Muita gente quer esquecer o ano de 2020. Foram mais de um milhão de mortos pelo coronavírus no mundo, quase 150 mil deles somente no Brasil. Este foi o ano em que a economia mundial se curvou, com o Fundo Monetário Internacional prevendo queda de 3% do PIB mundial.

O Brasil reduziu a taxa básica de juros. A SELIC meta começou o ano com 4,5% e foi reduzida à sua mínima histórica em 6 de agosto: 2% a.a. Com a renda fixa pagando pouco, investidores pessoa física buscaram a Bolsa de Valores como um refúgio para remunerar melhor o seu dinheiro.

Não é possível inferir que foi esse o motivo para que as empresas se empolgassem buscando capital, mas em 2020 já são 18 novas empresas listadas. 

Juntas, elas foram responsáveis por mais de um milhão e trezentas mil negociações somente no mês de setembro, movimentando um volume de R$ 9 bilhões, com destaque para a Locaweb com volume próximo de R$ 2,5 bilhões, seguida pela Pet Center, com volume próximo a R$ 2 bilhões em mais de 285 mil negociações.

Esses números podem ser considerados relevantes, especialmente para um país que está apresentando um cenário desfavorável para as contas públicas e que, por conta disso, viu nos últimos tempos uma fuga de capital estrangeiro que colocou o Brasil em primeiro lugar no ranking mundial de desvalorização da moeda.

A onda de novos investidores pode ser positiva para o desenvolvimento do mercado, desde que entendam a diferença entre um investidor de longo prazo e um especulador, que busca pequenos ganhos em grandes quantidades de operações com alto volume financeiro.

O mercado brasileiro tem condições de crescer, mas é preciso que isso aconteça de forma sustentável, com investidores confiantes nas empresas e na economia. Será que esses novos investidores estão certos de suas escolhas?

Com o crescimento de interessados no tema, passaram a surgir muitas pessoas falando sobre finanças, inclusive crianças. Temo por uma bolha que, se estourar, vai deixar muita gente desacreditada com o mercado de capitais, como se ele fosse o culpado pelas ilusões criadas sobre o dinheiro fácil.

Há muita informação disponível, mas é preciso compreender que nem toda informação gera conhecimento e nem todo conhecimento gera aprendizagem.

Existem diferentes formas de se aprender: pela opinião, pela convicção e pelo saber. Essa última privilegia as práticas pedagógicas e valoriza o professor. Já a opinião e a convicção, ficam por conta e risco do aprendiz.

Uma coisa é “o que eu ouvi dizer”, outra coisa é “o que eu acredito que seja”. Mas a melhor forma de aprender é pelo conhecimento intelectual.

Existem boas informações disponíveis na internet. No entanto, é preciso ter cuidado para não se iludir. Esse papo de ficar rico com day trade, opções, dentre muitas outras promessas que fazem parecer o mercado financeiro ser um espaço apenas para ganhadores é bem perigoso. 

Pense bem antes de aventurar, cuidado com as falsas promessas e bons investimentos!

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