Os principais índices mundiais voltam a subir nesta quarta-feira (11) em meio à continuidade do otimismo com a vacina da Pfizer-Biontech, enquanto o cenário volta a ser mais turbulento por conta das falas de Jair Bolsonaro.

O presidente brasileiro, um dos poucos chefes de Estado do mundo que não parabenizou Joe Biden após sua vitória eleitoral nos Estados Unidos, alertou o democrata, sem identificá-lo, que o Brasil tem “pólvora”. “Assistimos há pouco um grande candidato a chefe de Estado dizer que se eu não apagar o fogo na Amazônia levanta barreiras comerciais contra o Brasil. Como é que nós podemos fazer frente a tudo isso? Apenas na diplomacia não dá”, disse durante um evento. Também chamou de “maricas” as pessoas que se preocupam com a covid.

Em outra confusão, sobre a vacina em teste Coronavac, o STF pede informações sobre suspensão dos testes pela Anvisa e comissão da Câmara pode votar pedido de esclarecimentos. Na economia, atenção para dado de varejo, enquanto o radar corporativo conta com Braskem, Carrefour, entre outras companhias. Confira os destaques:

1. Bolsas mundiais

Os índices futuros americanos e as bolsas europeias têm nova alta nesta quarta-feira (11), em um movimento marcado pelo anúncio de resultados animadores de testes da vacina contra o coronavírus desenvolvida pela americana Pfizer e pela alemã BioNTech, que indicam mais de 90% de eficácia.

O índice S&P 500 Futuro tem alta de 0,68%; o Nasdaq Futuro sobe 1,03%; o Dow Jones Futuro sobe 0,65%. Na Europa, o Eurostoxx tem alta de 0,52%; o Dax, da Alemanha, sobe 0,37%; o FTSE 100, do Reino Unido, tem alta de 0,56%; o CAC 40, da França, sobe 0,36%; o FTSE MIB, da Itália, sobe 0,26%.

Na terça, investidores deixaram principalmente papéis ligados a empresas americanas de tecnologia e comunicação, que se beneficiam de restrições de mobilidade da população, e passaram a investir em ações de empresas que poderiam se beneficiar de uma economia em recuperação.

Cabe ressaltar que, na véspera, o índice S&P teve queda de 0,14%, e o índice Nasdaq, que lista muitas empresas de tecnologia, teve queda de 1,4%. Amazon, Microsoft, Facebook e Alphabet, dona do Google, tiveram quedas. Nesta quarta, uma tendência parecida continua, indicando adesão de investidores à tese de que a economia tende a voltar a normalidade com a vacina.

Analistas e autoridades alertam, no entanto, que a recuperação não virá automaticamente. Em entrevista à rede americana CNBC, Eric Rosengren, presidente do Federal Reserve Bank of Boston, afirmou que espera que os seis próximos meses continuem turbulentos. Mesmo com a aprovação de uma vacina, ainda levará tempo para distribuí-la, afirmou.

Os preços do petróleo têm alta desde o anúncio sobre a vacina, com expectativa de que a demanda volte a aumentar, impulsionando altas nas ações de empresas do setor de energia. O setor financeiro também tem alta desde a segunda-feira.

As expectativas quanto à recuperação da economia impulsionada pela vacina ocorrem em um momento difícil da pandemia nos Estados Unidos. A média de novas infecções diárias nos país para os sete dias terminados na segunda-feira (9) foi de 108.964 casos, um recorde, e um patamar 37% maior do que o mesmo período imediatamente anterior. Os dados são de uma análise da rede de notícias CNBC a partir de dados sistematizados pela Universidade Johns Hopkins.

As bolsas asiáticas fecharam sem direção definida. Ações de empresas chinesas de tecnologia listadas em Hong Kong tiveram fortes quedas e perderam mais de US$ 250 bilhões em valor, após o governo chinês anunciar, na terça, um esboço de diretrizes regulatórias sobre empresas de tecnologia, visando combater comportamento monopolista em plataforma de internet.

As ações da gigante Alibaba tiveram queda de 8,6%, e as da fabricante de smartphones Xiaomi tiveram queda de 5,73%.

O índice Nikkei, do Japão, fechou em alta de 1,78%; o Hang Seng Index, de Hong Kong, teve queda de 0,28%; o Kospi, da Coreia do Sul, fechou em alta de 1,35%; e o índice Shanghai, da China, teve queda de 0,53%.

Confira o desempenho dos índices mundiais às 6h20 (horário de Brasília):

Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA),+0,68%
*Nasdaq Futuro (EUA), +1,03%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,65%

Europa
*Dax (Alemanha), 0,37%
*FTSE 100 (Reino Unido), +0,56%
*CAC 40 (França), +0,36%
*FTSE MIB (Itália), +0,26%

Ásia
*Nikkei (Japão), 1,78% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) -0,28% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +1,35% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,53% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +1,44%, a US$ 42,8 o barril
*Petróleo Brent, +1,45%, US$ 45,06 o barril
*Bitcoin, US$ 15.472,74, +0,43%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 0,96%, cotados a 838,0 iuanes, equivalente hoje a US$ 126,62 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,62

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2. Agenda

Entre os dados econômicos, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 1,16% na primeira quadrissemana de novembro, desacelerando levemente em relação à alta de 1,19% registrada no fechamento de outubro, segundo dados publicados nesta quarta-feira, 11, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O IBGE divulga às 9h os dados de vendas no varejo em setembro, que devem ter avançado 8,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo estimativa mediana em pesquisa Bloomberg. A estimativa para crescimento mensal é de 1,4%, contra dado anterior de alta de 3,4%. Às 14h30, o Banco Central divulga os dados de fluxo cambial.

