As bolsas mundiais operam em baixa nesta manhã, à espera da reunião de política monetária da zona do euro. As principais bolsas europeias estão no negativo, assim como os índices futuros de Nova York. Já na Ásia, o mercado fechou misto.

No Brasil, continua em destaque o debate sobre a pressão inflacionária dos alimentos. Ontem, o Ministério da Justiça notificou supermercados e produtores a explicar, em cinco dias, o aumento do preço dos alimentos da cesta básica. No mesmo dia, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) zerou a tarifa de importação do arroz.

Também chama atenção a notícia de que a ala militar do governo está perto de ganhar maior poder de decisão dos assuntos orçamentários em detrimento da equipe econômica. Além disso, foi noticiado que o programa Renda Brasil deve voltar a fazer parte da PEC do pacto federativo.

No noticiário corporativo, o Grupo Pão de Açúcar iniciou um estudo para a segregação do Assaí, que opera os negócios de cash and carry (atacarejo). Já a Raízen e a Biosev confirmaram que estão negociando uma possível transação.

1. Bolsas mundiais

As bolsas mundiais estão no território negativo, à espera de uma definição sobre a política monetária e as taxas de juros da zona do euro, que será divulgada após reunião do Banco Central Europeu (BCE). As principais bolsas europeias estão no negativo, assim como os índices futuros de Nova York, que subiram forte na véspera após sessões seguidas de baixa.

Os futuros do Dow Jones caem 0,31%, enquanto os do S&P 500 recuam 0,33%. Já os futuros do Nasdaq têm baixa de 0,32%.

Na Europa, onde o Euro Stoxx cai 0,16%. O FTSE 100, de Londres, recua 0,55%, enquanto o CAC, de Paris, perde 0,21%. Existe uma expectativa de que o BCE vai ajustar suas políticas nesta semana, podendo seguir as medidas tomadas pelo norte-americano Fed, que revisou as metas de inflação de longo prazo.

Os mercados globais também aguardam o relatório sobre pedidos de seguro desemprego nos Estados Unidos. Uma pesquisa da Dow Jones prevê 850 mil novos pedidos, abaixo dos 881 mil pedidos da semana passada.

Ao mesmo tempo, na Ásia as bolsas fecharam mistas, em parte beneficiadas pela retomada vista nos mercados mundiais na véspera.

Por outro lado, na China continental, as Bolsas ficaram no vermelho após os negócios de algumas ações do ChiNext, índice focado em tecnologia semelhante ao Nasdaq, serem suspensos em função de “volatilidade anormal” em meio a relatos de que o governo tomou medidas para inibir especulação nos mercados, segundo a Reuters.

O índice Nikkei 225, do Japão, subiu 0,88%, enquanto índice Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,87%. Na China, o Shangai SE perdeu 0,61%. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,64%.

Os preços do petróleo estão em queda. O WTI cai 1,58%, cotado a US$ 37,45 o barril, enquanto o Brent recua 1,23%, a US$ 40,29 o barril.

A queda vem após o American Petroleum Institute (API) estimar, no fim da tarde de ontem, que o volume de petróleo bruto estocado nos EUA teve aumento de 3 milhões de barris na última semana. Mais tarde, investidores vão acompanhar o levantamento oficial sobre estoques de petróleo dos EUA.

*Veja o desempenho dos mercados, às 7h05 (horário de Brasília):

Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,33%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,32%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,31%

Europa

*Dax (Alemanha), +0,21%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,53%
*CAC 40 (França), -0,21%
*FTSE MIB (Itália), +0,16%

Ásia

*Nikkei 225 (Japão), +0,88% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -0,64% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,61% (fechado)

*Petróleo WTI, -1,58%, a US$ 37,45 o barril
*Petróleo Brent, -1,25%, a US$ 40,28 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de 2,26%, cotados a 822.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 120,18 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,83924

*Bitcoin, US$ 10.268,44, +0,90%

2. Agenda

Os investidores conhecerão hoje, às 8h, a primeira prévia de setembro do IGP-M, que será divulgado pela FGV. Também será divulgada hoje a Pesquisa Mensal de Comércio, com a vendas de julho, pelo IBGE, às 9h.

