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SÃO PAULO – A sessão é de queda para as bolsas europeias e os principais índices futuros americanos na manhã desta quinta-feira (12), o que pode afetar o Ibovespa após uma sessão de leve queda na véspera.

No campo das vacinas, após otimismo com a Pfizer, a Moderna entra no radar, enquanto no Brasil a Anvisa liberou retomada dos estudos da Coronavac. Na sessão, as falas dos presidentes de autoridade monetária Jerome Powell (Federal Reserve) e Christine Lagarde (Banco Central Europeu) podem influenciar os negócios.

A bateria de balanços prossegue, com atenção para JBS, Marfrig, Via Varejo e Eletrobras, assim como as notícias sobre os programas de auxílio do governo para o ano que vem. Segundo o jornal O Globo, o governo trabalha com a possibilidade de ampliar a base do Bolsa Família em 2021. Confira os destaques:

1.Bolsas mundiais

As bolsas europeias e os índices futuros americanos registram queda nesta quinta-feira (12), com a preocupação com a segunda onda da Covid voltando a inspirar cautela entre os investidores. Na véspera, o Nasdaq subiu cerca de 2% com a alta das ações de tecnologia em um movimento de recuperação após duas quedas, mas o Dow Jones fechou praticamente estável.

Vale ressaltar que, no começo da semana, os mercados apresentaram otimismo com resultados de testes da vacina desenvolvida por Pfizer e BioNTech indicando cerca de 90% de eficácia em barrar a contaminação pelo coronavírus. Com isso, as ações da chamada “velha economia”, como petrolíferas e de indústria, subiram forte, enquanto as de techs, que já subiram forte no acumulado do ano, tiveram queda nos dois primeiros pregões da semana, recuperando-se parcialmente na sessão da véspera.

Nesta sessão, o índice Eurostoxx tem queda de 0,67%; o Dax, da Alemanha, cai 0,84%; o FTSE 100, do Reino Unido, cai 0,77%; o CAC 40, da França, cai 0,79%; o FTSE MIB, da Itália, cai 0,52%.

O movimento na Europa ocorre apesar de dados preliminares indicarem uma alta recorde de 15,5% da economia do Reino Unido no terceiro trimestre, que permanece 9,7% inferior ao seu nível em dezembro de 2019. Os investidores seguem monitorando o aumento de casos de coronavírus no Velho Continente e nos EUA.

Na Europa, países como França, Reino Unido e Alemanha implementam novos lockdowns. Nos sete dias terminados na terça-feira (10), os Estados Unidos registraram uma média de 121.153 novos casos diários, um recorde. É um patamar 33% maior do que a média dos sete dias imediatamente anteriores. Cidades como Nova York e San Francisco anunciaram novas restrições econômicas para tentar barrar o vírus.

Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 Futuro tem queda de 0,41%; o Nasdaq Futuro tem baixa de 0,32%; e o Dow Jones Futuro cai 0,45%.

Há também expectativa de novos sinais positivos sobre o desenvolvimento de uma vacina. Na quarta-feira à noite, a farmacêutica Moderna anunciou que testes de fase três haviam acumulado casos o suficiente de contaminação pelo coronavírus para enviar os resultados preliminares a uma junta independente de monitoramento.

A maior parte das bolsas asiáticas teve tendência de queda, com o mercado calibrando o otimismo sobre o potencial de vacinas para trazer as economias mundiais de volta à normalidade.

Após o otimismo no início da semana, o noticiário levanta questões sobre os desafios logísticos de garantir acesso a bilhões de pessoas à vacina, que se somam às notícias sobre aceleração da propagação do vírus e adoção de restrições de mobilidade em economias importantes.

Ações de empresas que se saem bem quando a população permanece em casa, dos setores de compras pela internet ou comunicação pessoal, por exemplo, tiveram alta em detrimento de ações de empresas associadas à volta da normalidade.

A exceção foi o índice Nikkei, do Japão, que teve alta apesar de um relatório apontar queda de pedidos de maquinário em setembro, indicando menor investimento das empresas.

O Hang Seng Index, de Hong Kong, fechou em queda de 0,22%; o Kospi, da Coreia do Sul, teve queda de 0,41%; o índice Shanghai, da China, teve queda de 0,11%. E o índice Nikkei, do Japão, teve alta de 0,68%.

