Bandeira dos EUA

SÃO PAULO – O rali dos ativos de risco é retomado nesta segunda-feira (14) nas bolsas internacionais. Nos EUA, destaque para a notícia de que um grupo de parlamentares pode lançar pacote de estímulos, além da iminência das primeiras vacinações nos EUA, enquanto o avanço do coronavírus e a adoção de medidas mais restritivas na Alemanha aumentam a cautela do mercado.

No Brasil, o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, será divulgado nesta manhã, enquanto a Oi leiloa ativos da área móvel. Confira os destaques:

1. Bolsas mundiais

As bolsas europeias e os índices futuros americanos têm alta nesta segunda-feira, após uma semana marcada por quedas devido à falta de sinais positivos sobre a aprovação de um pacote de estímulos nos Estados Unidos e de um novo acordo comercial no Reino Unido. Nesta segunda, Estados Unidos devem iniciar a vacinação contra a covid, com a vacina desenvolvida por Pfizer e BioNTech, enquanto novas informações sobre o pacote fiscal também animam os investidores.

Na semana passada, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, avisou a investidores para se prepararem para um possível cenário de virada do ano sem um novo acordo comercial pós-Brexit com a União Europeia. O atual vence no dia 31 de dezembro, e o prazo final para as negociações era no domingo (13).

Mas, no domingo, Johnson e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, concordaram em prorrogar as negociações.

O índice Eurostoxx sobe 0,92%; o Dax, da Alemanha, sobe 1,02%; o FTSE 100, do Reino Unido, sobe 0,44%; o CAC 40, da França, sobe 0,97%; o FTSE MIB, da Itália, sobe 1,04%.

Além disso, a Alemanha anunciou que vai manter um lockdown total durante o período do Natal, em resposta ao aumento de novos casos de covid e mortes pela doença.

Na quinta-feira (10), o país registrou 604 mortes por covid, seu recorde para um único dia. No mesmo dia, registrou 32.734 novos casos, também um recorde. Os números contrastam com aqueles registrados na primeira onda de covid, quando o recorde de mortes fora 510, em 15 de abril. E o número de novos casos diários não havia ultrapassado a marca de 7.000.

Negócios considerados não essenciais, assim como escolas, fecharão na Alemanha a partir de quarta-feira (16).
“Parentes, amigos e contatos poderão se reunir em no máximo cinco pessoas, de dois lares, com exceção apenas para os feriados de Natal, entre 24 e 26 de dezembro, mas não durante a véspera do Ano Novo e durante o dia do Ano Novo”, anunciou a chanceler Angela Merkel.

Nesta segunda, os índices futuros americanos buscam altas, após uma semana de retração, marcada pela falta de avanço dos congressistas quanto a um novo pacote econômico para lidar com a pandemia de covid.

O índice S&P Futuro sobe 0,57%; o Nasdaq Futuro sobe 0,37%; o Dow Jones Futuro sobe 0,66%.

Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration, agência responsável pela regulamentação de medicamentos, autorizou o uso emergencial da vacina desenvolvida pela parceria entre Pfizer e BioNTech, a mesma que já vem sendo utilizada no Reino Unido e que o governo do Brasil afirma que pretende utilizar no país.

O diretor do CDC (Centro para Controle de Doenças, na sigla em inglês), Robert Redfield, assinou um acordo com as empresas, que permitirá que as imunizações se iniciem oficialmente nesta segunda, para pessoas com 16 anos ou mais. Entre os primeiros a receberem as vacinas devem estar trabalhadores da linha de frente da saúde e residentes de asilos.

Contribuindo para o bom humor dos mercados, um grupo bipartidário de parlamentares finaliza um projeto de estímulo de US$ 908 bilhões, embora “não haja garantia” de que o Congresso vai aprová-lo, disse um negociador importante à Bloomberg.

Os índices asiáticos fecharam na segunda-feira com resultados em sentidos variados, à medida que investidores reagem à perspectiva de início das vacinações nos Estados Unidos.

