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SÃO PAULO – Na sessão desta sexta-feira (18), o dia é de alta para a maior parte dos principais índices das bolsas mundiais, mas o ânimo é limitado pela tensão EUA-China e impasse no Brexit, enquanto os desdobramentos das negociações para o  pacote fiscal nos EUA são acompanhados de perto pelos investidores.

Por aqui, o Banco Central anunciou leilão de linha de US$ 2 bilhões em meio à discussão sobre o efeito do ajuste do overhedge no câmbio no fim do ano. Já o STF fez contraponto ao governo e endossa imunização, formando maioria para vacinação contra o coronavírus obrigatória.

Ainda no noticiário político, depois de Jair Bolsonaro dizer em live que o Bolsa Família não tem 13º por culpa de Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente da Câmara pautou para esta sexta-feira a MP 1.000, que reduziu de R$ 600 para R$ 300 e estendeu o auxílio emergencial para os meses de outubro a dezembro – em que pretende incluir também o pagamento da parcela extra do Bolsa Família. O risco fiscal é um aumento do valor do auxílio ou a tentativa, ainda que controversa, de estender o calendário de pagamentos, destaca a equipe de análise da XP Política.

No radar corporativo, Vale não chega a acordo sobre Brumadinho e Petrobras fará pré-pagamento de R$ 4,49 bilhões para Petros. Confira os destaques:

1.Bolsas mundiais

A maior parte dos índices europeus tem leves altas, e os índices futuros americanos ficam estáveis nesta sexta (18). Investidores acompanham sinais negativos sobre um novo acordo comercial pós-Brexit entre Reino Unido e União Europeia, além da perspectiva de aprovação de um novo pacote de estímulos e de mais uma vacina nos Estados Unidos.

O índice Eurostoxx tem alta de 0,12%; o Dax, da Alemanha, sobe 0,22%; o FTSE 100, do Reino Unido, sobe 0,62%; o CAC 40, da França, sobe 0,03%; o FTSE MIB, da Itália, sobe 0,22%.

Na quinta (17), o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que as negociações sobre o acordo pós-Brexit estavam em “uma situação” séria, e de que um acordo é improvável, a não ser que a União Europeia esteja disposta a alterar seu posicionamento quanto a pescados, um antigo ponto de atrito.

O acordo atual vence no dia 31 de dezembro. Pelas regras da União Europeia, que continuam a valer para o Reino Unido até o fim do ano, todos os países membros têm acesso livre às águas uns dos outros. Hoje, mais de 60% dos peixes pescados nas águas britânicas são obtidos por barcos estrangeiros.

O Reino Unido deseja reduzir o acesso de países da União Europeia a suas águas, negociando o nível de acesso anualmente. A União Europeia deseja manter o status quo o máximo possível, alterando-o gradualmente, e realizando renegociações mais espaçadas.

A fala de Johnson sobre o acordo ocorreu após uma conversa do político com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que também afirmou que atingir um novo acordo deve ser “muito desafiador”.

Os negociadores estabeleceram o próximo domingo (20) como prazo para acertar um acordo, à medida que chegar a um resultado depois disso dificultaria a votação pelo Parlamento Europeu antes do final do ano.

Pelo lado positivo, uma pesquisa publicada mais cedo nesta sexta indica que a confiança do consumidor teve sua maior alta em oito anos no Reino Unido, indo de -33 em novembro para -26 em dezembro. Possivelmente, o otimismo é impulsionado pelo início da vacinação no país.

Nesta sexta, os três principais índices futuros dos Estados Unidos ficam estáveis, após uma quinta feira de altas impulsionadas por otimismo quanto à vacinação no país, assim como com a perspectiva de que o Congresso americano aprove um novo pacote de estímulos econômicos à economia, afetada pela pandemia de covid.

O índice S&P 500 Futuro sobe 0,07%; o Nasdaq Futuro cai 0,04% e o Dow Jones Futuro se mantém estável.

