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SÃO PAULO – Com a temporada de resultados chegando na sua reta final, nesta sexta-feira chamam a atenção os balanços de duas empresas, a Oi (OIBR3, R$ 1,79, +5,91%;OIBR4, R$ 2,34, +3,53%) e a Cogna (COGN3, R$ 4,76, +3,93%) que têm passado por momentos complicados em suas operações, mas que buscam se reestruturar e conquistar a confiança dos investidores.

Na sessão desta sexta-feira (13) os papéis de ambas as companhias reagiram positivamente aos resultados, valendo a ressalva de que a sessão foi bastante positiva para a Bolsa em geral, que subiu 2,16% (veja mais clicando aqui).

No caso da Oi, atualmente em recuperação judicial, o Bradesco BBI avalia que a companhia está na direção certa, em especial nos segmentos que serão o foco da companhia a partir de agora, o segmento de fibra ótica. Isso apesar de, à primeira vista, os números parecerem ruins.

A companhia registrou no terceiro trimestre deste ano prejuízo líquido consolidado de R$ 2,638 bilhões no critério atribuído aos controladores, queda de 54,1% em relação à perda obtida no mesmo período de 2019, quando atingiu R$ 5,747 bilhões. No segundo trimestre, a operadora obteve prejuízo de R$ 3,409 bilhões.

A Oi destacou que compõem o número o resultado operacional antes do resultado financeiro e dos tributos (Ebit) negativo em R$ 255 milhões (bem menor que o negativo de R$ 3,199 bilhões no mesmo período do ano passado), o resultado financeiro líquido também negativo, de R$ 2,325 bilhões, além de uma despesa de Imposto de Renda e Contribuição Social de R$ 1 milhão.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) consolidado de rotina da companhia alcançou R$ 1,462 bilhão, alta de 6,4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado e avanço de 7,6% na comparação com o segundo trimestre.

A receita líquida consolidada, por sua vez, foi de R$ 4,706 bilhões nos meses de julho a setembro, 5,9% menor do que no mesmo período do ano passado, embora tenha tido crescimento de 3,6% em relação ao segundo trimestre, “o que representa uma reversão de tendência da curva”, ressalta a operadora. Na operação Brasil somou R$ 4,648 bilhões, retração de 6,2% em um ano, ao passo que as operações internacionais (África e Timor Leste) cresceram 25,3%, para R$ 58 milhões.

No terceiro trimestre, a Oi apresentou dívida bruta consolidada de R$ 26,929 bilhões, aumento de 3,1% em relação ao registrado no segundo trimestre e avanço de 50,4% ante o mesmo trimestre em 2019. “Em ambos os períodos a elevação decorre principalmente da desvalorização do Real ante o dólar”, apontou a empresa.

O banco avalia que os resultados são um sinal de que a Oi está caminhando na direção certa, em especial na expansão da fibra ótica, elevando a receita média por cliente acima de suas expectativas. O Bradesco avalia que a fibra ótica deve impulsionar crescimento sustentável no faturamento nos próximos anos, além de expansão da margem.

A receita da fibra ótica deve alta de 50% na base de comparação trimestral, para R$ 138 milhões, graças a 446 mil adições nas residências, o que ajudou a elevar o crescimento da receita média por usuário de R$ 81 para R$ 88 também na comparação com o segundo trimestre. Isso acabou compensando a queda de 33% da receita no segmento de voz e dados.

O faturamento da empresa também superou as suas expectativas, apesar da geração de caixa ter ficado um pouco abaixo do que os analistas do BBI esperavam.

“Além disso, a empresa está mantendo sua sólida estratégia de controle de custos, o que está gerando melhora nas margens, que acreditamos que irá acelerar considerando a maior representação da fibra ótica nos próximos trimestres”, apontam.

A receita no segmento móvel, por sua vez, teve alta de 5,4% na base trimestral, ajudada pela recuperação de 8,2% no segmento pré-pago, com recargas maiores graças a um nível mais baixo de restrições de mobilidade depois do auge das medidas de isolamento social para conter a pandemia de coronavírus no segundo trimestre. Já o segmento pós-pago aumentou 2,1% no trimestre, à medida que a Oi continua implementando suas ofertas regionais e migrando clientes do segmento pré-pago ao pós-pago.

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Rodrigo Abreu, presidente da Oi, destacou nesta sexta, em teleconferência, que houve recuperação em “V” das recargas de telefonia pré-paga no período.

Vale destacar que o leilão das operações móveis da Oi está marcado para o próximo dia 14 de dezembro, tendo o grupo formado por Claro, TIM e Vivo na condição de stalking horse – ou seja, terá o direito de cobrir qualquer outra oferta adicional, sem assegurar ao interessado a oportunidade de fazer novo lance.

A Justiça considerará vencedora a proposta que apresentar o valor mínimo de R$ 16,5 bilhões, aderir expressamente ao contrato de capacidade, não conter “qualquer exigência realização de diligência adicional” e não prever outros termos e condições além dos previstos no edital.

