Online shopping / ecommerce and retail sale concept : Shopping cart, delivery van, credit card, world globe logo on a laptop keyboard, depicts customers order things from retailer sites using internet

SÃO PAULO – Conforme o esperado, as varejistas com exposição significativa ao e-commerce com ações negociadas na B3 registraram mais um terceiro trimestre de 2020 forte. Assim, seguiu sendo destaque a venda online, ainda que com uma relativa desaceleração com a abertura gradual das lojas físicas.

Porém, esse trimestre também trouxe algumas sinalizações bastante importantes sobre o que esperar para as diferentes empresas do setor, inclusive com impacto para as ações das companhias.

Em destaque, o Magazine Luiza (MGLU3) ultrapassou – por uma boa diferença – a B2W (BTOW3), dona de Americanas.com e Submarino, em termos de vendas online em um trimestre. No segundo trimestre, o Magalu e a B2W ficaram praticamente empatadas nesse quesito, com valor acima de apenas R$ 6 milhões para a primeira companhia.

Já no terceiro trimestre, as vendas totais e em lojas online do Magalu saltaram 81%, para R$ 12,3 bilhões. Delas, quase 67% foram de sua operação digital, totalizando R$ 8,2 bilhões de vendas brutas de mercados (GMV, na sigla em inglês, importante indicador para o setor), uma alta de 148,5% na base de comparação anual. A B2W, por sua vez, teve desempenho bem mais discreto, com o GMV subindo “apenas” 56%, a R$ 7,3 bilhões. Ou seja, entre as duas companhias, há uma diferença de cerca de R$ 900 milhões.

Em termos percentuais, contudo, quem se destacou foi a Via Varejo (VVAR3), dona das Casas Bahia e Ponto Frio, com uma alta de cerca de 219% das vendas no e-commerce ante igual período de 2019. Contudo, vale apontar, ela ainda cresce a partir de uma base menor na comparação com as outras companhias, com as vendas nos canais digitais somando R$ 4,1 bilhões, representando 41,02% das vendas totais do grupo. Considerando também as vendas nas lojas físicas, a alta foi de 43,40% na base anual, totalizando cerca de R$ 10 bilhões.

Além das brasileiras, o desempenho do grupo argentino Mercado Livre (MELI34), listado na Nasdaq e com Brazilian Depositary Receipts (BDRs, na prática, ações de empresas estrangeiras) na B3, também foi considerado robusto, com alta de 74% do seu GMV no Brasil e alta da receita líquida das operações nacionais em 112,2%, para cerca de R$ 3,4 bilhões (ou US$ 611 milhões), considerando o câmbio do fim do trimestre. A companhia não divulga dados de lucro no Brasil, mas registrou um lucro de US$ 15 milhões em termos globais. No Mercado Livre como um todo, o GMV em dólar subiu 62%, a US$ 5,9 bilhões, com alta de 117% em moeda constante.

Confira os principais destaques dos resultados: 

Empresa Lucro ajustado (em R$ milhões)  Vendas totais (em R$ milhões)  Comparação das vendas totais 3T19X3T20 Total de vendas nas operações digitais (em R$ milhões)  Comparação das vendas online 3T19X3T20
B2W -36 7.264 +56% 7.264 +56%
Magazine Luiza 216 12.355 +81% 8.200 +148%
Via Varejo 100* 10.046 +43,4% 4.121 +219%
*lucro operacional

Assim, entre as quatro empresas do setor, quem registrou o desempenho mais tímido foi justamente a B2W.

Enquanto isso, conforme destaca Marco Nardini, analista de varejo da XP Investimentos, entre as brasileiras, o Magazine Luiza divulgou os melhores resultados, com números que surpreenderam o mercado em praticamente todas as linhas.

Na mesma linha, o Credit Suisse ressaltou que o Magalu entregou um resultado bastante forte que indicou uma combinação bastante interessante de crescimento fantástico com geração de caixa excelente. A rentabilidade surpreendeu com uma margem Ebitda ajustada chegando a 6,8% (versus a estimativa do banco de 5,9%) e um lucro líquido cerca de 35% acima do esperado pelos analistas.

“A empresa conseguiu entregar um crescimento excelente nas lojas físicas de cerca de 18% na base anual, além do fantástico avanço de 149% na base anual no e-commerce”, avaliam. Para eles, o Magalu já provou a capacidade de se reinventar muitas vezes ao longo dos anos quando, em muitas ocasiões, poderia parecer que o papel estava caro.

Segundo aponta a equipe de análise da Levante, o Magalu “vendeu igual água” em todos os seus canais. “Destacamos as lojas físicas, o varejo digital direto (1P) e o marketplace (3P), nesta ordem”.

Melhores números, melhor opção de investimento?

