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SÃO PAULO – A sessão desta quinta-feira é novamente de alta para os principais índices mundiais em meio à expectativa com vacinação e estímulos fiscais na Europa e EUA, ainda que haja cautela em meio à alta dos casos do coronavírus.

No Brasil, atenção ao relatório de inflação do Banco Central. O BC piorou levemente sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem a um crescimento de 3,8%, contra alta de 3,9% calculada em setembro, conforme o documento. Para este ano, a autoridade monetária revisou sua estimativa a uma contração de 4,4%, melhora frente a uma queda de 5% vista anteriormente. Também em destaque, a reunião do CMN e o leilão de linhas de transmissão da Aneel enquanto que, em meio à incerteza fiscal, o Congresso aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Confira os destaques:

1.Bolsas mundiais

As bolsas mundiais têm altas nesta quinta-feira (17). Investidores acompanham anúncios positivos quanto à perspectiva de novos estímulos à economia dos Estados Unidos, afetada pela pandemia de covid. Após dois dias de reunião, o Federal Reserve, o banco central americano, anunciou que continuará com sua política de compra de títulos. Líderes congressistas do país afirmaram na quarta que estão avançando em direção a um novo pacote de estímulos, no valor de US$ 900 bilhões.

Na quarta (16), o Federal Reserve ajustou sua política de apoio à economia dos Estados Unidos, após dois dias de reuniões. Como esperado, o banco central americano manteve as taxas de juros referenciais próximas a zero.

O Fed também anunciou que pretende continuar comprando ao menos US$ 120 bilhões em papéis mensalmente, “até que progresso substancial seja feito em direção às metas máximas do Comitê quanto a estabilidade de preços e emprego”.

O Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed também adicionou, em declaração, que “essas compras de ativos ajudam a promover o funcionamento suave do mercado, e condições financeiras acomodativas, dando suporte, dessa forma, ao fluxo de crédito a lares e negócios”.

Anteriormente, o Fed havia se comprometido a não elevar as taxas de juros até que a inflação ultrapasse a meta de 2%, mesmo se o desemprego atingir níveis que, normalmente, sinalizam pressão sobre os preços.

O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou avaliar que o preço atual das ações não está necessariamente alto, quando se leva em consideração o nível particularmente baixo das taxas de juros.

Além disso, na quarta, líderes do Congresso dos Estados Unidos sinalizaram que se aproximam de um acordo sobre um novo pacote de estímulos à economia, afetada pela pandemia.

Ele teria valor de US$ 900 bilhões, próximo aos US$ 908 bilhões que vêm sendo aventados publicamente por um grupo bipartidário de congressistas há mais de uma semana, e acima dos US$ 500 bilhões que vinham sendo defendidos publicamente pelo líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell.

Após uma reunião entre os quatro principais líderes congressistas, McConnel afirmou na quarta: “nós realizamos um avanço central no sentido de um pacote pandêmico de estímulos direcionado, que seria capaz de receber aprovação em ambas as casas, com maiorias bipartidárias”.

Em seguida, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou, com maior cautela: “Estamos próximos de um acordo, mas ainda não o fechamos”. Ele também ressaltou que democratas “gostariam de ter ido consideravelmente além”, e devem pressionar por mais auxílio após o presidente eleito, o também democrata Joe Biden, assumir, em 20 de janeiro.

No decorrer das negociações, que duram meses, democratas chegaram em falar em um acordo superior a US$ 2,2 trilhões, que, no entanto, não prosperou até o momento.

Segundo informações reproduzidas pela rede CNBC, o acordo que vem sendo negociado não incluiria auxílio a governos locais e estaduais, mas promoveria pagamentos diretos a cidadãos americanos, assim como um seguro-desemprego federal reforçado.

Em entrevista à rede, o senador republicano Steve Daines afirmou que o acordo incluiria cerca de US$ 300 bilhões direcionados a apoio a pequenos negócios, incluindo um programa de empréstimos para proteção de salários, recursos para a distribuição de uma vacina contra covid e testagem e apoio a hospitais.

As ações asiáticas fecharam em alta, em sua maioria, à medida que investidores monitoram os sinais de um possível novo pacote de estímulos à economia americana.

O índice Nikkei, do Japão, fechou em alta de 0,18%; o Hang Seng Index, de Hong Kong, subiu 0,82%; o Kospi, da Coreia do Sul, fechou em queda de 0,05%; o Shanghai SE, da China, subiu em 1,13%.

Confira o desempenho dos principais índices às 7h30 (horário de Brasília):
Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,54%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,49%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,45%
Europa
*Dax (Alemanha), +0,8%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,02%
*CAC 40 (França), +0,28%
*FTSE MIB (Itália), +0,37%
Ásia
*Nikkei (Japão), +0,18% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) +0,82% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,05% (fechado)
*Shanghai SE (China), +1,13% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +0,61%, a US$ 48,11 o barril
*Petróleo Brent, +0,53%, US$ 51,35 o barril
*Bitcoin, US$ 22.622,78, +16,39%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com alta de 2,60%, cotados a 1026,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 157,21 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,53

2. Agenda de indicadores

Às 4h a Associação Europeia de Fabricantes de Veículos divulgou dados sobre registro de novos carros na União Europeia em novembro. Os dados indicam queda de 12% entre os 27 membros do bloco, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, atingindo 897.692 unidades. Em outubro houvera queda de 7,8%.