Na quarta (16), congressistas afirmaram que avançam em direção a um pacote no valor de US$ 900 bilhões, após meses de negociações. E, na quinta, um painel de aconselhamento da Food and Drug Administration, a agência americana responsável pela regulação de medicamentos, anunciou que decidiu a favor da vacina da farmacêutica Moderna para uso emergencial, dando sinal verde para sua aprovação.

Trata-se de um passo essencial no sentido de distribuir o produto no país a partir da semana que vem, assim como já vem sendo feito com o imunizante produzido pela parceria entre Pfizer e BioNTech.

Por outro lado, as tensões entre EUA e China se renovam após a Reuters informar que os EUA devem barrar dezenas de empresas chinesas.

Com isso, na Ásia, a maior parte dos índices fechou em baixa na sexta. Também no radar, estão as decisões do Banco Central do Japão. A instituição anunciou que estendeu por seis meses seu programa especial voltado a reduzir as pressões de financiamento, em meio à pandemia. A meta de 10 anos de rendimento do título do governo japonês ficou em 0%, e a taxa de juros de curto prazo ficou em -0,1%.

O índice Nikkei, do Japão, fechou em queda de 0,16%; o Hang Seng Index, de Hong Kong, recuou 0,67%; o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,06%; o índice Shanghai SE, da China, caiu 0,29%.

Já no mercado de commodities, os futuros de minério de ferro voltam a subir, enquanto o petróleo tem baixa variação, com o WTI sustentando os US$ 48 o barril.

Confira o desempenho dos principais índices às 7h20 (horário de Brasília):

Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,07%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,04%
*Dow Jones Futuro (EUA), estável

Europa
*Dax (Alemanha), +0,22%
*FTSE 100 (Reino Unido), +0,62%
*CAC 40 (França), +0,03%
*FTSE MIB (Itália), +0,22%

Ásia
*Nikkei (Japão), -0,16% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) -0,67% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +0,06% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,29% (fechado)

Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -0,04%, a US$ 48,34 o barril
*Petróleo Brent, -0,21%, US$ 51,39 o barril
*Bitcoin, US$ 23.041,25, -0,26%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com alta de 6,23%, cotados a 1073,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 164,13 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,54

2. Agenda

Às 6h foi divulgado o Índice de Conta Corrente da União Europeia, que mede a diferença entre o valor de produtos exportados e importados, serviços e pagamento de juros, relativos a outubro. O índice veio em 34,1 bilhões de euros.

No Brasil, às 9h30, é divulgado o saldo em conta corrente e investimento estrangeiro direto, relativos a novembro.

Ainda no radar do mercado, o Banco Central anunciou leilão de linha de US$ 2 bilhão das 10h15 às 10h20 em medida que tem como pano de fundo a discussão sobre o efeito do ajuste do overhedge no fim do ano. Roberto Campos Neto, presidente do BC, reitera que a autoridade monetária atuará se houver disfuncionalidade e diz que investidor monitora os avanços para a vacinação contra a Covid, que mantém números altos após bater recorde esta semana.

Campos Neto também participa da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). Prevista para quinta-feira, a partir das 15 horas, a reunião foi adiada para essa sexta-feira.  Os motivos da mudança e o novo horário da reunião não foram informados. Como o ministro da Economia, Paulo Guedes, estará formalmente de férias a partir desta sexta, 18, até 8 de janeiro, o secretário-executivo da pasta, Marcelo Guaranys, participará em seu lugar. O CMN é formado pelo ministro da Economia, pelo secretário especial de Fazenda e pelo presidente do Banco Central.

Às 10h30 é divulgado o saldo em conta corrente nos Estados Unidos, relativo ao terceiro trimestre. E, às 12h, o índice antecedente nos Estados Unidos em novembro.

3. Disputa pela Câmara

Após uma reunião de quase três horas entre presidentes nacionais e líderes das bancadas dos partidos de esquerda, PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL decidiram formalmente que vão vetar o apoio a qualquer candidato apoiado por Bolsonaro na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados.

Bolsonaro apoia o candidato Arthur Lira (PP-AL). No campo opositor, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), busca fazer um sucessor, sem ter, no entanto, um nome definido até o momento. Há dois pré-candidatos: Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (MDB-SP).

