SÃO PAULO – Após rali na primeira sessão de dezembro, os índices das principais bolsas mundiais interrompem os ganhos nesta sessão, com as perspectivas para vacinas e estímulos seguindo no radar. Pela manhã o governo do Reino Unido se tornou o primeiro do mundo a autorizar o uso emergencial da vacina desenvolvida em parceria entre as farmacêuticas Pfizer e BioNTech, passando à frente do governo americano, que vem ensaiando um movimento similar. A vacina pode começar a ser aplicada na próxima semana.

Na agenda americana, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, volta a falar no Congresso dos EUA, a autoridade monetária divulga o Livro Bege, enquanto os dados de criação de vagas do setor privado (ADP) sai dois dias antes do relatório de emprego.

Por aqui, a fala do presidente Jair Bolsonaro de que o auxílio emergencial não será prorrogado e uma data para a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) pelo Congresso animaram os investidores na véspera, embora ainda haja dúvida sobre outras votações no Congresso. Agenda destaca ainda a produção industrial de outubro. Confira os destaques:

1.Bolsas mundiais

Os índices futuros americanos têm queda e são seguidos pelas bolsas europeias nesta quarta (2), após semanas de bons resultados impulsionados por notícias animadoras sobre o desenvolvimento de vacinas.

As quedas são puxadas pelo setor automotivo, que recua mais de 1%, apesar do noticiário indicar que a vacinação em larga escala se aproxima no Reino Unido. Ao contrário da maioria das principais bolsas europeias, o índice FTSE, do país, tem leve alta.

Pela manhã o governo do Reino Unido se tornou o primeiro do mundo a autorizar o uso emergencial da vacina desenvolvida em parceria entre as farmacêuticas Pfizer e BioNTech, passando à frente do governo americano, que vem ensaiando um movimento similar.

A vacina foi aprovada pela MHRA (sigla em inglês para Autoridade Regulatória para Medicamentos e Produtos de Saúde) para uso emergencial, antes mesmo do produto desenvolvido pela parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, que é outra grande aposta do governo britânico, assim como do governo brasileiro. Com isso, a vacina de Pfizer e BioNTech deve começar a ser distribuída no Reino Unido já na semana que vem.

Em julho, as farmacêuticas anunciaram um acordo com o governo britânico pelo qual forneceriam 30 milhões de doses da vacina, assim que fosse autorizada para uso emergencial. Em outubro, esse patamar foi ampliado para 40 milhões de doses.

O Reino Unido tem uma população de 66,65 milhões de pessoas. Como a vacina é feita para ser administrada em duas doses, deve haver, portanto, o suficiente para imunizar um terço da população do país, que contabiliza cerca de 60 mil mortes por covid, o maior número de mortes da Europa.

Outro tema monitorado pelo mercado é a negociação em torno de um novo pacote de estímulos para a economia americana, sem o qual o governo pode ter seu funcionamento prejudicado. O financiamento de quase todas as agências do governo americano expira em 11 de dezembro.

Na terça, congressistas representantes da Câmara, dominada pelos democratas, e do Senado, dominado pelos republicanos, apresentaram a proposta de um pacote de estímulos no valor de US$ 908 bilhões, que prevê verbas para a distribuição de vacinas, testagem e acompanhamento de pessoas contaminadas, além de auxílio a pequenos negócios, incremento no seguro-desemprego.

A proposta chegou a gerar certo otimismo, mas foi descartada pelo líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnel, que afirma querer aprovar uma lei de estímulo econômico “direcionada”. McConnel apoia gastos em torno de US$ 500 bilhões.

Caso novos gastos não sejam aprovados até 11 de dezembro, o governo americano pode passar por um novo “shutdown”. Isso ocorreu entre 22 de dezembro de 2018 e 25 de janeiro de 2019, quando democratas e republicanos, também sob a gestão Trump, não foram capazes de chegar a um acordo sobre o orçamento para o ano fiscal que se iniciava.

Quando o governo passa por um “shutdown”, órgãos considerados não essenciais têm o funcionamento paralisado ou reduzido. Trabalhadores de atividades essenciais, como controladores de tráfego, por exemplo, precisaram trabalhar sem receber, e processaram o governo americano. Mesmo com a rejeição da proposta mais recente de um pacote de estímulo, investidores continuam com esperança de que o Congresso aprove um novo pacote fiscal antes do recesso.