Na Zona do Euro, houve queda de 12,5% em novembro frente o mesmo mês do ano anterior. Em outubro, houvera queda de 7,4%. A associação atribuiu o desempenho à ressurgência da covid e consequente implementação de novas medidas de lockdown.

Às 5h foi divulgado o índice IPC-Fipe semanal, que mede o custo de vida de famílias na cidade de São Paulo. Ele indicou inflação de 0,88% na segunda quadrissemana de dezembro.

No Brasil, destaque na agenda para o relatório trimestral sobre inflação. O Banco Central piorou levemente sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem a um crescimento de 3,8%, contra alta de 3,9% calculada em setembro, conforme o documento. Para este ano, a autoridade monetária revisou sua estimativa a uma contração de 4,4%, melhora frente a uma queda de 5% vista anteriormente.

Em comparação, o Ministério da Economia prevê alta do PIB de 3,2% em 2021, após recuo de PIB de 4,5% este ano. Já os economistas ouvidos pelo BC no mais recente boletim Focus projetam uma expansão da atividade de 3,50% no ano que vem e tombo de 4,41% neste.

Quanto à política monetária, o BC reforçou a mensagem que já vinha ressaltando em suas últimas comunicações públicas. Na semana passada, o BC manteve a Selic em sua mínima histórica de 2% ao ano pela terceira reunião consecutiva do Comitê de Política Monetária (Copom) e destacou que, em função do quadro inflacionário, as condições para seu compromisso de não elevar os juros básicos –via forward guidance– podem em breve não estar mais satisfeitas. Apesar disso, o BC destacou que uma alta da Selic não seria um processo mecânico.

Já às 15h, começa a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Às 10h30 são divulgados dados sobre licenças para construção e construção de casas novas em novembro nos Estados Unidos. No mesmo horário, são divulgados dados sobre seguro-desemprego relativos à semana encerrada em 5 de dezembro no país. E o Fed da Filadélfia divulga dados sobre o panorama dos negócios, relativos a dezembro.  Às 13h, o Fed de Kansas City divulga dados sobre atividade de fabricação, relativos a dezembro.

 

3. Aprovação da LDO e disputa pela Câmara

O Congresso aprovou na quarta o projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para 2021, essencial para evitar a parada da máquina pública a partir de 1 de janeiro. A votação do detalhamento do Orçamento de 2021, no entanto, deve ficar apenas para o próximo ano, quando o Congresso irá analisar a Lei Orçamentária Anual (LOA), onde são estimadas as receitas e fixadas as despesas do governo federal.

O Ministério da Economia considerou um INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de apenas 4,1% em 2020 em seus cálculos sobre a despesa total da União em 2021 que consta na LDO.

De acordo com o jornal Valor, o índice deve ficar, no entanto, em 4,8%. Assim, governo teria subestimado em R$ 5,378 bilhões os gastos em 2021.

Na quarta, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) voltou a afirmar que a pauta do ministro da Economia, Paulo Guedes, é minoritária no governo. Ele afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teria desistido de qualquer medida de corte de gastos.

“A impressão que eu tenho é que o palácio não tem mais interesse em votar matérias que geram desgaste, como a PEC Emergencial. O que eu ouvi, não tenho informações, é o que eu ouvi, é que na reunião com o [senador] Marcio Bittar o presidente [Bolsonaro] disse que não quer votar mais nenhum corte de gastos”, afirmou Maia a jornalistas. Bittar é autor da PEC Emergencial, que criaria “gatilhos” visando impedir o descumprimento do teto de gastos. Os gatilhos também ficaram de fora do projeto de reestruturação da dívida dos estados.

“A minha dúvida é se o Paulo Guedes hoje é majoritário no governo, eu acho que não. Essa política, na qual os políticos sempre defenderam ampliação de gastos, os militares sempre defenderam ampliação de gastos, acho que está com mais força. Minha percepção é de que o Paulo perdeu a força dessas políticas que geram desgaste, mas que são melhores da sociedade. A eleição só é daqui a dois anos”, disse Maia.

Rodrigo Maia articula para eleger seu sucessor na Presidência da Câmara dos Deputados. Com MDB, DEM, PSDB, PV, Cidadania e PSL, seu bloco tem 158 deputados. Caso haja adesão de partidos de esquerda, excluindo Psol, poderia obter mais 122, o que lhe daria maioria.

O candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro é Arthur Lira líder do PP na Câmara, que soma 214 deputados. Ele conquistou recentemente o apoio do presidente do Republicanos, Marcos Pereira, de São Paulo.

4. Novos casos de covid próximos a recorde e planos de vacinação no Brasil

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de quarta, o avanço da pandemia no Brasil em 24h. Ficaram de fora dados do estado de São Paulo, que não enviou seu boletim, alegando falhas no Sivep (Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica) do Ministério da Saúde.