A agenda é esvaziada nos EUA, com o mercado de Treasuries fechado devido ao feriado de Dia dos Veteranos; as bolsas por lá, contudo, continuam operando.

Na zona do euro, atenção para evento do Banco Central Europeu (BCE) com Christine Lagarde a partir do meio-dia.

3. Bolsonaro sobe o tom

O presidente Jair Bolsonaro deixou de lado o estilo mais ameno dos meses anteriores e falou em usar pólvora ao reagir a comentários de Joe Biden sobre a Amazônia, embora sem citá-lo nominalmente.

A declaração do presidente é uma resposta à fala do presidente eleito americano de que Brasil sofrerá consequências econômicas se não combater desmatamento e queimadas na Amazônia.  Sem citar Biden, Bolsonaro menciona ameaça de levantar barreira comercial contra o Brasil por fogo na Amazônia e diz que não dá para responder apenas na diplomacia.

“Assistimos há pouco um grande candidato a chefe de Estado dizer que se eu não apagar o fogo na Amazônia levanta barreiras comerciais contra o Brasil. Como é que nós podemos fazer frente a tudo isso? Apenas na diplomacia não dá”, disse durante um evento.

“Porque quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, se não, não funciona. Precisa nem usar pólvora, mas tem que saber que tem”, acrescentou.

Bolsonaro ainda afirmou que é preciso enfrentar a pandemia do novo coronavírus de “peito aberto” e que o Brasil tem de deixar de ser “um país de maricas”, numa referência pejorativa ao receio com a covid-19, que já matou mais de 160 mil pessoas no país.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), usou o Twitter ontem à noite para rebater o discurso. “Entre pólvora, maricas e o risco à hiperinflação, temos mais de 160 mil mortos no país, uma economia frágil e um estado às escuras. Em nome da Câmara dos Deputados, reafirmo o nosso compromisso com a vacina, a independência dos órgãos reguladores e com a responsabilidade fiscal”, escreveu Maia.

4. Política e vacinas

O noticiário ainda é marcado pela politização em torno de uma das principais apostas para a vacinação no país.

Na segunda-feira, mesmo dia em que Pfizer e BioNTech anunciaram os bons resultados com sua vacina, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que 120 mil doses da Coronavac, a vacina produzida pela chinesa Sinovac, chegariam ao Instituto Butantan até 20 de novembro. Outras 6 milhões deveriam chegar até o dia 20 de dezembro. O estado só deve ter autonomia para produzir o produto de forma completamente autônoma em 2022.

Para que seja aplicada sobre a população, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda precisaria, no entanto, aprovar a Coronavac, que passa por testes clínicos de fase 3 no estado.

Na segunda-feira, a Anvisa anunciou que determinou a paralisação do estudo clínico da Coronavac após o registro de um “evento adverso grave”. Na terça, diversos veículos reportaram que o evento se tratava da morte de um participante de 32 anos que, no entanto, havia cometido suicídio.
Autoridades de saúde do estado de São Paulo criticaram a Anvisa, afirmando que o caso não poderia ter relação com a vacina. Ainda não está claro se o participante tomava placebo ou a vacina.

O caso voltou a levantar temores de que o governo Bolsonaro esteja politizando a vacinação no Brasil, em detrimento de questões técnicas.

As disputas em torno da Coronavac têm se acentuado desde outubro. O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, anunciou que o governo federal tinha a intenção de comprar 46 milhões de doses da Coronavac. Logo em seguida, foi desautorizado por Bolsonaro.

Na terça, Bolsonaro publicou em sua conta no Twitter uma reportagem sobre a suspensão dos testes da vacina e escreveu “esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”.

O diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, alegou que os documentos relatando a morte, enviados pelo Instituto Butantan, estariam “incompletos” e “insuficientes”. “Diante de informações incompletas, a área técnica só tem uma decisão a tomar [de suspender a pesquisa]. Nos desenvolvimentos tem eventos adversos, como dor ou vermelhidão. E tem graves, que vão desde internação com risco, sequela e até mesmo ao óbito”, afirmou.

A pressão em torno do caso vem de diversas frentes. O Conselho Internacional Independente que avalia testes da vacina pelo mundo recomendou à Anvisa que autorize a retomada dos testes. A agência deve analisar o pedido.

Além disso, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Anvisa forneça, em 48 horas, explicações sobre os “critérios utilizados para proceder aos estudos e experimentos concernentes à vacina acima referida, bem como sobre o estágio de aprovação desta e demais vacinas contra a covid-19”.

E os deputados Orlando Silva (PCdoB-SP), Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e Marcelo Ramos (PL-AM), assinam um requerimento que pede que o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, expliquem na Câmara dos Deputados por que os testes da Coronavac foram suspensos.

5. Radar corporativo

O Carrefour Brasil anunciou na terça lucro líquido ajustado de R$ 757 milhões no terceiro trimestre de 2020, alta de 73,1% ante o mesmo período de 2019, com forte crescimento de vendas e controle de custos.

No período, o resultado operacional medido pelo Ebitda consolidado ajustado cresceu 18,6%, para R$ 1,34 bilhão, enquanto a margem cedeu para 7,7%, frente 8,2% um ano antes, em razão de provisões excepcionais adicionadas no banco do grupo.

A BR Distribuidora registrou lucro líquido de R$ 335 milhões no terceiro trimestre, queda de 74,9% ante o mesmo período do ano anterior, com vendas afetadas pela pandemia. Na comparação com o segundo trimestre, houve recuperação.

A operadora de concessões de infraestrutura CCR anunciou nesta terça-feira que a fabricante de equipamentos de energia solar Amerisolar se instalou no aeroporto industrial, que fica nas imediações do terminal de Confins (MG).

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