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SÃO PAULO – Em uma sessão de leve alta para os principais índices das bolsas mundiais, mas com os investidores ainda atentos à aceleração de casos de coronavírus pelo mundo e com a possível abertura de um novo processo de impeachment contra o presidente republicano Donald Trump nos EUA, o noticiário brasileiro também é agitado.

Por aqui, o destaque fica para a apresentação pelo Instituto Butantan de novos dados sobre a vacina Coronavac, com a coletiva de imprensa nesta terça-feira e também atenção para os dados de IPCA de 2020, índice de inflação oficial do Brasil, que deve ficar acima do centro da meta. Confira os destaques:

1.Bolsas mundiais

Os índices futuros americanos têm altas nesta terça-feira (12), e as bolsas europeias têm desempenhos variados entre si. Investidores acompanham índices elevados de novas contaminações e mortes por covid nos dois lados do Atlântico, apesar do início das vacinações.

Também mantêm-se atentos para o noticiário político americano, com a abertura de um novo processo de impeachment contra o presidente republicano Donald Trump, e a promessa de um terceiro pacote de estímulos para lidar com os efeitos da pandemia.

Na segunda-feira (11), democratas apresentaram na Câmara, onde têm maioria, o artigo de impeachment contra Trump, por incitar na semana passada o violento ataque de uma multidão de apoiadores ao Capitólio, prédio que serve de sede ao Legislativo.

A Casa pretende votar esse artigo ainda nesta semana. Depois disso, o pedido ainda precisaria ser apreciado no Senado, que tem maioria republicana. Para que o impeachment ocorra, é necessária uma maioria de dois terços dos representantes. Por isso, uma parcela dos republicanos precisaria votar pela retirada do representante de seu partido.

O índice S&P 500 Futuro sobe 0,26%; o Nasdaq Futuro sobe 0,39%; o Dow Jones Futuro sobe 0,23%.

Os investidores também acompanham a perspectiva de aprovação de estímulos adicionais, após as vitórias de candidaturas democratas ao Senado pelo estado da Geórgia, que garantem ao partido maioria nas duas Casas do Congresso, além da Presidência.

Na sexta (8), o presidente eleito Joe Biden prometeu um pacote na casa dos “trilhões de dólares”. Ele deve apresentar mais detalhes em um anúncio formal na quinta (15).

Na semana passada, dados oficiais indicaram o fechamento inesperado de 140 mil postos de trabalho nos Estados Unidos, o que vem sendo usado para justificar um novo pacote de estímulos, além dos US$ 900 bilhões já aprovados.

Biden e sua vice, Kamala Harris, devem assumir no dia 20, e os senadores eleitos pela Geórgia, Raphael Warnock e Jon Ossoff, devem assumir até dia 22 de janeiro. Depois disso, o partido democrata estará em posição de aprovar o pacote mais amplo, como foi defendido pelos seus representantes durante meses de negociações.

O avanço da pandemia de covid também é foco da atenção de investidores nesta terça. Nos Estados Unidos, o recorde de novos casos foi registrado na sexta, com 300.594 diagnósticos. No dia anterior fora registrado o recorde de mortes, 4.112.

Na Europa, a alta de casos também continua a preocupar, apesar de notícias positivas, com o avanço da vacinação em massa no continente.

Na sexta, o Reino Unido voltou a bater seu recorde de novos casos em um único dia, com 68.053 diagnósticos. Foram registradas 1.325 mortes, também um recorde.

Na quinta (7), a Alemanha registrou seu recorde de mortes em um dia, 1.152. O recorde de novos casos fora registrado em 30 de dezembro, 49.044.

A rede on-line de farmácias suíça, Zur Rose Group, teve ganhos de mais de 6% neste início da semana, após anunciar uma colaboração com a rede Novo Nordisk. Ações dos setores de lazer e viagem são os que têm os maiores ganhos nas bolsas europeias, indicando certo otimismo quanto à perspectiva de normalização

O índice Eurostoxx sobe 0,17%; o Dax, da Alemanha, sobe 0,04%; o FTSE 100, do Reino Unido, cai 0,3%; o CAC 40, da França, sobe 0,04%; o FTSE MIB, da Itália, recua 0,38%.

A maior parte dos índices asiáticos tem altas nesta terça, que marca a reabertura das bolsas japonesas após um feriado. As ações de empresas da China continental lideram os ganhos.