Veja o desempenho dos principais índices às 7h30 (horário de Brasília):

Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,41%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,32%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,45%

Europa
*Dax (Alemanha), -0,84%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,77%
*CAC 40 (França), -0,79%
*FTSE MIB (Itália), -0,52%

Ásia
*Nikkei (Japão), +0,68% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) -0,22% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,41% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,11% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -0,13%, a US$ 41,32 o barril
*Petróleo Brent, -0,37%, US$ 43,64 o barril
*Bitcoin, US$ 15.838,42, +2,86%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 0,18%, cotados a 835,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 126,09 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,63

2. Agenda de indicadores

Às 7h, a agência oficial de estatísticas da União Europeia, Eurostat, divulgou dados de produção industrial, que indicam queda de 0,4% na produção na Zona do Euro em Setembro comparado com o mês anterior, e 6,8% em relação a um ano antes. A expectativa de especialistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters era de alta de 0,7% entre agosto e setembro, e queda de 5,8% na comparação anual.

Às 9h, o IBGE divulga dados sobre o crescimento do setor de serviços no Brasil. Às 10h30, são divulgados dados sobre pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos. No mesmo horário, são divulgados dados de inflação e rendimento médio no país. Às 13h, são divulgados dados sobre produção de refinarias de petróleo, estoques de petróleo, produção e estoques de combustíveis.

Investidores também acompanham fórum online com discursos da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, do presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, e Jerome Powell, do Fed, às 13h45.

Às 23h são divulgados dados sobre confiança do consumidor na China, elaborado pela Thomson Reuters.

3. Testes com vacina voltam a ser liberados

Menos de 48 horas após ter suspendido testes no Brasil com a vacina chinesa Coronavac, produzida pela Sinovac, devido a um “evento adverso grave”, a Anvisa voltou a liberá-los. O recuo ocorreu após a imprensa divulgar que o evento se tratava do suicídio de um dos participantes do estudo, de 32 anos. A polícia investiga também uma possível overdose acidental. O Instituto Butantan, responsável pela vacina no Brasil, afirmou que pretende iniciar os testes imediatamente.

A suspensão havia pego o Instituto Butantan e o governo de São Paulo de surpresa, e fora comemorada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Twitter, que a tratou como uma vitória contra o governador de São Paulo João Doria (PSDB). Ele afirmou “esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”.

O caso levantou questionamentos sobre uma ação politizada da Anvisa. Bolsonaro pode ter Doria como opositor na Eleição presidencial de 2022, e desautorizou, em outubro, um anúncio do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, da compra de 46 milhões de doses da Coronavac do Instituto Butantan.

Na terça-feira, o ministro Ricardo Lewandowski deu 48 horas para que a Anvisa explicasse os critérios técnicos para a decisão de interromper os estudos. Antes de o prazo expirar, a Anvisa informou, por meio de nota, que recebeu documentos que garantem que a morte não tem relação com o imunizante.

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“Importante esclarecer que uma suspensão não significa necessariamente que o produto sob investigação não tenha qualidade, segurança ou eficácia”, frisou a agência. “A suspensão e retomada de estudos clínicos são eventos comuns em pesquisa clínica e todos os estudos destinados a registro de medicamentos que estão autorizados no país são avaliados previamente pela Anvisa com o objetivo de preservar a segurança para os voluntários do estudo.”

 

4. Bolsa Família, microcrédito e eleições

Ainda em destaque, o governo pretende criar um programa de microcrédito de até R$ 25 bilhões para trabalhadores informais que vão deixar de receber o auxílio emergencial. A vigência do programa expira no final de dezembro de 2020.

De acordo com informações publicadas em reportagem de capa do jornal O Estado de S. Paulo, o programa de microcrédito foi discutido na última terça-feira pelo ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O empréstimo poderia ficar em entre R$ 1.500 e R$ 5.000.

De acordo com o jornal paulista, a Caixa Econômica Federal, banco oficial responsável pelo pagamento do auxílio, já teria condições de oferecer, hoje, R$ 10 bilhões para financiar a nova linha de crédito.

Outras medidas em estudo poderiam elevar o valor para R$ 25 bilhões. Uma delas seria aumentar os “depósitos compulsórios”, a parcela dos recursos que os bancos são obrigados a deixar no Banco Central. O Ministério da Economia também estuda reforçar as garantias que dariam suporte a esses empréstimos, por meio, por exemplo dos fundos garantidores FGO, administrado pelo Banco Central, e FGI, gerido pelo BNDES. O público de baixa renda tem dificuldade de acesso a crédito porque não tem como oferecer garantias.

