Os investidores internacionais adotam a cautela em seus negócios e estão atentos aos dados do mercado de trabalho americano, que podem sinalizar sobre o ritmo de recuperação da maior economia do mundo. As Bolsas europeias operam em queda e os futuros de Nova York têm leve variação negativa.

No Brasil, a principal preocupação é com as medidas de cunho fiscal. O ministro da Economia, Paulo Guedes, quer evitar que a regra do teto de gastos seja flexibilizada, embora ocorra, dentro do governo, uma pressão para o aumento de gastos como forma de lidar com a pandemia do novo coronavírus.

Outra agenda de Guedes é a criação da carteira de trabalho verde amarela, que permitiria a contratação de trabalhadores pelo regime de horas. O objetivo é estimular a criação de novas vagas. Vale destacar que, na véspera, Bolsonaro reuniu-se com Guedes e os presidentes da Câmara e do Senado para mostrar apoio ao ministro e defender o teto de gastos, em uma iniciativa após a reação negativa do mercado à debandada de secretários, diante do receio de desidratação da agenda liberal.

E na temporada de balanços, a Via Varejo reverteu o prejuízo e apresentou lucro de R$ 65 milhões e ainda fará parte do índice global do MSCI. A Marfrig registrou lucro bilionário e a Ultrapar viu seu resultado ser afetado pelo menor volume de venda de combustíveis nos postos da rede Ipiranga.

1.Bolsas mundiais

Os principais índices mundiais refletem a cautela dos investidores nesta quinta-feira enquanto esperam mais dados sobre a atividade econômica, em especial do mercado de trabalho americano. As Bolsas europeias caem após quatro altas seguidas do Stoxx 600 e os futuros dos EUA flutuam, enquanto as negociações sobre estímulos em Washington permanecem em impasse

O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos irá divulgar, às 9h30 (horário de Brasília), o número de novos pedidos de seguro-desemprego. A expectativa é que o número fique em 1,12 milhão, pouco abaixo do registrado na semana anterior.

Os futuros do Dow Jones registram queda de 0,04% e o do S&P caem 0,08%.

As discussões entre republicanos e democratas para um novo pacote de ajuda financeira nos Estados Unidos estão no radar dos investidores, assim como o avanço das infecções por Covid-19.

“O mercado de ações nos Estados Unidos e em outros lugares está se conformando com o fato de que os dados econômicos mostram resiliência aos picos de infecção”, disse, à Bloomberg, Kit Juckes, estrategista do Societe Generale.

Apesar dessa resiliência da economia, as Bolsas europeias operam em queda. O FTSE 100, de Londres, cai 0,98%.

*Veja o desempenho dos mercados, às 7h36 (horário de Brasília):

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,08%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,06%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,04%

Europa
*Dax (Alemanha), -0,22%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,98%
*CAC 40 (França), -0,21%
*FTSE MIB (Itália), -0,08%

Ásia
*Nikkei 225 (Japão), +1,78% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -0,05% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,04% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -0,28%, a US$ 42,45 o barril
*Petróleo Brent, -0,37%, a US$ 45,26 o barril
**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em alta de 0,85%, cotados a 826.500 iuanes, equivalente hoje a US$ 119 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,9453 (+0,12%)
*Bitcoin, US$ 11.414, -0,69%

2. Agenda

O IBGE divulga, às 9h, os dados do setor de serviços referente ao mês de junho. A estimativa, segundo consenso Bloomberg, é de queda de 12,9% na comparação anual.

O dado mais esperado, no entanto, vem dos Estados Unidos. O Departamento de Trabalho irá revelar, às 9h30 (horário de Brasília), o número de novos pedidos de seguro-desemprego da semana. A expectativa é de uma desaceleração em relação ao número anterior (mas ainda acima de 1 milhão).

No mesmo horário saem os dados sobre os preços de exportações e importações.

Já às 23h, a China divulga os dados da produção industrial, taxa de desemprego e vendas de varejo. Todos os índices são referentes ao mês de julho.

Na agenda do InfoMoney, a série Por dentro dos resultados – que traz lives com os CEOs e principais executivos de companhias da Bolsa, em que eles comentam os números do ano, detalham as estratégias dos próximos meses e respondem as perguntas de quem estiver assistindo – recebe três empresas nesta quinta-feira. Para participar, basta se cadastrar, gratuitamente, na série.