Porém, isso não quer dizer que esses analistas estejam vendo a ação como uma boa oportunidade de investimentos, principalmente por conta do valuation da companhia. Vale ressaltar que a ação do Magalu, até a tarde desta sexta, saltava 110% no acumulado de 2020, enquanto Via Varejo avançava 59% e, bem atrás, B2W subia 20%.

Com isso, apesar da avaliação bastante positiva sobre os números da varejista, XP Investimentos e Credit Suisse possuem recomendação neutra para o ativo MGLU3, com preço-alvo respectivo de R$ 20 e R$ 25, principalmente por enxergarem que a ação já precifica as qualidades da companhia, vendo queda de 21% e quase estabilidade para o papel, respectivamente. O Bradesco BBI elevou o preço-alvo para o papel após o resultado de R$ 21 para R$ 30 (potencial de valorização de 17,8% frente o fechamento da véspera de R$ 25,48), mas manteve a recomendação neutra.

Ambos também possuem recomendação equivalente à neutra para os ativos da B2W. Logo após a divulgação dos números da companhia, no final de outubro, os analistas do Bradesco BBI haviam destacado que o trimestre havia sido de crescimento e que mostrava que ela estava capitalizando a mudança para o comércio eletrônico como resultado da Covid-19.

“A significativa expansão da base de usuários neste ano é um ativo que a empresa poderá alavancar a partir de 2021, pois busca aumentar a frequência de compra e expandir em outras categorias”. Por outro lado, os analistas já projetavam que ela cresceria menos entre os nomes de comércio eletrônico, o que se confirmou na primeira quinzena de novembro com os números de Mercado Livre, Magalu e Via Varejo, apresentados na sequência.

“Portanto, embora este tenha sido um trimestre forte em termos de crescimento e progresso nas iniciativas estratégicas, mantemos nossa recomendação neutra por enquanto”, avaliaram.

Outra questão que está no radar do mercado é que, ao contrário dos concorrentes, a B2W fez poucas aquisições em 2020, mesmo após receber recursos da captação bilionária feita em julho pela controladora, a Americanas (LAME4).

Por Dentro dos Resultados
CEOs e CFOs de empresas abertas comentam os resultados do ano. Cadastre-se gratuitamente para participar:

Concordo que os dados pessoais fornecidos acima serão utilizados para envio de conteúdo informativo, analítico e publicitário sobre produtos, serviços e assuntos gerais, nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados.
check_circle_outline Sua inscrição foi feita com sucesso.
error_outline Erro inesperado, tente novamente em instantes.

À Agência Estado, Eduardo Yamashita, diretor de operações da consultoria de varejo Gouvêa, apontou que as rivais da B2W têm sido mais ágeis ao expandir seus ecossistemas de varejo. Ele explica que Magazine Luiza e Via Varejo fizeram vários movimentos para avançar em tecnologia e em áreas que vão além do varejo tradicional.

A B2W, por sua vez, avançou ao adquirir o Supermercado Now – mas, depois, desacelerou. Recentemente, por exemplo, a Via Varejo anunciou a compra de 16,6% do Distrito, uma plataforma aberta de inovação que ajuda empresas na transformação digital e conexão com startups, em seu processo de transformação digital, totalizando quatro operações em 2020. Já o Magazine Luiza incorporou nove empresas neste ano. Veja mais clicando aqui.

Em teleconferência após a última divulgação de resultados da empresa, o diretor de relações com investidores da companhia, Raoni Lapagesse, apontou que parte dos recursos da aquisição poderá ser destinada a aquisições, mas que a B2W não comprará qualquer empresa: “Queremos reproduzir o que fizemos com o Supermercado Now.”

Com a ação do Magazine Luiza “cara” e com ressalvas em meio às operações mais discretas da B2W, os analistas de mercado destacam a Via Varejo como sendo uma boa oportunidade de captar as oportunidades no setor.

“As despesas operacionais e financeiras têm pesado cada vez menos no resultado da varejista, aumentando o seu potencial de extração de resultados a partir da receita (margens)”, aponta a equipe de análise da Levante. Os analistas ressaltam que, com margens maiores, reversão dos prejuízos e alguma geração de caixa, a ação da Via Varejo pode passar a ser negociada com um desconto menor em relação à do Magazine Luiza.

“Ainda que cresça sobre base menor que pares, o crescimento no e-commerce, mesmo com abertura das lojas mostra bom posicionamento frente a concorrentes”, destaca o BBI. A equipe de análise aponta que, ao comparar os múltiplos entre o valor da empresa e o GMV (ou EV/GMV) dos próximos 12 meses, a ação VVAR3 está negociando a 1,1 vez, abaixo dos múltiplos de 1,2 vez de B2W e de 3 vezes do Magalu.

Os analistas do Safra, que também possuem recomendação equivalente à compra para VVAR3, com preço-alvo de R$ 27, destacaram que “os resultados marcam o fim da virada e o foco da administração deve ser totalmente mudado para otimizar estratégia de transformação digital”.