Ainda segundo o Estadão, o Ministério da Economia avalia que não há espaço para continuar fornecendo dinheiro a fundo perdido a trabalhadores informais. A meta seria, portanto, criar a linha de crédito para que possam ter autonomia para trabalhar. O governo também fomentaria que os trabalhadores se registrassem como Microempreendedores Individuais, de forma que passariam a contribuir com o INSS e obteriam acesso a benefícios previdenciários.

Em paralelo, o governo busca articular com o Congresso um programa que poderia substituir o Bolsa Família, chamado provisoriamente de Renda Cidadã. O desafio é fazê-lo sem estourar o teto de gastos. Também para criar novas formas de oferecer garantias, o governo precisaria encontrar maneiras de encontrar espaço fiscal no Orçamento de 2021.

Já segundo o jornal O Globo, nem auxílio nem Renda Cidadã: o governo planeja ampliar base do Bolsa Família em 2021. Fontes próximas ao presidente Jair Bolsonaro afirmam que ele não trabalha com a possibilidade de renovar o auxílio emergencial, hoje em R$ 300, e que termina em dezembro, e também teria desistido de vez de criar o Renda Cidadã neste ano.

Atenção ainda para as pesquisas eleitorais. A três dias do primeiro turno, o prefeito Bruno Covas (PSDB) ampliou a vantagem sobre seus adversários na disputa pela prefeitura de São Paulo, enquanto três candidatos brigam pela outra vaga para o segundo turno. É o que mostra a sétima rodada da pesquisa XP/Ipespe, divulgada nesta quinta-feira (12). Segundo o levantamento, realizado entre os dias 9 e 10 de novembro, o atual prefeito paulistano conta com 34% das intenções de voto – o que corresponde a um salto de 8 pontos percentuais em apenas uma semana. Veja mais clicando aqui. 

Na véspera, o Datafolha também divulgou a pesquisa para a eleição municipal. O atual prefeito se mantém com vantagem, de 32%. Em segundo lugar, há empate técnico entre Guilherme Boulos, que desde a última pesquisa oscilou de 14% para 16%; Celso Russomanno, que oscilou de 16% para 14%; e Márcio França, que oscilou de 13% para 12%.

Já em Macapá, as eleições municipais foram adiadas pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, atendendo a pedido do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá. Cidades do estado, incluindo a capital, sofrem com seu décimo dia de um apagão ocasionado pelo incêndio em três transformadores no estado. Ainda não há nova data para o pleito.

5. Radar corporativo

A JBS, encerrou o terceiro trimestre com resultado acima do esperado pelo mercado. A companhia, dona de marcas como Swift e Friboi, teve lucro líquido de R$ 3,1 bilhões de reais de julho a setembro, frente R$ 356,7 milhões no mesmo período do ano anterior, quando o resultado financeiro havia sido negativo em R$ 3,7 bilhões.

O desempenho foi impulsionado por forte desempenho nas unidades da empresa nos Estados Unidos e no Brasil, além de redução nas despesas financeiras.

A Via Varejo registrou lucro líquido contábil de R$ 590 milhões no terceiro trimestre de 2020, revertendo prejuízo de R$ 346 milhões apurado no mesmo período de 2019. O resultado não recorrente teve lucro de R$ 490 milhões, ante prejuízo de R$ 138 milhões na mesma base de comparação.

A Marfrig viu seu lucro crescer quase sete vezes no terceiro trimestre, chegando a R$ 674 milhões. No mesmo período de 2019, o lucro foi de R$ 100 milhões.

A Eletrobras registrou lucro líquido atribuível aos sócios controladores de R$ 84,983 milhões no terceiro trimestre de 2019, queda de 7,7 vezes, ou baixa de 87%, frente os R$ 651 milhões no mesmo período de 2019, principalmente por conta da queda de receita de geração.

A CCR teve forte queda no lucro ajustado do terceiro trimestre, de 71,9%, chegando a R$ 93,3 milhões entre julho e setembro. Impactou a companhia a alta do dólar e maiores despesas com depreciação de ativos perto do fim da concessão.

A empresa de tecnologia Locaweb informou lucro líquido no terceiro trimestre de R$ 7,8 milhões, um crescimento de 30,6% sobre os R$ 6 milhões vistos um ano antes. No critério ajustado, o lucro líquido ficou em R$ 12,5 milhões, alta de 30,4% sobre 2019.

A MRV registrou lucro líquido de R$ 158 milhões no terceiro trimestre, queda de 1,6% em um ano, mas aumento de 26,6% na comparação com o trimestre anterior.

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