SÃO PAULO – A primeira segunda de 2021 é de alta para os principais índices mundiais em meio à continuidade da vacinação contra a Covid-19 em diversos países, apesar das preocupações com relação ao aumento da contaminação.

Por aqui, apesar da perspectiva de ganhos para o Ibovespa este ano após uma leve alta em 2020, a preocupação fiscal segue no radar. Confira os destaques do noticiário corporativo:

1. Bolsas mundiais

As bolsas mundiais têm altas nesta primeira segunda-feira (4) de 2021, com otimismo quanto a pacotes de estímulos a economias importantes e com a vacinação em diversos países contra a covid.

Na Europa, investidores monitoram a relação entre Reino Unido e União Europeia após a finalização da separação comercial entre os dois no Ano Novo. Eles buscam sinais de problemas nos fluxos comerciais que poderiam ser causados pelas novas regras e pela nova burocracia.

A pandemia de covid continua a ser um tema central. O Reino Unido pretende iniciar nesta segunda a vacinação com o imunizante desenvolvido pela parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, que é também a principal aposta do governo federal brasileiro contra o vírus.

Mas o primeiro ministro Boris Johnson afirmou no domingo (3) que novas restrições devem ser implementadas no país, à medida que os casos de covid continuam crescendo.

No sábado (2), o país registrou seu recorde de novos casos da doença em um único dia, 57.724. Na quarta-feira (30) foram registradas 981 mortes por covid, um recorde para o atual período de ressurgência do vírus.

A aceleração da contaminação também ocorre do outro lado do Atlântico. Os Estados Unidos registraram no sábado o seu recorde de novos casos de covid em um único dia, 291.384 no total. O recorde absoluto de mortes do país foi registrado na quarta-feira, 3.808.

Mas estímulos oferecidos pelo Tesouro e pelo Federal Reserve à economia, além da distribuição de várias vacinas contra a covid contribuem para o bom desempenho do mercado, otimista quanto a ganhos em 2021.

Investidores também acompanham as eleições no estado da Geórgia na terça (5), que podem conferir a democratas maioria tanto no Senado quanto na Câmara americanas, além da Presidência.

No país, o presidente Trump pressionou oficiais da Georgia para tentar reverter derrota no estado. O áudio da ligação foi divulgado e gera um ciclo de notícias negativas em momento decisivo para eleição para duas vagas no Senado pelo estado, que ocorre amanhã. Uma vitória democrata tinha cerca de 30% de chances, segundo os mercados de apostas. Agora, o site Predictit precifica republicanos com 54% e democratas com 48% de chance de controlar a Casa [a soma não é 100% devido às regras dos sites de apostas]. No Congresso, como esperado, Nancy Pelosi foi eleita para liderar a Câmara, agora com vantagem mais enxuta dos democratas.

Na Ásia, as ações têm em sua maioria altas. Pela tarde de segunda, uma pesquisa privada indicou expansão da atividade industrial em dezembro na China, impulsionando ações no país.

O índice PMI (sigla em inglês para índice de gerente de compras) indicou que a atividade fabril do país teve altas em dezembro, apesar de ter reduzido o ritmo em comparação com novembro. Mas, no Japão, a perspectiva de restrições para lidar com a pandemia de covid desanimou investidores.

O índice Nikkei, do Japão, fechou em queda de 0,68%; o Hang Seng Index, de Hong Kong, teve alta de 0,86%; o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 2,47%; o Shanghai SE, da China, subiu 0,86%.

O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, anunciou que o governo considera declarar estado de emergência para Tóquio e três outras prefeituras da região devido ao aumento de casos do vírus. Ele pediu que restaurantes e bares passassem a fechar às 20h.

O país registrou o seu recorde de mortes por covid em 23 de dezembro, com 64 casos. E o recorde de novos casos em 31 de dezembro, com 4.540 no total.

Suga afirmou que o governo deve acelerar a aprovação de vacinas contra o coronavírus e passar a fornecê-las em fevereiro.

Confira o desempenho dos principais índices às 7h30 (horário de Brasília):

Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,55%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,44%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,57%

Europa
*Dax (Alemanha), +1,24%
*FTSE 100 (Reino Unido), +2,72%
*CAC 40 (França), +1,75%
*FTSE MIB (Itália), +0,86%

Ásia
*Nikkei (Japão), -0,68% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) +0,86% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +2,47% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,86% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +1,03%, a US$ 49,02 o barril
*Petróleo Brent, +1,51%, US$ 52,58 o barril
*Bitcoin, US$ 29.277,91, -13,88%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com queda de 3,35%, cotados a 1019,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 157,68 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,46

2. Agenda de indicadores

Às 8h25, o Banco Central divulgou o seu Boletim Focus, com a expectativa de economistas sobre índices importantes, como inflação, PIB, juros e taxa de câmbio. Os analistas reduziram a estimativa de inflação para 2020 de 4,39% para 4,38%; para 2021, houve redução de 3,34% para 3,32%. Para 2020, a estimativa de tombo do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 4,40% para 4,36%; em 2021, a previsão foi de alta de 3,49% para 3,40%.

Às 10h são divulgados dados do PMI (sigla em inglês para índice de gerentes de compras) Markit, relativos a dezembro no Brasil. Às 14h são divulgados dados sobre novos licenciamentos de carros em dezembro no Brasil; às 15h, serão revelados os dados da balança comercial semanal.