Confira abaixo o desempenho dos principais índices, às 7h20 (horário de Brasília):

Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,57%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,37%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,66%

Europa
*Dax (Alemanha), +1,02%
*FTSE 100 (Reino Unido), +0,44%
*CAC 40 (França), +0,97%
*FTSE MIB (Itália), +1,04%

Ásia
*Nikkei (Japão), +0,3% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) -0,44% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,28% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,66% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +1,01%, a US$ 47,04 o barril
*Petróleo Brent, +1,08%, US$ 50,51 o barril
*Bitcoin, US$ 19.129,81, -0,31%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com queda de 3,21%, cotados a 966,0 iuanes, equivalente hoje a US$ 147,61 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,54

2. Agenda de indicadores

Às 7h foi divulgada a pesquisa produção industrial mensal na Zona do Euro, relativa a outubro. Houve alta de 2,1%, em comparação com o mês anterior, frente expectativa de analistas de alta de 2%. Na comparação com outubro de 2019, houve queda de 3,8%, frente expectativa de analistas de queda de 4,4%.

Às 8h25, o Banco Central divulgou o Boletim Focus, com a expectativa de analistas sobre indicadores importantes, como cotação do dólar, inflação e juros.

Os economistas do mercado financeiro não fizeram grandes alterações em suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2020. A mediana das expectativas para o dado oscilou de uma queda de 4,4% na semana passada para um recuo pouco maior, de 4,41% esta semana. Para 2021, as estimativas se mantiveram em um crescimento de 3,5%.

Já em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2020, as projeções foram elevadas de 4,21% na semana passada para 4,25% hoje. Para 2021 a mediana das expectativas segue em avanço de 3,34% no principal medidor de inflação brasileiro. As previsões para o dólar ao fim de 2020 também oscilaram, saindo de R$ 5,22 na semana passada para R$ 5,20 agora. A maior mudança, no entanto, ocorreu nas expectativas para o câmbio em 2021, que saíram de R$ 5,10 para R$ 5,03 por dólar no fim do ano.

Por fim, as expectativas para a taxa básica de juros, Selic, mantiveram-se em 2,00% ao ano para 2020 (sem possibilidade de mudarem, já que a reunião do Comitê de Política Monetária da semana passada foi a última do ano) e em 3,00% ao ano para 2021.

Às 9h, o BC divulga o índice IBC-br relativo a outubro, com dados sobre atividade econômica: segundo consenso Bloomberg, a expectativa é de alta de 1,05% na comparação mensal e queda de 2% na base anual.

Às 15h são divulgados dados sobre a balança comercial semanal relativos a 13 de dezembro no Brasil.

Às 23h são divulgados dados sobre produção industrial e vendas no varejo, relativos a novembro na China.

 

3. Vacinação no Brasil

No sábado, a Advocacia Geral da União enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o plano de vacinação contra a covid, que foi divulgado pela Corte. Dividido em quatro fases plano prevê 108,3 milhões de doses, o que seria o suficiente para vacinar mais de 51 milhões de pessoas de grupos prioritários. A primeira fase focaria em trabalhadores da área de saúde, indígenas, pessoas acima de 75 anos e pessoas com 60 anos ou mais vivendo em asilos.

Não há, no entanto, uma data para início da vacinação, apesar de o governo afirmar que isso deve ocorrer no primeiro semestre. O governo alegou que a definição de uma data depende da aprovação de vacinas pela Anvisa.

Essa questão deve continuar em pauta. No domingo, o ministro do STF Ricardo Lewandowski determinou que o Ministério da Saúde informe, em 48 horas, as datas de início e término do plano nacional de vacinação. Mais tarde, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, divulgou um vídeo gravado na sexta-feira em que afirma que seria irresponsável especificar uma data sem o registro de aprovação pela Anvisa. Ele ressaltou que não há nenhum pedido de uso emergencial de vacina junto à agência.

O governo diz que pretende utilizar a vacina produzida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford. Há um acordo pelo qual o governo receberia 100,4 milhões de doses do produto até o final de julho de 2021. Outras 160 milhões de doses deverão ser produzidas pela Fiocruz a partir de insumos enviados pela AstraZeneca.

O plano também prevê a aquisição de 42,5 milhões de doses do consórcio Covax, coordenado pela Organização Mundial de Saúde, pelo qual a entidade pretende disponibilizar aos participantes vacinas aprovadas para uso. O governo afirma que outras vacinas poderão ser compradas, a depender de aprovação da Anvisa.

Na semana passada, o governo federal assinou um memorando que abre caminho para a compra de 70 milhões de doses da vacina desenvolvida por Pfizer e BioNTech. Ela começa nesta segunda a ser aplicada nos Estados Unidos, e que vem sendo aplicada desde a semana passada no Reino Unido.