O índice Nikkei, do Japão, fechou em alta de 0,09%; o Hang Seng Index, de Hong Kong, subiu 1,32%; o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,71%; e o Shanghai SE, da China, subiu 2,18%.

Confira o desempenho dos principais índices às 7h30 (horário de Brasília):

Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,26%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,39%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,23%

Europa
*Dax (Alemanha), +0,17%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,3%
*CAC 40 (França), +0,04%
*FTSE MIB (Itália), -0,38%
Ásia
*Nikkei (Japão), +0,09% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) +1,32% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,71% (fechado)
*Shanghai SE (China), +2,18% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +1,49%, a US$ 53,03 o barril
*Petróleo Brent, +1,58%, a US$ 56,54 o barril
*Bitcoin, -0,99%, a US$ 34.950,37
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com alta de 0,14%, cotados a 1049 iuanes, equivalente hoje a US$ 162,28 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,46

2. Agenda de indicadores

Entre os indicadores, os preços do minério de ferro no atacado pressionaram e o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), que iniciou 2021 com alta de 1,89% na primeira prévia de janeiro, depois de subir 1,28% no mesmo período do mês anterior, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como a inflação oficial do Brasil e como parâmetro para a política monetária do Banco Central, subiu 4,52% em 2020, informou nesta terça-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o número ficou acima do centro da meta de 4% definida pelo Conselho Monetária Nacional (CMN), mas ainda dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Ou seja, o limite inferior de 2,5% e o superior, de 5,5%. Foi a maior alta do índice desde 2016, quando o índice subiu 6,29%.

Já o indicador de dezembro, que foi divulgado junto com o acumulado do ano, acelerou para 1,35%, a variação mais intensa desde fevereiro de 2003 (1,57%) e a maior para um mês de dezembro desde 2002 (2,10%).

Às 11h35, a conselheira do Fed, Lael Brainard, fala em um simpósio sobre inteligência artificial nos Estados Unidos. Às 12h é divulgado o índice de ofertas de emprego Jolts, relativo a novembro nos Estados Unidos. Às 13h, três presidentes do Fed falam em evento sobre racismo. Às 16h, Eric Rosengren, presidente do Fed de Boston, fala sobre a perspectiva econômica.

3. Covid no Brasil

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de segunda (11), o avanço da pandemia em 24h no país, com forte alta de novos casos e mortes.
A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 54.182, alta de 42% frente o período encerrado 14 dias antes e um recorde. Em apenas um dia foram registrados 29.153 casos.

A média móvel de mortes em 7 dias foi de 1.004, alta de 59% frente o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia houve 477 mortes.

O governo de São Paulo deve apresentar nesta terça os dados completos sobre a eficácia da CoronaVac identificada pelos testes realizados no Brasil. A vacina é produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac, e testada em diversos países. No Brasil, os testes vêm sendo conduzidos pelo Instituto Butantan, que deverá produzir o imunizante a partir de insumos importados.

Na semana passada, o instituto anunciou que o imunizante havia atingido 78% de eficácia para impedir casos leves, e 100% de eficácia para impedir casos moderados e graves, que trazem necessidade de acompanhamento mais intenso e podem levar à morte.

Mas o Butantan foi cobrado por apresentar o índice de eficácia geral, aquele que foi propagandeado pelas farmacêuticas Moderna, e pela parceria entre Pfizer e BioNTech, que divulgaram patamares acima de 90%.

Segundo reportagem do portal UOL, que teve acesso a fontes no Butantan, o índice de eficácia geral deve ficar abaixo de 60%, mas acima de 50%, o patamar mínimo exigido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Dessa forma, ele deverá servir para garantir imunidade de rebanho à população vacinada.

O Instituto enviou na sexta-feira à Anvisa dados para o pedido de uso emergencial da CoronaVac, mas a agência afirmou que faltam dados obrigatórios. A análise não foi suspensa, mas a agência continua a esperar que o Butantan envie os dados completos.

Além disso, na segunda-feira o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou que o foco da vacinação no Brasil poderá vir a ser a redução da pandemia, ao invés de garantir imunidade completa. Ele falou sobre a possibilidade de aplicação de somente uma dose do imunizante produzido pela parceria entre Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca, testado no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), aumentando o tempo antes da aplicação da segunda dose, o que garante índices mais altos de imunização.