Às 11h45 são divulgados dados do PMI Markit do setor de manufatura nos Estados Unidos em dezembro. Às 12h, são divulgados dados sobre gastos com construção nos Estados Unidos em novembro.

Também às 12h, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, fala sobre economia e a política do Fed, na reunião anual da Associação de Avaliação Americana. Às 20h, a presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, fala sobre a perspectiva econômica, no mesmo evento.

3. Vacinação no Brasil

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de domingo (3), o avanço da pandemia em 24h no país.

A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 35.810, queda de 25% frente o período encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 17.252 casos. A média móvel de mortes em 7 dias foi de 698. Com isso, houve queda de 9% frente a média móvel do período encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registradas 287 mortes por covid.

Na virada do ano, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia restringiu a exportação de seringas e agulhas por empresas brasileiras.

Os produtos foram incluídos na lista daqueles que precisam de licença especial para serem vendidos para fora do país, de acordo com legislação aprovada em abril visando garantir suprimentos essenciais para lidar com a covid.

A restrição foi solicitada pelo Ministério da Saúde ao Ministério da Economia em 30 de dezembro, e começou a valer no dia 1º de janeiro.

No pedido, a pasta da Saúde cita o pregão realizado em 29 de dezembro, quando foi capaz de adquirir apenas 2,4% das seringas e agulhas que pretendia para a vacinação contra a covid – de 7,9 milhões, frente a meta de 331 milhões.

Empresas que participaram do pregão afirmaram que o edital tratava seringas e agulhas como um mesmo produto, e que os preços estavam abaixo daqueles de mercado.

Há questionamentos, no entanto, sobre a eficácia da medida. Segundo estimativa de Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos) reproduzida pelo portal G1, a exportação não representa hoje nem 10% do total da produção nacional de seringas.

Além disso, a Anvisa autorizou a Fiocruz a importar dois milhões de doses do imunizante produzido pela parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford. A fundação realiza os testes do produto no Brasil, e será responsável por fabricá-lo a partir de insumos importados.

Ela deve realizar nesta segunda o pedido formal para uso emergencial da vacina à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que deve analisar o pedido em dez dias. Só então a vacinação poderá se iniciar, o que a Fiocruz diz esperar que ocorra já em janeiro. A previsão inicial era de que o início fosse em fevereiro.

No domingo a ABCVAC (Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas), que reúne clínicas privadas que oferecem vacinação, informou que negocia com o laboratório indiano Bharat Biotech a compra de cinco milhões de doses de sua vacina contra a covid, a Covaxin, que teve o uso emergencial aprovado pelas autoridades indianas no mesmo dia.

4. LDO sancionada

Na quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou a Lei de Diretrizes Orçamentárias vetando, entre outros pontos, um dispositivo que impedia a limitação de gastos em ações vinculadas à produção e disponibilização de vacinas contra a Covid-19 e a imunização da população.

Em uma justificativa para vários vetos entre os quais o relativo às vacinas, o governo afirma que esse itens, por não terem ficado passíveis de limitação de empenho, reduziam “o espaço fiscal das despesas discricionárias, além de restringir a eficiência alocativa do Poder Executivo na implementação das políticas públicas”.

Entre outras previsões, a LDO sancionada por Bolsonaro projeta um crescimento real do Produto Interno Bruto de 3,2% neste ano e uma inflação medida pelo IPCA também de 3,2%.

A LDO serve para orientar a Lei Orçamentária Anual (LOA) que ainda precisa, no entanto, ser aprovado pelo Congresso. Sem a votação, o governo federal abre 2021 sem um Orçamento. A expectativa é que só seja aprovado em fevereiro.

Até lá, despesas obrigatórias, como o pagamento de salários de servidores, serão garantidas, mas o governo terá que trabalhar com a liberação de apenas 1/12 dos recursos previstos por mês para despesas discricionárias do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2021.

O Orçamento deve ser de cerca de R$ 1,5 trilhão, porém o Executivo terá liberdade para manejar menos de R$ 100 bilhões, já que a maior parte dos recursos está presa por gastos obrigatórios.

A virada do ano marca também o fim do período de calamidade pública, o que impede o governo de gastar acima do teto de gastos. Isso vinha viabilizando medidas adotadas para lidar com a pandemia, como o auxílio emergencial, que chega ao fim.

Contudo, no radar, o jornal Valor destaca que o reajuste do salário mínimo para 2021, em linha com a variação do INPC do ano passado, deverá comprimir os gastos discricionários para cerca de R$ 72 bilhões, o que implicaria shutdown da máquina pública neste ano

5. Radar corporativo

O conselho de administração da BB Seguridade aprovou um reforço de capital na Brasilprev de até R$ 1,2 bilhão, de acordo com fato relevante do braço de seguro e previdência do Banco do Brasil à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quarta-feira.

Já a Petrobras decidiu readmitir a Compass Gás e Energia, subsidiária da Cosan, no processo de desinvestimento da Gaspetro, após receber aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para o movimento, informou a estatal na última quarta-feira.

A Braskem  anunciou na quarta-feira que fechou acordos com autoridades para extinguir ações civis públicas relacionadas a um evento geológico com afundamento do solo ocorrido em Alagoas, para compensação dos moradores e reparação socioambiental.

(Com Reuters, Agência Estado e Bloomberg)

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