SÃO PAULO – Conhecida como uma das antes joias da coroa e também por ser uma das histórias de maior frustração para o investidor quando o império de Eike Batista começou a ruir, as ações da MMX (MMXM3) ressurgiram na B3 em outubro. Apenas no acumulado do mês, os papéis subiram 1.922,47%, a R$ 36,00.

O catalisador para isso foi a informação da mineradora em 30 de setembro de 2020, em fato relevante, de que protocolizou petição junto ao juízo de sua recuperação judicial, buscando recuperar o ativo Mina Emma, localiza em Corumbá e que foi oferecido aos credores na recuperação judicial. Segundo a companhia destacou no documento, a exploração “pode ser de grande relevância econômica”.

Com isso, os investidores se animaram, uma vez que que a mineradora está em recuperação judicial há quatro anos e sem operação.

Essa justificativa também foi destacada pela companhia em comunicado no último dia 6 de outubro, em que explicou para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o motivo para tamanha oscilação de suas ações, inclusive por um volume muito acima da média diária. Se antes o volume negociado com as ações raramente passava dos R$ 10 mil, no dia 7 os papéis movimentaram R$ 11,08 milhões, com o giro subindo sucessivamente até atingir mais de R$ 100 milhões na sessão desta terça-feira (13), em que os papéis subiram impressionantes 123,46%, a R$ 36.

Além da MMX, a  OSX (OSXB3), da área de construção naval, também registra forte alta na Bolsa. Apenas nesta sessão, os papéis OSXB3 saltaram 153,01%, a R$ 21,00, e acumulam alta de 376,19% no mês. Juntas, elas têm dívidas que somam mais de R$ 7 bilhões, sendo que ambas estão em recuperação judicial. A MMX já teve falência decretada em 2019, processo que só não foi em frente por uma liminar judicial.

A OSX também foi questionada pela autarquia no último dia 7 de outubro sobre o movimento atípico das ações, mas informou “que não tem conhecimento de qualquer ato ou fato relevante que poderia dar ensejo às oscilações atípicas do volume e do valor de cotação das ações”.

Um dia depois, o site da revista Exame apontou que Eike Batista já está preparando o seu retorno para as duas companhias, enquanto aguarda a homologação de sua delação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A delação envolve investigação de corrupção de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro. O empresário, contudo, aponta a publicação, está confiante de que vai virar a página.

“Mesmo condenado por manipulação de mercado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Justiça e proibido de ocupar cargos de administração em companhias abertas pelos próximos sete anos, Eike Batista está trocando a gestão das controladas MMX e OSX. Como não pode sentar na cadeira ele próprio, vai colocar administradores de sua confiança e subordinação no lugar dos atuais”, ressalta a reportagem. Sobre isso, houve um revés para o empresário, com o cancelamento da assembleia da OSX que iria deliberar sobre o tema (veja mais aqui).

Vale destacar que o movimento é altamente especulativo e, no caso da MMX, ainda não há mais informações sobre a real capacidade de geração de caixa do ativo de mina Emma e mensuração sobre qual é a “grande relevância econômica”.

“O objetivo de todo investidor é comprar no mercado aquilo que ele acredita que, em sua opinião, tem mais valor que o preço praticado. Não há como avaliar nesse caso qual é o real valor dos ativos que compõem a empresa”, destacou João Beck, sócio da BRA, escritório credenciado da XP, em entrevista ao Estadão.

Cabe destacar que a ação da MMX, que estreou na Bolsa em 2006, chegou a valer mais de R$ 2 mil em 2008, no auge da euforia do mercado com os papéis da companhia, em meio a grandes projeções   de produção de minério de ferro e aço. Contudo, a companhia deixou de cumprir contratos, trazendo à tona problemas de capacidade operacional do projeto.

Os problemas se acumularam com as investigações envolvendo Eike Batista, que culminaram com a prisão em 2019. A mineradora está em recuperação judicial desde 2016.

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