A saga para a venda dos ativos – especialmente os móveis – é acompanhada de perto pelos investidores. Em setembro, foi aprovado o novo plano de recuperação judicial da companhia, que prevê a venda de redes móveis, torres, data centers e parte da rede de fibra ótica, com previsão de levantar cerca de R$ 22 bilhões, sendo bastante importante para que a companhia consiga superar a recuperação judicial.

Vale ressaltar que os problemas da Oi já começaram logo após a crise de 2008 com o movimento de fusão entre a Telemar e a Brasil Telecom num movimento para virar uma “super tele”. Durante o processo de integração foi encontrado um passivo bilionário, mas que nunca fora divulgado. Depois disso a companhia não conseguiu se sustentar, caminhando para a recuperação judicial em 2016.

Em janeiro de 2020, Rodrigo Abreu assumiu como CEO, trazendo a sua experiência na Cisco e na TIM Brasil. Mas ele já atuava na Oi desde 2018, como coordenador do Comitê de Transformação, Estratégia e Investimentos. Em 2019, assumiu o cargo de diretor de operações, sendo responsável pela operação do core business da empresa.

Com foco de reestruturação da companhia e na divisão de fibra ótica, ainda que parte dela também deva ser vendida em leilão, os papéis da Oi voltaram a chamar a atenção do mercado e, no acumulado do ano até a sessão desta sexta, os ativos OIBR3 subiam 108,14% (R$ 1,79) enquanto os OIBR4 avançavam 90,24% (R$ 2,34) em igual período.

Em entrevista em 16 de junho à Exame, quando a ação OIBR3 (mais líquida), fechou a R$ 0,98, Abreu destacou esperar que o valor de mercado da companhia, naquela época a R$ 5,9 bilhões, fosse para R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões, com redução da dívida. Isso considerando a implantação completa do novo plano de recuperação. No cenário mais conservador, isso levaria o papel a cerca de R$ 5, com a companhia quintuplicando seu valor em Bolsa nesse período.

O Bradesco BBI, por sua vez, mantém a avaliação em outperform (desempenho acima da média do mercado) para os ativos OIBR3, possuindo preço-alvo de R$ 3,10, com potencial de valorização de 73,18% em relação ao fechamento desta sexta. Os analistas destacam a ação como a preferida do setor.

Para Fabrício Lodi, professor do Projeto os 10%, escola de traders, o papel tem a melhora de seus preços muito ligada à perspectiva para os leilões. Assim, se não houver contestação judicial, há um grande espaço para destravar valor, podendo fazer com que a ação valha mais de R$ 3. O risco é de postergação ou não realização dos leilões, mas Lodi vê mais potencial de alta do que de baixa para os papéis.

De qualquer forma, o cenário que vem se desenhando para a companhia é menos nebuloso, apesar dos desafios. “Acreditamos que, após os fortes resultados do terceiro trimestre, os investidores prestarão mais atenção às operações da Oi e seu turnaround do que a um nome puramente direcionado a eventos. (…) Continuamos confiantes na capacidade de gestão da Oi para executar, reforçando a Oi como nossa melhor escolha no setor de telecomunicações”, avalia o BBI.

Confira a recomendação dos analistas para a Oi, segundo dados compilados pela Refinitiv: 

Classe de ação  Recomendações de compra Recomendações neutras Recomendações de venda Preço-alvo médio Potencial de valorização*
OIBR3 4 1 0 R$ 2,19 +22,35%
OIBR4 2 1 0 R$ 2,05 -12,39%
*em relação ao fechamento de sexta-feira (13)

Cogna (COGN3): cautela do mercado com as mudanças

Outra empresa cuja estratégia de “turnaround” em meio a um 2020 bastante complicado é a do setor de educação Cogna, que tem sofrido especialmente dentro do segmento durante a pandemia por conta da forte participação no ensino presencial. No acumulado do ano, a ação registra a quarta maior baixa do Ibovespa, com queda de 58,36%, ante baixa de 9,44% do benchmark da Bolsa.

Em agosto, a companhia anunciou reestruturação com foco em segmento premium e hibridização, com os analistas destacando o movimento como correto, mas ainda mantendo cautela com a empresa (veja mais clicando aqui). Neste trimestre, mais sinais foram dados sobre a estratégia, mas a precaução dos analistas continua.

A Cogna teve prejuízo líquido de R$ 1,29 bilhão no terceiro trimestre, revertendo lucro de R$ 20 milhões um ano antes, sendo impacto pelo reconhecimento de perda no valor recuperável de ativos na Saber e na divisão de outros negócios, além da baixa de imposto de renda diferido. Já em termos ajustados, o prejuízo foi de R$ 162,9 milhões, revertendo lucro de R$ 135 milhões de um ano antes, com piora no resultado operacional e aumento de provisões.

A receita líquida, por sua vez, teve baixa de 17,1% na comparação anual, para R$ 1,256 bilhão, refletindo pressões de receita no ensino superior, que foram parcialmente compensadas pelas vendas iniciais ao ciclo de 2021 do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

O Ebitda foi negativo em R$ 610 milhões, ante dado positivo de R$ 511,5 milhões em igual período de 2019, com a margem Ebitda também negativa em 48,6%, de margem positiva de 33,7% um ano antes.