Eugênio de Zagottis, vice-presidente da RD, e Fernando Spinelli, diretor de relações com investidores da companhia farmacêutica, participam da live às 10h30. Às 15h, será a vez da Azul, com John Rodgerson, CEO, e Alex Malfitani, CFO. Mais tarde, às 18h30, será a vez da MRV: Rafael Menin, co-presidente, e Ricardo Paixão, CFO, participam da transmissão.

3. Ajuste fiscal

Para lidar com a pressão para mudanças no testo de gastos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e lideranças do Congresso querem acelerar a votação de uma proposta que permite ao governo acionar em 2021 medidas de contenção dos gastos já previstas na Constituição, além de criar novos freios para as contas públicas, segundo reportagem do jornal “O Estado de São Paulo”.

Entre as medidas que poderiam ser adotadas estão a proibição de criação de despesas obrigatórias (como salários e o pagamento de benefícios da Previdência), criação de novos cargos, ampliação de benefício tributário (como isenções dadas a empresas e famílias) e corte de renúncias já concedidas.

Essas medidas corretivas seriam adotadas pelo governo automaticamente, já no ano que vem, e evitariam o estouro do teto de gastos – a regra que impede o crescimento das despesas acima da inflação.

Apesar da tentativa de Guedes de manter o ajuste fiscal, há uma demanda, inclusive dentro do governo, para a expansão dos gastos públicos como resposta à crise da pandemia da Covid-19.

4. Carteira Verde Amarela

O governo federal quer afrouxar as regras de contratação de trabalhadores permitindo que até metade dos empregados sejam pagos por hora trabalhada e não por um salário mensal. Essa forma de contratação seria a base da proposta da carteira verde e amarela, segundo reportagem publicada pelo portal UOL.

O objetivo do governo seria estimular a criação de novas vagas, sendo que o valor básico por hora trabalhada será baseado no salário mínimo (R$ 1.045 atualmente).

As mudanças na lei trabalhista, feitas em 2017, permitem o pagamento por hora no regime de trabalho intermitente. No entanto, nesse regime, o trabalho não pode ser contínuo.

Segundo a reportagem, a ideia do ministro da Economia, Paulo Guedes, é que esse regime não desse direito a férias remuneradas, 13º salário e recolhimento ao FGTS, mas técnicos da equipe econômica alertaram que esses benefícios são constitucionais e a proposta sofreria grande oposição dos parlamentares.

5. Radar corporativo

A Marfrig registrou lucro líquido de R$ 1,59 bilhão no segundo trimestre, ante apenas R$ 86,5 milhões em igual período do ano passado. Segundo a empresa, um melhor desempenho operacional e a demanda chinesa garantiram esse resultado.

O Ebitda ajustado entre abril e junho ficou em R$ 4,1 bilhões, alta de 266% no comparativo anual. A receita líquida consolidada foi de R$ 18,9 bilhões, avanço de 54% na comparação com igual período de 2019. Esse avanço contou com a ajuda das exportações da América do Sul para a Ásia, que subiram 145% no trimestre.

A empresa informou ainda que o preço médio de seus produtos subiu 18%, ante 11% do mercado.

Já a Ultrapar registrou lucro líquido de R$ 50 milhões no segundo trimestre do ano, uma queda de 60% na comparação com igual período do ano passado. Esse resultado é explicado pela queda de 18% das vendas de combustíveis na rede de postos Ipiranga, um dos setores afetados pelas medidas de distanciamento social adotadas para frear o avanço da Covid-19.

O Ebitda ajustado da companhia foi de R$ 611 milhões, queda de 14%.

Ainda na temporada de balanços, a Via Varejo, dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, registrou lucro líquido de R$ 65 milhões no segundo trimestre do ano, ante prejuízo de R$ 162 milhões em igual período de 2019.

A receita líquida da empresa entre abril e junho foi de R$ 5,2 bilhões, queda de 12,4% no comparativo anual. Já o Ebitda ficou em R$ 532 milhões, uma alta de 71,7%.

E a varejista ainda vai entrar nos índices acionários MSCI, incluindo o Global Standard. A revisão trimestral contou com a entrada da Via Varejo e a exclusão da brMalls.

No MSCI Global Small Caps, considerando apenas as mudanças nos papéis brasileiros, foram incluídas as ações de brMalls e excluído o papel da Via Varejo.

Essas mudanças entram em vigor no dia 31 de agosto.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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