No plano, o governo afirma ainda que tem orçamento reservado para compra de outras vacinas em fase de testes. O documento cita 13 produtos, dentre eles a vacina CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, que no Brasil deve ser produzida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, a partir de insumos importados.

No vídeo divulgado no domingo, Elcio Franco ressalta que, caso seja aprovada, a vacina produzida pelo Butantan poderá ser incluída no plano federal de vacinação.

Em nota assinada por 36 pessoas, o grupo técnico do “Eixo Epidemiológico do Plano Operacional de Vacinação Covid-19” se disse surpreendido com o documento e afirmou que o plano não lhe havia sido apresentado.

Uma das pesquisadoras citadas no plano, a enfermeira e epidemiologista Ethel Maciel, professora da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), afirmou em sua conta no Twitter que soube pela imprensa sobre o envio do documento, e afirmou que nenhum dos pesquisadores havia tido acesso ao relatório final, que os cita.

4. Disputa pela Câmara e trabalho dos jovens

Prestes a deixar a presidência da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que, se for comprovado que o governo vem buscando influenciar a eleição de seu sucessor usando como moeda de troca emendas e ministérios, a prática poderá ser considerada crime de responsabilidade. Ele descartou, no entanto, a possibilidade de impeachment de Bolsonaro, devido ao recrudescimento da pandemia.

Além disso, ele afirmou que o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), o teria procurado para tentar incluir gatilhos no projeto de reestruturação da dívida dos Estados, que será votado esta semana. Ele afirmou que acredita que a inclusão seria inconstitucional, mas poderia ser apresentada como emenda.

Além disso, com o adiamento da apresentação do relatório das PECs (Propostas de Emenda a Constituição) do ajuste fisca para 2021, a equipe econômica busca reintegrar ao texto do relator, senador Márcio Bittar (MDB-AC) pontos que ficaram de fora, em uma tentativa de viabilizar a aprovação da matéria, afirma o Valor com base em reportagem de bastidors. Na prática, as mudanças haviam diminuído o impacto potencial da proposta sobre as contas públicas.

Segundo pesquisa do Idados divulgada nesta segunda pelo Estadão, 77,4% dos trabalhadores jovens, com até 24 anos, têm empregos de baixa qualidade, quando se considera fatores com salário, estabilidade, condições de trabalho e rede de proteção, como o INSS. Isso equivale a cerca de 7,7 milhões de brasileiros. Quando se considera pessoas da faixa etária de entre 25 e 64 anos, a proporção é de 39,6%. Acima de 65 anos, de 27,4%.

Em entrevista ao jornal, o economista Bruno Ottoni, responsável pelo estudo, afirmou que “no mundo todo, o jovem tem uma renda menor e maior dificuldade de se colocar no mercado. Mas, no Brasil, os porcentuais indicam uma qualidade do emprego pior por causa da maior rotatividade e da informalidade”. A média mundial é de 60% dos jovens trabalhando em empregos considerados de baixa qualidade.

Ainda no radar, atenção ao Datafolha:  a avaliação ótima/boa de Bolsonaro ficou estável em 37% – o mesmo nível de agosto e ante 32% em junho.  A classificação ruim/péssima caiu para 32% de 34% anteriormente.

5. Radar corporativo

Depois das unidades de data center e de torres, será a vez dos ativos de rede móvel da Oi irem a leilão, com preço mínimo de R$ 15,7 bilhões, segundo o edital da 7ª Vara Empresarial.  A proposta conjunta de Telefônica, Tim e Claro, de R$ 16,6 bilhões, foi qualificada para participar do processo na condição de “stalking horse”. As propostas serão abertas em audiência virtual às 14h30.

No Pão de Açúcar, o Conselho aprovou a proposta de reorganização para segregar Assaí, que irá à votação em Assembleia Geral Extraordinária em 31 de dezembro. No Itaú, Alexsandro Broedel será CFO na nova estrutura. Já a Petrobras acertou a venda de campo Rabo Branco por US$ 1,5 milhão. A Telefônica Brasil aprovou dividendos intermediários de R$ 1,2 bilhão.

A Rede D’Or, que estreou na Bolsa na semana passada, teve rating alterado de BB- para BB pela S&P. A Gafisa, por sua vez, teve compra de Hotel Fasano Itaim aprovada pelo Cade.

 

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