Em termos recorrentes, o Ebitda teve baixa de 50,5%, a R$ 229,3 milhões de reais, afetado pela queda de receita e do aumento no volume de provisionamento no ensino superior (derivados dos efeitos da pandemia). A margem Ebitda recorrente foi de 30,5% para 18,3%.

A Kroton captou 178.981 novos alunos, baixa de 2% frente ao segundo semestre de 2019, com o crescimento de 32% na captação do ensino digital sendo compensada por forte queda na demanda por ensino presencial (-61%).

Na Vasta, a receita de subscrição no ciclo comercial encerrado em setembro teve alta de 18%, a 692 milhões de reais, 3% inferior ao valor de contrato anual (ACV) anunciado no começo do ano. Até a data de hoje, fechou contratos para o ano letivo 2021 de 835 milhões de reais, alta de 21% ante receita de subscrição reconhecido em 2020 (4T19 a 3T20).

Segundo o Bradesco BBI, os números foram fracos no geral para a Cogna, ainda pressionados pelos dados da Kroton, com um tíquete mais fraco e altas provisões para inadimplência. “Acreditamos que a queda acentuada no tíquete médio no segmento de ensino à distância é sinal de aumento da competição no segmento e também por conta da percepção de baixa qualidade da empresa no mercado. No entanto, acreditamos que o aumento dos cursos premium é promissor. Em relação à margem, ainda devemos ver alguma pressão no curto prazo, mas o impacto já será reduzido em 2021”, apontam os analistas.

Os analistas ainda destacam que as fortes admissões de alunos no ensino à distância compensaram, em
grande parte, o fraco desempenho no segmento presencial. As admissões para o segmento de EAD chegaram a 153 mil alunos, um aumento de 32% em relação ao ano anterior. Ao olhar apenas para a
solução híbrida da Cogna, as entradas atingiram 22 mil, um salto de 93% em relação ao ano anterior, enquanto os cursos 100% online e semipresenciais totalizaram 131 mil, um aumento de 25%. Já o tíquete presencial ficou em 26 mil, uma redução de 61%, agravada por uma redução significativa nas ofertas de FIES e PEP.

Já para a Vasta, os números preliminares do valor de contrato anual (ACV) parecem promissores, pois a empresa apenas considerou contratos em dia  e o processo de captação foi atrasado. Com isso, há possibilidade de aumento das projeções frente os números atuais, apesar da visibilidade limitada.

Para o BBI, a recomendação para os ativos COGN3 é neutra, com preço-alvo de R$ 6,50, uma vez que os resultados de curto prazo ainda devem estar sob pressão. Apesar da recomendação, o preço-alvo configura um potencial de valorização de 36,6% frente o fechamento desta sexta, de R$ 4,76. Os analistas, por sua vez, destacam que a ação negocia a 13 vezes a relação entre o valor da empresa e o Ebitda esperado para 2021, um prêmio de 117% para a Yduqs (YDUQ3) que eles consideram injustificado.

O Morgan Stanley também aponta que o ensino presencial segue pressionado, causando forte desalavancagem operacional e pressão de margem. “A Cogna está aproveitando e limpando o balanço de outros negócios, registrando perdas de ativos de R$ 831 milhões. Os resultados estiveram amplamente de acordo com nossa estimativa, mas decepcionando em relação ao consenso”, avaliam.

“A Cogna tem sido racional nos preços (visto o impacto negativo nos volumes), mas o mix está pressionando o tíquete consolidado”, avaliam os analistas. Eles apontam que a empresa não teve tempo de mudar a estrutura de custos fixos e, portanto, a base no campus significativamente menor levou a uma forte redução da alavancagem operacional.

O banco americano mantém recomendação overweight (exposição acima da média) para a ação, com preço-alvo de R$ 8, o que representa um potencial de valorização de 68% frente o fechamento de quinta-feira. Contudo, os analistas continuam preferindo histórias defensivas (com exposição em cursos de medicina) e de valor.

Já o Credit Suisse destaca que uma reviravolta é muito necessária para Cogna, cuja situação foi agravada pela pandemia. “Vemos positivamente seu movimento para limpar o balanço, como visto nas contas a receber e nas baixas contábeis”.

Contudo, os analistas do banco suíço apontam ser necessário ainda mais algum tempo para ter uma maior visibilidade sobre o futuro da companhia, especialmente no ensino presencial. Para eles, essas são as “dores” de uma virada no case da empresa. Assim, a recomendação segue underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para os papéis, com preço-alvo de R$ 6, o que configura um potencial de valorização de 26% em relação ao fechamento da véspera.

As mudanças na Cogna continuam, mas ainda há quem queira esperar para ver se elas vão se efetivar.

Confira a recomendação dos analistas para a Cogna, segundo dados compilados pela Refinitiv:

Recomendações de compra Recomendações neutras Recomendações de venda Preço-alvo médio Potencial de valorização*
2 5 5 R$ 6,58 +38,24%
*em relação ao fechamento de sexta-feira (13)

(Com Agência Estado)

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