Na reunião entre partidos de esquerda, lideranças de PDT, PSB e PCdoB tentaram convencer PT e PSOL a integrarem o bloco de Maia. Em entrevista ao jornal O Globo, a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffman (PR), afirmou: “achamos que realmente dá para ir para esse bloco de centro. Temos divergências na área econômica, mas temos convergência na defesa da democracia e em pautas como o meio ambiente, por exemplo”.

Mas disse que, uma vez integrando o bloco, a esquerda deveria apresentar ainda um terceiro nome para ser avaliado ao lado de Ribeiro e Rossi. Com o apoio dos partidos de esquerda, Maia estaria em posição para fazer seu sucessor.

Também na quinta, a Câmara dos Deputados concluiu a votação de uma medida provisória editada pelo governo em setembro, que promove mudanças no setor elétrico visando conter o aumento das contas de luz até 2025 no Norte e no Nordeste, atendidos por empresas privatizadas recentemente, que pertenciam à Eletrobras. A proposta ainda precisa passar pelo Senado.

A medida dá mais poder ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) nas definições sobre Angra 3, e prevê a retirada de subsídios à geração de energia renovável.

4. Alta de mortes, recorde da média móvel de casos e perspectiva de vacinação

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de quinta, o avanço da pandemia no Brasil em 24h. Após alegar ter tido problemas com o sistema do Ministério da Saúde na quarta, o estado de São Paulo registrou casos acumulados de infecções e mortes, impulsionando o saldo final.

Foram registrados 68.832 novos casos, o segundo maior registro de novos diagnósticos em um único dia. A média móvel de casos nos últimos 7 dias foi de 46.855, alta de 10% frente 14 dias antes e um recorde desde o início da pandemia.
E o país registrou mais de mil mortes por covid em 24h pela primeira vez desde 15 de setembro. Foram 1.054 no total, alta de 27% frente a média de 14 dias atrás.

Também na quinta, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a vacinação contra a Covid-19 deve ser obrigatória, mas não forçada. Corte determinou que podem ser impostas medidas restritivas àqueles que recusarem a imunização.

Como sanção aos que não se imunizarem, firmou-se a tese do relator Ricardo Lewandowski, de que pode “ser implementada por meio de medidas indiretas, as quais compreendem, dentre outras, a restrição ao exercício de certas atividades ou à frequência de determinados lugares, desde que previstas em lei, ou dela decorrentes”. Essas medidas podem ser implementadas tanto por União quanto por unidades da federação e municípios.

Os ministros decidiram também que não há necessidade de assinatura de um termo de consentimento, como deseja o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em uma decisão separada, os ministros determinaram que pais não podem deixar de vacinar seus filhos, mesmo que motivados por questões filosóficas ou crenças pessoais. O recurso trata da vacinação em geral, prevista no calendário oficial, e não especificamente da imunização contra a covid.

Na quinta, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, estimou que o Brasil terá 24,5 milhões de doses de vacinas contra covid disponíveis em janeiro, dependendo de aprovação da Anvisa.

Na quinta, uma fonte cujo nome não foi identificado afirmou à agência de notícias Reuters que a farmacêutica Pfizer só apresentará pedido à Anvisa para autorização de uso emergencial de sua vacina contra a covid no Brasil após assinatura de contrato definitivo com o governo brasileiro para a venda do imunizante, disse nesta quinta-feira uma fonte com conhecimento da decisão da empresa.

No mesmo dia, o ministro Lewandowski autorizou, em caráter liminar, que estados e municípios possam importar e distribuir vacinas contra a covid-19 registradas por autoridades sanitárias estrangeiras, caso a Anvisa não as autorize em 72 horas. São Paulo deve receber mais 2 milhões de doses da CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac, nesta sexta.
Em cerimônia de apoio ao setor produtivo realizada no momento em que a votação pelo Supremo ocorria, o presidente ressaltou que, “uma vez certificada pela Anvisa”, a vacina deve estar disponível para quem desejá-la. Mas afirmou que não pretende tomá-la.