Mesmo assim, foram confirmados 68.437 novos casos, o segundo maior patamar desde o início da pandemia. O ápice foi em 29 de julho, com 70.869 casos. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 44.654 novos diagnósticos por dia, 10% a mais do que o patamar de 14 dias antes.

Foram registradas 968 mortes por covid no intervalo. Mesmo sem os dados de São Paulo, é o maior patamar desde 15 de setembro, quando o país registrou 1.090 mortes. Assim, a média móvel nos últimos 7 dias atingiu 684, alta de 26% frente o patamar de 14 dias antes. Foi a média móvel mais elevada desde 1º de outubro, quando o patamar de 698 mortes foi atingido.

Segundo reportagem de bastidores publicada na quarta à noite pelo portal UOL, o Ministério da Saúde, comandado pelo general Eduardo Pazuello, está em fase de acertos finais com o Instituto Butantan, para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac.

No Brasil, ela será fabricada a partir de insumos importados, pelo Butantan, ligado ao governo do estado de São Paulo, comandado pelo rival de Bolsonaro, João Doria (PSDB). Em outubro, Bolsonaro chegara a desautorizar Pazuello após o ministro anunciar a intenção do governo federal de adquirir o imunizante.

Mais cedo na quarta, o general Pazuello afirmou que as primeiras vacinas contra covid podem estar disponíveis para aplicação a partir de meados de fevereiro, considerando o estágio do produto desenvolvido pela parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, que deve ser produzida no Brasil pela Fiocruz, e da Sinovac.

Em entrevista coletiva após o lançamento do Plano Nacional de Vacinação, Pazuello afirmou que será necessária assinatura de termo de responsabilidade por quem tomar vacinas aprovadas para uso emergencial.

Nesta quinta, o STF (Supremo Tribunal Federal) continua o julgamento de duas ações sobre a obrigatoriedade da vacinação contra covid, protocoladas por PDT e PTB. No início da sessão de terça, o ministro Luiz Fux, presidente do STF, afirmou que a expectativa é de que o julgamento seja finalizado antes do recesso. O Supremo realiza sua última sessão do ano na manhã de sexta (18).

Na quarta, o ministro Ricardo Lewandowski, relator de uma das ações, votou a favor de medidas restritivas indiretas, visando obrigar a população a se vacinar contra a covid. Entre essas medidas estão “restrição ao exercício de certas atividades ou à frequência de determinados lugares, desde que previstas em lei, ou dela decorrentes”.

Ele disse avaliar que “vacinação compulsória não significa vacinação forçada, por exigir sempre o consentimento do usuário”, e afirmou que vacinação forçada seria inconstitucional.

Nesta quarta, o julgamento terá continuidade com o voto do ministro Luís Roberto Barroso, relator de outra ação, que questiona se pais podem deixar de vacinar seus filhos com base em “convicções filosóficas, religiosas, morais e existenciais”.

Além disso, seguindo anúncio feito no dia anterior pela cidade do Rio de Janeiro, que cancelou eventos relacionados a comemorações de Ano Novo, a cidade de São Paulo anunciou na quarta que cancelou a queima de fogos, com o intuito de desincentivar aglomerações.

5. Radar corporativo

A fabricante de painéis de madeira Guararapes, com sede em Santa Catarina, pediu na quarta o registro para realizar sua oferta inicial pública de ações (IPO). A operação, a ser coordenada por Bank of America, BTG Pactual, XP, Citi, Bradesco BBI e UBS-BB, envolve a venda de ações novas, além de uma participação detida pelo fundo de investimento Brasil Agronegócio, da BRZ Investimentos. Já as ações da Neogrid começam a ser negociadas após IPO.

O conselho de administração da Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgotos) aprovou na quarta, por maioria de votos, processo de concessão de partes da companhia, que tem potencial para levantar mais de R$ 10 bilhões para o Rio de Janeiro, segundo cálculos do governo estadual e do BNDES.

O Conselho de Administração da BR Distribuidora aprovou na quarta a remuneração antecipada de R$ 498,12 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP) referentes ao exercício de 2020, informou a companhia em fato relevante. O montante corresponde a R$ 0,43 por ação, segundo a distribuidora de combustíveis, que acrescentou que o pagamento será efetuado em 12 de janeiro de 2021, com base na posição acionária de 21 de dezembro deste ano.

O grupo de medicina diagnóstica Fleury anunciou na quarta o lançamento de sua plataforma de testes genéticos com foco no mapeamento genético, a Sommos DNA. Segundo a companhia, o objetivo é identificar mutações no DNA e a relação com possível desenvolvimento de doenças a longo prazo ou que podem ser herdados por filhos, explicando que o serviço poderá detectar predisposição a doenças hereditárias.

Ainda no radar das empresas, a Aneel promove leilão de linhas de transmissão que deve atrair gigantes do setor de energia: Estado, enquanto a Vale e autoridades devem ter quarta audiência para tentar acordo de compensações sobre Brumadinho. Já o Bradesco aprovou JCP de R$ 3,5 bilhões.

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