Preços de alimentos na feira

SÃO PAULO – Em meio a mais uma semana complicada no mercado financeiro, os próximos dias devem ser marcados por eventos considerado mais imprevisíveis, com uma tensão maior entre os investidores após o presidente americano Donald Trump testar positivo para a Covid-19.

Com uma corrida eleitoral bastante complicada por conta da pandemia, a infecção do republicano deve atrapalhar bastante sua campanha em um momento em que ele aparece cerca de 7 pontos atrás de seu adversário, o democrata Joe Biden, nas pesquisas e tem poucos dias para reverter a situação (confira a análise completa clicando aqui).

Esta situação também pode complicar um dos fatores que mais mexeu com os mercados no exterior nos últimos dias: um possível novo pacote de ajuda econômica nos Estados Unidos.

A cada nova informação sobre conversas entre governo e Congresso puxaram o mercado, deixando as bolsas bastante voláteis. Agora com o presidente Trump afastado, é possível haver mais atrasos na negociação, o que tende a desanimar os investidores.

Na agenda de indicadores, a semana no exterior será mais tranquila, com destaque para a ata da última reunião do Fomc, na quarta-feira (7). Com indicações de que os juros ficarão próximos de zero por um tempo maior, os investidores agora acompanham as avaliações dos diretores do Federeal Reserve sobre a recuperação econômica dos EUA.

Um dia antes, na terça (6), será divulgado o relatório JOLTS, que mostra o número de ofertas de emprego abertas no mercado de trabalho americano, dado importante também para acompanhar o ritmo de recuperação da maior economia do mundo.

Vale destacar ainda que na quarta à noite acontece o debate entre os candidatos à vice-presidente entre a democrata Kamala Harris e o republicano Mike Pence. Apesar de ter um impacto menor que o debate presidencial, os dois devem tratar de assuntos importantes que também foram comentados no encontro entre Trump e Biden, além do teste positivo do atual presidente.

Agenda no Brasil

Assim como no exterior, o calendário de indicadores no Brasil também é mais tranquilo, com atenção especial para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, na sexta-feira (9).

A expectativa do mercado é que a inflação oficial chegue a 0,52% em setembro, um forte aumento em relação aos 0,24% apresentados no mês anterior.

Além disso, segundo a equipe do Bradesco BBI, os indicadores de atividade de agosto que serão divulgados nos próximos dias deverão confirmar trajetória de retomada da economia no terceiro trimestre.

“Os dados de vendas do varejo e de volume de serviços deverão mostrar crescimento no período, ainda que em ritmos diferentes por conta do impacto das medidas de distanciamento social. Dados de venda e produção de veículos também serão importantes guias para os números do varejo e produção industrial de setembro”, afirmam os analistas.

No cenário corporativo, destaque para a estreia das ações da Sequoia Logística na quarta (7), após a Pacaembu ter adiado seu IPO, que ocorreria na segunda, para o fim de outubro.

Com isso, as atenções dos investidores vão seguir voltadas para o cenário político, em especial a questão fiscal, que tem preocupado bastante o mercado, levando a Bolsa a cair e o dólar a subir forte.

Depois da polêmica gerada em torno das fontes de recursos que seriam usadas para bancar o programa Renda Cidadã, o governo procurou dar uma pausa no assunto. Até o momento, o governo não formalizou qual será a fórmula para financiar o benefício a partir do ano que vem. O ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou na última semana que o governo não usaria dinheiro de precatórios para financiar o Renda Cidadã. Além disso, ele chamou a alternativa de “puxadinho”.

Na segunda-feira (28), o governo anunciou que o programa social seria bancado com recursos reservados para o pagamento dessas dívidas e para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

Sobre a reforma tributária, a expectativa agora é de que seja adiada para 2021, devido à proximidade das eleições municipais, que reduz a disposição de lideranças políticas para debater mudanças, segundo a Folha de S. Paulo. Além disso, os líderes partidários já sinalizaram que não gostaram da ideia da criação de um imposto sobre pagamentos.

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