Em teleconferência com analistas na véspera, os executivos destacaram que a Via Varejo está a alguns meses de distância de conseguir viabilizar entregas de produtos comprados online no mesmo dia da compra e deve ter capacidade para começar a financiar vendedores de seu marketplace no começo do próximo ano, mostrando o seu foco no digital.

“Boa parte da nossa energia até agora estava em fazer o básico, colocar ordem na casa, e agora temos tempo para pensar muito além do varejo”, disse o presidente da Via Varejo, Roberto Fulcherberguer.

Ao analisar os resultados, o Credit Suisse ressaltou ser “notável” a capacidade de a empresa apresentar seu quarto trimestre de bons resultados, mesmo tendo começado relativamente tarde no mercado que disputa. A recomendação do banco é outperform para as ações, com preço-alvo de R$ 24.

Apesar dessas análises mais otimistas para VVAR3, há quem continue com recomendação de compra para o Magalu, como é o caso de Itaú BBA e Morgan Stanley.

Os analistas do BBA apontam: “o Magazine Luiza tem entregado consistentemente os melhores resultados em sua operação online, crescendo continuamente seu GMV em um ritmo sólido e superando as estimativas otimistas. Consequentemente, sua ação tem subido muito nos últimos anos,  precificando a continuação dessa sólida história de crescimento à frente. Reconhecemos o valuation esticado  da empresa, mas acreditamos que seus planos de crescimento agressivos e a execução sólida ainda podem levar a novas revisões em alta de nossas estimativas. Portanto, manteremos nosso preço justo para 2021 a R$ 20 por ação e nossa recomendação [outperform, ou desempenho acima do mercado] até revisarmos nosso modelo”.

Já sobre Via Varejo, os analistas destacam que as melhorias estruturais significativas em logística
e estratégias comerciais podem indicar resultados resilientes à frente. No entanto, embora um tanto esperado, a recuperação nas lojas físicas da Via Varejo parece ter tido um efeito de canibalização mais forte nas vendas online do que em seus pares. A recomendação, de qualquer forma, segue outperform, com preço justo de R$ 21 projetado para 2021.

O Morgan Stanley, por sua vez, mantém recomendação equivalente à compra para MGLU3, com preço-alvo de R$ 23,50 (projeção de queda de 7,7%), enquanto tem recomendação neutra para VVAR3, com preço-alvo de R$ 15 (ante os R$ 17,76 da véspera, ou queda de 15,5%), destacando a expansão do “ecossistema” do Magalu com as diversas aquisições recentes.

Veja a análise sobre as preferências dos analistas no setor no vídeo abaixo: 

Auxílio emergencial e concorrência: riscos no radar

Enquanto os analistas buscam as oportunidades na Bolsa, outros fatores são monitorados de perto pelos investidores, como a expansão das companhias estrangeiras no Brasil e a redução do auxílio emergencial.

Amazon anunciou nesta semana o lançamento de três novos Centros de Distribuição (CDs), somando agora oito CDs no Brasil. A maior quantidade de galpões logísticos é fundamental para a empresa acelerar suas entregas no país, já que seu modelo de negócios no Brasil não envolve lojas físicas. O objetivo dessa e de outras iniciativas que listaremos abaixo é fazer frente à concorrência brasileira – e rápido. Além desse anúncio, há outros sinais de que ela está de olho em expandir no mercado nacional (veja mais clicando aqui).

Ao InfoMoney, Alexandre Machado, sócio-diretor da GS&Consult, apontou que, ainda que exista uma longa estrada para a Amazon, ela tem potencial para crescer mais no Brasil.

Paralelo a isso, o Mercado Livre anunciou na última quinta-feira (12) cinco novos centros de distribuição, sendo três em São Paulo (dois em Cajamar e um em Guarulhos), e outros dois em Santa Catarina e Minas Gerais – reforçando sua atuação logística no país. Com isso, até 2021 a empresa vai contar com 24 CDs no país.

Sobre a redução do auxílio emergencial, durante a teleconferência, o presidente da Via Varejo apontou que ainda não sentiu o impacto, com as operações da companhia ainda vendendo bem.

Após a divulgação de resultados, o grande evento a ser acompanhado de perto pelo mercado será a Black Friday: embora a data oficial no Brasil seja dia 27 de novembro, as empresas já começaram a antecipar suas promoções especiais para comemorar a data (veja mais clicando aqui).

Quem se sair melhor do evento pode passar na frente na preferência do mercado. Por enquanto, entre as três brasileiras, analistas veem Magalu como a “premium” do setor, mas já precificada, Via Varejo com potencial de subir mais e B2W ficando para trás.

InfoMoney premia as melhores empresas da Bolsa em 2020; confira a programação completa da premiação e inscreva-se, gratuitamente, para participar do evento.

The post Magalu, B2W ou Via Varejo: qual se saiu melhor no 3º trimestre – e o que isso significa para as ações appeared first on InfoMoney.