Bolsonaro afirmou: “ninguém pode obrigar ninguém a tomar a vacina… Se o cara não quer ser tratado, que não seja, eu não quero fazer uma quimioterapia e vou morrer, problema é meu, pô”. “Alguns falam que estou dando um péssimo exemplo. Ô imbecil, ô idiota que está dizendo do péssimo exemplo, eu já tive o vírus, eu já tenho anticorpos, para que tomar de novo?”, disse.

O presidente assinou na quinta medida provisória que abre crédito extraordinário de R$ 20 bilhões para vacinação contra covid no Brasil.

Ainda em destaque, na véspera, a Câmara aprovou a desvinculação de recursos de 29 fundos setoriais para ações de combate à pandemia do novo coronavírus. Juntos, esses fundos têm R$ 177,7 bilhões, mas a aplicação do dinheiro era “carimbada” e não poderia ser alterada sem autorização do Congresso.

O projeto de lei complementar 137 (PLP 137) foi aprovado por 384 votos a 79. Agora, os deputados vão avaliar os destaques – propostas que modificam o texto-base. A maioria das sugestões para alterar o texto tenta retirar alguns desses fundos da desvinculação, como os relacionados à defesa, telecomunicações e café. Depois de concluída a votação, o texto ainda precisa do aval dos senadores.

5. Radar corporativo

O destaque do noticiário fica para a Petrobras: a companhia informou que realizará o pré-pagamento parcial de R$ 4,493 bilhões à Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) em janeiro de 2021. Ontem, a estatal realizou o pagamento de R$ 94 milhões, na liquidação parcial antecipada do Termo de Compromisso Financeiro Pré-70 (TCF Pré-70).

A companhia ainda fechou acordo com o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ) para finalizar o litígio arbitral sobre as perdas relacionadas à Sete Brasil. A estatal pagou R$ 190 milhões para a Previ. Segundo a Petrobras, o acordo se encerra sem o reconhecimento de culpa ou responsabilidade por ambas as partes.

A estatal também assinou na quinta um contrato para a venda da totalidade de sua participação em 14 campos terrestres de exploração e produção, denominados Polo Recôncavo, localizados na Bahia.

Já a Qualicorp anunciou a expansão da parceria comercial com o Grupo Notre Dame Intermédica (GNDI), para a comercialização de seus produtos em todos os canais de venda da Quali. De acordo com comunicado ao mercado da empresa, a expansão da parceria permitirá a oferta do planos GNDI no mix de produtos Quali no segmento coletivo por adesão em todos os seus canais de distribuição, formado por mais de 40 mil corretores parceiros e 500 plataformas distribuídas por todas as regiões do Brasil.

A Usiminas, por sua vez, aprovou a retomada das operações do alto-forno 2 da usina de Ipatinga (MG) que foi paralisado em abril logo após os impactos das medidas de isolamento social sobre a demanda de aço do país.

O Conselho de Administração da Eneva aprovou um programa de recompras de ações de sua própria emissão, que envolverá até 1,07 milhão de papéis, informou a companhia em fato relevante. A CCR comunicou nesta quinta-feira que a Controladoria-Geral do Paraná revogou resolução que impedia a controlada RodoNorte de participar de novas licitações e fechar contratos com o governo estadual.

A BRF comunicou nesta quinta-feira a venda da Banvitfoods SRL, que desenvolve atividades de fabricação de rações e granja de ovos na Romênia, para a Aaylex System Group por 20,3 milhões de euros (126,1 milhões de reais).

A Cosan informou nesta quinta-feira ter sido notificada pelo seu acionista controlador, Rubens Ometto Mello, sobre a realização de um acordo com a gestora de recursos Dynamo, que terá direito de participar da indicação de um membro independente do Conselho de administração da companhia. A Fitch afirmou o rating ‘CCC+’ para Oi.

Por fim, em mediação conduzida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais na quinta, o governo de Minas Gerais e a mineradora Vale não chegaram a um acordo sobre compensações ao Estado pelo desastre de Brumadinho (MG). Mas a expectativa é de um acerto em janeiro, disse o secretário-geral da administração estadual, Mateus Simões.

(Com Reuters, Bloomberg e Agência Estado)

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