“Essas doses, que com duas doses você vai a 90 e tantos por cento [de imunização], com uma dose vai a 71%. Com 71% talvez a gente entre para imunização em massa, é uma estratégia que a Secretaria de Vigilância em Saúde vai fazer para reduzir a pandemia. Talvez o foco seja não na imunidade completa, mas sim a redução da contaminação e aí a pandemia diminui muito. Podendo aplicar a segunda dose na sequência, chegando a 90%”, disse.

Pazuello evitou dar um prazo para o início da vacinação. “A vacina vai começar no dia D, na hora H no Brasil. No primeiro dia que chegar a vacina, ou que a autorização for feita, a partir do terceiro ou quarto dia já estará nos estados e municípios para começar a vacinação no Brasil. A prioridade está dada, é o Brasil todo”, disse. Na segunda, o vice-presidente, Hamilton Mourão, voltou ao trabalho após 12 dias de isolamento no Palácio do Jaburu para tratamento contra covid. Ele afirmou que vai tomar a vacina, e que não irá “furar fila”.

4. Saída da Ford do Brasil e mais destaques de jornais

Na segunda-feira, a montadora Ford anunciou o fim da produção de veículos em Camaçari (BA) e Horizonte (CE), além do fim da produção de motores em Taubaté (SP). Nos últimos seis anos, a empresa já havia deixado de promover ciclos de investimentos no Brasil e, há dois anos, havia fechado sua fábrica no ABC. Dessa forma, a montadora encerra completamente sua produção no Brasil.  Com o fim da operação, a Ford prevê impacto de cerca de US$ 4,1 bilhões em despesas não recorrentes.

A Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no País, atribuiu à ausência de medidas capazes de aliviar o custo de produção no Brasil a decisão anunciada pela Ford. Em nota, a associação, que por muitas vezes foi presidida por dirigentes da Ford, diz, primeiro, que não se manifesta sobre decisões estratégicas de associadas. Porém, sustenta na sequência que a notícia corrobora os alertas a respeito da falta de medidas contra o custo Brasil.

“A Anfavea não vai se manifestar sobre o tema. Trata-se de uma decisão estratégica global de uma das nossas associadas. Respeitamos e lamentamos. Mas isso corrobora o que a entidade vem alertando, há mais de um ano, sobre a ociosidade da indústria (local e global) e a falta de medidas que reduzam o Custo Brasil”, diz a entidade na íntegra da nota.

Já a Folha aponta as perspectivas de medidas do Ministério da Economia para este ano. A pasta, aponta a publicação, não deve anunciar medidas em janeiro e pouco inovará em 2021. A pasta brigará pela aprovação de propostas já conhecidas, como a PEC Emergencial, a Reforma Administrativa, o Pacto Federativo e a Carteira Verde e Amarela. O Orçamento de 2021 será revisado com cortes na ordem de R$10 bi e R$20 bi, enquanto um novo programa de auxílio seria feito somente dentro do teto de gastos. A reportagem destaca ainda que a Economia vai buscar ressuscitar negociações para criar um imposto aos moldes da CPMF.

O Valor reitera que a prioridade da Economia será a aprovação de reformas e geração de empregos, mas reconhece as pressões políticas por mais auxílio. Uma ideia seria aprovar medidas de ajuste, que liberariam mais recursos dentro do teto de gastos, antes mesmo de se votar o orçamento.

5. Radar corporativo

A Marfrig  anunciou na segunda-feira início de ofertas de compra em dinheiro de até 1,25 bilhão de dólares em títulos com vencimentos em 2024 e 2025. As ofertas expiram em 8 de fevereiro e estão condicionadas “à conclusão em termos satisfatórios à Marfrig, de uma oferta de notas sênior”, afirmou a companhia em comunicado ao mercado.

A International Meal Company informou que recebeu a renúncia de Rodrigo Neiva Furtado e José Agote a cargos em seu conselho de administração, que deverão ser ocupados por Luiz Fernando Ziegler de Saint Edmond e Lucas Santos Rodas.
A Log-In Logística Intermodal informou que a subsidiária TVV venceu edital da Companhia de Docas do Estado do Espírito Santo para explorar provisoriamente a área número cinco do Porto Organizado de Vitória.

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