Nesta terça, as bolsas mundiais também acompanham a divulgação de dados sobre a folha de pagamentos do setor privado nos Estados Unidos. As bolsas asiáticas tiveram um dia misto, acompanhando os sinais de Estados Unidos e Europa.

Veja o desempenho dos principais índices às 7h20:

Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,22%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,05%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,39%

Europa
*Dax (Alemanha), -0,28%
*FTSE 100 (Reino Unido), +0,16%
*CAC 40 (França), -0,21%
*FTSE MIB (Itália), -0,57%

Ásia
*Nikkei (Japão), +0,05% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) -0,13% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +1,58% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,07% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, 0,04%, a US$ 44,53 o barril
*Petróleo Brent, -0,02%, US$ 47,41 o barril
*Bitcoin, US$ 19.119,87, -1,70%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam com alta de 3,43%, cotados a 934 iuanes, equivalente hoje a US$ 142,28 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,56

2. Agenda de indicadores

Às 5h, a Fipe divulgou o seu índice semanal IPC Fipe, que indica inflação de 1,03% na cidade de São Paulo na quarta quadrissemana de novembro.

Às 9h, são divulgados dados sobre produção industrial no Brasil em outubro, que deve ter registrado alta de 1,4% em outubro na comparação mensal, segundo estimativa mediana em pesquisa Bloomberg, após avanço de 2,6% na medição anterior. Na comparação anual, indicador deve exibir alta de 1,1% após subir 3,4% no mês anterior, segundo projeção da Bloomberg. O Banco Central divulga fluxo cambial semanal às 14h30.

No mesmo horário, são divulgados dados sobre solicitações de empréstimos hipotecários nos Estados Unidos em outubro.

Às 10h15, são divulgados dados do instituto ADP Research sobre variação de empregos em novembro no setor privado nos Estados Unidos. A estimativa é de criação de 430 mil vagas, ante dado de outubro de 365 mil. Às 12h, o presidente do Fed, o Banco Central americano, fala ao Painel Financeiro do Congresso americano.

Às 15, John Williams, presidente do Fed de Nova York, fala em coletiva de imprensa. Às 16h, o Fed divulga seu Livro Bege, um relatório sobre as condições atuais de cada um dos 12 distritos da Reserva Federal, cobrindo todo o território dos Estados Unidos.

Às 22h45 são divulgados os índices Caixin PMI Composto e de Serviços da China.

3. Agenda no Congresso e aumento na conta de luz 

Sem acordo sobre novo programa social e com poucas perspectivas de que a PEC emergencial seja votada ainda este ano, o Brasil voltará ao Bolsa Família em janeiro de 2021, afirmou à Bloomberg um integrante da equipe econômica na condição de anonimato. O Ministério da Economia insiste em desindexação para financiar programa social, enquanto a PEC emergencial não deve ser votada este ano, disse a fonte.

Ainda em destaque, na véspera, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, afirmou que o Congresso analisará LDO 2021 em 16 de dezembro. Também estão previstos na pauta o exame de 22 vetos presidenciais. Sem a aprovação da LDO pelo Congresso não pode haver recesso parlamentar, previsto para ocorrer de 23 de dezembro a 1º de fevereiro.

Ainda no radar, questionado por um internauta no Facebook na terça-feira sobre o aumento na conta de luz na véspera com a vigência da bandeira vermelha, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que, se nada fosse feito pelo governo, o país poderia enfrentar um apagão.

O aumento busca frear o consumo de energia, já que a falta de chuvas tem baixado o nível dos reservatórios de hidrelétricas, pressionadas pela retomada da demanda.

“As represas estão em níveis baixíssimos. Se nada fizermos, poderemos ter apagões (…) O período de chuvas, que deveria começar em outubro, ainda não veio. Iniciamos também campanha contra o desperdício”, afirmou o presidente.
Na segunda-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a reativação do sistema de bandeiras tarifárias nas contas de luz a partir de dezembro, estabelecendo para o mês que vem a bandeira vermelha patamar 2, elevando os custos pagos pela população.