As vendas no varejo devem ter tido alta de 2,4% em julho na comparação anual, segundo estimativa mediana em pesquisa Bloomberg, depois de marcar 0,5% na medição anterior.

Também às 9h, a Conab publica relatório sobre produção de grãos e soja.

Nos Estados Unidos, o mercado acompanha os números semanais de pedidos de auxílios desemprego, às 9h30. Na zona do Euro, o Banco Central Europeu divulgará decisões sobre política monetária e taxa de juros, às 8h45.

Confira ainda o Radar InfoMoney, novo programa diário que resume, em poucos minutos, os fatos mais relevantes do noticiário econômico e político do Brasil e do mundo e os seus impactos no comportamento das ações e de outros ativos financeiros. O programa é transmitido ao meio-dia em ponto, de segunda a sexta-feira, pelo canal do InfoMoney no YouTube.

3. Inflação

Ontem, o Ministério da Justiça notificou supermercados e produtores a explicar, em cinco dias, o aumento do preço dos alimentos da cesta básica. Se houver confirmação de abusos na formação de preços, podem ser aplicadas multas em valores que passam de R$ 10 milhões.

Segundo a Folha de S.Paulo, a medida surpreendeu pastas de Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura), que trabalhavam em uma ação de mercado contra a alta dos preços. A principal iniciativa prevista era a suspensão do Imposto de Importação sobre o arroz, que foi aprovada ontem pela Câmara de Comércio Exterior.

A medida foi vista como um viés estatal por ex-integrantes da equipe econômica, que lembraram o tabelamento praticado no governo do José Sarney, dos anos 1980.

Na quarta-feira, o presidente da Associação Brasileira de Supermercados, João Sanzovo Neto, afirmou que deve ocorrer uma campanha para o brasileiro substituir o arroz pelo macarrão. Ele destacou que o problema da alta dos preços está sendo causada pelo excesso de demanda, principalmente no exterior, e pela retração na oferta.

O mercado acompanha ainda o projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional pode anistiar as igrejas do pagamento de quase R$ 1 bilhão em dívidas com a Receita Federal. Segundo O Globo, o presidente Jair Bolsonaro deve seguir a assessoria jurídica do Palácio do Planalto e vetar o trecho do projeto de lei que concede o perdão milionário. A equipe econômica do governo também é contrária à sanção da medida.

4. Orçamento

Outro destaque no noticiário brasileiro é o de que a ala militar do governo está perto de ganhar maior poder de decisão dos assuntos orçamentários em detrimento da equipe econômica.

Segundo o Estado de S.Paulo, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, fará parte da Junta de Execução Orçamentária (JEO), responsável pelas principais decisões do Orçamento. Atualmente, a junta é composta apenas pelos ministros da Economia e da Casa Civil.

Além disso, a definição do programa Renda Brasil deve voltar a fazer parte da PEC do pacto federativo. O parecer seria apresentado ontem ao presidente do Senado, mas foi adiado para incluir o programa assistencial. Inicialmente, o relator deixaria o Renda Brasil fora da PEC para ser incluído no parecer do projeto de Orçamento de 2021. No entanto, agora o programa deve ser apresentado ao presidente na semana que vem, entre quarta e quinta-feira.

Na noite de ontem, presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse à CNN Brasil que fez uma pesquisa em suas redes sociais em que 82% das pessoas responderam que queriam a permanência do valor de R$ 600 no auxílio emergencial. No entanto, ele disse que sua posição pessoal é de aprovar a medida provisória enviada pelo governo, que prevê mais quatro parcelas de R$ 300.

5. Radar corporativo

Um dos destaques do noticiário empresarial é a intenção do Grupo Pão de Açúcar de segregar a operação do Assaí, que opera os negócios de cash and carry (atacarejo).

Primeiro, a participação acionária detida pelo Assaí no Amacenes Éxito será transferida para o GPA. Depois, ocorrerá uma cisão parcial do GPA. Em seguida, a empresa vai listar as ações do Assaí no Novo Mercado da B3, e dos ADRs da empresa na bolsa de Nova York. Finalmente, as ações de emissão do Assaí serão distribuídas aos acionistas do GPA.

Além disso, a Cosan informou sua controlada Raízen está mantendo tratativas preliminares com a Biosev que poderão resultar em uma potencial transação entre as companhias.

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