Tela de celular com Magazine Luiza

SÃO PAULO – Última das companhias do Ibovespa com grande exposição ao e-commerce a divulgar seus resultados do quarto trimestre de 2020, o Magazine Luiza (MGLU3) mostrou mais uma vez porque suas ações brilharam no ano passado, com alta de 110% no período.

A varejista encerrou o quarto trimestre de 2020 com alta de 30,6% no lucro líquido, para R$ 219,5 milhões. No acumulado do ano passado, o resultado encolheu 57,5%, para R$ 391,7 milhões. Já em termos “ajustados”, sem considerar as despesas e receitas não recorrentes, o lucro líquido trimestral somou R$ 232,1 milhões, alta de 39,8% sobre outubro a dezembro de 2019. No ano de 2020, o lucro líquido ajustado atingiu R$ 377,8 milhões, queda de 25,1% em relação ao ano anterior.

O Magalu viu suas vendas totais crescerem 66% no período, a R$ 14,9 bilhões, impulsionadas pelo salto de 120,7% do e-commerce, que representou 63,8% do total. As vendas no conceito mesmas lojas avançaram 11%, apoiadas pelo relaxamento de restrições à circulação no período.

As despesas operacionais cresceram 47,4%, para R$ 1,986 bilhão, mas caíram 1,2 ponto como proporção da receita. Segundo o Magalu, a alta das vendas e a diluição de despesas operacionais deram impulso ao resultado operacional medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, que atingiu R$ 523,8 milhões, avanço de 5,6%.

A receita líquida da gigante do varejo atingiu R$ 10,065 bilhões no quarto trimestre de 2020, uma alta de 57,6% sobre o mesmo período de 2019. Entre janeiro e dezembro do ano passado, a receita somou R$ 29,177 bilhões, uma alta de 46,7% sobre o ano anterior.

Na avaliação da XP Investimentos, o Magalu reportou sólidos resultados referentes ao quarto trimestre de 2020 levemente acima dos números dos analistas, explicado tanto por um crescimento de vendas brutas de mercadorias (GMV) online acima das nossas estimativas e dos seus pares, como também por uma performance de varejo físico bastante resiliente, com crescimento de vendas mesmas lojas em 10,9% na base anual.

Além disso, a Magalu divulgou uma prévia de crescimento para o primeiro trimestre de 2021, com o e-commerce crescendo triplo dígito baixo nos dois primeiros meses de 2021, mas com uma sinalização mais cautelosa para o varejo físico devido ao aumento de restrições;

Para frente, apesar de ver manutenção do forte ritmo de crescimento do GMV do e-commerce nos primeiros meses do ano como positiva, os analistas da XP apontam que isso está em linha com as estimativas para o ano, com o crescimento de GMV online em em alta de 107% na base anual esperada para o primeiro trimestre de 2021.

No entanto, o cenário um pouco mais cauteloso para loja física dado o aumento de restrições relacionado ao Covid pode ser um risco negativo para as estimativas dos analistas da XP nesse canal (a expectativa é de crescimento nas mesmas lojas de 7,8% na base anual para o primeiro trimestre de 2021). Os analistas ainda avaliam que a ação negocia a múltiplos mais altos que suas concorrentes, como B2W e Lojas Americanas. Assim, mantêm recomendação neutra e preço alvo de R$ 27 por ação para o fim de 2021 para MGLU3.

O Credit Suisse afirmou que os resultados do Magazine Luiza para o quarto trimestre são “sólidos”, combinando forte crescimento e geração de caixa.

O banco, contudo, mantém recomendação neutra (expectativa de valorização dentro da média do mercado) para o papel da varejista, com preço-alvo de R$ 24,97, frente os R$ 23,1 de fechamento na segunda.

Apesar desta recomendação, os analistas do Credit reforçam: embora os múltiplos pareçam mais altos, o Magazine Luiza sempre provou sua atratividade após superar sucessivamente as estimativas.  “Nós reconhecemos que existem algumas preocupações sobre o desempenho de 2021, principalmente considerando a incerteza do cenário de consumo no Brasil, as difíceis bases de comparações, o impacto do câmbio no segmento eletrônico, entre outros. No entanto, o Magalu tem mostrado constantemente que é capaz de se reinventar e continuar a ter um forte desempenho, superando a entrega em uma base relativa”, avaliam.

Apesar do ambiente incerto, os analistas acreditam que Magalu é menos uma história baseada no cenário macroeconômico e mais baseada em suas múltiplas oportunidades internas que ainda não geraram resultados positivos, como as aquisições estratégicas, o aprimoramento da logística, o MaaS e o MagaluPay ainda em estágios iniciais, além do grande espaço para penetração do e-commerce no Brasil.

A Levante Ideias de Investimentos ainda destaca que a companhia vem se mostrando capaz de consolidar o mercado de e-commerce, como vem demonstrando através de seu crescimento acima da média dos outros players.

“O começo de 2021 parece se mostrar mais desafiador para a companhia, além do fato de continuar o forte ritmo de crescimento se tornar mais difícil conforme a empresa se torna maior, enquanto a incerteza macroeconômica e fiscal do país vem se mostrando um obstáculo para empresas de forte crescimento. Além disso, a competição no e-commerce tem se mostrado cada vez mais intensa, com nomes como Mercado livre (MELI34), Via Varejo (VVAR3) e B2W (BTOW3) se mostrando cada vez mais preparados para também consolidar este mercado”, avaliam os analistas da casa de research.

Neste sentido, desde abril, a varejista comprou 10 empresas, na maioria startups de comércio eletrônico, incluindo desde supermercado a cursos profissionalizantes. Além disso, incluiu 32 mil lojistas ao seu marketplace em 12 meses.

Leia também: Magalu mira expansão em 5 setores para se tornar o “sistema operacional do varejo no Brasil” em 2021, diz Fred Trajano

Na avaliação da Levante, apesar dos obstáculos, o Magalu segue como o principal nome do setor de e-commerce no Brasil, com a melhor logística e, na visão dos analistas, com a estratégia de longo prazo mais interessante. “Esperamos que a companhia continue a crescer, consolidando cada vez mais o setor que ainda tem espaço para crescer bastante no país”, aponta.

A Safra Corretora também aponta gostar do forte crescimento de Magalu no trimestre, e mais ainda da indicação de que o crescimento continuou forte em janeiro e fevereiro.  “No entanto, acreditamos que a deterioração maior do que o esperado na margem bruta poderia compensar um desempenho mais otimista, pelo menos até que os investidores tenham uma melhor compreensão do nível de lucratividade das operações de mercado em rápido crescimento”, avaliam. De qualquer forma, a recomendação para as ações MGLU3 é de compra, com preço-alvo de R$ 32, mantendo a visão positiva de médio a longo prazo para a história.

Segundo recomendações compiladas pela Refinitiv, de 14 casas que cobrem o papel, 10 possuem recomendação de compra, enquanto 4 têm recomendação neutra. Algumas casas de análise ainda destacam que a ação está cara; contudo, mesmo algumas delas, caso do Credit, reforçam a forte capacidade da companhia de se reinventar.

(com informações da Reuters e Estadão Conteúdo)

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