Além disso, em discurso ao visitar obras da Ponte da Integração Brasil-Paraguai, em Foz do Iguaçu, Bolsonaro descartou prorrogar o auxílio emergencial. “Temos internamente os nossos problemas. Ajudamos o povo do Brasil com alguns projetos por ocasião da pandemia. Alguns querem perpetuar tais benefícios. Ninguém vive dessa forma”, disse.

 

4. Vacinação no Brasil e exposição de dados pessoais

O Ministério da Saúde divulgou na terça-feira uma proposta preliminar sobre como deverá se dar a vacinação contra a covid no Brasil. O órgão não divulgou a data exata de início da campanha de imunização, mas a previsão é de que ela ocorra entre março e junho de 2021.

A vacinação deverá ocorrer em duas doses, com base nos acordos garantidos pelo governo brasileiro para obter a vacina desenvolvida entre Universidade de Oxford e Astrazeneca, e pela aliança Covax Facility, um pool internacional que tem nove vacinas candidatas e pretende desenvolver e distribuir aquelas comprovadamente eficazes.

Ela será dividida em quatro etapas. A primeira delas terá como prioridade profissionais de saúde, idosos a partir de 75 anos e indígenas. Pessoas com mais de 60 anos vivendo em asilos ou instituições psiquiátricas também serão priorizados.

Nessa primeira etapa, devem ser vacinados cerca de 13 milhões de brasileiros, ou 6% da população.

Na segunda etapa, a prioridade deverá ser sobre pessoas com entre 60 e 74 anos, que também são especialmente suscetíveis à doença. Em seguida, o foco será sobre pessoas com comorbidades, que também têm risco de agravamento da doença.

A quarta etapa terá como foco professores, membros de forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e a população privada de liberdade.

Ao fim da quarta etapa, o governo pretende já ter vacinado 109,5 milhões de brasileiros, ou 51,4% da população.

Além disso, o governo passa por novos questionamentos com relação à proteção garantida aos dados de brasileiros.

Na semana passada, o Estadão reportou que pacientes com diagnóstico de covid-19 tinham tido seus dados pessoais expostos. Nesta quarta-feira, o jornal estampa como reportagem de capa uma investigação que indica que os dados de 243 milhões de brasileiros registrados no SUS ou clientes de planos de saúde foram expostos.

O número é maior do que a população brasileira atual, de cerca de 210 milhões de pessoas, porque constam também registros de pessoas mortas. Entre as informações vazadas estão número do CPF, nome completo, endereço e telefone.

Novamente, os dados foram expostos devido a exposição indevida de login e senha de acesso ao sistema que armazena os dados cadastrados de brasileiros junto ao Ministério da Saúde.

 

5. Radar corporativo

A C&A informou na terça-feira que estima em aproximadamente R$ 120 milhões crédito fiscal relacionado a uma ação que discutia a inexigibilidade do PIS (Programa de Integração Social) e da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) nas operações internas da Zona Franca de Manaus, e na qual obteve decisão favorável.

Com o trânsito em julgado na véspera, a varejista de moda disse que teve reconhecido o direito de reaver, mediante compensação, valores relacionados ao período de abril de 2011 a abril de 2018, devidamente corrigidos. Também obteve direito a uso do benefício do Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras).

Na terça, o presidente-executivo da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou que a empresa vai investir em tecnologias para reduzir a pegada de carbono de suas atividades de extração de petróleo, e não deve realizar aportes em energias renováveis nos próximos cinco anos.

Castello Branco já havia afirmado diversas vezes que a Petrobras não possui vantagem comparativa em renováveis e que diversas metas ambientais estabelecidas por suas rivais europeias são fantasiosas.

A fintech de crédito para empresas de pequeno e médio portes Weel informou nesta terça-feira que atingiu R$ 1 bilhão em financiamentos, movimento acelerado durante a recessão provocada pela crise com a pandemia da Covid-19.

Segundo o presidente da Weel, Simcha Neumark, parte relevante deste montante foi concedida nos últimos meses, através do Peac (programa emergencial de apoio às empresas) do BNDES.

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