas modalidades de investimento externo foram sendo melhor assimiladas pelos investidores brasileiros, como os ETFs.

Instrumentos que simulam ou refletem a performance de algum índice, ativo ou setor, os ETFs são uma alternativa cuja simplicidade transmite um maior conforto a quem está geograficamente distante dos seus recursos.

Mas tudo em excesso é ruim e esses instrumentos, de tão populares, deixaram de oferecer a diversificação – que era boa parte da sua atratividade – vis a vis o risco, muitas vezes oculto em algumas de suas estruturas.

Nesse “testar as águas” do investidor local no mercado externo, um próximo passo é o investimento em ativos de renda variável. Mas a cautela com o desconhecido direciona essa decisão para os nomes mais conhecidos e alardeados.

“Household name mega caps” como Apple, Microsoft, Disney acabam concentrando a alocação daqueles que chegam a se aventurar nessa classe.

Dois alertas podem ser feitos quando se investe em ativos para onde todos os olhos se voltam.

Em primeiro lugar, a possibilidade de retorno diferenciado se reduz bastante; segundo, o excesso de demanda por esses papéis pode acabar por distorcer os preços para cima, aumentando o risco de carregá-los no portfólio.

Isso não quer dizer que estas não sejam boas empresas e que não possam apresentar bons retornos a seus acionistas. Mas essa certamente não é a única, nem a melhor forma de diversificar, investindo no exterior.

A categoria de hedge funds seria o próximo passo na busca de diversificação eficiente. Vivem justamente de procurar os melhores retornos em diversos mercados e tomar posições consistentes com os níveis de risco que seus cotistas esperam.

É tão verdade que a maioria deles não está disponível para investidores ou exige investimento inicial muito alto.

Já tem mais de trinta anos a história do investimento de brasileiros em ativos financeiros no exterior. Numa indústria movida pela curiosidade e ousadia na busca de maiores retornos, aprendeu-se muito.

Mas a fatia alocada fora do Brasil ainda é pequena. É bem provável que, no cenário atual, de busca mais intensa por melhores retornos, ela se expanda.

Do ponto de vista do mercado local, essa abertura é algo que defendemos ardentemente desde o fim do século passado, com um objetivo simples e claro: introduzir competição pela poupança brasileira.

Uma coisa era ter uma ou duas dúzias de empresas competindo pelos recursos dos investidores. Agora elas competem com milhares, de todos os setores e subsegmentos, pelo mundo afora.

Temos muita confiança que este movimento vai melhorar bastante a governança das empresas brasileiras.

Para conduzir esse movimento, nosso mercado já conta com instrumentos e players prontos para oferecer soluções adequadas para que cada investidor possa se beneficiar de uma verdadeira e eficaz diversificação de riscos em seus investimentos.

Com taxas de juros baixas e menu de oportunidades maior, mais do que nunca, é hora de o investidor fazer um bom dever de casa, começando por uma reavaliação profunda de seus objetivos de retorno e, como sempre, com atenção redobrada aos riscos. Em rio que tem piranha, jacaré nada de costas.

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