General Joaquim Silva e Luna, anunciado por Bolsonaro como novo presidente da Petrobras

(Bloomberg) — A Petrobras (PETR3;PETR4)  precisa de austeridade, previsibilidade de preços e transparência, disse o general Joaquim Silva e Luna, indicado para a presidência da estatal pelo presidente Jair Bolsonaro, em entrevista à Bloomberg.

Atual diretor-geral de Itaipu e ex-ministro da Defesa, ele afirmou que vai trabalhar com o Conselho de Administração da estatal para avaliar a questão dos preços dos combustíveis.

Para Silva e Luna, a empresa deve continuar com o foco nas operações do pré-sal e pode atrair empresas nacionais e estrangeiras interessadas em sua área de refino.

Veja os principais trechos da entrevista:

Ao longo da última década, a Petrobras reduziu suas operações no exterior e vendeu campos nacionais para concentrar recursos no pré-sal. Como o senhor ou o presidente Bolsonaro enxergam essa estratégia de desinvestimento?

Silva e Luna – Ainda é muito cedo para eu opinar sobre a política da Petrobras e sobre suas estratégias de negócios. Mas acho, e é achismo mesmo, que não se pode esquecer o básico: a Petrobras é a empresa com maior know-how e detém a liderança mundial em exploração de águas profundas, onde se localizam as reservas do pré-sal. E é no pré-sal que o Brasil possui as maiores reservas de petróleo e gás. Não dá para deixar de se explorar essas riquezas.

A expectativa de resultados da Petrobras em 2020, ainda a serem divulgados, é muito boa e deve mostrar que foi uma decisão acertada investir no pré-sal.

Como sabemos, as refinarias brasileiras ainda não estão preparadas para refinar todo petróleo extraído no Brasil. Na forma como é hoje, o Brasil exporta petróleo que não consegue refinar e importa petróleo mais leve ou combustíveis. Acredito que haja oportunidade de se atrair empresas interessadas em refinar nosso petróleo, tanto para o mercado interno quanto externo.

Onde haverá continuidade e onde haverá novos caminhos na Petrobras?

Silva e Luna – O Dr. Roberto Castello Branco é um gestor de altíssimo nível, preparado, qualificado e reconhecido, mas no momento, acho ilegítimo e inoportuno, avaliar o que pode ser mantido ou mudado do que fez e faz a atual diretoria, já que o presidente continua em sua cadeira. Aprovada a minha indicação pelo Conselho de Administração da Petrobras, procurarei me reunir com os demais diretores, inclusive se ele me der oportunidade, com o Dr. Roberto Castello Branco.

Quais serão as suas prioridades à frente da Petrobras?

Silva e Luna – Caso meu nome seja aprovado, as prioridades serão definidas em consenso com os demais diretores e Conselho Administrativo. Mas sempre pensando no bem da companha, no melhor possível para os parceiros da Petrobras, sem esquecer dos investidores, dos consumidores e da população brasileira. A Petrobras é a estatal mais importante do País e continuará sendo, independentemente de quem esteja no seu comando. Entendo que se deva ter foco na austeridade, previsibilidade de preços e transparência de suas ações.

Como o senhor pretende administrar o fato de a empresa e os consumidores terem interesses por vezes conflitantes em matéria de preços de combustíveis?

Silva e Luna – Há questões que praticamente não temos o poder de alterar, como o câmbio e o preço internacional do petróleo, que vão impactar fortemente no preço dos combustíveis e afetar o bolso dos consumidores.

Teremos que buscar outros meios – como eu disse, sempre em consenso com os demais diretores e Conselho – tomando medidas em colegiado, para ver o que é possível fazer para que, sem sofrer perdas, a Petrobras possa estabelecer mecanismos que reduzam essas variações de preços constantes e, às vezes, capazes de mexer com quase todos os setores da economia.

Como o senhor pretende conduzir a sua relação com o presidente Bolsonaro à frente da Petrobras?

Silva e Luna – Meu relacionamento com o presidente será como sempre foi, de respeito, consideração e apreço. Ele já declarou que não interferirá na política de preços da empresa. A Petrobras é a empresa mais emblemática e estratégica do Brasil. O presidente Bolsonaro é presidente do Brasil. Nada mais legítimo do que ele acompanhar e torcer por suas vitórias.

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